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segunda-feira, setembro 19, 2005

Feliz Chuseok!

Hoje foi feriado na Coréia do Sul, dia do Chuseok. Os coreanos traduzem Chuseok como "Thanksgiving", que seria então o dia de Ação de Graças. Mas quando comparado ao Thanksgiving americano, o Chuseok é bem diferente, e por isso eu acho que a tradução não é muito precisa. No dia de Chuseok, celebra-se não só a colheita (como é feito no Thanksgiving), mas também os mortos e antepassados. É um dia de reunião da família coreana para renovação dos laços com seus ancestrais.

Nunca vi um cemitério na Coréia. Se existem, estão bem escondidos. O que vi pelo país são pequenas e reclusas áreas nas montanhas com as devidas covas, cruzes e afins, mas geralmente cheios de simbologia e artefatos orientais. Alguns são templos bonitos, outros mais simples são apenas a demonstração de que ali reside a memória de uma família. Na tradição coreana, os mortos são sempre enterrados em montanhas olhando pros vales, o que deve ter um significado que ignoro. No Chuseok, as famílias viajam às respectivas montanhas onde os ancestrais estão enterrados para homenageá-los. Cada família tem a "sua montanha" e seu "templinho".

Além disso, no Chuseok há uma ceia tradicional, que é preparada apenas pelas mulheres. Elas fazem bolinhos de arroz e comidas tradicionais, e na hora da ceia, vestem seus vestidos típicos.

Para nós, que obviamente não temos nenhum vínculo com essa tradição a não ser o fato de estarmos na Coréia, hoje o dia foi de descanso. Estava tendo um Festival de Luzes no centro comercial de Ansan, onde moramos - não sei se havia alguma relação com o Chuseok. Resolvemos dar uma chegada lá à noite, e foi muito divertido, com apresentações musicais, acrobáticas e barraquinhas de comidas típicas. Ao ver as luzes e aquela réplicas coloridas, apenas um nome veio a minha cabeça: Joãozinho Trinta. Acho que ele ia adorar toda essa iluminação colorida do luxo, talvez o inspirasse pra um carnaval futuro... As fotos ilustram um pouco mais o que vimos por lá.

Vista geral com Torre EiffelLuminárias chinesas
Essa era a vista geral da praça com as luzes do festival. Havia várias "homenagens" a diferentes países, representados por alguns ícones do turismo. Na foto, vê-se a réplica da Torre Eiffel (tinha também réplica do Big Ben de Londres, de um Buda tailandês, do Temple of Heaven de Beijing, do Exército de Terracota da China, um Parque Jurássico - será que era isso que representava os EUA?). Na foto ao lado, no fundo vê-se a réplica do palácio de Gyeongbokgung, em Seul. Em algumas áreas, as passarelas estavam todas enfeitadas com essas luminárias chinesas vermelhas, bem típicas dos festejos do Ano Novo Chinês.

Corredor de luzGalo chinês
Um corredor de luzes coloridas. Ao lado, a réplica de um portal chinês com o símbolo do galo. Estamos no ano do Galo, de acordo com o Horóscopo Chinês.

Templo chinêsColuna do palácio coreano
Uma réplica de um templo chinês lindíssima, e ao lado estou no corredor da réplica do palácio de Gyeongbokgung, onde o tráfego e o vermelho eram intensos - pra dizer o mínimo.

Torre de PisaArvore de Natal de cds
Não só a iluminação chamava a atenção. Os materiais com que as réplicas foram construídas também eram interessantes (papel, madeira, plástico, etc.) e muitas vezes pra lá de inusitados. Na foto acima, a réplica da Torre de Pisa, feita toda com pratos de porcelana - a torre era de uma altura razoável, e estava toda amarrada para manter sua inclinação como a original. Ao lado, uma árvore de Natal (bizarrice fora de época entre tantas) feita toda com CDs. Reciclagem é a palavra-chave, não é mesmo?

Criança no Temple of HeavenRecadinhos de Chuseok
Uma criança posa para foto na réplica do chinês Temple of Heaven - dentro funcionava na realidade, um bar; ao lado, embaixo da árvore de Natal de CDs, vários desses "recadinhos de Chuseok" eram pendurados com desejos e expectativas pro próximo ano.

E eu fiquei agora matutando: será que em algum desses papeizinhos estava escrito um pedido de paz e/ou desmantelamento nuclear da Coréia do Norte? A contar pelo acordo que finalmente foi firmado hoje, se alguém pé-quente altruísta pediu por isso, teve seu desejo prontamente realizado... para felicidade geral da península coreana, que parece cada vez mais próxima da reunificação.

Tudo de bom sempre.

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