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sexta-feira, julho 29, 2005

Greve nas nuvens

Hoje completa-se o 12º dia de greve dos pilotos da Asiana Airlines, uma das grandes companhias aéreas coreanas, responsável por boa parte do tráfego nacional e internacional na terra de Confúcio.

(Parênteses: A Asiana Airlines pertence ao grupo da Star Alliance, do qual a Varig também faz parte. Sua concorrente número 1 na Coréia é a Korean Air. Pessoalmente prefiro o serviço da Korean. Fim do parênteses.)

Embora a greve seja um fato que interesse apenas aos coreanos, resolvi devanear um pouco no assunto - que, sem querer, relaciona-se diretamente com a atividade mallística predileta: viajar. Da Coréia do Sul só se sai pelo ar ou pelo mar - lembre-se que por terra, tem que atravessar a Coréia do Norte, o que ainda é impossível, apesar dos animadores esforços recentes para a construção de uma ferrovia ligando as 2 capitais coreanas. Interessantemente, neste momento, estamos um pouco "ilhados" no mundo - é claro que há um certo exagero na afirmação, visto que a Korean Air não está em greve. Mas gostei de vislumbrar essa condição utópica depois de tanto refletir sobre o que vem acontecendo no mundo... e nada concluir, é claro.

Os pilotos em greve são apenas os sindicalizados - aqui na Coréia você se sindicaliza se quiser, não é obrigatório. E 50% dos pilotos, aproximadamente, o são. Eles reivindicam melhores salários, mais flexibilidade de horários, mais participação nas decisões gerenciais da empresa, e principalmente, melhores seguros de saúde. A administração da empresa está inflexível, e curiosamente (ou talvez por causa dessa inflexibilidade, não sei) o valor das ações da Asiana só tem aumentado. Isso mesmo: a companhia está mais valorizada no mercado. Mesmo depois de cancelar quase todos os vôos domésticos - apenas vôos para a ilha de Jeju ao sul estão funcionando parcialmente. Entretanto, ontem começaram a cancelar vôos internacionais, por falta de pilotos para suas aeronaves. Veja bem, isso em julho e agosto, periodo de férias e, de acordo com dados da própria Asiana, época de maior lucro. Os vôos cancelados são rotas importantíssimas como Seul-Los Angeles, Seul-Taipei, Seul-Sidney e Seul-Nova Iorque, e são alguns dos mais lucrativos para a empresa. Além de toda a bagunça pra turistas e viajantes profissionais a mercê de vagas em outros aviões, muitos vôos de carga também foram cancelados. E com isso, produtos de exportação fundamentais para a saúde da economia do país estão "encalhados" em terra: semicondutores, celulares, computadores e monitores de cristal líquido, para citar apenas alguns. E pode ser que com isso, as ações da Asiana comecem a cair. Até lá, tudo é meio cinzento para a economia em geral desse tigrinho asiático.

Recentemente, com esse hype de notícias sobre aviação por aqui, saiu também uma reportagem dizendo que os pilotos coreanos em geral não sabem bem o inglês, e tiveram notas baixas num teste aplicado pelo órgão regulamentador da aviação internacional - mesmo os pilotos que fazem rotas internacionais saíram-se de maneira pífia. Essa reportagem me deixou cabreira: e se acontece um problema qualquer e o piloto precisa se comunicar com a torre de controle em um país estrangeiro? Como ele faz?

A gente nunca pára pra pensar, quando entra num avião, na tarefa que estamos delegando ao piloto. Praticamente entregamos nossas vidas nas mãos dele durante o tempo de vôo, e nesse caso, eu diria que sua responsabilidade é quase equivalente a de um médico. Ao ser transportada de um lugar X para Y, penso em trocentos detalhes diferentes, mas raramente tento saber as condições de trabalho dessas pessoas tão importantes, as condições físicas em que estão trabalhando, sua capacitação prévia. Assumimos que se ele está ali, é porque tem competência para tal - o que na grande maioria dos casos, é verdade. Mas...será que o piloto dormiu direito aquela noite? Será que está estressado, com problemas pessoais? Será que tem dor de cabeça? Quantos vôos seguidos ele fez? É claro, existem normas internacionais para várias questões relacionadas ao trabalho no espaço aéreo (todas minimizando o estresse possível para o piloto exercer sua atividade), mas mesmo assim, de vez em quando lemos uma reportagem sobre algum piloto ou outro tripulante em deslizes pra lá de perigosos. Como verificar qual a real posição da empresa perante a saúde de seus empregados? Se a empresa realmente cuida para ter o melhor serviço? Como treina seus pilotos?

A greve da Asiana me fez parar pra pensar nessas condições todas as quais os pilotos estão submetidos. A gente descobre então que existem mais "viagens", literalmente entre o céu e a terra, do que sonha nosso vão planejamento de férias.

Tudo de bom sempre.

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P.S.: Uma pequena curiosidade "de aviação": um dos melhores vôos que fiz na vida foi de Auckland para Seul, no ano passado, pela Air New Zealand. Ok, várias razões tornaram esse vôo maravilhoso, como o bom tempo, a visão perfeita de várias ilhotas do Pacífico e um estoque infindável de guloseimas deliciosas. Mas curiosamente, nesse vôo a tripulação de cabine era toda feminina. Nunca havia visto isso antes: em geral pilotos, co-pilotos e afins são homens, a profissão é essencialmente masculina. Entretanto, dessa vez, eram só mulheres. E o vôo deslizou como uma pluma pelos céus, cruzando os hemisférios... Pilotas aprovadíssimas!

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terça-feira, julho 26, 2005

A surrealidade do mundo

Não sei o que está acontecendo com o mundo. Certas notícias parecem surreais - mas não são.

(Análises mais aprofundadas e elaboradas sobre boa parte desses temas você encontra em qualquer "esquina" pela rede...)

1) A execução pela polícia londrina de um brasileiro por engano pós-tensão nervosa de bombas terroristas. Precisa dizer mais?

2) O ataque suicida nos hotéis de mergulho no Egito, à beira do Mar Vermelho. Diga-se de passagem, uma região cuja maior atividade econômica é o turismo. E matou em sua maioria, egípcios. Uma pseudo-guerra civil de conotação ideológica mundial. Ahn?

3) A Sociedade Americana de Neurologia tem um congresso em Washington, D.C. em outubro, e convidou o Dalai Lama para dar uma palestra sobre como a meditação afeta a atividade cerebral - há tempos o Lama pede aos cientistas que tentem entender melhor os mecanismos neuronais que desencadeiam a sensação de bem-estar que a meditação traz. Afinal, poderia beneficiar o conhecimento geral sobre mecanismos de controle das emoções negativas. Curiosamente, um razoável número de cientistas chineses (a maior parte deles vivendo nos EUA) reclamou da palestra, e estão fazendo pressão para que a Sociedade desista de permitir a palestra do Dalai. Alegação dos chineses: "Meditação é um tópico com reivindicações hiperbólicas, pesquisa limitada e rigor científico comprometido". Uma pseudociência, basicamente. Mas... não é para isso que o Dalai está querendo desmistificar e pedindo para que seja estudado? (Via Nature, reportagem disponível a assinantes apenas.)

4) Enquanto isso, no Brasil, o mensalão... sem comentários.

5) Enquanto isso, no Iraque, na Faixa de Gaza... bombas explodem. Sem comentários II.

6) Ontem vi um documentário do National Geographic sobre o Afeganistão. Alguém me explica como algumas pessoas e alguns políticos dormem tranquilamente à noite sabendo das atrocidades que cometem todos os dias? Sabendo do sofrimento desmedido que causam com bombas e invasões e ameaças? Com violência que só gera mais violência? Com fanatismo religioso?

Sinceramente, essas surrealidades saem do meu alcance de entendimento da natureza humana...

Estamos no mundo - mas estaria o mundo em nós?

Tudo de bom (?) sempre.

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domingo, julho 24, 2005

Ilha de Apo

Eis que o último registro da viagem às Filipinas está chegando. Deixei para o final o meu lugar predileto, aquele que mais nos deixou de boca aberta em matéria de mergulho e conservação, aquele que mais emocionou minha visita ao país: a ilha de Apo.

(É a ilha das fotos desse post aqui.)

Foi a segunda vez que fomos à ilha de Apo. A primeira foi no ano passado, e registrada neste blog discretamente, quando o blog ainda estava dando suas primeiras respiradas - mas pela foto que está lá percebe-se o quão maravilhosa é a água da ilha. E da segunda vez não foi diferente.

Apo Island Rua em Apo
A pequena e biodiversa ilha de Apo; ao lado, a rua principal da vila.

É preciso dizer antes de mais nada que Apo é um projeto de conservação que deu certo. Muito certo. A ilha é minúscula, com uma população de ~700 pessoas - isso mesmo, 700. Não há fontes de água doce lá, portanto toda a água é importada do continente, das cidades da ilha de Negros, a mais próxima de Apo. Para sobreviver, no passado, a comunidade pescava e vivia de acordos pra lá de predatórios com pescadores de outros lugares - a ilha sempre agregou muitos peixes, por causa de seus recifes de corais, e isso obviamente trouxe a pesca comercial da pior espécie acoplada: usava-se para pescar cianeto (morte por asfixia dos peixes e de sabe-se lá mais o quê) e dinamites (os peixes morriam com a explosão e depois os pescadores só coletavam os peixes boiando). E não se enganem: essas práticas trágicas pro ecossistema ainda hoje são utilizadas em outras áreas das Filipinas e do Pacífico.

Entretanto, em 1978, a Universidade de Silliman iniciou um projeto ambicioso de conservação baseado na interação academia-comunidade local-governo. Deu orientação e poderes aos locais para a preservação. A educação ambiental foi fundamental, mostrando alternativas econômicas sustentáveis. No início, é claro, uma comunidade pesqueira reticente desconfiou do projeto, que proibía a pesca em algumas áreas da ilha. Com o passar do tempo, a quantidade de peixes aumentou incrivelmente - porque toda a cadeia alimentar estava mantida em uma parte da ilha de forma saudável. E quando os locais viram a produção geral de peixes pescados de maneira sustentável duplicar, aí sim eles acreditaram que conservar é infinitamente mais válido. Mas requer tempo - e esse é um grande desafio.

Além disso, já na década de 90, foi implantado o Parque Nacional Marinho de Apo Island, e estimulou-se o turismo sustentado - principalmente o turismo de mergulho - através da construção de 2 resorts de mergulho em harmonia com o ambiente. Apo passou a receber turistas interessados em ecoturismo, gerando mais renda para a pequena população. Como o turismo veio DEPOIS que a área já era uma reserva, tudo funciona bem, pois todos os passos do projeto de desenvolvimento foram intensamente fiscalizados por pesquisadores e ambientalistas. Esse exemplo de desenvolvimento sustentável com proteção ambiental levou a ONU a elogiar o programa através do ICRAN - International Coral Reef Action Network - e da UNEP, o programa ambiental da ONU.

Com esses mais de 20 anos de experiência magnífica de conservação em Apo, não foi difícil para nós tomar a decisão de voltar à ilha. Além do belo exemplo, Apo é linda, em cima e embaixo d'água - mais embaixo, é claro. A biodiversidade é impressionante: onde atracamos a bangka (barco típico filipino) na praia principal, não estávamos nem a 1m de profundidade, mas já vimos moréias, corais, muitos peixes e até uma cobra-do-mar - elas aliás foram presença constante nos mergulhos.

Praia tropicalVendedoras de camiseta na praia de Apo
Praia de Apo, um pedaço de trópico rico em vida marinha; ao lado, as vendedoras de camisetas e sarongues na praia, gerando renda a partir do turismo.

Assim que a bangka atraca na ilha, algumas mulheres vendendo sarongues e camisetas aparecem na praia. Uma boa maneira de manter o belo trabalho é comprar um sarongue - atitude nada difícil para mim, que adoro uma canga. E assim foi feito. Da praia, logo vê-se o vilarejo principal, onde muitas crianças brincam, homens pescam, e o clima de paz e tranquilidade se espalha facilmente. Não ficamos na ilha, e sim num hotel em Dumaguete, mas basta 1h de bangka no mar super-calmo para chegar a Apo, que está a 5km da costa.

Tanques no barcoDiversidade de vida em Apo
Preparando os tanques na bangka (haja ar!) e principalmente preparando o coração para se emocionar com a beleza subaquática de Apo, exemplificada na foto ao lado.

Pela manhã, fizemos 2 mergulhos em locais de total explosão de vida. Sério: a saúde dos corais de Apo, a diversidade de fauna e o tamanho dos peixes lá presentes é de tirar o fôlego de qualquer um. Várias vezes embaixo d'água meus olhos lacrimejaram, de emoção ao ver toda aquela vida preservada tão brilhantemente - sim, eu sou uma manteiga derretida. Mas quem não se emociona com tanta vida colorida e bela? Paredões e mais paredões lotados de anêmonas, corais, estrelas, esponjas, peixes de todas as cores e tamanhos... ah!!! Só de lembrar, já me emociono de novo. Cenas inesquecíveis da diversidade da vida, momentos mágicos que só o ambiente aquático fornece. Como o paredão de 15m de altura formado por um cardume de xaréus enorme, dispostos contra a corrente - dava pra se perder dentro do cardume, simplesmente incrível.

Paredao de xareusEsponjas, corais e tudo o mais
O impressionante "paredão" feito pelo cardume de xaréus; ao lado, um cabeço de coral cheio de crinóides, esponjas, anêmonas... é muita vida por metro quadrado!

Chega a hora do almoço, o piquenique na bangka começa, mas os "fominhas" de água (entenda-se eu e meu namorado) comem rapidamente e saem logo para um snorkel básico. Afinal, foi nessa praia que tiramos a foto vencedora do concurso, que nos trouxe aqui de volta como prêmio. A água quentinha é um convite a ficar de molho, e as criaturas que estão em meio às crianças também são um convite indispensável. E assim ficamos, por toda a hora do almoço, aproveitando ao máximo cada segundo na água da ilha. Da primeira vez que estivemos em Apo, andamos pelo vilarejo, uma boa caminhada. O vilarejo resume-se a uma rua só, onde você ouve os passarinhos e as crianças brincando. Já dessa vez, ficamos na água o tempo todo, brincando com as crianças e com as estrelas-do-mar.

Cobra-do-mar em ApoOlha a estrela!
Uma cobra-do-mar serpenteando pelos corais em um dos mergulhos: ela ia de toquinha em toquinha procurando algo para comer. Ao lado, na praia de Apo, o snorkel básico do almoço: vendo estrelas, literalmente.

À tarde, é hora pra mais um mergulho, no melhor point: Coconut. É a área mais impressionante em matéria de biodiversidade, e tivemos a chance de ver de tartaruga a uma família de bodião-napoleão, um peixe ameaçadíssimo de extinção por sua natação vagarosa, e que chega a pesar mais de 150kg. E corais, e esponjas, e cobras-do-mar, e anêmonas, e Nemos. E tudo lindo. Ao fim do mergulho, uma tristeza me bateu no coração: saber que estávamos indo embora daquele paraíso.

Voltamos pro barco e aos poucos, Apo foi ficando pequena no horizonte. Afastávamos da ilha. Levávamos conosco o exemplo de sucesso conservacionista, o sorriso das crianças, e muitos momentos subaquáticos inesquecíveis.

E a certeza no coração de que a ilha de Apo é um dos melhores lugares do mundo pra se mergulhar e emocionar com a vida marinha.

Tudo de bom sempre.

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quarta-feira, julho 20, 2005

Pelos caminhos filipinos

Eis algumas fotos que de alguma forma são "especiais", pois revelam um pouco das bizarrices, hilariedades e curiosidades que vimos em nossa viagem pelas Filipinas...

1) Andando nas ruas de Puerto Galera, nos deparamos com uma loja de souvenirs que vendia... bolsas feitas de sapo! Sapos de verdade! O zíper foi colocado na boca do bicho, e o modelito era baratinho. Você usaria uma bolsa dessas?

Bolsas de sapo

2) Seria este o prato mais servido na famosa penitenciária carioca? Ou a comida mais renegada entre os emergentes de plantão?

Prato filipino
OBS.: Bangus é na verdade um prato feito com legumes e peixe cozido. O "ala pobre" não sei a que se refere...

3) Dois recados para os estrangeiros de passagem pelo país: um estava no aeroporto de Manila e é uma boa amostra da neurose que o 11/setembro criou pelo mundo afora; o outro dá instruções ao estrangeiro de como se tornar um morador permanente filipino, mas o mais interessante deste último aviso é que estava na porta de uma padaria (!!!) em Puerto Galera. Afinal, o encantamento não está nas pequenas coisas? Quem sabe entre uma bisnaga e um bolo de chocolate alguém decide por se tornar um filipino, né não?

Reflexo do 11/setQuer imigrar?

4) Esse era verdadeiro "dono" do balcão da operadora com quem mergulhamos em Dumaguete... Pelo menos, era quem reinava livre, leve e solto na área, entre tanques de ar, pés de pato e carinhos humanos.

Vendedor do diveshop

5) Você comeria a carne desse porco? Ou então passearia nessa moto (com a "encomenda" atrás, é claro) mesmo se fossem o Brad Pitt ou a Angelina Jolie que estivessem pilotando? Direto das ruas de Puerto Galera, em pleno sol de meio-dia, a ode final de um suíno.

Carne de porco

6) Não sei se isso existe no Brasil de forma tão aberta, nem sei se nas Filipinas a rinha é ilegal. Mas eu fiquei surpresa de ver uma fazenda de criação de galos de briga na beira da estrada, tranquilamente instalada. E era bem grande!

Fazenda de galos de briga

7) Por fim, achei interessante perceber da janelinha do avião a demarcação das áreas de pesca no mar filipino - esse aí é próximo a Manila. Eu pelo menos, nunca tinha visto antes tantas "fazendinhas de pesca" com tamanha organização "aquática".

Vista aérea - mar de Manila

Tudo de bom sempre.

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P.S.: Fiquei muito feliz de descobrir o interesse do Alexandre, filho do Idelber, pelo mar, suas belezas e problemas. Com 8 anos de idade, ele começou nessa semana um blog sozinho e ensinou à irmã Laura de 6 anos a fazer o mesmo. Os primeiros posts mostraram uma paixão sincera pelo mar que desperta aos poucos. E são esses pequenos exemplos que me fazem acreditar num melhor futuro, sempre. Obrigada, Alexandre, por me emocionar com tanta singeleza. Espero continuar lendo suas observações mais vezes...

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terça-feira, julho 19, 2005

Dumaguete eh uma festa marinha!

A chegada em Dumaguete, outra cidade filipina que visitamos, foi tranquila. Era a segunda vez que visitávamos, então a sensação de “já vi esse filme” foi inevitável. Sabíamos por exemplo, como evitar os carregadores de mala na entrada do aeroporto. Sabíamos o caminho pro hotel. Sabíamos o cheiro do lugar. Sabíamos, principalmente, do calor tropical úmido escaldante – que no dia em que chegamos, estava de lascar mesmo. Reconheci logo de cara nosso antigo divemaster, o Glenn, que gentilmente nos esperava.

Dumaguete é uma cidade pequena e ajeitadinha. Tem a cara filipina. Povo simpático, jeepneys e outros improvisos automobilísticos nas ruas. Aliás, improviso é a marca do povo filipino pra tudo. E em Dumaguete, não é diferente: casas, carros, ruas, ruelas, bicicletas. Mas nada que desponte - sua maior beleza está embaixo d'água, acessível apenas com um tanque de ar nas costas.

DumagueteCrinoide nadando
Praia de Dumaguete, quase deserta. Ao lado, o crinóide nadando na nossa frente, cena rara de se ver. Simplesmente lindo.

No hotel, mal chegamos já vestimos nossas roupas de mergulho e resolvemos nos arriscar no “recife da casa”, como é chamado o coral que fica na frente do hotel. Mais uma vez, o mesmo filme: sabíamos da imensa biodiversidade daquele “marzinho” que olhando de longe, ninguém dava nada. E aquele mergulho foi uma sucessão de animais novos pros meus olhos, incluindo a famosa ostra gigante, que eu sempre quis ver de perto. E ela não só me “viu”, como fez o abrir-e-fechar de sua concha na minha frente – que mágico!!! Um mundo de diferentes peixes e invertebrados, entre muitas espécies de coral. Em termos de mergulho, Dumaguete é classe A para o chamado “muck diving” ou “mergulho na lama”. Eu explico: a riqueza da biodiversidade de Dumaguete encontra-se na areia do fundo do mar, e as pessoas mergulham atrás de bichos que fazem suas toquinhas dentro da areia. Uma fauna completamente única e adaptada principalmente para a camuflagem na areia.

Das coisas mais viajantes que vi na “lama” de lá, ficou marcado o crinóide nadando. Crinóides são animais que se parecem plantas: sésseis, sempre parados com seus “galhos” movimentando-se de acordo com a corrente de água. Em um dos mergulhos, um crinóide nadava (!) e eu pensei: “Gente, é verdade, ele é mesmo um animal!“ (Pensei, porque lembre-se, mergulhando, se você abre a boca pra falar qualquer coisa, deixa de respirar e engole água - ou seja, se afoga. Mergulhar é um ótimo exercício para aprender a moderar suas expressões e eu aconselharia a atividade para qualquer pessoa que queira testar sua capacidade de expressar-se sem palavras - e ser entendido.) O crinóide nada como um animal (que é, obviamente), e é muito coordenado. Embora careca de saber na teoria que o crinóide era um animal mesmo, foi inevitável fazer uma cara de "UAU!" com seus movimentos.

Moreia na areiaPeixe no recife da casa
Uma enorme moréia na areia achando que se escondia bem no meio das plantas aquáticas - claro que a encontramos. Ao lado, um peixe labrídeo de uma espécie exclusiva do Pacífico, com suas multicores fascinantes.

O divemaster principal, dessa vez, foi um dos caras mais figuras de mergulho que já conheci. Mike, um canadense, 35 anos de incontáveis mergulhos logados (ele devia ter uns 50 anos), ficava fazendo experimentações malucas e viajantes embaixo d’água, como bolhas em círculo – iguais àquelas que os fumantes fazem com a fumaça liberada pelo cigarro. Caía de cabeça na água, com tanque e tudo – dizem que por isso perdeu os cabelos da cabeça. (Isso é uma piadinha sem graça, ok?) Mas o Mike era pirado, pirado.

Em Dumaguete pela segunda vez, sabíamos de tudo ao nosso redor. Tudo era um velho filme – readaptado para lentes digitais ávidas de mais estranhezas animais. E cheio de cenas novas, cada vez mais interessantes. Um filme cujo trabalho de conservação e investigação, na realidade, apenas começou.

Tudo de bom sempre.

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Eu amo 5 pessoas na vida. Hoje é aniversário de uma delas. Presença constante e forte nos bastidores de cada post deste blog e principalmente, na suíte presidencial do coração da dona do mesmo. Melhor fotógrafo do mundo - pelo menos para mim. É quem me acompanha em todas as viagens (reais e na maionese), e eu a ele. Cientista fenomenal, com quem tenho o privilégio diário de compartilhar idéias, perspectivas e principalmente sonhos. Crescemos e amadurecemos juntos, dia-a-dia, de mãos dadas. Com muitas risadas, porque a vida é, acima de tudo, uma grande festa, uma grande viagem! Embarcar nessa viagem com esse mergulhador me faz sempre acreditar que a estrada da vida é, sim, muito, MUITO bela! Feliz aniversário, meu amor!

Modelo de mergulhador

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sábado, julho 16, 2005

Pequenas anotaçoes de viagens virtuais 5

1) Há alguns posts atrás falei um pouco da minha opinião sobre o aprendizado de inglês. Nessa semana, eu achei um bom texto para complementar a discussão.

2) Uma triste constatação (científica!) sobre a participação feminina na ciência - e os comentários são mais reflexivos ainda. Estatisticamente calculado, uma mulher teria que produzir 2.5 vezes a mais na ciência que um homem para conseguir o mesmo prestígio. Triste, muito triste. (Via Pharyngula, a partir de uma carta na Nature.)

3) Falando em Nature, o blog da revista está blogando direto de Brasília, no Encontro Anual da Sociedade de Biologia da Conservação que está acontecendo até terça na Universidade de Brasília. Não sei com que frequência Emma Marris estará postando, mas seus comentários iniciais já estão bem divertidos. Vale a visita.

4) Eu adorei ver os logos do metrô de vários lugares do mundo! (Via Nemo Nox.)

5) Não dá para parar de ler todos os posts sobre o caso Daslu no blog do Smart, direto de Brasília. Cada hora, ele vem com um post melhor!

6) O Aquário de Monterey, na Califórnia tem em seu website uma página explicando quais os peixes e frutos do mar que são "ecologicamente corretos" para consumo, com informações sobre como as espécies são criadas, e os problemas que a indústria da pesca enfrenta para minimizar problemas de conservação. A foto da tartaruga na capa da página é do meu fotógrafo predileto, by the way.

7) Desde ontem, estou "viajando" no DVD, "Everest", direção do David Breashers, com Ed Viestus liderando a escalada. Foi gravado durante a trágica temporada de 1996, em formato IMAX, e mesmo na nossa pequena TV as paisagens do Nepal e do Himalaia são de tirar o fôlego! Lindíssimas! O documentário tem de tudo: ação, emoção, drama, diversão, tecnicalidades, e neve, muita neve. Já vi todos os recantos possíveis do DVD, e já escalou lá pra cima na minha lista dos melhores filmes já assistidos. Pra quem tem a febre do Everest como eu, esse DVD é essencial. Além disso, comprei o dvd por 5 dólares no supermercado, o que me faz acreditar que o mercado em geral não está aguentando mais a concorrência da pirataria chinesa. Ponto pro consumidor, que pode vir a adquirir dvds mais baratos num futuro que espero seja próximo.

8) Um blog sobre diabetes, em inglês. Um outro sobre problemas cardíacos. Um terceiro sobre câncer. Iniciativa interessante.

Tudo de bom sempre.

P.S.: Parabéns, Mabinha!!! Muitos beijos e felicidades no seu dia!! Sua prima está longe, mas tá perto também... ;-)

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quarta-feira, julho 13, 2005

Sobre cartilagem de tubarao

Ufa! Saiu o artigo que eu sonhava ver no Pubmed. Está na revista Cancer do início de julho, uma revista científica indexada, de impacto calculado para 2003 em 4.017, e uma das melhores dentre as que tratam do assunto câncer.

(Parênteses: Pra quem não sabe, as revistas científicas são avaliadas de acordo com seu “fator de impacto”, um número calculado que leva em consideração a quantidade de vezes que a revista é citada por outros artigos, assim como o número de artigos publicados, entre outros parâmetros. O cálculo é feito por uma associação, a Thomson ISI, e os números não estão à disposição gratuitamente na internet. Algumas instituições de ensino utilizam o fator de impacto para avaliar o currículo de seus funcionários (e candidatos a tal) valorizando publicações em revistas acima de um valor de impacto X – no Brasil em geral, 2. Esse número vai de 0 a 52 (dados de 2003), com a Nature, a Cell e a Science tendo fator de impacto em torno de 30, boa parte das revistas em torno de 10, e uma imensa maioria abaixo de 2. O número grosseiramente reflete quantos leitores em potencial um artigo publicado numa revista qualquer terá. E é claro que esse método tem falhas. Fim do parênteses.)

Pois bem, eis que um grupo baseado em Minnesota (com colaboradores do Nebraska, Dakota do Sul e do Norte, Kansas, Flórida e Illinois, nos EUA) finalmente pôs um fim à lenda da cartilagem de tubarão, fazendo um estudo sério e elegante financiado pelo Instituto Nacional do Câncer americano, com pacientes acometidos de câncer de mama e cólon que se trataram com cartilagem. Veja que lindo:

“RESULTS: Data on a total of 83 evaluable patients were analyzed. There was no difference in overall survival between patients receiving standard care plus a shark cartilage product versus standard care plus placebo. Likewise, there was no suggestion of improvement in quality of life for patients receiving the shark cartilage, compared with those receiving placebo. CONCLUSION: This trial was unable to demonstrate any suggestion of efficacy for this shark cartilage product in patients with advanced cancer.”
(O grifo é meu.)

Repetindo: Não houve diferença alguma na sobrevivência geral entre os pacientes tratados com cartilagem de tubarão e os pacientes tratados com placebo.. Bem claro, não?

Os defensores do uso da cartilagem de tubarão - principalmente os vendedores de cartilagem - sempre vinham com a mesma história ao debater a eficácia do produto com pesquisadores: não havia um estudo que indicasse que a cartilagem era inócua. Ou seja, não havia um argumento contra. (Por mais estranho que soe, essa é a mesma falácia que o ID usa ainda para questionar a evolução, por exemplo.) A base científica da idéia de que cartilagem seria um agente anti-câncer era a meu ver fraquíssima: de que tubarões vivem no planeta há milhões de anos e têm baixo índice de desenvolvimento de câncer. Como são peixes cartilaginosos, provavelmente é a cartilagem que os protege, certo? Errado! Isso é um sofisma, algo como dizer: ora, vivemos no planeta há alguns milhares de anos, não morremos de ataque alienígena, somos humanos, os únicos seres vivos com cérebro desenvolvido, então deve ser nosso cérebro privilegiado que nos previne disso. Vamos então isolar o componente cerebral que nos protege de alienígenas: matamos boa parte dos humanos, transformamos o cérebro em pó e vendamos as pessoas que querem se proteger de ataques alienígenas! Pois é, mas mesmo frente a esse tipo de argumento, os cientistas, ecólogos e afins ficavam sempre com aquela cara de tacho, porque no fundo uma coisa era verdade: não havia mesmo estudos que comprovassem o contrário. Havia sim estudos defendendo, estudos publicados em revistas obscuras de impacto nulo (perto de zero) e bem exaltados pelos interessados na venda, para embasar suas viagens na maionese. Isso quando não eram assumidos fatos não afirmados pelos estudos: algo como maçãs a partir de laranjas. Ou quando extrapolavam dados obtidos em coelhos para humanos sem o minimo de precaução. E, com isso, vendem o produto com suporte "científico". Não, mil vezes não!! Toda vez que você vir qualquer “comprovacao científica” de algo que cheira à picaretagem, dêem uma olhada por cima na revista ou nos números do estudo e como o mesmo foi feito. Se a pessoa que quer te vender um produto de uso medicinal qualquer não quiser te mostrar um estudo – pra ser verdadeiramente científico, ele tem que estar, pelo menos em resumo, publicado na rede gratuitamente – desconfie. Vá ao santo Google. Procure mais informações claras. Pergunte ao médico. Não acredite de primeira, exerça sempre seu bom senso.

Pode não ter muito impacto agora esse artigo (e a maior parte das pessoas pode achar ainda uma perda de tempo), mas pelo menos, essa história engambelatória da cartilagem de tubarão parece estar mais próxima de um fim, depois desse artigo na Cancer. Parabéns ao grupo que arregaçou as mangas e o desenvolveu.

Os tubarões - esses seres vivos fundamentais à manutenção do ecossistema marinho - mesmo estando alheios às confusões e predações humanas, agradecem a iniciativa.

Tudo de bom sempre.

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sexta-feira, julho 08, 2005

O limite do metro

O atentado ao metrô de Londres mobilizou a imprensa mundial - com total razão, pois foi um evento extremamente triste, que merece ser refletido e providências precisam ser tomadas - , além de mostrar o quão volátil é a segurança de um sistema de transporte público de massa (e eu diria em qualquer lugar do mundo, não só em Londres). A facilidade com que uma pessoa pode plantar bombas dentro de um vagão é preocupante e neurotizante.

E nesse momento, eu não poderia deixar de comentar um pouco sobre o sistema de metrô de Seul. Sem dúvida, um dos mais eficientes do mundo. A maior parte dos coreanos usa o sistema de metrô para ir a qualquer lugar da cidade e dos arredores. São 10 linhas com frequência invejável, preço mínimo de 900 wons (cerca de 90 centavos de dólar). Como moramos no subúrbio, o mínimo que pagamos de metrô é 1300 wons - razoável. Algumas estações nevrálgicas intersectam 3 linhas, como Jongno-3-ga e Dongdaemun (área de mercado de rua tradicional). A estação de Sadang também é das mais movimentadas, assim como a estação Central de Seul. Sempre tudo lotado, raras são as vezes em que pegamos o metrô completamente vazio. O quão seguras são as estações? Não sei. A polícia coreana não é ostensiva em geral; ela é eficiente, mas não a vemos quase, exceto nas imediações da embaixada americana. Esconde-se bem, a polícia. Também, pra quê aparecer, numa cidade com índice de criminalidade quase nulo? No site do metrô, existe um link sobre como lidar em situações de ataque terrorista, uma providência que provavelmente surgiu após o ataque psicopata em Tóquio. Além de tudo isso, o metrô é um excelente palco armado para grandes reflexões antropológicas - como qualquer metrô no mundo. Pego-me constantemente imaginando como será a vida daquelas pessoas que estão ali no vagão comigo...

Em geral, estão com seus celulares em mãos, mandando mensagens instantâneas, falando com alguém, ouvindo música pelo celular ou simplesmente jogando - ultimamente, a vertente "ver filmes em celular" parece estar na moda, e tenho visto alguns jovens já nessa nova onda. Numa sociedade onde virtualmente 100% da população tem celular (pelo menos essa é a sensação que temos), nada mais normal. Além disso, existem aquelas "figuras" tradicionais de metrô: o vendedor de guarda-chuvas (em dias de chuva, porque em dias de sol, ele vende viseiras-leque) ou de escovas de dente (ainda me pergunto o que leva alguém a comprar uma escova de dente no metrô...), alguns poucos pedintes - porque afinal, é uma humilhação das piores possíveis numa sociedade oriental mendigar qualquer coisa -, os jovens universitários, os homens de negócio apressados e enternados, as ajumás com suas mochilinhas nas costas, os gringos como a gente (facílimos de serem identificados), e nos fins de semana, muitas crianças. Uma ampla variedade de estereótipos, mas todos com a marca "Coréia" estampada de alguma forma. Sem dúvida, interessante.

Criancas no metroVendedora de raizes
Saida pela direitaVendo filme no celular
Cenas cotidianas do metrô de Seul: um grupo enorme de crianças de uma escola (no metrô lotado, como sempre); uma ajumá vendendo raízes medicinais na estação de Sadang; o alerta para saída pela direita na próxima estação - que também é mostrado em inglês, para nossa tranquilidade; e um jovem universitário vendo filmes pelo celular.

Mas eis que nessa semana, além da preocupação que surgiu com o metrô em questões de segurança, outra notícia esteve em voga nos jornais coreanos sobre um desses fatos do cotidiano de muita gente: "sujeiras" de cachorro pela rua.

Vamos ao fato, que foi hoje relatado inclusive no Washington Post (infelizmente só para assinantes a reportagem, mas também foi citado no Boing Boing e no Poop Report, que são abertos):

Uma jovem coreana estava com seu cachorrinho no metrô de Seul. O animal, em certo momento, fez suas necessidades no chão do trem. A menina não se moveu um milímetro para limpeza, e várias pessoas que estavam no mesmo vagão começaram a se manifestar. De acordo com testemunhas, à medida que as pessoas reclamavam com a "menina-do-cachorro", ela foi ficando mais agressiva. E é aí que vem o poder da tecnologia. Um rapaz que estava nesse vagão começou a tirar fotos de tudo aquilo com seu celular - inclusive da cena após a menina ter deixado o vagão, quando um senhor idoso agachou-se e limpou a sujeira do cachorro. O fotógrafo oportunista imediatamente enviou as fotos da menina e da querela armada em Seul para um website popular coreano (sob pseudônimo, é claro), e em menos de uma hora e após troca intensa de mensagens instantâneas e postagens em blogs, a menina já estava sendo reconhecida pelas ruas de Seul (principalmente por causa da bolsa e do relógio que usava na hora) como a "dog-poop-girl". E óbvio, as pessoas começaram a fuçar mais. Descobriram seu nome em poucos dias, e seu passado foi todo esmiuçado, com depoimentos e tudo. Sua vida foi posta em público, e seu nome foi literalmente pra lama virtual. Consequências da chacota nacional: a menina teve que se retirar da universidade que frequentava após ser alvo de tanto bate-boca, o nome de seus pais foi revelado e também motivo de reprovação social, e o incidente virou primeira página em todos jornais coreanos, assim como na TV.

Pensemos sob a perspectiva oriental de vida: o nome da família é tudo por aqui. O respeito à instituição "família" é muito mais rigoroso que nos países ocidentais, por mais que saibamos ainda ter uma certa rigidez. Divórcio aqui ainda é motivo de vergonha, veja bem. Talvez o duplo desrespeito da menina (por não limpar a sujeira, e por deixar que um senhor de idade por fim o fizesse) tenha colaborado para a resposta raivosa da comunidade em geral. Sim, porque a foto espalhou-se pela rede como um meme dos mais pegajosos.

E no momento, na Coréia, o debate prevalescente é: qual é o limite para o "jornalismo do cidadão"? Até que ponto invadir a privacidade de alguém é válido para reportar um fato? E no caso das fotos em blogs londrinos, reportando histórias e visões pessoais dos atentados? Como fica? Difícil chegar a um consenso. Numa sociedade como a coreana tão ligada a valores - a cena do idoso limpando a sujeira do cachorro por educação esteve zilhões de vezes na TV - e ao mesmo tempo tão avançada tecnologicamente, acho que impôr um limite a esse jornalismo torna-se cada vez mais dicotômico a esses valores existentes.

O limite da nossa privacidade num vagão de metrô com a atual tecnologia disponível parece ser realmente muito tênue.

Tudo de bom sempre.

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P.S.: Esse post foi apenas uma pequena pausa nos relatos filipinos, não se preocupem. A história não acabou. :-)

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quarta-feira, julho 06, 2005

Galera de Puerto Galera

Quando olhamos no mapa-mundi, as Filipinas parecem uma pontinha de nada na lateral esquerda do Oceano Pacífico. Mas é um país formado por cerca de 7,100 ilhas. Num cálculo imaginário grotesco, se cada ilha tivesse 1km de praia em volta (ou seja, 1 km de perímetro, o que é bem pouco), teriamos uma extensão costeira de 7,100 km - o que já é quase o tamanho da costa brasileira. Essa fractalização da costa obviamente aumenta o contato do filipino com o mar. Em muitos casos é melhor você ter um barquinho que um carro, pois o barco vai te facilitar muito mais na locomoção entre ilhas. Como se não bastasse o tamanho da costa, as Filipinas estão no que chamamos Centro de Biodiversidade Marinha (em inglês, marine hotspot) - não se preocupem com o termo, pois estou preparando um post bem detalhadinho sobre o assunto pro futuro próximo.

De qualquer forma, pra conhecimento do momento, as Filipinas estão na área mais biodiversa subaquática do planeta. Isso gera condições excelentes para... mergulhar! E foi isso que fizemos, em 4 ilhas diferentes: Mindoro (na cidade de Puerto Galera, especificamente), Verde, Negros Ocidental (na cidade de Dumaguete) e Apo - além de visitarmos a ilha de Luzon, onde fica Manila, mas lá não aproveitamos a praia. Pra quem tem mais de 7,100 ilhas pra escolher, pode ter certeza que a tarefa não é nada fácil, e deixamos sempre excelentes opções de fora. Coisas da vida viajante.

Vale lembrar também que as Filipinas servem de exemplo nas salas de aula de ecologia marinha pra todo tipo de prática predatória possível: eles pescavam (e a maioria pesca até hoje assim) usando dinamites, armadilhas de peixe, jogando cianureto no recife de coral, para sufocar os peixes e fazê-los subir à superfície. Práticas pra lá de condenadas, que colaboraram para o desaparecimento de muitas espécies do local. Entretanto, Puerto Galera, cujos recifes de corais foram designados pela UNESCO em 1977 santuário marinho ou reserva de biosfera, viu crescer uma fértil indústria de turismo, principalmente de mergulho. Com os recifes preservados, mais peixes passaram a habitar a região, e a pesca sustentada hoje é realidade. A população viu no bolso que preservar dá lucro, em diversos lados. Embora seja um exemplo quase único nas Filipinas, ele existe e já é um bom começo na história de conservação dos mares. Vale lutar para que se espalhe.

A chegada em Puerto Galera já foi uma aventura em si. Após 3 horas de carro de Manila até um vilarejo, pega-se um barco filipino (a "bangka") por uma hora que nos leva até a praia principal de Puerto Galera. Isso tudo de madrugada, pois nosso vôo havia chegado quase meia-noite. Ao chegar na praia, precisávamos ir até o hotel em que ficaríamos - que obviamente pelas leis de Murphy era um dos mais distantes do local de desembarque. A maior parte da cidadezinha não tem ruas, e sim ruelas para pedestres, naquela típica confusão e improviso filipinos, então as malas e equipamentos de mergulho tiveram que ser carregados por um bom trecho. Como chegamos no fim da night, os últimos seres da noite bêbados e suas respectivas prostitutas predominavam na cena. Galera em ação no puerto.

Ruela de Puerto GaleraJeepney
Ruazinha típica em Puerto Galera, e andando de jeepney, o transporte terrestre filipino por excelência.

Dia seguinte, começamos nossa maratona embaixo d'água. 3 a 5 mergulhos por dia (incluindo noturnos para ver os outros "seres da noite" que não se embebedam nos bares), cada um num lugar mais bonito - ô, vida difícil, sô... A baía de Sabang, onde ficamos, é menor que a praia do Flamengo, no Rio, mas inacreditavelmente a gente encontra lá mais variedade de espécies de tudo (peixes, corais moles e duros, caranguejos, esponjas, e por aí vai...) do que no Brasil inteiro. Simplesmente incrível. Além disso, a operadora com que fazíamos nossos mergulhos era certificada pela National Geographic e um centro de excelência para mergulhos técnicos de profundidade: veio de Puerto Galera o recorde mundial confirmado de descida com equipamento autônomo, inacreditáveis 308m. Os que mergulham sabem o quanto a pressão a 30m já pode causar dores de cabeça, imagine a 308m, feitos por John Bennett... A superação do ser humano onde o fundo é o limite.

Mas, para os mergulhadores reles mortais como nós, 30m é o limite, porque abaixo disso também muito da diversidade da vida esvaece. E nossa rotina de mergulhos foi então estabelecida, revirando os mares próximos a modestas profundidades cheias de vida. Fomos à Caverna dos Tubarões (a 27m de profundidade) porque obviamente eu não queria perder a chance de visitar os meus amigos prediletos do mar, que lá descansam calmamente. Milhões de peixes pra todos os lados, cada recife de coral mais colorido que o outro, milhares de pequenos invertebrados lindos e cheios de cores - os meus prediletos são os nudibrânquios, pequenas lesminhas de cerca de 5 cm em média, cujo nome remete à sua ordem taxonômica (Nudibranchia = brânquias expostas, seu aparelho respiratório não é protegido como nos peixes), e que têm um colorido peculiar com padrões pra lá de viajantes. Um deles, o "dançarino espanhol", que vimos num mergulho noturno, me emocionou tanto que eu quase chorei embaixo d'água. Ele era vermelho róseo, de anteninhas vermelhas escuras, com uns 20cm, mas super-macio na pele, e tinha um camarãozinhozinhozinho caminhando nas suas brânquias! Uma dessas cenas pra nunca mais você esquecer na vida, pelo menos para quem é biólogo e curte o mar como eu.

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Detalhe das brânquias do "dançarino espanhol" com o camarão de carona; ao lado, os tubarões-galha-branca na entrada de sua caverninha.

Em terra, um certo nervosismo começou a se estabelecer: queríamos assistir ao jogo Brasil X Argentina, final da Copa das Confederações - principalmente porque um dos divemasters era argentino, e obviamente a histórica rivalidade foi trazida à tona da maneira mais leve e jovial possível. "Mas como não passa na TV???" Pois bem, aparentemente as Filipinas não têm muita paixão por futebol, e nos canais de esporte, nos intervalos entre-mergulhos, a única coisa que víamos era o torneio de Wimbledon. Em dado momento, até campeonato mundial de bilhar estava passando, e nada dos gols do Adriano!! Isso nos deixou frustrados, e até agora estamos na esperança (é a última que morre, afinal) de ver esses gols pela TV. E por favor, que ninguém me venha falar que foi o melhor jogo contra a Argentina de todos os tempos, que isso eu já sei, ok? :-)

(Parênteses: Esse divemaster argentino, aliás, era perseguido em alguns mergulhos por um peixe-cangulo razoavelmente grande e agressivo na defesa de sua fêmea, e atacava mordendo as nadadeiras azuis do moço. O mais engraçado é que estávamos embaixo d'água num grande grupo, mas o cangulo só ia em cima do argentino! E nós embaixo d'água parados, vendo aquele espetáculo de humor, rolando de rir... É claro que isso foi motivo de muitas brincadeiras em terra também.)

Verde Island6-27-05 UW Pinnacle Verde I
Praia pacata na Ilha Verde; ao lado, o paredão de corais coloridos no Pináculo da Ilha Verde, e eu embasbacada com aquela diversidade de vida! Os corais pareciam formar uma avenida florida de todas as cores, belíssimo!

Em um dos dias, fizemos uma pequena viagem à vizinha ilha Verde, para mergulhar no Pináculo, um paredão de coral dos mais coloridos que já vi. Sem brincadeira, um dos corais que vi tinha textura parecida a um azulejo roxo - nunca nem imaginei que existisse algo assim. Na ida para Verde, golfinhos acompanhando nossa bangka. No barco, além de tanques e apetrechos de mergulho, as cozinheiras do nosso piquenique. Prepararam pancits, saladas e galinha assada, no melhor estilo "farofa na praia". Que saudade da bagunça! Como os filipinos são muito simpáticos, tudo era motivo de sorrisos largos.

No último dia em Puerto Galera, impossibilitados de mergulhar à tarde porque íamos voar no dia seguinte (para quem não sabe, isso é uma norma variável: em geral não se mergulha 24h antes de entrar num avião, dependendo do quanto você mergulhou antes), resolvemos passear por Puerto Galera. Pegamos um jeepney, meio de transporte típico filipino e fomos até o topo de uma montanha apreciar a vista. A viagem até lá já foi reveladora: vimos cenas filipinas das mais interessantes. A começar pelo jeepney, que é um antigo ônibus militar americano que, após ter sido jogado fora pelos ianques, foi parar no sudeste asiático. Cada jeepney reflete a personalidade de seu dono, e os designs e desenhos são os mais engraçados possíveis. Passamos também por uma fazenda de criação de galos de briga, paramos num píer lotado de crianças, e demos muitas risadas quando o jeepney quase atolou numa ladeira de barro - sim, as estradas nas Filipinas são em boa parte de terra. Em férias, até os possíveis problemas são diversão.

6-27-05 UW La Laguna nightBar flutuante em Puerto Galera
Seres da noite: esse nudibrânquio colorido no mergulho noturno, e um dos locais onde a outra galera da noite encontra-se, o bar flutuante de Puerto Galera!

Despedir-se de Puerto Galera, confesso, doeu no coração. Gostei muito dos mergulhos, das pessoas com quem interagimos, dos passeios de barco, da vida marinha. Mas foi chegada a hora de partir, e continuamos na estrada, rumo à Dumaguete - a história de lá fica pra depois...

Tudo de bom sempre.

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segunda-feira, julho 04, 2005

Manila musical

"Being absorbed in the sound."

Sendo absorvido no som. Essa frase estava na camiseta de um músico filipino, que tomando seu copo de chá gelado num quiosque esperava pela vez de tocar num dos vários palcos existentes na orla de Manila, a interessante e iluminada Baywalk.

Manila foi uma excelente surpresa no trajeto das férias - digo surpresa porque não tínhamos plano algum de parar por lá, se não fosse o fato das conexões aéreas esdrúxulas que conseguimos terem nos forçado a uma pernoite. E que pernoite! Chegamos às 3:30 da tarde de sábado, e depois de instalados no hotel, resolvemos dar uma volta pela cidade. Eu já tinha ouvido falar da região de Intramuros, mas nunca havia prestado muita atenção nas informações sobre o lugar e achava que era apenas um sítio histórico afastado da cidade. Ledo engano: ao chegar, percebemos que Intramuros é um bairro inteiro histórico de Manila, circundado por um enorme muro de pedras - e quem morava dentro dessa muralha morava "intramuros", daí o nome. Era a área onde os espanhóis do passado viviam, e a arquitetura colonial que vemos no Brasil repete-se aqui nos casarios transformados hoje em mini-shoppings, restaurantes e museus. Mas o que achei mais legal da região de Intramuros é o muro em si: virou point de juventude. A molecada reúne-se depois da escola/faculdade em cima da muralha antiga, vendo a cidade de cima no melhor estilo. Alguns fazem piquenique, outros tem discussões de aulas, uma boa parte paquera e, acidentalmente um casal de turistas brasileiros perdidos é avistado por lá.

Predio colonial em IntramurosEm cima do Intramuros
Um prédio colonial no bairro histórico de Intramuros, com a típica arquitetura colonial ibérica, e eu sentadinha em cima da muralha. Repare que atrás de mim um grupo de filipinos jovens está batendo um papo. O prédio com uma torre ao fundo é o Museu Nacional das Filipinas.

De Intramuros, fomos caminhando até o píer do parque da orla, onde os filipinos levam suas crianças para brincar e onde restaurantes de comida típica fazem a delícia de qualquer turista. Os preços são inacreditavelmente baratos, e jantamos por lá: um pancit canton (espécie de noodles de trigo frito no que imagino ser óleo de coco, com vegetais) e sinigang na isda (sopa meio azedada de peixe, um sabor muito peculiar mas que achei sinceramente estranho). Pancit delicioso, e no geral, na maior parte do tempo nas Filipinas comemos muito bem. A culinária deles é rica, verdadeira fusão de estilos (com maior destaque para a influência espanhola e chinesa, é claro), e cheia de temperos como tamarindo, calamansi (um limãozinho típico), dalandan (mexerica), alho, vinagre e afins. O prato nacional é o Adobo, feito com galinha embebida numa mistura de temperos banhada a molho de soja de sabor indescritível. Dá fome só de pensar!

BaywalkNight no Baywalk
Dois momentos do Baywalk à noite que mostram a boa diversão na orla filipina, um calçadão repleto de bandas por todos os lados.

Depois da janta, o passeio continuou pelo calçadão da orla de Manila, o chamado Baywalk. E foi lá que meu encantamento elevou-se a níveis insustentáveis. A cada 200m, um palco (vimos uns 10 pelo menos). Em cada palco, uma banda de garagem. Em cada banda, um talento formidável. Em cada talento, o espelho da identidade (e da qualidade!) musical filipina. Sons, sendo absorvidos por todos os poros, como já anunciava a camiseta do músico. Um desbunde musical dos melhores. Já havia assistido a um show de uma banda filipina em Seul muito bom (cover do Queen), e meu namorado já havia também me alertado para a qualidade dos covers vindos de lá, dos seus tempos de mochileiro na Indonésia. Porque a música filipina não se define: o país é tão misturado em suas influências, que a música só podia mesmo refletir essa miscelânea. Só que, ao invés de inventar algo novo a partir da fusão (como os brasileiros fizeram e fazem inúmeras vezes), eles preferiram se aperfeiçoar em copiarem os seus ídolos. Muitas vezes superam os mesmos: os covers filipinos estão sem sombra alguma de dúvida entre os melhores do planeta, em qualquer estilo que você queira imaginar. Vimos uma banda feminina cantando "I will survive" e músicas da Sade que, sem brincadeira, por alguns segundos eu achei que era a própria Sade que lá estava. Mas tinha palco pra tudo, com bandas revezando-se a cada hora: banquinho & violão, reggae, sintetizadores anos 80, r & b, pop... qualquer estilo musical, eles fazem cover - e cover bom.

(Parênteses: Um detalhe que me alegrou foi perceber que a música de qualidade duvidosa não tem vez nas Filipinas. Qualquer estação de rádio vai tocar pelo menos um grupo de rock decente. Os táxis que pegamos todos tinham músicas legais. O cara do hotel em que ficamos revelou (assim que dissemos que éramos brasileiros) que tinha cds da família Morelembaum (!!!) e adorava Tom Jobim. Não ouvi em momento algum qualquer acorde que entrasse irritante nos meus ouvidos - e olha que eu sou uma chatonilda para sons... E pra variar, saí de lá com mais uns cds pra minha já extensa coleção. Fim do parênteses.)

Banda feminina no BaywalkBanda em Baywalk
Duas bandas apresentando-se no calçadão do Baywalk, sendo uma delas 100% feminina, um barato!! As meninas mandaram bem demais! E Manila nos dá o exemplo de que a fartura de escolha musical revela bons talentos.

A cena musical filipina é das mais efervescentes, principalmente por causa dessa obsessão nacional pelo cover de qualidade. Usando a fórmula matemática: uma noite em Manila de presente + um casal louco por novidades musicais + músicos empenhados em serem e soarem bons + locais agradáveis pra apresentação gratuita + clima gostoso de verão na cidade + povo alegre + participação do público de forma construtiva, temos então uma das mais divertidas noitadas dos últimos tempos, com essa esbanjação total musical de ir de palco em palco passeando, dançando, rindo e percebendo o quanto o filipino nos remete ao brasileiro no que tange à alegria de viver, mesmo sabendo das suas agruras do dia-a-dia - que não são poucas, afinal estamos falando de um país extremamente pobre, com um PIB pior que Bósnia ou Paraguai, com 40% da população abaixo da linha de pobreza e um índice de desemprego acima dos 10%. Um país afundado em corrupção, extremamente católico, e com um povo nota 10, simples e alegre. (Lembra algum outro lugar?) Talvez essa combinação não favoreça o turismo global de alguma forma...

Guitarrista filipinoGlorieta
Um guitarrista filipino tocando no Hard Rock Café - onde terminamos a noite - e ao lado, a face moderna da Glorieta, bairro moderno no centro de Manila.

Alias, foram pouquíssimos os turistas que vimos por lá - praticamente a sensação reinante é de que éramos os únicos, a não ser quando andamos à noite pelo distrito dos bancos, a Glorieta, onde os grandes hotéis de cadeias americanas também estão, e muitos shopping centers com as lojas mais requintadas que vocês quiserem imaginar. Locais estéreis, de arquitetura moderna, como manda o figurino dasluniano de viver, e que não podia ser mais contraditório perante a condição real do país vista no improviso das casas de tapume. Apesar de Manila ser uma cidade grande, tive a sensação de que não é uma rota do turismo das mais prediletas. Pergunto-me a razão... Será pela pobreza patente de seu povo vista sem dó nem piedade nas inúmeras favelas da cidade? Será que as pessoas que visitam as Filipinas querem apenas reclusar-se em outras ilhas do país, mais pacatas e paradisíacas? Será que é por causa da situação atual de confusão política - o marido de Gloria Arroyo, presidente filipina, se auto-exilou no exterior semana passada após inúmeras denúncias de corrupção e aceitação de dinheiro para atividades escusas; as massas populares pedem impeachment da presidente (pela terceira vez na história filipina recente!), e o congresso se divide ao meio frente a tanta sujeira. (Qualquer semelhança com a história politica recente de uma nação sul-americana é mera coincidência.) Será que é por medo de terrorismo? Pra quem não sabe, as Filipinas são o pior país do mundo para exercer o jornalismo - apenas em 2004, 13 jornalistas foram assassinados por razões relacionadas a reportagens que fizeram. Se você olhar também nas páginas da CIA sobre as Filipinas ou do Departamento de Estado Americano, achará a recomendação expressa de que americanos não visitem o país, devido ao risco de terrorismo pela existência de grupos separatistas muçulmanos na ilha de Mindanao (ao sul) e de comunistas em guerrilha que lutam pela igualdade social nas áreas rurais. Um pouco de conversa para ruminantes adormecerem pelo alto grau de exagero, eu acho. Mas é fato que foi esse grupo separatista do sul que há alguns anos sequestrou uns mergulhadores europeus em Sipadam, na Malásia, e ficou com eles em cativeiro por mais de ano. Enfim... não vimos nada de anormal nas ruas do país, nenhuma insurreição, protesto ou algo que o valha. Apenas uma briga de namorados adolescentes - será que isso conta pras estatísticas do medo? Vimos sim, um povo simpático, sorridente e simples, muito simples, que deixa a gente com aquela sensação de que eles é que sabem tirar prazer das pequenas coisas da vida. Ouvindo uma boa banda cover num bar do Baywalk, é claro.

Tudo de bom sempre.

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domingo, julho 03, 2005

De volta

Antes de mais nada, tenho que agradecer a todos os amigos que passaram aqui para me desejar boa viagem: não foi boa... foi ÓTIMA! Férias são realmente uma dádiva pra qualquer ser humano, e sinto-me renovada para voltar ao trabalho e às viagens na maionese.

Quanto ao lugar que visitei... ninguém acertou, mas a Liliana foi a que chegou mais perto sugerindo Malapáscua, essa ilha filipina maravilhosa que já visitei no passado. Enfim, pra acabar com o suspense, o parque marinho exemplo mundial de conservação é a pequeniníssima ilha de Apo, nas Filipinas. A viagem não foi restrita a Apo, demos umas rodadas pelas Filipinas em mais 3 lugares, e com certeza, estão todos mais que convidados a viajar com as fotos e divagações que pretendo compartilhar em alguns posts durante os próximos dias.

Assim que a saudade do Catupiry for sanada e a organização das fotos terminar, vai começar a viagem internética: Lucia Malla nas Filipinas.

Tudo de bom sempre.

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P.S.: Muitíssimo obrigada pela citação (que gentileza!) à todo o time gente fina do Jogos Perdidos, um blog divertido e imperdível sobre os clássicos do futebol da várzea. Pra quem é fã de futebol como eu, vale mesmo visitar e acompanhar essa moçada. De pé perto do alambrado, que é mais emocionante. Valeu demais, galera do JP!

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