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quinta-feira, dezembro 07, 2006

De barco pelo Tâmisa

Big Ben fim de tarde©Big Ben noturna©
O maior símbolo de Londres, o relógio do Big Ben, em dois momentos: ao entardecer e à noite, iluminado. Londres é afinal como o Big Ben: pontualmente bela.

Eis que em uma das tardes em Londres, após a entrevista do André no museu, resolvemos nos encontrar com a Alessandra e o Stu para um passeio pela cidade. Depois de algumas perguntas sobre lugares onde poderíamos ir, decidimos por um passeio de barco pelo Tâmisa. Não poderíamos ter acertado mais na escolha.

Estava um tempo meio chuvoso, mas assim que chegamos à beira do rio o sol abriu com uma força inacreditável para os padrões londrinos. Afinal, a cidade é famosa pelo fog e pela garoa, e tínhamos testemunhado isso nos dias anteriores com uma irritante constância. O sol e o céu azul contribuíram para uma das visões mais espetaculares que pude ter da capital londrina: o London Eye (aquela roda gigante da virada do milênio que fica em frente ao Aquário de Londres) em toda sua força-motriz arquitetônica. Desnecessário comentar que tanto André quanto a Alê, ávidos fotógrafos que são, ficaram boa parte do início do trajeto clicando tudo ao redor, aproveitando o espetáculo colorido que o sol proporcionava. Realmente uma beleza ver o Big Ben reluzindo como jóia.

Londo Eye em dia de sol©Londres noturna©
Duas visões lindas da London Eye: com o sol da tarde reluzindo em sua estrutura e à noite, iluminada e refletindo no Tâmisa todas as lampadinhas coloridas. Londres é mesmo marcante.

Mas durou pouco. O barco tomou seu rumo para Greenwich, destino final, e quando chegamos a Tower Bridge, em frente ao Castelo de Londres e à vanguardista área da prefeitura de Londres, eis que o tempo fechou de novo e começou a chover. Sem problemas, porque mesmo com a chuva, as duas margens do rio nessa área proporcionaram fotos ótimas da cidade. A Tower Bridge é uma das pontes mais reconhecidas no mundo, e de acordo com um folheto que li, ela se abre em média 900 vezes por ano, para passagem de navios maiores. Mas, no período curto em que lá estivemos, não vimos nenhuma vez a ponte levantada, infelizmente.

London Tower bridge©London Eye no fog©
Vista da Tower Bridge de dentro do rio, com o céu já escurecendo, prelúdio de chuva. Ao lado, uma visão meio Duchampiana da London Eye, num dia de fog.

O barco continuou indo pelo rio Tâmisa - que tem uma impressionante linha de maré: a variação chega a 7m. Passamos pelo teatro de Shakespeare, pelas docas antigas - que hoje são simpáticas áreas de lazer da cidade -, pelo pub com a vista mais linda do mundo, até chegarmos no distrito de Canary Wharf, o bairro modernoso de Londres, espécie de La Defense inglês, onde o business predomina. Mais poucos minutos, e encostamos no píer de Greenwich, onde fica o famoso Observatório Astronômico Real que é referência mundial do tempo-espaço. Para chegarmos até o meridiano de Greenwich em si, uma prazeirosa caminhada de uns 20 minutos pelos jardins do Museu Marítimo Britânico e pelo parque de Greenwich. No topo do morro, o observatório - hoje apenas um museu; toda a área é tombada pela UNESCO como Patrimônio Histórico da Humanidade. E a famosa linha imaginária que corta o mundo ao meio, que define e padroniza a contagem do tempo no nosso planetinha: o meridiano de Greenwich (GMT = Greenwich Meridian Time). Por alguma razão que nenhuma lógica explica, eu sempre fui fascinada pela linha do tempo. Já cruzei algumas vezes o outro lado de Greenwich, o meridiano que representa a Linha Internacional da Data (que passa pelo meio do oceano Pacífico), mas saber que estava ali onde "o ocidente encontra o oriente", com um pé lá e outro cá, onde o tempo zero é aferido para todos os relógios do mundo, onde a longitude zero é padronizada para todos os GPS's do planeta, me deu a sensação infantil de sonho realizado.

No meridiano de Greenwich©Canary e museu naval britanico©
Folhas de outono colorem a linha imaginária que sonhei tanto em pisar, o meridiano de Greenwich. Com um pé no ocidente e outro no oriente - que representa filosofica e viajantemente o ápice da visão global/mundo de todas as esquinas que um bom viajante deve ter. A linha em si nada mais é que um traço na parede e no chão, mas o significado dela para mim... é incalculável. Ao lado, uma visão do Museu Marítimo Britânico com o distrito de Canary Wharf atrás, seus arranha-céus iluminados pelo pôr-do-sol.

Para completar a magia, a mistura chuva com sol ("casamento de espanhol") trouxe um fenômeno natural lindo de se apreciar: um arco-íris. Que iniciava no London Dome (o mico do milênio) e rechaçava suas cores pelas árvores do parque de Greenwich. A tarde se esvaía de forma simplesmente esplêndida.

E já era hora de voltar para casa. A noite caíra. Pegamos o último barco que saía de Greenwich, e ao chegarmos no píer do Parlamento Inglês, decidimos por jantar num restaurante libanês cujos pratos cheios de temperos do oriente médio iam da gastronomia requintada à divina em poucas garfadas. Depois de tão prazeirosa noite, nos despedimos e André e eu entramos no Tube, rumo a Killburn.

Tudo de bom sempre.

Símbolos de Londres
Símbolos de Londres, capturados poeticamente pela lente da Alê: o Big Ben, o ônibus vermelho e o dinamismo que a cidade inspira. "Modelo" da foto: André. Foto gentilmente cedida pela Alê.

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