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terça-feira, março 22, 2005

Disputa no dia da agua: Ilhas Spratly

Nos últimos dias, a questão da disputa pela ilha de Dokdo entre Japão e Coréia do Sul tem atraído muita atenção, não só da mídia asiática, como internacional - vide reportagem no NYTimes de hoje.

E eu recebi um adendo muito interessante em meu scrapbook do Orkut, do Ho, um coreano-brasileiro muito simpático. Ele diz:

"(...) Só queria completar que a disputa pela ilha, além de ser uma questão de soberania e orgulho, a ilha tanto historicamente, oficialmente e documentalmente sempre foi da Coréia. O Japão começou a reivindicar a partir de anos 70 após avaliar que a ilha era ponto estratégico e que os recursos marinhos eram valiosos. Hoje perceberam os recursos de energia na região da ilha (Hydrate gas) que eh considerado como energia do séc XXI e essa reivindicação está deixando tenso o clima entre os dois paises.
Essa reivindicação significa para coreanos que o Japão, além do período de dominação e sofrimento da Coréia, continua sendo um país imperialista, sem se arrepender do passado. Não é questão da decisão da prefeitura de Shimane* e dos extrema direita, mas o Governo Japonês tbém demonstra interesse (já que o Governo Japonês diz "não podemos fazer nada com a decisão da prefeitura de Shimane" em proclamar como dia de Takeshima) e com alteração da história dizendo que "a ilha é japonesa e os coreanos invadiram" nos livros primários."


(*Shimane é a cidade japonesa que decretou o dia de Takeshima, irritando os coreanos.)

Excelente adendo a tudo o que eu havia tentado explicar nesses dois posts, principalmente acrescentando o recurso natural lá existente, informação que eu desconhecia.

Na avaliação do NYTimes, hoje, um analista político da Seoul National University diz uma frase que para mim, sintetiza bastante a dimensão do que estamos vivendo na Ásia:

"If South Korean-Japan relations become twisted, the result will be that South Korea and North Korea will become united against Japan. And as China and Korea share the same historical perspective toward Japan, the unintended consequence will bring China and the Korean peninsula against Japan." (Park Cheol Hee)

O resultado, todos podemos imaginar. Além disso, cabe ressaltar que o Japão também entrebate-se diplomaticamente com a China por outras ilhas minúsculas no mar do Japão, ilhas estas que possuem petróleo. Aí, diante dessa confusão insular toda - em pleno dia da água, aliás -, André (amante de geografia) me informa que existe uma confusão muito maior em torno das Ilhas Spratly. "Ahn? Como é que é? Onde fica isso?"

Lá vou eu pesquisar - eu não posso ver algo de geografia que eu não faço a menor idéia que o bichinho do Google me morde... E a história toda resumida é a seguinte: as Ilhas Spratly não têm dono no mundo. Estão no sul do mar da China, mas ficam num limbo geográfico, pois não estão no nosso super-Atlas devido à uma certa equidistância entre os países envolvidos na disputa - e são 6: Vietnam, Filipinas, Brunei, China, Taiwan (que a China desconsidera como país) e Malásia.

Ilhas Spratly
Foto retirada deste site. Mapa do mar da China, com um pouco da confusão geográfica, política e histórica da disputa pelas Spratly.

As Ilhas Spratly, assim como Dokdo e demais ilhotas em disputa, estão nessa situação por terem naturalmente recursos que interessam às nações citadas, além de posicionamento estratégico. No caso de Spratly, petróleo e recursos pesqueiros infindáveis: estão na borda do centro de biodiversidade marinha mundial, ou seja a área mais produtiva biologicamente falando, e na borda do Anel de Fogo do Pacífico. Obviamente, essas ilhas já sofrem pesca predatória desses mesmos países que a disputam, mas a tensão está lá, rondando como mosca de padaria. A China é a potência mais poderosa nessa situação e reivindica Spratly por dizer que "historicamente" é dela (o Vietnam reivindica pelo mesmo motivo). Entretanto, para complicar mais a história, existe uma regrinha designada pelas Nações Unidas chamada de "Princípio da proximidade" que diz que o país mais próximo pode clamar para si - nesse caso, as Filipinas.

(Parênteses: não nos esqueçamos das Ilhas Falkland/Malvinas: se esse princípio fosse realmente válido, pertenceriam naturalmente aos nossos hermanos.)

Enfim, esse barril de pólvora chamado Ásia uma hora explode. Enquanto isso, a gente tenta achar informações que nos mostrem uma forma qualquer de visitar esses locais de natureza pristina e tubarões maravilhosos para mergulhar. Será que vai ser possível num futuro próximo mochilar até Layang Layang?

Vou consultar minha bola de cristal e depois conto pra vocês.

Tudo de bom sempre.

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