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quarta-feira, dezembro 22, 2004

A viagem de Crichton

Li isso ontem no blog da Nature (infelizmente em inglês, galera). É uma análise crítica sobre o novo livro de Michael Crichton, "State of Fear", em que ele afirma que todo o alarme sobre aquecimento global é puro exagero dos cientistas. E afirma isso baseado em relatórios mal-interpretados por ele mesmo. Ou seja, com o intuito de criar uma boa história de ficção, ele passou por cima da ciência - embora sempre que possível parece se basear nela para argumentar algo no livro. Tudo bem, eu nunca gostei muito do Michael Crichton mesmo, desde "Jurassic Park". Suas analogias científicas naquele livro sobre teoria do caos foram fracas, além de sua "ressurreição" de dinossauros. Mas era uma novela, uma ficção, então valia o entretenimento.

Mas parece que não entendi o recado, e agora vem mais essa.

Só torço para uma coisa: que Sr. George W. Bush (e seus assessores) não leia esse livro. Porque aí... estamos no sal. Bye-bye, Kyoto, forever.

Discordar é algo positivo, pois geralmente descobrimos uma nova faceta de um problema. Gosto quando pessoas discordam de mim com argumentos convincentes. Na hora, posso até berrar, ficar puta, etc. Mas depois, deitada no meu travesseiro, principalmente depois de uma noite de sono, com certeza se a coerência do argumento e a lógica (não sofismas!) forem patentes, é claro que minha opinião será reavaliada. Isso chama-se contruir um pensamento. E a ciência usa essa forma de trabalhar. Você tem uma tese, alguém pode soltar uma antítese te contestando, e chega-se a uma síntese. Mas querer que construamos algo com argumentos pelas metades e cheios de furos... principalmente depois da quantidade enorme de experimentos que provam que o aquecimento global é, sim, uma dura e triste realidade.

Michael Crichton pisou na bola feio dessa vez.

Tudo de bom sempre.

PS.: Vale ressaltar que eu não li o livro do Crichton "State of Fear" ainda, portanto minha opinião é totalmente passível de mudança... Baseei esse texto no que li na coluna da Nature, uma revista científica de renome mas que também é passível de erros - e acreditar nessa fonte pode se mostrar um erro no futuro. É pagar pra ver.

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