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quinta-feira, fevereiro 24, 2005

China rebelde: Taiwan

Lucia Malla de volta à China.

Considerando a "família China", até agora mostrei a faceta tranqüila e calma, aquela que almoça aos domingos e dá risadas em conjunto. Mas nessa família, tem uma filha rebelde, e é a ilha de Taiwan (também chamada de Formosa).

O Brasil não mantém relações diplomáticas com Taiwan, para obviamente não melindrar a super-potência China. Afinal, a situação política da ilha é delicadíssima: quer se tornar independente da China, que por sua vez não aceita isso. Então, o que vemos é essa confusão imigratória: você precisa de um visto para entrar num país que, em tese, não é um país ainda. Nessa bagunça toda, é claro, os EUA estão envolvidos: vendem (de forma não-declarada, entenda-se) armas para as guerrilhas taiwanesas, fomentando sua sede de independência - para desconforto da mãe China. E como país nenhum do mundo quer comprar briga com a China (detentora de um exército de milhões e algumas bombinhas nucleares extras), a imparcialidade governa e vai-se vivendo.

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Majestosa arquitetura do Opera House de Taipei e nas ruas, um mundo de vespas, o meio de locomoção por excelência em Taiwan!

Além dessa bagunça política, Taiwan ainda tem a "excelente" fama de ser um dos países (?) mais agressivos na caça a tubarões e outras preciosidades marinhas ilícitas de serem pescadas. Taiwan, estaria, assim dizendo, liderando a lista-negra de qualquer ONG ambiental. E eu, Lucia Malla, adentrei Taiwan com esse pé-atrás, essa coisa mineirística-desconfiada: estou entrando na terra do inimigo, um país que nem o meu país de cidadania reconhece! Ah, como eu estava enganada...

Taipei (a capital da ilha) é simplesmente uma cidade fantástica. Assim que comecei a andar pelas ruas, me senti andando em Copacabana, pois a arquitetura dos prédios no centro tem aquele ar típico e nostálgico da década de 50/60. Quer dizer, quase Copacabana, se não fossem as incontáveis vespas (ou mobiletes) espalhadas por todas as ruas e com direito a estacionamento especial em todas as calçadas. E que cidade organizada! Um sistema de metrô excelente, limpíssimo, eficiente e moderno. Em nada lembrando uma cidade suja, a primeira idéia que eu tinha na cabeça antes.

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Vista geral do Memorial Chiang Kaishek no centro de Taipei. Ao lado, numa bodega na praça de alimentação do Taipei 101, onde o cozinheiro preparava os pratos em frente aos clientes, algo que eu adoro - esse lado lúdico de comer!

Não bastasse toda a organização do sistema de transporte público, as pessoas me conquistaram por lá, com seu calor humano e olhar alegre. Não sei explicar, mas me senti mais confortável naquela "Ásia cariocada". Visitando o centro da cidade, conhecemos o Memorial Chiang Kaishek, feito em homenagem ao líder da insurreição que trouxe a condição política esdrúxula que a ilha-país vive. Nesse memorial-parque, estão também os 2 prédios da Opera House (um está na foto lá em cima): os 2 prédios são exatamente iguais, um de frente pro outro, e em um só tocam sinfônicas e orquestras ocidentais, e no outro, só orientais. Separando as culturas sem dó.

Mas é quando chegamos ao centro novo de Taipei que a gente se impressiona de verdade. Não dá pra não babar. É cada prédio mais moderno que o outro, cada rua mais bonita que a outra - e é nessa profusão de modernidade que está a recém-inaugurada (31/dez/2004) jóia de Taipei: o Taipei 101.

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O Taipei 101 de dia e de noite, com a iluminação em arco-íris que lhe é peculiar. Embaixo, uma escultura em forma de boca (ah, Salvador Dalí se revirando...) iluminada numa das ruas do centro novo, e ao lado, um prédio moderno com uma horta na frente - aproveitando todo e qualquer espaço disponível para algo útil.

Taipei 101 é o edifício mais alto do mundo atualmente, além de se auto-intitular o mais seguro (vi um programa no National Geographic Channel sobre ele, realmente é de espantar a rapidez com que é evacuado em caso de emergência). A idéia do prédio em vidro é parecer um bambu, planta tão ligada aos orientais. Parece, mas eu diria que ele é melhor como monumento à grandeza, única e simplesmente. 101 andares de pura estética contemporânea, sustentados por uma estrutura esférica enorme no centro (600 toneladas), que diminui as vibrações do prédio frente aos possíveis ventos. O observatório para visitantes fica no andar 89, e não é recomendado para os que têm medo de altura. O visual é interessante, uma cidade aos seus pés. Imagino que fosse a mesma sensação de subir no finado World Trade Center, experiiencia que nunca tive e nunca terei por razões óbvias. Nos primeiros 5 andares, funciona um shopping center, com uma das melhores praças de alimentação que já visitei na vida: eu queria ter 30 estômagos pra poder provar de tudo um pouco naquele lugar, pois tudo tinha um toque de comida chinesa da boa. Deu água na boca só de lembrar dos cheiros!

taipei 101 elevadorA emoção de entrar num elevador e ir do 5 ao 89 em menos de 40 segundos: Taipei 101, esse é o endereço.

Em Taiwan, ainda, visitamos a cidade-porto de Suao, onde desembarcam grande parte das pescas ilícitas da ilha. Mas como essa é a parte feia da história, eu conto outra hora. Por enquanto, fiquem com a Taiwan dos sonhos: rebelde só no papel, e simpática e bem-cuidada na prática.

Tudo de bom sempre.

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