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terça-feira, janeiro 25, 2005

Pequenas anotaçoes de viagens virtuais

O meu amigo Túlio finalmente foi seduzido pelo mundo dos blogs. Ele é um biólogo brasiliense que adora uma colagem musical, vai agora fazer colagens bloguísticas também, e sabe-se lá da onde serão as fontes - talvez da sua cabeça super-criativa. Vale a pena ficar de olho.

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Tem 2 coisas que não irritam, mas incomodam nesse blog, e que devido ao meu analfabetismo informático em HTML, não consigo consertar:
1) o fato de que alguns links "desaparecem" e só "reaparecem" quando passo o mouse por cima;
2) a desuniformização das cores nos links - é pra ser tudo azul-piscina! Por que em alguns links ela insiste em se manter mais escura?

Se alguém souber o que eu faço pra consertar esses detalhes minúsculos, não se acanhe em ajudar! Desde já, agradeço.

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Acho que não vai dar pra terminar "Crime e Castigo" a tempo pro cross-talk do Alexandre. Que droga!

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Se você não leu a coluna do New York Times (com tradução do UOL) comparando o Bush ao Bob Esponja (o "Bush Esponja"), precisa ler. Para os fãs do invertebrado marinho como eu, é de se perguntar como algumas pessoas conseguem ser tão criativas.

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Existe algo mais legal, fofo e carinhoso do que uma amiga virtual te enviar um cd de um grupo musical que eu nunca comentei com ninguém que adorava (acho que ela deve ter uma bola de cristal lá em Portugal, quem sabe?) e com uma carta/filosofia escrita à mão em plena era da comunicação virtual? Isso sim dá uma luz diferente pro nosso dia... Estou speechless, não sei nem como agradecer esse carinho todo. Muito legal mesmo!!!
:-)

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O Bia perguntou nos comentários do post anterior a este o que eu achava do Stephen Jay Gould... eu respondi lá, mas vou repetir aqui porque adorei ressuscitar essa lembrança: os textos do Gould mudaram a minha visão de mundo e de mim mesma. O Gould era um desses caras que eu queria abraçar na vida e dizer: "Você é o máximo, meu ídolo!" Quando fui morar em Boston, um dos meus sonhos era um dia "esbarrar" sem querer com ele ou assistir a uma palestra dele (ele era curador do Museu de História Natural da Harvard). Uma noite, em pleno Harvard Yard, ele passou em frente ao banco onde eu estava sentada - e eu perdi a voz ao vê-lo. Patética a situação, e simplesmente ele continuou andando, eu de olhos arregalados e ele nem reparou. Faltando 2 dias pra eu me mudar de vez de Boston, ele morreu, de uma patologia que na época eu estava fuçando um pouco: mesotelioma, um tipo de câncer agressivo e que em geral leva à morte em menos de um ano após diagnose. Ele viveu 20 anos depois de diagnosticado (!), e serviu de cobaia para vários testes: um dos médicos que o tratava chorou muito ao saber da sua morte, pois muito mais que um mero paciente, ele foi um cientista iluminado ajudando com conclusões brilhantes a desvendar um problema sério. Ele trabalhava com os médicos elaborando hipóteses e experimentos, o que é um raro evento. Após sua morte, fui fazer minha "reverência final" a ele visitando mais uma vez a coleção do Museu que ele tanto ajudou, e tanto enriqueceu a história biológica, e cuja coleção paleontológica ele tinha tanto orgulho. E eu percebi egoisticamente que meu ciclo em Boston tinha acabado: uma das minhas "razões" de estar lá tinha morrido.

Se quiser sacar um pouco da genialidade do Gould, leia esse texto sobre a sua visão do mesotelioma e as conclusões estatísticas a que ele chegou. E se gostar desse texto, viaje mais ainda lendo "Vida Maravilhosa", "O Polegar do Panda", "A Galinha e seus Dentes", e tantos outros livros/ ensaios biológicos de peso.

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Tudo de bom sempre.

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