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domingo, novembro 13, 2005

Algumas colocações sobre diabetes e afins

Hoje, 14 de novembro, é o dia mundial da Diabetes, data criada pela Organização Mundial de Saúde para reflexão sobre a patologia, nos mais diversos âmbitos.

Diabetes nunca foi um tema científico que tenha enchido meus olhos. Mas, depois que me vi "obrigada" a estudar o assunto, a escarafunchar as revistas e entender as nuances da informação sobre a condição do diabético, confesso que o tema passou a ter outra "vida" no meu ser. Mas também devo confessar: minha linda e querida prima Danielle, diagnosticada com diabetes há pouco mais de 2 anos, contribuiu muito para esse interesse repentino. Afinal, nada como ter a experiência perto de você - e olha que fisicamente eu nem estou tão perto assim... enfim, boa parte do que sei hoje sobre a doença vem dessa tentativa de me informar ao máximo para ajudar a prima mais doce que eu tenho.

Atrás de informações sobre diabetes, terminei caindo na comunidade Diabetes Brasil, do Orkut, e foi lá que li os depoimentos mais interessantes de diversas pessoas (muitas delas, tornaram-se amigos meus) sobre o dia-a-dia de um diabético. Injeções, medidores de glicose, a escolha da melhor insulina para cada caso, hipoglicemia e hipoglicemiantes, etc. está tudo no Orkut. Ou na lista de discussão do Yahoo, a qual também faço parte. Mas melhor que isso, está tudo na experiência de vida desse grupo maravilhoso de pessoas doces que são os diabéticos - parece que o excesso de glicose no sangue extravaza para o caráter, e os diabéticos são realmente uns doces de amigos. Poucas vezes encontrei pessoas com tanta gana de viver bem. A eles, diabéticos, hoje eu dou uma salva de palmas de pé, pelo exemplo de bela luta pela sobrevivência e pela qualidade de vida que são.

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Minha prima Danielle tem diabetes tipo 1. A diabetes tipo 1 aparece por causas até hoje não muito bem entendidas pela ciência. Trata-se de uma doença auto-imune, ou seja, o organismo, de uma hora pra outra, começa a produzir anticorpos contra as próprias células do pâncreas que produzem a insulina (células beta), entrando num processo de rejeição do próprio órgão. As células beta vão sendo então destruídas, e em pouco tempo (semanas às vezes), já se foram todas, e a pessoa se torna dependente de insulina exógena pro resto da vida. Uma das soluções efetivas existentes hoje aos diabéticos tipo 1 é o transplante de pâncreas - há a promessa interessantíssima das células-tronco também. (O que desengata esse processo de auto-destruição ainda é uma incógnita, e estudos recentes puxam para o lado neurológico - stress, depressão, etc.) O diabético tipo 1 tem que tomar insulina todos os dias, sem falta. Os casos de tipo 1 são aproximadamente 10% de todos os casos de diabetes no mundo, e geralmente aparecem na infância ou juventude. É muito raro alguém se tornar diabético tipo 1 depois dos 50 anos de idade.

Já a diabetes tipo 2 (o mais comum) leva muitos anos se desenvolvendo no organismo. Em geral, aparece em pessoas com idade mais avançada - embora cada vez mais frequentemente pessoas jovens e até crianças e adolescentes estejam manifestando seus sintomas. Basicamente, os tecidos que mais dependem da insulina no nosso corpo (os músculos, o fígado e o tecido adiposo, entre outros) começam a não responder de forma adequada à insulina, ou seja, a insulina produzida não consegue iniciar seus efeitos como deveria - gerando um problema grave no abastecimento de glicose para as células, que entendem que não há insulina, e não permitem a entrada da glicose. Sem glicose, não há geração de ATP, a molécula de energia, e sem energia, a célula degringola. Esse processo chama-se resistência à insulina, e se não tratado, culminará num quadro de diabetes tipo 2. Entretanto, as nuances da diabetes tipo 2 são muitas. A patologia é um reflexo direto do nosso estilo de vida moderno, cheio de confortos e regalias, pouco exercício e muitas calorias. Uma dieta rica em açúcar, mesmo se você não é diabético, NÃO é saudável; ela pode já estar iniciando um processo de resistência à insulina que, não-tratada, culminará na diabetes. Mas não só o açúcar em excesso gera toda essa cascata de eventos: os estudos mostram que uma dieta rica em gorduras também pode desencadear diabetes tipo 2. Ou seja: nada de torresmo com batata frita e quindim de sobremesa.

Se diagnosticada numa etapa inicial, quando as células estão no início da resistência à insulina, a diabetes tipo 2 tem um tratamento simples: exercícios e melhoria de dieta. A pessoa não precisa nem cortar de vez o açúcar, basta moderá-lo. Pode também tomar hipoglicemiantes orais, comprimidos, sem necessidade das injeções diárias de insulina - ao contrário da diabetes tipo 1, onde a insulina diária é essencial.

Se não tratada devidamente, a diabetes pode gerar complicações graves, nos rins, na retina, nos ovários, na circulação periférica (como nos pés) e principalmente, no coração. Uma vez ouvi de um médico num seminário que fui a seguinte frase: "Todo paciente diabético é um paciente cardiovascular." Ou seja, a condição "diabético" traz junto um potencial problema cardiovascular - e diabético que é esperto, faz sempre exames para ver como está o coração. Outro problema grave é na circulação periférica, e de acordo com a Organização Mundial de Saúde, de cada 10 amputações que ocorrem no mundo, 7 são resultado de complicações da diabetes. Os diabéticos espertos também cuidam do pé, fazendo massagens, passando cremes, usando sapatos confortáveis (nada de saltos altos!) e evitando calos - qualquer machucado num diabético demora mais para cicatrizar, e corre maior risco de infeccionar. Boa parte das amputações diabéticas começam com infecções "simples" em machucados que nunca fecham. Existem hoje uns adesivos que detectam neuropatias do pé através da medição do suor - o adesivo muda de cor de acordo com alguam molécula indicadora que é liberada no suor da pessoa. Ainda está sob investigação mais criteriosa se funciona ou não (não sei se está no mercado, vi isso num stand de Congresso recente), mas, caso funcione, pode ser uma ajuda no futuro.

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Nos últimos anos, uma nova terminologia científica apareceu: a síndrome metabólica. Ela engloba várias patologias que alteram o metabolismo do organismo como um todo, e entre essas patologias está a diabetes tipo 2. Muita discussão sobre o termo "síndrome metabólica" ainda ocorre, o conceito em si ainda não está maduro. Sexta passada fui num Congresso de Diabetes em Seul, e discutia-se, entre outras mil coisas, esse conceito, que hoje parece definir a seguinte sequência de desenvolvimento:

1) A pessoa tem um índice de massa corpórea (IMC) alto.

2) A pessoa apresenta uma gordura visceral e subcutânea elevada - o que significa uma cintura maior que um valor X variável de país para país. Nos EUA, é 102 cm; no Japão é 90 cm; no Brasil, é 102 cm para os homens e 80 cm para as mulheres.

3) A pessoa começa a desenvolver hiperinsulinemia, ou seja, um excesso de produção de insulina que leva a um excesso de insulina circulando no sangue. Esse é o alerta médico de que algo não está funcionando direito no corpo. A razão da produção exagerada de insulina é uma leve resposta inadequada dos tecidos que dependem de insulina (os tecidos-alvo que já citei acima: músculos, fígado, células de gordura). A partir do momento em que há hiperinsulinemia associada a uma das 2 características anteriores, os médicos já consideram o paciente como portador de "síndrome metabólica".

4) A hiperinsulinemia leva à resistência crônica dos tecidos à insulina.

Em geral, a pessoa com síndrome metabólica é aconselhada por um médico a começar um tratamento que consiste em: dieta regrada, exercícios físicos, e muitas vezes agentes hipoglicemiantes orais, que são remédios que permitem a ação da insulina nas células-alvo, facilitando a entrada de glicose. A pessoa nesse estágio pode não desenvolver diabetes tipo 2, é apenas um "diabético em potencial". Caso faça exercícios e tenha uma dieta regrada, pode haver uma estabilidade do quadro. Exames constantes da glicose no sangue são suficientes para uma pessoa se precaver e estar atenta a esse problema.

Entretanto, boa parte das pessoas infelizmente não descobre a síndrome a tempo, e quando vai ao médico, descobre que seu pâncreas já está comprometido: de tanto produzir insulina em excesso e esta não funcionar adequadamente, o pâncreas diminui (ou cessa) a produção de insulina. Ou seja, a pessoa tem um comprometimento do pâncreas, e com isso vai precisar, como o diabético tipo 1, de tomar doses diárias de insulina para metabolizar sua glicose.

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Existem diversos tipos de insulina no mercado, e há pouco tempo a insulina nasal foi aprovada pelo FDA americano, finalmente. Sem dúvida, um dos maiores avanços para os diabéticos no mundo, já que é bastante incômodo tomar injeções diárias de insulina. Um desses avanços para serem aplaudidos de pé por horas a fio.

O governo brasileiro é obrigado, por lei, a fornecer gratuitamente insulina e seringas a todos os diabéticos do país. Caso a pessoa entre com um pedido especial, pode inclusive receber também as fitas de medição de glicose e diferentes tipos de insulina. Aparentemente, o processo é simples em alguns lugares. Um amigo meu de Brasília, por exemplo, recebe tudo que precisa, inclusive a insulina de ação lenta, que aumenta o espaço entre uma injeção e outra. Entretanto, minha prima do Rio de Janeiro mal recebe a insulina comum - parece que o processo no Rio é um tanto quanto "complexo", se é que vocês me corruptendem, e depende de fortes "QIs".

Na próxima vez que for votar, eu vou olhar no programa de governo dos candidatos o que cada um pretende fazer pelos diabéticos. É uma forma de ajudar a causa, escolhendo políticos que possam se preocupar com o assunto. (Eu sei, em tempos de mensalão é mais fácil acreditar em Papai Noel ou no Coelhinho da Páscoa, mas não quero perder as esperanças tanto assim.)

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Uma pessoa que tem um IMC alto e possui elevada circunferência abdominal é uma pessoa gordinha, e pode ser obesa. Nem todo obeso tem síndrome metabólica ou diabetes tipo 2, mas todo obeso PODE vir a ser um diabético. É esse PODE que faz a diferença. A prevenção básica passa por uma dieta e por exercícios físicos, ou seja, redução da gordura corpórea, de alguma forma. Entretanto, deve-se encarar a obesidade não simplesmente como um "mal-hábito" pessoal, mas sim como uma patologia crônica, séria e complexa. Afinal, a obesidade não tem preconceito algum: é presente em todas as etnias, sem distinção de sexo ou religião. Além disso, a obesidade já é a segunda causa de aparecimento de cânceres que podem ser prevenidos - a primeira continua sendo o cigarro. Obesidade é um problema de saúde pública dos mais graves no mundo de hoje.

(Parênteses: Um estudo de 2004 sugere que a obesidade seja encarada na realidade como um caso de tumor endócrino das células de gordura. Discussões mil ferveram na área por conta dessa idéia, mas por enquanto, é apenas especulação.)

Evolutivamente, nós, Homo sapiens, somos animais que estocam energia na forma de gordura, para momentos em que a alimentação fique escassa. A glicose extra que ingerimos na dieta é armazenada no tecido adiposo como gordura. Por milhares de anos foi assim. O advento tecnológico que tantos avanços e melhorias propiciou, trouxe como efeito colateral um excesso de conforto, um sedentarismo inerente, que, de acordo com muitos estudiosos da obesidade, culminou com a situação alarmante que vivemos: 300 milhões de pessoas no mundo obesas e cerca de 1.1 bilhão acima do peso - ou seja, já com uma das características potenciais para desenvolvimento da síndrome metabólica. Não somos animais para viver sentados em escritórios ou comer em excesso. Nosso organismo não está preparado para isso. Ele responde da forma como respondeu desde sempre: ao ver excesso de comida, ele armazena - o futuro é incerto. Com uma dieta crônica hiper-calórica e pouco exercício, esse excesso de gordura armazenada é entendido pelo corpo como um sinal de que várias moléculas (hormônios inclusive) devem parar de ser produzidas, enquanto outras devem começar a ser produzidas. Veja bem, é uma resposta evolutiva NORMAL do organismo. O que está errado não é o nosso organismo: é o nosso excesso alimentar.

Num post antigo, eu comentei o que aconteceu na pequena ilha de Nauru, no Pacífico. Como uma epidemia de diabetes tipo 2 se alastrou em reflexo a uma pequena mudança no estilo de vida dos habitantes. Nauru é um pequeno mundo dentro do nosso mundo. Mais simples de se analisar, talvez. O mundo que temos ao nosso redor é cheio de outros fatores mais complexos que podem fazer a diferença.

Entre esses outros fatores, um deles chama-se ciência.

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No mundo da diabetes, fala-se sempre em bilhões. A diabetes é uma patologia que movimenta um mercado de aproximadamente 26.7 bilhões de dólares por ano, e que continua crescendo. Toda grande empresa farmacêutica tem pelo menos um departamento ou instituto dedicado a pesquisas com diabetes - seja para melhorar a qualidade de vida do diabético (desenvolvimento de medidores de glicose mais eficientes, por exemplo), seja para procurar compostos que tragam uma possível cura (drogas novas derivadas de muitos anos de pesquisa científica). A indústria farmacêutica lucra apenas com venda de insulina, cerca de 5 bilhões de dólares por ano. Só a Roche tem no momento 10 drogas em fases diferentes de testes em seu pipeline. Isso sem falar no que vem sendo pesquisado pelas outras empresas ou pelas universidades mundo a fora. É simplesmente inacreditável.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde, o Brasil gasta por ano 3.9 bilhões de dólares com tratamento para diabéticos. Isso em custo direto, fora custos indiretos. Não é muita coisa, comparada com os 44 bilhões de dólares que os EUA gastam. A diabetes custa caro, e tira muitos dias de trabalho de pessoas economicamente ativas, elevando o custo com saúde, e gerando uma série de gastos indiretos ao sistema.

Já ouvi várias vezes o discurso de que "a cura da diabetes já existe, as indústrias é que não querem perder os lucros que têm com um paciente crônico". Como disse acima, num mundo de mensalão isso pode até ser provável, mas no mundo dos negócios, a realidade é outra. As grandes empresas não gastariam bilhões de seu orçamento para pesquisar uma patologia da qual já ganham muito dinheiro se não vissem a possibilidade de lucro ainda maior com uma possível cura. Seria muito melhor deixar como está, não? É claro que se elas investem em buscar melhorias, é porque elas sabem que há uma galinha dos ovos de ouro nessa área.

Em meu trabalho, lido diariamente com os mais diversos aspectos da pesquisa em diabetes - nem que seja apenas através de relatórios. Nunca li ou ouvi uma grande empresa, por mais necessitada de cortar orçamento que esteja, dizendo que deixará de pesquisar diabetes tipo 2. Outras "doenças" saem muito mais fácil da "linha de produção" da indústria farmacêutica. Pela simples razão de que o mercado consumidor para a diabetes tipo 2 não pára de crescer.

E a lei do mercado é mais forte que qualquer outro interesse altruístico, no mundo em que vivemos, (in?)felizmente.

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Se você tentar acompanhar o campo da diabetes ou da obesidade em tudo que ele contém, você fica louco. É muita informação. Praticamente todos os dias aparece uma notícia que diga respeito a diabetes (ou a obesidade), seja uma nova droga, uma nova perspectiva de tratamento, ou um rumor qualquer. Boa parte dos pesquisadores biomédicos tenta "flertar" com a temática detentora de tanto dinheiro para pesquisa. Nesse mar de informações e pesquisa, algumas são efêmeras, outras são etéreas, outras ainda são uma viagem na maionese que pode dar certo, e uma pequena parcela é realmente validada.

Um dos grandes paradigmas quebrados na biologia nas duas últimas décadas foi a da função do tecido adiposo, em parte esse paradigma foi quebrado por cientistas querendo resolver questões da diabetes. Antigamente, o tecido adiposo era um mero acumulador de gordura, estoque energético do corpo. Hoje, sabemos que é um tecido altamente dinâmico, importante produtor de uma série de hormônios (leptina, resistina, TNFalfa, adiponectina, e o mais recente de todos, a obstatina) que regulam desde a sensação de apetite até funções cardiovasculares. Além disso, o tecido adiposo é peça-chave para manutenção do equilíbrio térmico e metabólico dos animais vertebrados. Muito mais que apenas associá-lo à patologia e problemas, devemos associá-lo às benesses que seu bom funcionamento traz. Muito mais que incentivar o look esquelético da moda, devemos pensar em manter um organismo saudável, sempre.

Porque, como já dizia o famoso bordão da TV: saúde é o que interessa, o resto não tem pressa.

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Tudo de bom sempre aos diabéticos do mundo. Em especial, Danielle, os olhos verdes mais doces do mundo.

Danielle reveillon 04-05

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*Aos que desejam viajar mais...

- Uma boa pedida é o site da Sociedade Brasileira de Diabetes. Em inglês, o da American Diabetes Association é excelente também. E se quiser ler um blog atualizado sobre o assunto, o Diabetes Blog é a dica.

- Esse post é parte de uma mini-blogagem coletiva organizada por mim, que faço "lobby" pela diabetes o tempo todo nos bastidores da vida. Entretanto, o desafio de discutir a diabetes não é nada fácil, e poucos blogs encararam a fera. O Flávio Prada e a Elenara aceitaram, e vale a pena conferir. Valeu, galera, pela força!

UPDATE: A super-Denise e a Christiana Nóvoa também participaram da mini-blogagem de maneira supimpa!

UPDATE 2: A Cynthia Semíramis também escreveu sobre a experiência dela com problemas glicêmicos. O amigo Chico lembrou da data numa profusão de links interessantes. Dr. Cláudio também deu uma dica de saúde mental para diabéticos, e o Bia falou um pouco de medicina alternativa. E o Smart lembrou da data em sua maneira usual: com um trocadilho certeiro.

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