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terça-feira, fevereiro 15, 2005

China capitalista: Hong Kong

Para os amantes de cidades, metrópoles e todos os aspectos de uma urbe imensa, visite Hong Kong. Para os que querem segurança e eficiência numa cidade, visite Hong Kong. Para os que dependem de uma natureza exuberante e bela por perto, visite Hong Kong. Para os que gostam de comer bem, visite Hong Kong. Para os arquitetos, urbanistas, amantes dos trópicos... visite Hong Kong. Precisa dizer mais? A cidade é incrível. Eu me apaixonei por Hong Kong, e foi amor à primeira vista. Minha sensação? Um Rio de Janeiro menor, sem violência e bem mais organizado. Organização inglesa, diga-se. Embora a cidade não seja enorme, tem espírito cosmopolita no melhor sentido da palavra.

Chegamos em Hong Kong num dia ensolarado, e a visão da janelinha do avião já prometia, pois a paisagem natural da ilha era fantástica. Uma pequena Angra dos Reis com ilhotas e praias recortadas. Mas é quando você desembarca naquele aeroporto modernérrimo e se encaminha para o centro da cidade que percebe o quanto Hong Kong é uma cidade pra lá de especial. Hong Kong é vertical.

Hong Kong noturnodowntown hong kong
Olha a iluminação desse arranha-céu, que maravilha!!! Ao lado, visão geral (e vertical) de uma das muitas avenidas de Hong Kong.

Cercada de verde e morros, os arranha-céus cortam o visual. Mas não é qualquer arranha-céu, não! É o conjunto de prédios mais bonito que eu já vi, todos de arquitetura e design arrojado, funcionais, e disputando à noite qual deles faz o melhor show de iluminação. E que show na noite do Ano Novo Chinês! Luzes de todas as cores, prédios mudando de tons, uma pintura em monumentos de vidro e aço refletida nas águas da baía de Victoria. A Liliana, um doce de pessoa que morou por mais de um ano nessa "Cidade Maravilhosa da Ásia", mandou um email com uma lista do que seria fundamental fazer por lá em poucos dias. Não deu pra fazer tudo por falta de tempo, mas a travessia à noite pela baía de Victoria para o Kowloon vendo os prédios iluminados... ah! Isso eu fiz, e recomendo a todos! Respirar a brisa do mar de modernidade...

Hong Kong skylineHong Kong skyline noturno
De dia e de noite, um minúsculo pedaço dos arranha-céus, cartão postal da cidade. Detalhe: esse prédio em verde à noite troca de cores em degradê. Simplesmente perfeito.

Das atividades recomendadas pela Liliana, também conseguimos fazer a subida ao Pico Victoria (ou Victoria’s Peak) pra ver o pôr-do-sol – além de andar em uma trilha por lá atrás dos melhores ângulos fotográficos da cidade -, a subida nas escadas rolantes entre a cidade baixa e a cidade média, e os passeios de barco pela marina. Fomos também à rua Des-Voeux, famosa pelas lojinhas de produtos exóticos/medicinais chineses (à la repórter-denúncia: fomos atrás de barbatanas, é claro), onde encontramos cavalo-marinho seco, chifres dos mais diferentes animais, inúmeros tipos de cogumelos, abalones, pepinos-do-mar à venda... enfim, um mar inteiro de bizarrices gastronômicas para satisfazer o exigente mercado honkonguense (isso aí tá certo em português?).

Também fomos ao Ocean Park, um centro de lazer aquático do outro lado da ilha, com uma montanha russa instável como aquelas de parquinho em cidade do interior. Esse parque vale a pena pela harmonia de todas as edificações com a vegetação do morro – o parque é o morro inteiro! E pelas escadas rolantes gigantes que nos levam até o topo do morro (como escada rolante é uma eficiência urbanística!), e pelos diferentes aquários, com peixes de todos os tamanhos e modelos, vindos das águas de todos os lugares tropicais do planeta. Muito organizado.

Hong Kong downtown passarelasHong Kong skyline noturno ano novo
Passarelas para pedestres servindo de calçadas (à esquerda da foto) e desengarrafando o trânsito. Ao lado, iluminação dos prédios para o Ano Novo Chinês.

Organização não falta em Hong Kong. Acho que todos os administradores do Rio de Janeiro deveriam passar um tempinho por lá, para aprender a construir em morros sem destruir a vegetação, para ver como se organiza uma cidade em níveis sem caotizar o trânsito – que em Hong Kong flui tranqüilo, pois os pedestres andam muito em passarelas especiais, diminuindo o número de semáforos/sinais para os carros e agilizando o tráfego.

Eu poderia continuar desfiando um mundo de palavras aqui, descrevendo cada minuto mágico e delicioso pelas ruas de Hong Kong. Mas eu só passei uns poucos dias, minhas impressões de turista casual são poucas. Aprofundamento no assunto, quem quiser, vai correndo visitar o blog da Liliana e dê uma lida meticulosa e com carinho nos excelentes textos que ela pôs por lá, em um tempão de experiência nessa pérola de cidade – sortuda!!

E no fim fica a pergunta: em Hong Kong, eu estava mesmo na China? Tirando pelos letreiros em chinês, mal dava pra perceber sinais da velha China comunista! Pessoas de todas as etnias, lojas de todas as grifes famosas e caras, custo de vida alto, ônibus e bondes de 2 andares... É, os britânicos souberam direitinho colonizar e modernizar o velho entreposto comercial deles! Mesmo depois de devolverem aos chineses no fim da década de 90, o capitalismo do lugar não tem volta: é fato, e a China de Mao que se adapte a ele.

Tudo de bom sempre.


Viajando na maionese...

- A culinária de Hong Kong é um capítulo à parte em qualquer texto sobre a cidade – de ninho de passarinho à bexiga de urso, come-se de tudo exótico por aqui. O sabor? As coisas que eu provei foram todas deliciosas com aquele tempero chinês acentuado: noodles frito, carnes agridoces, frutos-do-mar bem feitos. E não! Eu NÃO comi sopa de barbatana de tubarão, a iguaria mais valorizada do mercado (mais de 100 dólares um prato!): vai contra os meus princípios eco-bio-político-tubaro-humanísticos. Aliás, detalhes dessa "sopa" vêm num post pra frente aí...

- No dia 09/fevereiro, pleno Ano Novo Chinês, teve o jogo/pelada/treino de luxo Brasil X Hong Kong (placar 7 X 1), com Ronaldinho Gaúcho ídolo máximo e a estréia de Robinho. Não consegui assistir: ingressos a mais de 200 dólares/pessoa! Amigos, ainda não brota dinheiro na plantinha da minha sala, não! Foi melhor gastar muito menos e assistir num bar, tomando cerveja, comendo nachos e dando risada dos honkonguenses a cada gol do Brasilsilsil.

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