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domingo, outubro 30, 2005

Parque Nacional de Seoraksan

Outono subaquático
Finalmente, a foto tão sonhada!

Na semana passada estivemos no festival-gincana, relatado no post abaixo. Entretanto, no fim-de-semana anterior, tínhamos encarado uma aventura completamente diferente, e que quero compartilhar aqui no blog, dada a discrepância na organização com a viagem-gincana. Viagens diametricalmente opostas: a do relato de hoje tinha um roteiro quase indeterminado.

Alugamos um carro. Destino final: leste da Coréia, Parque Nacional de Seoraksan. Todos nos falavam das maravilhas desse parque em qualquer época do ano, e pensamos que, com a chegada do outono, as árvores coloridas nos dariam belas fotos, caminhadas pra lá de prazeirosas, e uma temperatura amena. O parque é enorme, requer alguns dias pra andá-lo por inteiro. Pararíamos onde quiséssemos, na hora que quiséssemos. A barraca de acampar estava no porta-malas, com nossos sacos de dormir, e uma lancheira com sanduíches naturais e outras guloseimas de andarilhos (barrinhas de cereal, frutas secas, etc.). Pegamos a rodovia 50 no sábado à tarde e fomos.

Já estava escuro quando chegamos na cidade de Sokcho. Fomos direto ao escritório do Parque Nacional, que já estava fechado, mas um guardinha simpático nos deu inúmeras informações e um mapa do parque. Além disso, liberou que acampássemos de graça no camping do parque. Estávamos cansados da viagem e da correria do dia, então fomos direto montar nossa barraquinha e dormir. Afinal, queríamos acordar cedo para tirar fotos do sol nascendo na região.

A noite foi bem longa. Frio demais. Meu saco de dormir agüenta até -20°C, mas o do meu namorado é mais “verão”, e não dava o conforto térmico necessário. A sensação geral era de um freezer, embora a temperatura estivesse, a meu ver, em torno de zero. Tínhamos um edredon, estávamos vestidos com todas as roupas que podíamos, mas mesmo assim, o frio era absurdo, e mesmo no meu saco de dormir poderoso, meus pés se mantinham gelados. Tentava cochilar, mas só conseguia pensar nos meus antigos experimentos de laboratório com ratos no frio, as estratégias que eles usavam para aquecimento quando expostos a 4°C: colocar mais palha em volta do corpo, não se mexer muito, tremer, aumentar aproveitamento de hormônio tiroideano. (Parênteses: Ratos podem produzir calor extra através do tecido adiposo marrom, por intermédio do hormônio tiroideano - termogênese adaptativa, em jargão científico. Fim do parênteses.) Nós, humanos, só temos tecido adiposo marrom organizado quando bebês. Ponto a menos para a nossa fisiologia. Para falar a verdade, o frio era tanto, que eu percebi que já não pensava direito mais. Em dado momento, vislumbrei todos os ratos que coloquei na geladeira rindo da minha cara de congelada. E imaginei o que seriam os -70°C que os aventureiros do Everest enfrentam por lá. Insanidade total.

Às 5 e meia da manhã, decidimos desmontar a barraca, tomar café, e procurar um lugar legal pra ver o nascer do sol. À medida que o dia foi clareando, começamos a perceber o quão maravilhoso era o lugar em que estávamos: as montanhas, a paisagem, e principalmente as cores das árvores. Fomos direto para o parque nacional, onde uma fila enorme de pessoas já se amontoava no guichê para pegar o teleférico. Compramos nosso ingresso para 11 da manhã, e como eram ainda 7 horas, decidimos dar uma andada no templo próximo e fazer uma das pequenas trilhas, a de Bisondae, cerca de 3 km de caminhada.

BudaTemplo tradicional coreano
O grande Buda protegendo a todos no início da caminhada, e mais um templo tradicional coreano para animar a turistada...

O templo era mais um tradicional coreano, agora em versão outonesca. A novidade dessa vez ficou por conta da estátua de Buda, enorme, contemplativa. Já a trilha de Bisondae estava linda nesse início de outono, com algumas árvores já em colorido típico, e outras ainda verdes. Uma espécie de roedor cismava em perseguir os turistas, que não eram poucos. A trilha em si mais parecia uma rodovia pavimentada para pessoas, e ao final, chegamos a um pedregulho exuberante – o Bisondae – onde algumas pessoas se aventuravam na escalada pra lá de radical. Rock climbing é definitivamente um esporte para poucos. Na volta, paramos para comprar maple syrup no palitinho, que derretia na boca. Bem gostoso.

UlseonbawuiSokcho e o mar do Japão vistos do topo do Gwongeunseon
A pedra de Ulseonbawui, área mais famosa e nobre do parque. Ao lado, a cidade de Sokcho e o mar do Japão, vistos do cume do Gwongeunseon, num belo dia de céu azul.

Deu a hora de pegar nosso teleférico rumo ao topo da montanha Gwongeunseon. Escalada em pedra auxiliada por um técnico do parque, as pessoas são conduzidas ao cume, de onde tem-se uma vista lindíssima, da cidade de Seokcho, e do mar do Japão. O dia estava claríssimo, perfeito, céu azul, e dava para ver claramente a cidade.

Ficamos um tempo no cume, tirando muitas fotos. Deu pra ter um pinguinho da sensação de vitória no cume - embora esse fosse um cume turístico, alcançável por todos - tinha até uma barraquinha vendendo medalhinhas de "Eu cheguei ao topo do Gwongeunseon" ao lado de uma bandeira coreana. Capitalismo selvagem in natura, literalmente.

No topo do GwongeunseonCores de outono
No topo do Gwongeunseon, a felicidade do cume. E que visual! Ao lado: outono é definitivamente a época mais bonita do ano nos países temperados... vide as cores dessas folhas.

Hora de descer, de volta ao guichê inicial. Saímos do parque e fomos em direção a entrada oeste, por uma estrada minúscula, cheia de curvas e simplesmente linda. A tarde seria de mais caminhada, dessa vez numa trilha mais longa, menos movimentada, e mais colorida pelo outono, a trilha de Sibiseonnyeotang. Meu namorado sonhava há tempos em tirar uma determinada foto subaquática, com árvores coloridas de outono ao fundo – aquela típica paisagem bucólica asiática também fazia parte desse sonho. Ele já tinha a foto em mente muito antes de executá-la, e procurávamos esse lugar imaginário. Eis que achamos um riacho de águas transparentes, cenário perfeito para a realização desse sonho. Ficamos por lá um bom tempo, tirando fotos e curtindo aquele pedacinho de natureza tão agradável. O roedor também estava ali, e, enquanto meu namorado aventurava as mãos nas águas gélidas daquele riacho, aproveitei pra espreitar melhor o comportamento do animalzinho dentuço – manias de bióloga. Tinha uma cauda listrada muito interessante.

Aos poucos, a sombra caía, sinal do fim do dia. Hora de voltar para Seul, pegar a estrada. Um engarrafamento-monstro nos esperava, e gastamos 7 horas para percorrer um trecho que normalmente se faz em 3. Amenizado pela presença de uma lua cheia enorme, que insistiu em nos roubar a plenitude de um sorriso.

Na maior parte das vezes, a natureza se basta para nos trazer contentamento.

Tudo de bom sempre nesse outono de cores.

Outono sub

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terça-feira, outubro 25, 2005

Festival-gincana em Ganggyeong

Quando eu digo que eu topo qualquer tipo de viagem, eu não estou exagerando.

Na noite de terça dia 18, meu namorado recebeu um telefonema do representante da Associação Brasil-Coréia, dizendo que havia 2 vagas para um fim-de-semana com tudo pago, numa "excursão" entre funcionários (?) de embaixadas diversas aqui da Coréia para participar de um festival em Ganggyeong, sudoeste da Coréia. Festival de frutos do mar salgados. Não somos funcionários de embaixada, mas os demais brasileiros pareciam ocupados e não podiam participar. O pensamento imediato foi: boca-livre com lugar novo incluso é imperdível. Representando numa nanoescala o Brasil, mais legal ainda.VAMOS. Bastou entretanto, uma noite de bom sono para que no dia seguinte nosso espírito cético começasse a atormentar: "Será que essa viagem não é uma grande roubada? E se for uma viagem religiosa? E se for um encontro burocrático oficial? E se a gente não puder andar livremente na cidade para fotografar e curtir? Sim, porque nós adoramos viajar, mas não somos muito fãs de excursões... teríamos que seguir vários horários que pareciam bem apertados de atividades as mais diversas possíveis, e isso incomoda um pouco. Mas decidimos aceitar o desafio.

Primeiro ponto "roubada": chegar às 9 da manhã de sábado em Seul - o que significa sair de casa às 7:30, ou seja acordar cedo, algo que eu detesto fazer nos fins de semana. Decidi abstrair esse detalhe. E entramos no metrô rumo a Seul, sorridentes e felizes. O primeiro encontro com o pessoal foi positivo, afinal era uma reunião de estrangeiros, e eu adoro essas situações multi-nacionais. Países representados no ônibus: Nepal, França, Áustria, Nigéria, Romênia, Geórgia, China, Filipinas, Vietnã, Japão, Myanmar e, é claro, Brasil. Além de uma meia dúzia de sul-coreanos. Logo na ida, começou a quebra do gelo: as pessoas pareciam se conhecer de outros eventos, e éramos as únicas caras novas do grupo. A maior parte das pessoas era mais velha, mas 4 crianças alegravam o ambiente também. Todos queriam saber da gente, e com isso, começamos a nos soltar. Um francês e uma romena pareciam ser os organizadores da excursão, e eram também os mais extrovertidos do pedaço, sempre fazendo piadas e elevando o astral da galera. Clima pra lá de descontraído.

Ganggyeong é uma cidadezinha microscópica, um desses lugares no meio do nada, com pouco a oferecer. Não consta no Lonely Planet Korea, e tive dificuldades em achar no mapa da Coréia. E como toda cidade minúscula, é onde você pode perceber a face mais antiga da rotina humana de um país. Ao chegarmos lá, fomos direto pra área do Festival, à beira de um rio, para a competição internacional de... fazer kimchi! Isso mesmo, cada um teve que fazer um montão de kimchi, a comida mais típica coreana, auxiliados devidamente por uma ajumá. A regra era clara: estrangeiros fazem e provam o kimchi, que foi avaliado por uma comissão de "especialistas em kimchi" - foi assim que os jurados foram apresentados. Quando eu vi a quantidade de acelga que eu ia ter que encarar, mais aquele saco enorme de pimenta - logo eu, que sou alérgica e detesto kimchi - eu já percebi que minhas chances de ganhar aqueles 200 dólares estavam reduzidas a zero. Expliquei para uma japonesa que não posso comer pimenta, e ela passou a informação em coreano fluente para a "minha" ajumá, e decidiu-se então que eu faria o "kimchi branco", que não tem pimenta. Ufa. A competição então começou. 45 minutos depois de pincelar aquele molho de camarão salgadésimo a cada folha de acelga, os jurados passaram analisando e os prêmios máximos foram entregues pelo prefeito da cidade - que honra. Não venci, é óbvio, mas o meu era o único kimchi branco da festa, e todos quiseram experimentar. O prêmio para todos era levar seu kimchi pra casa. 5 kg(!!!), que estão nesse momento na área de serviço aqui de casa, fermentando mais e mais. Haja kimchi.

Meu primeiro kimchi - brancoFestival de kimchi
O primeiro kimchi - e provavelmente o último - a gente não esquece... Kimchi branco, com meu nome e o país que eu representei, em coreano. Ao lado, a bagunça da pimenta vermelha.

As atividades em Ganggyeong continuaram em ritmo incessante, as mais bizarras possíveis, bem no ritmo de gincana, e todos eram incentivados a participar. Houve o campeonato de "Destreza com palitinhos" - a tarefa era transferir grãos de soja com hashis de um prato pra um copo, um a um, e quem ganhou foi um vietnamita, povo que também se utiliza de hashis para comer. Assim não vale, concorrência desleal, hehehehe! Houve o campeonato de "Cuspe à distância" - um coreano cuspiu 8m, que absurdo! Em determinado momento, não entendi bem o propósito, todos sentaram numas mesas em frente a sua bandeirinha e os coreanos da cidade passavam coletando as assinaturas de cada estrangeiro em um "certificado de festa". Uma tarde de autógrafos de Homo sapiens internacionalis que representavam seus países de origem ali, naquele momento. Uma viagem ao provincianismo nostálgico. Não me lembro de colecionar esse tipo de coisa, mas também não me recordo de quando criança ir a nenhuma feira com vários estrangeiros, embora morasse numa cidade bem pequena.

Mesa de autógrafosCampeonato de comida com palitinhos
Hora de dar autógrafos internacionais às crianças coreanas; ao lado, o campeonato de comer com palitinhos - ou seriam palitões? Destreza pouca é bobagem.

O dia acabou em um jantar bem coreano de bulgoggi (carne ensopada cozida na mesa), com karaokê - haja ouvido e paciência com o próximo... Mas já estávamos completamente entrosados, e só demos risadas dos micos de todos. Em nossa mesa, as 2 japonesas (uma delas de Hiroshima) contaram sobre suas experiências próprias com a bomba atômica. Nunca tinha conversado com ninguém que me desse uma narrativa tão próxima de todo aquele horror radioativo, e de repente senti que a viagem já tinha valido a pena só por aquele papo, que dirá pelo resto do grupo. Fomos então para o hotel. No quarto, ao invés de bebidas e afins no frigobar, tinha uma máquina de venda dos produtos: um vending machine. Ao lado de um computador. Sem dúvida, prático. Mas eu estava muito cansada das brincadeiras do dia, e fui ler deitada meu livro do Göran Kropp - que aliás terminei, e recomendo aos aficionados por montanhismo.

Guerreira da dinastia BaekjaeVending machine
Semi-vestida de guerreira da dinastia Baekjae com arco sem flecha na mão! Ao lado, a máquina refrigerada de vender guloseimas dentro do quarto do hotel.

Foi difícil acordar no dia seguinte às 6 da manhã (!!) - eu desconfiei seriamente da sanidade mental de alguém que marca um futebol amistoso de várzea às 7 da matina de domingo. Mas fomos, afinal tudo é festa. Time de estrangeiros contra locais, e a temperatura devia estar em torno de 3 graus. Isso mesmo, uma geladeira. Me deu pena de todos os jogadores. Eu congelei. A pelada terminou em 4X4, e vários jogadores mais conversavam e fofocavam em campo que jogavam. Uma diversão, sem dúvida. Até então, não tínhamos tomado café, e fomos agraciados com um legítimo "café da manhã coreano": sopa apimentada de carne com kimchi. Eu passo.

O timeNepalês jogando futebol
Os times de futebol na foto chavão de confraternização (típica de várzea de Jogos Perdidos...) e o nepalês mostrando toda a sua "ginga" (e frio!) em campo.

Próxima parada: visita ao Museu da Guerra de Baekjae, que conta um pouco da história dessa dinastia que reinou de 600 AC até 18 BC. A exposição era interativa, e permitiu que vestíssemos a roupa do cavaleiro coreano - me senti num filme de época. E que roupa pesada! Do museu para o Festival-gincana, onde almoçamos trajados com outra roupa tradicional coreana, todos os excursionistas fantasiados de Confúcio. Uma farra usar aquele chapeuzinho, que em tempos antigos era feito com fios de cabelo do rabo do cavalo, e hoje é feito com nylon. Durante o almoço, conversamos com os nepaleses - é claro que eu tinha que puxar um papo Everest "básico", mas eles eram de outra casta (brahmas), não-sherpas, não-montanhistas.

Museu da Guerra de BaekjaeAlmoço tradicional coreano
O Museu de Guerra de Baekjae; ao lado, o almoço coreano tradicional à caráter. Esses chapéus são muito cômicos!

Já era de tarde, e ia começar o show de calouros. Claro, gincana que se preze tem que ter um show de calouros. E lá fomos nós... Não apresentei nada (não sou chegada a um palco, gosto mesmo é de bastidores). Mas uma peruana fez a dança do ventre, e um srilankês cantou uma música que levantou a platéia. Um quinteto coreano de dança/música/performance arrasou no techno-street, e 2 crianças filipinas fofas cantaram e encantaram.

Criancas filipinas Myanmar é isso aí!
As fofíssimas crianças filipinas que encantaram no show de calouros. Ao lado, isso é Myanmar! O representante do país em traje típico em outro momento da calourada.

Depois dessa tarde, tudo pronto para enfrentar o engarrafamento da volta para Seul. Jantamos na estrada. Ao chegar em Seul, aquela troca chavão de emails. E a sensação de que não foi nada roubada; foi sim um privilégio compartilhar desses momentos únicos de "pagação de mico" num pequeno festival de cidade de interior onde reinou o universal desejo humano de amizade entre os povos.

Tudo de bom sempre.

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sexta-feira, outubro 21, 2005

Curtinha

Fomos fazer um passeio de fim de semana em Ganggyeong, um pouco ao sul de onde moramos na Coréia. Volto segunda - provavelmente com fotos.

Já está um pouco frio por esses lados, e as cores do outono estão magníficas.

Espero ter tempo para terminar de ler a biografia de Göran Kropp ("Ultimate high"), o sueco que foi sozinho de Estocolmo ao topo do Everest de bicicleta em 1996, e que esvanesceu numa escalada no estado de Washington, EUA, em 2002. O livro é uma lição de vida para viajantes pelo mundo, e estou curtindo muito.

Enquanto isso, fiquem bem.

Tudo de bom sempre.

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quarta-feira, outubro 19, 2005

Amigos de faculdade são eternos

Já é quase fim do dia 19 de outubro aqui na Ásia, mas o dia está apenas começando no Brasil. E hoje é um dia especial. Duas pessoas muito importantes na minha vida comemoram algo.

Recebi o convite por email agorinha mesmo:

Defesa de tese de Mestrado em Poeticas Visuais

É a defesa de dissertação de Mestrado em Poéticas Visuais (!!!) do meu super-amigo arquiteto/artista plástico e companheiro de reuniões da comissão de formatura Rodrigo pela UFMG. Achei chiquérrimo saber que ele será um Mestre em Poética Visual - lindo demais! Olha o título do trabalho(!!!): "Entre tem Ar". Sinteticamente tudo. Não o vejo desde 2001, mas pelo trabalho que está na foto do convite de exposição/dissertação, a influência do meu ídolo máximo Jésus Soto é meio evidente e maravilhosa. Soto morreu há pouco tempo (alguns anos, talvez), mas seus trabalhos cinéticos continuam espalhados pelos museus, galerias, e grandes centros do mundo - há uma obra aqui na Coréia num shopping influenciada por ele, e eu já perdi a conta de quantas obras de Soto vi espalhadas pelo mundo, todas perfeitas, todas em estado de puro movimento. Arte cinética é lindo.

E quando eu percebo que meu amigo de tantos anos produz algo que me apetece tanto quanto um mestre mundial, já deduzo pseudo-cientificamente de cara: meu amigo Rodrigo hoje se tornará Mestre na Academia, e em breve será um mestre da arte no mundo também. Eu pelo menos, torço por isso de coração. Parabéns e boa sorte na defesa, Rodrigo!

Com Rodrigo em BH
Esse meu amigo Rodrigo é um mestre!

A outra pessoa importante no dia 19/outubro é a minha ex-roomate e bióloga de abelhinhas Rute, que hoje completa primaveras. Há tempos não ouço notícias dela, acho que já se vão alguns meses. Acho que ela está em algum lugar pelo Planalto Central, mas não interessa - quando nos reencontramos/refalamos, é a mesma sensação de que parece que foi ontem e não há 10 anos, parece que nada aconteceu nesse meio-tempo e ainda estamos discutindo disciplinas do curso de Biologia juntas (mas muita coisa aconteceu nessa incessante vida-abelha que produz mel e ferrão). Estive com ela em São Paulo, em 2003, numa segundona no Grazie a Dio num show de João Suplicy - e ela estava envolta com suas pesquisas de doutorado. Dividimos um apartamento em Viçosa (MG) por 4 anos, e ela se tornou assim uma irmã no meu coração. Amiga-amiga, daquelas que sempre lembramos com muita saudade dos bons momentos. Queria muito estar perto dela e dar um abração, desejar feliz aniversário e cantar bem alto: Parabéns, Rutex!!

Com Rutex na feira da Vila Madalena
Momento triplamente emocionante: com a Rute (amiga-amiga mesmo), comendo pastel da feira com caldo de cana (a comida sem dúvida de que mais tenho saudade do Brasil), na Vila Madalena, meu bairro querido!!!

Tudo de bom sempre para esses 2 amigos de faculdade que me emocionam com suas existências e que me comprovam que amizade de verdade não tem física que explique: ultrapassa barreiras de tempo e distância.

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terça-feira, outubro 18, 2005

Congresso em Seul

Nesses 2 últimos dias, participei do Congresso Coreano de Biologia Molecular e Celular, realizado no COEX Mall em Seul - o mesmo lugar onde vi o Lula pela primeira vez. É sempre renovador ver pesquisadores empolgados com seus trabalhos, em áreas que me são desconhecidas. Eu sempre sou levada pela viagem na maionese do palestrante.

Mas é claro, é um congresso coreano. A maior parte das palestras são em coreano, língua que não domino. Os slides em geral são em inglês, o que permite que eu leia a palestra enquanto o apresentador fala, pelo menos. E a apresentação de posters também em geral é em inglês, a língua universal da ciência. A comunicação é delicada, mas não é de forma alguma impossível. Ainda bem.

Para quem não conhece a dinâmica de reuniões científicas, é comum que elas se dividam em sessões, que se prolongam pelo período do congresso (em geral de 2 a 5 dias). Todas as sessões visam integração, distribuição de conhecimento e principalmente discussão. Essas sessões via de regra são:

- Palestras mais curtas, onde trabalhos completos são apresentados em poucos minutos para discussão. Poder de concisão é tudo nesse momento, e essas palestras em geral são proferidas por jovens pesquisadores;

- Conferências, com convidados especialíssimos, em geral estrangeiros renomados. São palestras longas, onde o pesquisador embarca fundo no seu tópico de pesquisa, mostra resultados de seu laboratório de maneira bem conclusiva e gera discussões em geral de alto nível;

- Sessão de posters, onde pesquisas em andamento ou quase finalizadas são apresentadas e discutidas pessoalmente com o autor do trabalho, uma oportunidade de ouro para quem sabe aproveitar. É a hora em que o experimento pode ser discutido com grupos que façam trabalhos similares, dificuldades e obstáculos são compartilhados e muitas vezes boas idéias surgem. Eu considero um dos momentos mais pragmáticos de um congresso para iniciantes na ciência;

- Às vezes, há mesas-redondas com vários cientistas discutindo um tópico, ou ainda workshops, onde podemos nos informar de novas tecnologias, metodologias, etc.

- Sem esquecer é claro, de uma área de stands de empresas farmacêuticas, de biotecnologia ou relacionadas ao tópico do congresso, vorazes por vender produtos para consumo do lab, mostrar serviços disponíveis, e principalmente, conquistar fregueses dando brindes - que nesse congresso de hoje variaram das indefectíveis canetinhas a relógios digitais, guarda-chuvas, almofadas e cubos mágicos (sim, aqueles da década de 80!!!). Vale tudo para atrair o cliente, até oferecer laranja em troca do email.

A idéia de que cientistas são pessoas estéreis, metódicas e frias, acredito eu, vem muito do fato de que as pessoas não-ligadas à ciência não frequentam essas reuniões científicas. Não vêem os olhos brilhantes de uma senhora idosa mostrando um monte de fórmulas químicas, nem vêem a jovialidade gargalhada a cada cafezinho. Ou pelo menos não vêem os slides de agradecimentos que alguns cientistas apresentam, com as fotos mais hilárias possíveis - a melhor que já vi foi de um lab alemão jogando futebol, todos suados. É nos congressos que se discutem muitos fracassos da ciência, muitas vezes problemas que não vão para artigo algum, nem nunca são mencionados de maneira formal em nenhum veículo de comunicação, apenas nas conversas de happy hour de um congresso. E de certa forma, essas informações são valiosas, pois podem significar economia de tempo, além de mostrarem o lado humano de se praticar ciência, os erros, os micos, as tentativas, as bizarrices, as surpresas. Quando essas informações são compartilhadas, percebemos que a ciência é muito mais falível que infalível, que há inúmeras variáveis em uma equação logística, e nesse contexto a atividade científica, que perante a humanidade em geral vive numa torre de mármore intocável, toma uma dimensão muito mais realista, pragmática e... divertida.

Mas é claro, discute-se também muita ciência que dá certo, trabalhos maravilhosos, instigantes. Hoje por exemplo uma das palestras respondeu uma questão pessoal minha. Há tempos venho me perguntando mentalmente o valor funcional de ficar sequenciando genomas diferentes. Quando o projeto Genoma Humano foi finalizado definitivamente em 2004, uma das características marcantes foi a verificação da existência de áreas enormes que não codificavam gene algum. E isso vale também para os demais genomas sequenciados: do camundongo, do chimpanzé... Embora essas sequências estivessem surgindo em gigantescos bancos de dados, não ouvia falar de nada muito funcional/prático que as sequências em si trouxeram. Enfim, sequenciar genomas parecia mais atividade de tecnologia que de ciência, pois as questões reais pareciam exauridas. (Há quem fale até em "decepção" com o genoma humano, o que acho meio exagero.) Se você pega um livro em húngaro e não sabe húngaro, de nada adianta lê-lo, não é? Era meio assim que eu me sentia com relação aos projetos Genoma em geral: um livro que eu só conseguia compreender uns pedaços mínimos da história. Pois bem, em certos momentos eu sou mesmo uma ingênua. Um senhor do NIH hoje mostrou a uma platéia atenta a importância de continuarmos sequenciando, aumentando cada vez mais os bancos de dados. Porque talvez mais importante que as áreas conhecidas (os genes), são as áreas desconhecidas do genoma, aquelas que vêm sendo mantidas por milhões de anos pela evolução, mas que aparentemente não servem para nada. Não quero entrar em detalhes técnicos, porque estou caindo de sono, mas saber que existem mais mistérios entre um gene e outro do que sonha nossa vã filosofia, me deu um certo alívio pessoal. Não sou a única a não entender esse "livro", são todos. A tarefa de desvendar o que ele significa está apenas começando. Não é minha área específica de trabalho, mas é algo que eu tinha muita curiosidade. E me satisfiz com a resposta temporária que o senhor do NIH me deu.

Agora, à parte o congresso em si, o momento "Malla na imprensa" do dia foi estar na estação de Sadang às 9 da manhã. É uma loucura, e o pior, é todo dia assim. Raramente passo por lá nesse horário, mas sempre me impressiono. É tanta gente naquele buraco de metrô que chega a ser sufocante. A sensação que dá é que Seul esvaziou-se e todos decidiram se encontrar no mesmo lugar - é claro que isso não é verdade, mas essa é a sensação. Tivemos que esperar 4 metrôs passarem para entrar em um - e entrei por insistência. Verdadeiro teste de sardinha em lata. As fotos aí de baixo dão uma leve noção da rotina de grande cidade.

Estação Sadang, 9 da manhã em SeulSaída da plataforma em Sadang, Seul


Para dar uma aliviada desse mundo de gente, deixo aqui embaixo algumas fotos da região do COEX, um lugar bem modernoso e agradável para passear em Seul. Resolvi compartilhar a sensação boa que me dá quando vejo esses prédios de vidro, principalmente em tardes gostosas de outono.

EsculturaBizarra arquitetura
Bandeiras no COEXCOEX complex


Tudo de bom sempre.

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P.S.: A Luciana, que mora em Roma, está narrando um pouco da visita do Lula à Itália, e os posts (com fotos!) estão ótimos, muito divertidos e críticos. Ela tem um despojamento todo peculiar ao escrever no blog dela em geral, eu gosto bem. Confira, vale a pena.

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sexta-feira, outubro 14, 2005

...E o tempo passa...

Não, eu não desencanei do blog. Na realidade, fiquei com o coração apertado durante essa semana, por não poder postar nada aqui, por ter negligenciado por "tanto" tempo esse meu espaço querido - no mundo virtual, onde o tempo parece adquirir outra medida mais veloz, 5 dias pode significar muita coisa.

Aliás, eu queria alongar o tempo. Quando era mais nova em véspera de prova e entrega de trabalhos escolares importantes, delirava sem censura, e acreditava piamente que o mundo inteiro deveria incentivar a NASA (por que especificamente a NASA, não me pergunte, não faço idéia) a fazer pesquisas que diminuíssem a velocidade de rotação da Terra - dessa forma, o tempo passaria mais devagar, e poderíamos aproveitar melhor o mundo. Principalmente, aproveitar melhor aquelas tardes na praia com os amigos.

Absoluta falta de tempo. Parece ser a reclamação da maioria das pessoas (eu inclusa, por favor), e com razão. O tempo, essa quarta dimensão tão valorosa, parece cada vez passar mais rápido - e às vezes eu ainda me deparo questionando em sonho Einstein por achar estranho alguem viajar à velocidade da luz e o tempo passar mais devagar... Acho que é o excesso de informação. Esse monte de conhecimento que abarrota todo dia as pessoas do mundo serve de força de atrito para a nossa real velocidade imaginária. É o pós-Katrina em Nova Orleans, terremoto no Paquistão, o novo iPod vídeo,... muita informação pra neurônios cansados.

Às vezes, precisamos apertar o botão OFF e simplesmente desligar de tudo isso. E deixar o tempo passar em velocidade de Caixa-Prego. Pelo menos enquanto a NASA não dá um jeito nisso. :-)

Tudo de bom sempre.

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- Sei que a essa altura do campeonato já está todo mundo mais que ciente da última blogagem coletiva do Nós na Rede, sobre o referendo da proibição de armas de fogo. Hoje finalmente tive o famigerado tempo para ler os posts lá linkados. Vale a pena, viu... Parabéns a todos que participaram, e que os votos no dia 23 sejam conscientes pelo Brasil a fora.

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domingo, outubro 09, 2005

1 ano viajando com a Malla pelo mundo

Apertem os cintos e preparem-se para uma viagem megalomallaníaca.

Este é o post número 159. Exatamente há um ano, eu escrevia o post "Estrela Apo - Filipinas" , o primeiro deste bloguinho, onde uma das máximas pseudo-filosóficas que carrego já estava explícita:

"Todo paraíso tem seus problemas. Portanto, não existem paraísos. Você constrói o paraíso ao seu jeito..."

Na contra-mão da maioria dos blogs normais que conheço, foi apenas no segundo post que resolvi explicar sobre o início do blog - que aliás já estava começado desde julho no UOL, endereço desativado por abandono, e os poucos posts desconexos de lá foram transportados para . Muitas vezes, minha organização mental tende a um caos que meus poucos leitores já devem estar acostumados.

No ano passado, não me atentei para o fato de que este blog nasceu na mesma semana em que a Academia Sueca entrega o Prêmio Nobel, o mais famoso, cobiçado e elegante do meio científico - e que também premia pensadores iluminados nas áreas de Economia, Literatura e um bem-feitor da Paz humana a cada ano. Como cientista, a descoberta dessa coincidência randômica de datas encheu meu bloguinho de orgulho e alegria.

Para comemorar tal coincidência, resolvi instituir narcisisticamente neste domínio o Prêmio Malla Bloggel, que, assim como o Nobel, será oferecido em categorias diversas. Entretanto, dado que os "premiados" não levarão prêmio algum a não ser uma menção nestas linhas, pois são meras entidades virtuais escritas (comumente chamados "posts"), elaborei mais categorias para a premiação fictícia, onde o limite é apenas neuronal. Na verdade, são 16 categorias, ou seja, 10% da quantidade total de posts do ano (que dá 15.9, arredondei livremente para 16, e acredito que a ASMP - Associação Sindical Mallística de Posts - não reclamará do arredondamento).

A concorrência foi acirrada entre os candidatos, mas depois de muita deliberação com o juiz miante Catupiry, chegamos aos vencedores em quase todos os quesitos. Naqueles em que ainda há dúvidas (Catupiry é um gato muito indeciso...), eu deixo as opções para quem quiser decidir. Vale lembrar que o objetivo da premiação não é destacar sempre os posts que eu mais gosto - esses ficam ali à disposição o ano inteiro na coluna da direita sob o título de "Minhas viagens prediletas" - mas sim aqueles mais bizarros, desconhecidos, perdidos, ou com histórias engraçadas esquecidas na curta memória virtual predominante no formato blog (histórias essas divulgadas no blog ou apenas nos bastidores). Talvez um ou outro post realmente tenha sido interessante, mas no geral, encare o Malla Bloggel mais como um Prêmio IgNobel dos posts da Malla. E como este é um blog primordialmente de viagens escrito por uma cientista residente na Coréia do Sul, mergulhadora viajante na maionese nas horas de lazer e fã do Bob Esponja e do Everest (quanta abobrinha junta, Darwin do céu!), não dá pra esperar mesmo muita coerência nos resultados, né?

Senhoras e senhores, na passarela com vocês os vencedores do Prêmio Malla Bloggel 2004-2005!

1) Economia:

Em geral, não economizo palavras, o que torna quase impossível escolher um exemplo de economia de tempo para o leitor. Também não me atrevo muito a comentar sobre Economia em si, assunto que desconheço por completo, mas no post "Independência e corte" (07/set/05) até que dei um pitaco decente de leiga. O prêmio vai então ao candidato único.

2) Medicina:

Sem dúvida, a melhor - e menos comentada pela mídia - notícia médico-ecológica que este blog comentou foi sobre o a publicação de um trabalho científico que pode pôr fim à engambelação da cartilagem de tubarão pro câncer, em julho/05 - embora resultados concretos da descoberta para as populações de tubarões ainda estejam longe de existir. O outro post candidato era sobre a suplementação alimentar por selênio, mas após deliberações, prevaleceu a notícia que (em tese) alivia um pouco a problemática dos tubarões do mundo.

3) Literatura:

Pouco falo também de literatura, que prefiro ver comentada por quem entende do assunto. Mas a segunda rodada do Clube de Leituras do LLL, sobre Kafka, me forçou a escrever um post que me trouxe boas recordações, sobre Praga. Pra ele, vai o prêmio de Literatura.

4) Política:

Existe uma máxima que diz que futebol, política e religião não se discutem. Não acredito muito nisso (basta andar um pouco pelas páginas dos jornais e ver o quanto essa tese é furada), mas como discuto pouco sobre qualquer assunto, ficou difícil escolher um post "político". Acho que o post "Tensões na Ásia" termina ganhando por falta de concorrência significativa, mas estou aberta a sugestões exóticas.

5) Popularidade Google:

A maioria esmagadora das pessoas que chegam aqui via Google ou outra ferramenta de busca caem no post "O Anel de Fogo do Pacífico". É até entendível que tantas pessoas busquem no Santo Google esclarecimentos sobre vulcões, terremotos, placas tectônicas, maremotos e afins (com as variantes mais esdrúxulas possiveis). O que eu não entendi até agora é por que o que escrevi sobre o anel de Fogo ficou tão popular entre as buscas. Mistérios que só o robô do Grande Oráculo pode responder.

6) Fotografia:

À parte a estranha popularidade googlística do que escrevo, vale notar que a segunda razão pela qual as pessoas caem de pára-quedas aqui é pelas fotos desse blog. Mais de 50% das buscas em geral vêm pelo Google Images; pessoas que estão procurando fotos e não informações. Sinceramente, é difícil dizer qual foto é vencedora entre as buscas, porque são muito variadas. Elocubrações sobre arte e/ou qualidade artística são quase inexistentes por aqui, o que só dificulta tudo. Tubarões, Fernando de Noronha e Havaí têm imagens populares, mas se eu tivesse que dar apenas a um post a premiação de ter a foto mais bonita, eu surpreenderia a todos escolhendo aquele que conta sobre o lugar onde tirei a foto que todos vêem ao me visitar aqui e no Orkut. Como a maior parte das fotos que publico foram tiradas pelo meu fotógrafo predileto, é ele o homenageado especialíssimo aqui, independente da foto que as pessoas escolham.

7) Filosofia do mundo:

Se eu tivesse que explicar a um alienígena um pouquinho da forma como vejo o mundo hoje em dia, principalmente no que diz respeito à globalização e às fronteiras existentes, acho que eu daria o post "Cidadãos do mundo" pra ele ler e espalhar para seus amigos espaciais. Quem sabe, a moda pega.

8) Visita ilustre:

Em meados de julho, esse blog recebeu uma visita anônima vinda de Brasília com o IP de um computador que indicava "PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA". Caiu aqui via Google, buscando "educação na Coréia", e ficou... zero segundos - vai ver se assustou com o post sobre Educação coreana que escrevi e fechou logo o navegador. Mas, mesmo que seja um grande trote (alguém que nomeou seu computador pessoal de forma irônica), ou que tenha sido um real espião do governo querendo saber que fim levou o casal que deu um presente inusitado ao presidente, o registro foi feito. Infelizmente, dado meu desconhecimento da máquina que tenho, no dia do fato acontecido não soube como fotografar a tela, e logo o registro da visita desapareceu, para minha tristeza (minha conta no Sitemeter só mostra os últimos 100 visitantes). Fica então a minha palavra (e do meu namorado) como únicas testemunhas ao fato.

9) Pior título de post:

Ainda me pergunto onde eu estava com a cabeça quando acrescentei "SSS" ao título do post sobre o show do Sting. Como me acostumei a uma vez publicado, evitar mexer muito no conteúdo do post, mantive o título a despeito da fraqueza criativa descarada que me tomava naquele momento.

10) Melhor viagem real relativamente longa:

Para um blog de viagens, a existência dessa categoria de premiação era fundamental. E foi páreo duro escolher um vencedor. Foram muitos posts escritos. Por fim, não há decisão ainda. A disputa está entre os 2 posts da viagem a Nova Zelândia ("Kia ora: entre kiwis, samambaias e maoris" e "Fervendo em Rotorua") e a série de posts da China - são 4 cidades básicas (Beijing, Hong Kong, Macau e Taiwan) e 4 divagações acessórias em tons de vermelho Mao ("Qual o futuro da China?", "Impressões da China", de letreiros e sobre tubarões). A escolha é livre.

11) Melhor viagem real relativamente curta:

Outro páreo duro. Reinou a dúvida entre a viagem pra Busan pra mergulhar com tubarões e a viagem pra ilha de Jeju, ambas feitas aqui na Coréia. Pra acabar com a confusão, Catupiry miou mais alto e decidiu por uma terceira viagem: pra Zona Desmilitarizada. Fim de papo.

12) Viagem na maionese:

Ah! Fácil demais escolher. O prêmio vai para todas as mil e uma notícias do Everest, que começaram com a explicação da febre e se espalharam em inúmeros posts! E que foram lacradas com chave de ouro em container de cristal depois da entrevista do Waldemar Niclevicz, o grande montanhista brasileiro. Como diz aquela música famosa: "I have an Everest state of mind..." Quer mais maionese que isso?

13) Onde fica?:

A categoria "Onde fica?" representa os lugares-tesouros que estão enterrados nos arquivos. É uma homenagem aos lugares esquecidos pela mídia. A disputa fica entre Nauru, Ilhas Marshall e Ilhas Spratly. O desafio é: quem encontrar uma forma fácil de chegar nesses lugares usando apenas um meio de transporte, que os visite e declare o vencedor. Até o momento, o prêmio está em aberto.

14) Tudo de bom sempre:

O nome da categoria refere-se à citação do "Calendário do Som" de Hermeto Pascoal com que termino todas as minhas viagens aqui. É uma escolha pessoal da melhor música/artista/etc. que já passou por um post deste blog. Até já fiz uma semi-lista tentando facilitar a escolha. Mas por mais que eu adore Pat Metheny, ninguém jamais substituirá Hermeto do posto de vencedor absoluto. Hermeto Pascoal é mais que vencedor, é hors-concours.

15) Mallice da Malla:

Quando comecei este blog, pensei em instituir uma vez por semana, por mês ou por periodicidade randômica um tópico explicativo sobre algum aspecto da biologia, assunto com que lido diariamente e pelo qual sou apaixonada. O título primário com que o primeiro post da série ficou foi "Aulinha de Biologia 1". Nunca houve a segunda aulinha, neste que foi o maior fiasco bloguístico. Mas sou brasileira, e não perco as esperanças. Por isso, continuo insistindo em compartilhar a paixão pela diversidade da vida e os problemas, alegrias e perspectivas da ciência com todos.

16) Malla Bloggel da Paz:

Esse prêmio especial não vai pra post algum e é o único prêmio sério de todo esse megalomallanismo. O prêmio vai para todas as pessoas que lêem esse blog, que aqui se divertem com meus textos loooooongos e muitas vezes prolixos, pessoas que acompanham minhas viagens na maionese sem fim com polidez, respeito e sorrisos no rosto. Pra todos que, mesmo sem saber, me incentivam a escrever mais e mais, que dão idéias descompromissadas, que me corrigem, que me fazem pensar, que comentam e colaboram virtualmente de perto. Pra todos que, ao me visitarem nesta casa internética, se tornaram pessoas especiais para mim. Para todos que têm tanta gentileza para dividir um pouco de seu tempo com uma Malla pelo mundo.

Muito obrigada pela visita!

Um brinde de aniversário de 1 ano!

Tudo de bom sempre pra todos nós!

Tintim.

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quarta-feira, outubro 05, 2005

Blogalizando a Presidência e a Academia Científica

Não sei se a experiência é única, se já existe tal "inovação" em algum outro lugar, mas o fato é que deu no Korea Herald hoje: a Presidência da Coréia do Sul agora tem um blog.

Bem, mas nem tudo são flores, e vamos às explicações. Antes de mais nada, o blog só funciona em coreano, o que elimina qualquer participação estrangeira em qualquer discussão da caixa de comentários - a não ser que o estrangeiro entenda e se comunique perfeitamente em coreano. (Caso fosse no Brasil, imagino que a regra seria a mesma - apenas mensagens em português.) O blog em si está hospedado dentro do website da Presidência (ou "Blue House"), listado na primeira página do site em lugar de destaque. É um blog conjunto, e cada post é escrito por uma das 10 pessoas ligadas diretamente ao Presidente (amigos e/ou funcionários do governo, como o secretário de educação e cultura) "donas do blog", e têm talvez o intuito de "humanizar" a figura do presidente Roh, através da narrativa de jantares, reuniões pessoais, ou mesmo momentos de descanso daquele moço que tem a singela função de representar o país.

Os posts podem ser comentados por qualquer cidadão, basta cadastrar-se no site, usando seu número de identificação nacional coreano (a carteira de identidade), que fica registrado no site. Entretanto, uma vez registrado, você pode usar pseudônimos, apelidos ou o que quiser para aparecer no site - é claro que existe um time de moderadores, que não deixarão spammers ou trolls atuarem com êxito. Trata-se de um canal rápido de contato do cidadão comum com o seu representante máximo. Não deixa de ser um experimento interessante, e estou curiosa com o que acontecerá com o blog em alguns meses.

O blog da Presidência aparece num momento delicado para o presidente Roh: ele está passando por um longo e árduo processo de escrutinização por envolvimento em corrupção e num escândalo envolvendo grampos telefônicos de vários subordinados do governo, uma prática absolutamente proibida na Coréia do Sul em qualquer nível - um dos direitos assegurados pela constituição do país é o total sigilo telefônico do cidadão. Além disso, a população parece não estar muito satisfeita com o rumo das negociações entre Coréia do Sul e Coréia do Norte - alguns acham que a reunificação está sendo acelerada em demasia, outros acham que ela está atravancada demais, idéias pra todos os gostos. De certa forma, narrando questionamentos e elocubrações que se passam na cabeça do presidente, o blog parece realmente humanizá-lo. Se o absolve perante a população que o elegeu, aí já é outra história a ser contada... pela própria História.

Em outro exemplo bloguista, nessa semana foram eleitos pela Scientific American os melhores websites de ciência e informação científica. Entre os vencedores, vários blogs, entre eles o Real Climate (aquecimento global e afins), o Panda's Thumb (Evolução), o Mind Hacks (neurociência) e o The Loom (jornalismo científico, ciência geral e afins), que leio sempre que posso. Todos são excelentes, escritos por acadêmicos ou pessoas ligadas à academia de alguma forma, que encontraram no formato "blog" uma boa forma de interação com outros acadêmicos e com pessoas da comunidade não-científica, que enriquecem diariamente os posts ao "forçarem" (no bom sentido) por uma escrita clara científica entendível pra todos. Isso é lindo.

O Smart citou nesse post um texto maravilhoso sobre a importância do formato blog para a academia, quando bem direcionado e bem utilizado, principalmente, o quanto ele pode ser informativo e enriquecedor pro leitor leigo em ciência, que pode participar ativamente, e para a discussão direta imediata com especialistas da área, conversa essa que flui de forma mais ágil num blog. O cientista-blogueiro pode, por exemplo, colocar suas idéias experimentais para um "pré-crivo" num post, onde elas são discutidas e criticadas por quem se habilitar. Dessa forma, ele pode de certa forma se preparar melhor para algumas das perguntas que um revisor de um futuro artigo científico pode fazer. Parece ilusão, mas já vi posts que parecem verdadeiros artigos científicos, e o resultado obtido na caixa de comentários é pra lá de interessante. O fenômeno impressiona, sem dúvida. Não diminui de forma alguma a publicação numa revista indexada, passando pelo aval de vários revisores especialistas, mas nos dá uma pequena amostra de que o formato blog, se bem aplicado, pode trazer enriquecimento na discussão. Além da aproximação da academia com o mundo fora dela, algo tão almejado para a maior parte dos acadêmicos mas que em geral não encontrava meios efetivos de fazer isso acontecer.

Com esses 2 exemplos, fica claro (para mim pelo menos) que cada dia mais floresce um lado positivo de informação via blog que merece ser melhor explorado e utilizado na geração de conhecimento, contatos, informação - além de ser um formato mais divertido. Um mundo global (e blogal!) na ponta dos dedos de cada um. Não é mágico?

Tudo de bom sempre.

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segunda-feira, outubro 03, 2005

As 1.000 maravilhas do mundo atual

Mais um meme pra minha diversão. Achei esse no site Hillman wonders, e resolvi encarar a brincadeira.

Hillman é o dono do site, um auto-intitulado viajante profissional e formado pela Escola de Business da Harvard. Em suas próprias palavras, "criou o site para que as pessoas se inspirassem a conhecer o máximo das maravilhas do nosso mundo durante seu tempo de vida". Não deixa de ser um exemplo de bom altruísmo. A lista criada por ele é baseada em sua opinião sobre diferentes lugares do mundo somada à opinião de pessoas que ele considera "experts" em viagens. Os critérios de escolha desses experts são interessantíssimos e de certa forma, deveriam nos guiar não só em viagens, como em nossas vidas diárias - afinal, somos todos turistas desse planeta azul. Alguns dos critérios (que reproduzo aqui) são:

- Ser imparcial: a pessoa não deve querer promover ou divulgar um local turístico específico. Por exemplo, não pode ser ninguém ligado a governo algum;

- Manter a visão política fora da decisão sobre ser ou não ser maravilha: todos podemos discordar de certas políticas existentes no mundo, só que na hora de decidir por um local como "maravilhoso", esse critério não pode favorecer nenhum lugar. Hillman pede que os experts discutam política em outro site qualquer, não no dele;

- Usar uma perspectiva global: apesar de ser difícil nos desvincularmos de nossas tradições e costumes, deve-se aplicar uma visão global das coisas para votar num certo lugar como maravilhoso;

- Não se assustar nem ser cativado unicamente pelo fator "turístico": muitos viajantes "alternativos" se recusam a visitar locais turísticos típicos, por acharem terrível compartilhar a mesma lembrança de um lugar com mais zilhões de pessoas. Os turistas "alternativos" gostam em geral de achar locais isolados, remotos, que pouca gente (ou ninguém) conheça para explorar. Já o turista "de pacote" (que não necessariamente viaja de pacote, mas que tem a mentalidade "de pacote") irá apenas visitar os lugares-chavões por diferentes razões, que vão desde o desinteresse até a falta de tempo. Como critério para bom expert do Hillman, nenhum dos 2 grupos serve - a pessoa precisa gostar de tudo e estar aberta a todos os passeios possíveis;

- Não se desanimar perante a inacessibilidade de um lugar: afinal, um bom expert de viagem será aquele que não se intimida com problemas políticos, religiosos, sociais, econômicos e afins para ir a um lugar;

- Não se influenciar por (pré-)informações negativas suas ou de terceiros sobre determinado local: não é porque fulano passou mal com a comida de um restaurante local que a viagem vai se estragar por completo, né? É esse tipo de "bias" que o considerado bom expert deve esquecer, e tentar ser o mais objetivo possível na escolha.

E eis que, dessa forma, um grupo que Hillman escolheu como experts votou nos 1.000 lugares mais maravilhosos do planeta, e concedeu medalha de ouro para os 100 primeiros. A lista (como toda lista...) é altamente passível de discussão. Aliás, ele fala no site que deve ser realmente discutida, para que as pessoas através do auto-questionamento se interessem mais e mais pelo mundo, pela experiência global em si. Como adoradora de viagens e afins, devo dizer que essa é uma intenção louvável, bela, mas que devemos profundamente respeitar os direitos daqueles que simplesmente não gostam de viajar, e não foram poucos que conheci nesses meus anos de pé-na-estrada.

Mas... vamos ao meme que o que vale é a brincadeira! É bem simples: quantas das maravilhas do mundo moderno listadas pelo Hillman você já visitou?

Minha pontuação foi... 22 maravilhas entre as 100-mais, e 109 (!) entre os 1000 lugares mais maravilhosos do mundo.

Algumas das 22 que visitei:

Cidade Maravilhosa
Minha cidade de nascimento, a Cidade Maravilhosa e seu carnaval (é maravilhosa até no nome, que dúvida eu teria de que ela estaria entre as 100 maravilhas da atualidade?).

Cidade Proibida, BeijingTemple of Heaven, Beijing
A Cidade Proibida e o Temple of Heaven, em Beijing, ambos merecidamente maravilhosos.

Hong Kong a noite
O horizonte de prédios de Hong Kong, que, entre as cidades que visitei até hoje, é o que considero o conjunto mais bonito do mundo.

Cataratas do Iguaçu
As Cataratas do Iguaçu, uma ode à beleza natural sem limite.

Torre EiffelLouvre
A Torre Eiffel e o Museu do Louvre, em Paris.

Pompeia
O sítio arqueológico de Pompéia, onde fiquei filosofando com meu umbigo por um tempão sentada no estádio romano em que milhares morreram durante a erupção do Vesúvio.

Torre de PisaVeneza
Uma pá de lugares na Itália (Galerias Uffizzi, torre de Pisa, Coliseu romano, Veneza e sua catedral de São Marcos...)

Castelo de Praga ao fundo
Praga e seu castelo mágico ao fundo...

Tem mais um pequeno bocado. Aí eu viajei mais ainda na maionese, e resolvi olhar com calma as 1000 maravilhas do mundo moderno... e encontrei uma hilária: a Hofbrauhaus de Munique. Turismo culinário é mesmo muito legal, e eu adorei ver a melhor cervejaria do mundo listada como maravilha. A cerveja de lá merece o destaque, em minha parca opinião.

Mas, independente do que eu acho ou não, meu conselho de diversão viajante do dia é: visite o Hillman, leia e veja as bizarrices, dê risadas e reclame consigo mesmo (a) por quê "aquele" local tão maravilhoso que visitou nas últimas férias não está lá. Vasculhe o site. A brincadeira é pra quem quiser continuar. Apenas um aviso aos navegantes: o excesso de leitura do Hillman pode causar vontade exagerada de fazer a mochila e cair na estrada. Hmm... pensando bem, visitar mais vezes o site é uma boa pedida, hehehehe!! Isso pra mim já é maravilhoso por si só.

Viva as maravilhas do mundo todo!

Tudo de bom sempre.

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sábado, outubro 01, 2005

Pequenas anotações de viagens virtuais 7

1) Aos cientistas de plantão, aviso urgente: visite esse site (em inglês), e se você também discorda do ensino em escolas públicas da pseudo-teoria do Desenho Inteligente ("Intelligent Design", em inglês, suportada por grupos extremistas religiosos cristãos), assine. Vários cientistas de peso já botaram seus nominhos nesse abaixo-assinado, que será entregue ao juiz do caso que está se desenrolando na Pensilvânia. É nos EUA, eu sei, parece uma realidade distante, mas vale lembrar que tentativas semelhantes já pipocam pelo mundo, inclusive no Brasil. Lugar de Intelligent Design é na aula de religião, não na de ciências. E vale acrescentar que "cientista" nesse caso é uma denominação beeeeem abrangente: vai de economista a teólogo, de antropólogo a físico, de psicólogo a engenheiro civil, de biólogo a cientista da computação. Os cientistas sérios do mundo inteiro agradecem a cada assinatura.

(A informação sobre essa petição eu achei naquele que é para mim melhor blog de ciência do mundo, o Pharyngula.)

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2) Sempre estou preocupada com minha alimentação, principalmente aqui na Coréia, onde a cultura da pimenta me restringe de boa parte dos pratos servidos normalmente. Na tentativa de melhorar minha performance alimentícia, meu namorado encontrou uma jóia: esse site americano do Departamento de Agricultura, onde você pode inserir as informações detalhadas de tudo que comeu num dia e obter um cálculo médio do que foi ingerido sob a forma de vitaminas, sais minerais, gordura, etc. É muito informativo, porque o site traduz a informação comida para a informação nutricional e te mostra exatamente em qual nutriente seu organismo ficou deficitário naquele dia. E, é claro, como o site é americano, não vai ter "feijoada", mas aí basta você deconstruir a feijoada e inserir seus ingredientes separadamente. Eu adorei a brincadeira saudável e recomendo.

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3) Numa iniciativa interessante, o Ministério da Ciência e Tecnologia brasileiro dedica uma página em seu website para os jovens e, caso você queira blogar sobre ciência para/com (?) eles, o ministério pede para entrar em contato.

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4) Outra iniciativa muito interessante: o jornal Japan Today tem espaço para comentários dos leitores em todas as suas reportagens. O jornal conta com um time de moderadores-repórteres, o que evita a ação de spammers, trolls e outras mazelas da internet. Para deixar sua opinião sobre qualquer notícia, basta cadastrar-se no site e... voilá! É o jornalismo blogstyle, a seu dispor.

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5) Incentivada por uma reportagem do canal da National Geographic, lendo essa reportagem da Nature (traduzida mal e porcamente em partes pelo Terra), e vendo a notícia descrita pelo Barnabé, decididamente concluo: Sundarban, na divisa da Índia com Bangladesh, e a Tanzânia, são lugares a serem visitados, sem dúvida. Entraram na lista. Quero ver tigres em seu ambiente natural.

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6) Um link antigo, mas que de vez em quando me pego admirando: Paris tem um mapa sonoro de seus bairros - de dia e de noite. Se você lê francês, vale a pena passear pelo Paris.fr e ver os diferentes ruídos da cidade transformados em cores. Uma iniciativa que melhora a política de combate à poluição auditiva da cidade.

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7) Da série: Ah, esses meus amigos artistas queridos! Um dos meus melhores amigos de infância/adolescência/vida adulta é um baixista profissional chamado Gustavo, que foi tentar a carreira musical em Portugal. Ele sempre foi uma figuraça e relatava suas peripécias de viagem em emails pra lá de divertidos, pra uma lista enorme de pessoas. Até que ele conheceu o formato blog, e resolveu pôr todas essas peripécias em um. Vivendo da música é um blog confessional de um músico maravilhoso e de um amigo fora-de-série, é a trajetória hilária desse amigo aberta para todos. Gustavo camarada, parabéns pela inciativa e muito jazz na sua vida!

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8) Um novo blog de ciência brasileiro: Via Gene, escrito pela Ana Cláudia Lessinger - não sei porquê, mas acho que já cruzei com ela por algum lab da vida... O nome não me é estranho... O último post é sobre... a polêmica do ID, of course.

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9) O meu post de 01/março/05 "Ser tubarão na Ásia" (um dos meus posts prediletos, aliás) chamou a atenção do Andrei, responsável por um projeto de eco-conscientização online, chamado Associação Desafio. Ele me convidou para colaborar com o site, e essa semana o post dos tubarões foi publicado por eles. Muito legal saber que o que escrevi por diversão e pra informação dos meus poucos leitores vai agora ajudar a divulgar a causa de tubarões num site mais "engajado". Agradecimentos mil ao Andrei pelo convite, e que a iniciativa do projeto se multiplique em boas ações!

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10) E essa profusão de posts sobre café na blogosfera, hem? Primeiro o Allan me deixando de água na boca por um café italiano de verdade; depois, Tiagón faz um post lotado de links maravilhosos - todos relacionados à café. Aí eu recebo um email do amigo Pablóide com esse link pro café mais caro do mundo, feito com grãos retirados das fezes de um felino nepalês (um carnívoro viverrídeo, de acordo com o paleontólogo Pablo). Custa a "bagatela" de 500 dólares por 500g de café! Ainda depois, pra completar o ciclo de "café na rede", o Trovas & Trombos conta um pouco da 2a Conferência Mundial de Café, que aconteceu em Salvador, as medidas e contradições do evento. Por último, até Alex castro se manifestou sobre o café-moda do Starbucks. As notícias sobre café foram tantas para uma cafeinômana adoradora de café como eu, que só me restou postar uma foto da minha xícara diária matutina. Com vocês, meu amor à bebida.

Café no coração

Tudo de bom sempre.

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