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domingo, janeiro 16, 2005

Comprovaçao pratica da teoria do caos

Esse início de ano está complicado para mim. Na realidade, desde o início de dezembro não descanso a mente. Sempre vou dormir com alguma coisa que ficou pela metade para ser feita, uma sensação que me irrita e drena minha alma. Os meus momentos de lazer - ironia do destino - são no laboratório, trabalhando, quando sento e penso nos experimentos, na vida e desligo das demais preocupações. Desde dezembro, estou pulando de uma preocupação a outra, rodando a baiana para conseguir resolver tudo em tempo hábil nesse frio - sim, está bem frio por aqui, e eu sofro com o inverno.

Não que sejam coisas ruins ou chatas ou tristes, pelo contrário - apenas são tarefas que requerem raciocínio e concentração. Sabe quando tudo acontece ao mesmo tempo agora? Está assim a minha vida. Na modesta lista de afazeres que se acumula no meu quadro mental, estão: um artigo para escrever sobre meus experimentos do Hawai'i ainda (com minha ex-chefe na cola por tal coisa), um monte de experimentos no laboratório atual para serem realizados e analisados, um estudante que coordeno num projeto que está emperrado o qual preciso solucionar o pepino, fotos para serem organizadas ainda da viagem da Nova Zelândia no início de dezembro, preparar/ler/organizar os locais de interesse para nossa próxima viagem em fevereiro, ler "Crime e Castigo" pro Clube de Leituras do Alexandre, conseguir desgrudar o olho do blog do Alexandre e suas prisões interessantíssimas e com comentários melhores ainda, bolar/executar passeios por Seul com meus sogros que estão nos visitando por um mês, parar de ler/reler/treler/ quadriler/quinqueler o post do Camburizinho sobre Nansen (o mesmo para as minhas "viagens" montanhistas na forma de reportagens, livros e afins), responder os emails que só se acumulam, terminar a transferência de músicas dos meus cds pro hard disk externo, arrumar malas pra pequena viagem de fim-de-semana da semana que vem(!!!), além, é claro, do basal: tentar ser entendida em coreano, fazer compras, lavar roupas, dormir, tomar banho e comer. Como dizia um professor que eu detestava na faculdade: o que você faz de meia-noite as 6?

Minha cabeça anda a mil, caótica, e não consigo puxar as rédeas de meus neurônios hiper-ativos - bem, as pelo menos 4 xícaras de café preto por dia também colaboram para tal situação. E foi pensando na minha cabeça caótica que hoje vim divagando no metrô sobre a cabeça das pessoas. O que as pessoas pensam? Em que viajam suas mentes mundanas? A Mônica, no último post, comentou que ficava imaginando o que se passaria na cabeça das ajumás, e eu confesso que isso me vem à cabeça constantemente também. Não só das ajumás, mas de tudo ao meu redor, incluindo aí meu gato Catupiry, as crianças que saem da escola, o cara que me serve no bandejão da empresa, enfim, TODOS a minha volta mesmo.

Quando morava no Rio, em 1998, e passava por um dos momentos mais difíceis da minha vida, eu sempre andava de metrô pensando a mesma coisa: o que será que essas pessoas ao redor estão pensando nesse momento? Quais são seus problemas? Será que ganharam na loto e não sabem? Será que terminaram um namoro, perderam um parente próximo, têm um convite pra um emprego melhor? Na época, eu passava por um momento difícil, e me pegava pensando o reverso da situação: será que os desconhecidos ao meu redor sequer imaginam o aperto que estou passando agora?

Um caos mental. Esse exercício de imaginação e criatividade (às vezes eu verbalizo minhas histórias pro André, que delira com as viagens malucas) beira à insanidade para alguns, mas me faz dar risadas e refletir sobre nosso caos interno, o quanto somos escravos da ordenação. Cada vez que um pequeno distúrbio surge, ficamos assim, perdidos, com essa sensação de entropia. Por que não manter o caos em nosso cérebro e a partir daí tentar determinar sua organização? (O caos determinístico, quem sabe...)

E se conseguíssemos fractalizar os pensamentos nossos e dos outros, chegaríamos a uma espiral lógica? A uma figura imaginária comum? Ou isso é caso pra hospício? Será que na atual conjuntura minha cabeça é a maior prova prática da teoria do caos, e eu consigo pôr pra fora um texto pra Balada do Louco com a minha própria experiência? Será que conseguirei relaxar no próximo mês? Será que eu esqueci o aniversário de algum amigo por esses dias? Será que o filme do Bob Esponja já chegou aqui nos cinemas da Coréia?

Aos vencedores dessa corrida maluca pela razão e pela organização, as batatas.

Tudo de bom sempre.

P.S.: Esse post "fim de feira, fim de domingo, fim de noite, fim da pilha" não é representativo do conteúdo deste blog. Amanhã (espero!) esse blog volta ao normal, após uma boa noite de sono... Bons sonhos a todos.

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