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sábado, junho 18, 2005

Os coreanos em ferias

As férias de verão estão chegando no hemisfério norte, e com elas, os planos de viagens. Embora na Coréia do Sul o período de férias seja relativamente reduzido para os trabalhadores - em média 10 dias por ano - são aproveitados pela maioria da maneira usual: viajando. (Interessantemente, as crianças em idade escolar têm férias de um mês apenas em julho, e suas maiores férias são em dezembro/janeiro, no meio do inverno.)

O principal destino do turismo doméstico é a ilha de Jeju, ao sul da Coréia. Já estivemos lá duas vezes, um lugar muito bonito, com vulcões, crateras, praias bonitas e bons locais de mergulho. Cheio de resorts também, e boas pedidas de diversão em família ou passeios radicais - fazer hiking até a cratera do Monte Hala, por exemplo. Nesse verão em particular, outro destino certo é Dokdo, muito pela tensão política que o Japão criou por causa dessas rochas no meio do mar.

Entretanto, é sobre o turismo internacional coreano que eu gostaria de refletir um pouco. Ontem mesmo, a governadora do Havaí estava aqui, tentando fazer acordos para aumentar o número de visitantes coreanos às ilhas. A queda foi brusca depois do 11/setembro, principalmente pelo problema que se tornou tirar um visto pros EUA - sim, os coreanos também precisam pleitear vistos na embaixada. (Diferente do brasileiro, o coreano acredita não valer a pena enfrentar fila, pagar taxas altas, a e entrevista pessoal para ir pros EUA. Como a condição de vida lá é praticamente a mesma que aqui, e existem lugares tão "paradisíacos" aqui perto quanto o Havaí, eles simplesmente desencanaram da "América". Ponto pra eles.) Em 1997, eram 120,000 coreanos por ano visitando o Havaí; hoje são 40,000. É uma queda muito grande para a indústria do turismo. Mas a questão é: os coreanos não deixaram de viajar. Esses 80,000 turistas mudaram seus destinos, simples. Para onde?

A China é, sem dúvida, o destino mais previsível, pela proximidade e parentesco cultural. Entretanto, boa parte dos coreanos que visitam a China vão a trabalho, em viagens de negócios - os famosos negócios da China. De férias mesmo, o destino é bastante similar ao dos demais mortais do planeta: paraísos tropicais ou cidades badaladas. Não há dúvidas que é muito "chique" viajar para Paris, Londres ou Roma - ultimamente, Praga parece ter se transformado no lugar must-go para os coreanos dada a quantidade de propagandas e programas de TV coreanos mostrando aspectos da vida tcheca.

No quesito "destinos tropicais", várias ilhas maravilhosas estão próximas daqui - a maioria a poucas horas de vôo de distância: Filipinas, Guam, Ilhas Marianas, Palau, mas sem dúvida, o maior número de propagandas é para as Maldivas. Todos esses lugares são extremamente bem-servidos de hotéis, com infra-estrutura turística excelente. O turista coreano não é muito independente: ele gosta de viajar em pacotes de agência, com tradutores e pessoas que farão tudo para eles. Turismo de gado, como chamamos.

Esse turismo de pacotes coreano é muito interessante. Quando estive na Nova Zelândia, pude perceber que em todas as cidades por onde passei, havia lojas de souvenirs e outras tranqueiras, assim como restaurantes, com letreiros apenas em coreano. Isso mesmo: os coreanos têm oásis para compras no exterior também. Algo como se visitássemos Casablanca e lá comprássemos lembrancinhas somente em lojas de brasileiros. Estranho? Mas é assim que a maior parte deles se sente bem no exterior - com o mínimo de imersão na cultura local. Mas fato é, que mesmo dessa forma, eles gastam bastante quando viajam, sendo portanto, turistas desejáveis em qualquer lugar que queira ganhar dinheiro com turismo.

É, o Havaí tem que estar mesmo preocupado com a mudança de rota que os coreanos decidiram para suas férias de verão...

Tudo de bom sempre.

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