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quarta-feira, junho 28, 2006

Gana de vencer

Passamos por Gana nas oitavas - num jogo cheio de recordes batidos mas ainda não totalmente satisfatório para o exigente paladar do torcedor brasileiro. Como disse Léo Jaime nesse artigo do NoMinimo:

"A crônica esportiva brasileira (...) imagina um jogo em que o Brasil vence de 90 a zero, com 45 gols de bicicleta e o adversário não vê a bola uma vez sequer. Um jogo fácil e sem graça. Um tédio ideal."

Eis que o brasileiro tem mesmo muita gana de vencer no futebol. Bem que podíamos transformar essa gana em algo para melhorar o país. Já pensou, 180 milhões de técnicos supervisionando acirrada e calculadamente a seleção responsável pela educação e saúde de cada brasileiro?

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Gana foi derrotada. Entretanto, espero que a "gana" de celebrar a humanidade que o famoso ganense secretário-geral da ONU Kofi Annan sugere nesse texto emocionantemente belo (via Chris Pessoa) nunca se apague de cada um de nós, Homo sapiens com necessidade e gana de mais sapiência.

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... E o Brasil vai reviver a final de 98 que comentei levemente no post abaixo em plenas quartas de final. Estava torcendo pela Espanha, confesso. Mas jogo é jogo, decidido em 90 minutos de bola corrida e não em divagações da torcida. O jeito agora é encarar a seleção camembert e torcer para que eles estejam kaput. Que vença o melhor em campo.

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Eu ia comentar mais detalhadamente sobre a exagerada confusão coreana armada depois da derrota para a Suíça: hackeamento de sites suíços, vandalismo virtual, enxurrada de emails reclamões a FIFA, ameaça de bombardear a embaixada suíça em Seul (!!), etc. Mas eu pessoalmente acredito que deveríamos gastar mais tempo realçando o lado unificador do esporte que propagando separacionismo - o mundo já tem tantos muros, pra quê mais? Como o Marmota comentou breve e competentemente com a mesma cara de ponto de interrogação que eu fiquei com tamanha dualidade de comportamento, me auto-dispensei da análise profunda do tema - que é de torcer neurônios.

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Desculpem o transtorno temporário, mas... o blog está em estado de Copa. Que aqui na Ásia tem o agravante de ser transmitida de madrugada. Quando terminar essa maratona de jogos, o Brasil levantar a taça de hexa (tomara!) e eu dormir o son(h)o de campeões (espero!), pretendo voltar à normalidade temática mallística maionesística de posts. Até lá...

Tudo de bom sempre a todos em verde-amarelo-brasil-sil-sil.

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sexta-feira, junho 23, 2006

Dê tempo ao tempo

Em 1998, na final Brasil X França, Ronaldo não fez gols porque passara mal antes do jogo, e deixou 180 milhões de corações desolados, que o massacraram com um trator de críticas. 4 anos depois, sua redenção veio na forma de 2 gols na final contra a Alemanha e uma taça de pentacampeão para a nação brasileira.

Em 2002, a Coréia do Sul chegou às semi-finais, após uma partida nas quartas oitavas contra a Espanha, em que o time europeu teve gol anulado e outras viagens na maionese da arbitragem - para mim, a pior arbitragem já vista num jogo de Copa do Mundo. Hoje, a Coréia perdeu para a Suíça a vaga nas oitavas da Copa... depois de um impedimento não-marcado, um erro de arbitragem.

Os exemplos são inúmeros e acontecem a todo momento. Em futebol, o tempo é o rei: para consertar injustiças cometidas ou desbancar heróis consagrados sob fumaça.

Futebol é uma história passada em 90 minutos. A Copa é uma vida passada em 4 anos: muitos 90 minutos de histórias para contar...

Tudo de bom sempre.

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quarta-feira, junho 21, 2006

Biocoincidência

Em agosto de 2005, eu escrevi um post (um dos meus favoritos, aliás) chamado "Biodiversidade Marinha", onde discursava esmiuçadamente sobre o tema e sobre as áreas mais diversas do planeta, que ficam no Pacífico oeste. Comentava também o fato de que as Filipinas estão exatamente no meio desse centro de biodiversidade, e o país é considerado o mais biodiverso embaixo d'água - e isso não era novidade.

Naquele post, para ilustrar um pouco da biodiversidade, eu coloquei a foto abaixo e enumerei didaticamente algumas espécies encontradas ali en passant, naquele ponto onde mergulhamos. Relembrando:

Diversidade filipina
"Um pequeno exemplo do que é a biodiversidade filipina pode ser verificado nessa foto tirada na Ilha Verde em junho deste ano, quando lá estivemos. Os números representam diferentes espécies que grosseiramente podemos identificar - se formos analisar com cuidado o local muitas outras aparecerão. As espécies são: 1) peixe budião Thalassoma lunare; 2) coral Tubastrea faulkneri; 3) coral Pocillopora verrucosa; 4) peixe antias Pseudanthias squamipinnis; 5) Esponja Clathria sp.; 6) peixe budião Scarus sp.; 7) coral Acropora palifera; 8) peixe-borboleta Chaetodon kleinii; 9) esponja Xestopongia sp.; 10) coral-fogo Millepora sp.; 11) coral Acropora sp.; 12) peixe ídolo mourisco Zanclus cornutus; 13) coral Tubastrea micrantha; 14) coral Anthelia sp.; 15) coral Agariciidae sp.; 16) ascídia Didemnum molle; 17) peixe donzela Chrysiptera parasema; 18) esponja Stylotella aurantium; 19) coral Xenia sp.; 20) ascídia Clavelina sp."

Essa foto foi escolhida ao acaso. Nós olhamos várias fotos de diferentes lugares, e escolhemos uma que achávamos que representasse melhor a biodiversidade marinha. A foto foi tirada no pináculo da passagem da Ilha Verde, que fica entre as ilhas de Mindoro e Luzon, nas Filipinas. Mas poderia ter sido outra.

Eis que hoje, lendo o Divester, me deparo com a seguinte afirmacão: "the central Philippines -- generally, the Verde Island Passage between Mindoro island and the main island of Luzon -- has a "higher concentration of species per unit area than anywhere else (...)"" Isso mesmo. A Ilha Verde é comprovadamente o lugar específico mais biodiverso marinho do planeta.

Sem saber, nós escolhemos a foto representativa mais adequada para o tema possível, a mais cientificamente correta.

Isso que é biocoincidência, não?

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Em nota paralela semi-randômica sobre o tema vida marinha, deixo aqui a menção do link com os vencedores da competição de fotografia subaquática do Colégio Rosentiel de Ciência Marinha e Atmosférica da Universidade de Miami. Qualquer semelhança com algumas fotos desse post não é mera coincidência... 3 vezes parabéns, meu amor!

(Mais fotos dele sobre vida marinha aqui.)

Tudo de bom sempre.

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sábado, junho 17, 2006

Coração de girafa

Podem me chamar de maluca, viciada em biologia ou algo do gênero. Sim, eu confesso: a vida natural me intriga e me fascina. E quando eu encontro a resposta para uma dúvida antiga, incômoda, aparentemente simples mas que ainda não tinha resposta ou explicação direito, a satisfação é imediata e muito maior.

Eu adoro girafas. Quando vou ao zoológico, são meus animais prediletos de ver, com toda aquela elegância ao caminhar, aquela pinta de modelo de passarela. E sempre me perguntei como seria o coração de uma girafa para bombear o cérebro, que está tão acima do corpo - às vezes até 5m de altura de diferença - e principalmente, como o coração aguentava a sobrecarga de sangue que deveria escorrer da cabeça quando a girafa levantava a cabeça depois de beber água num rio, por exemplo; afinal, força é a gravidade vezes a altura: quanto mais alto, mais força. Perguntei ao meu professor de zoologia, nos primórdios da faculdade, o mecanismo que auxiliava a girafa a manter-se viva com tantas peculiaridades, sem desmaiar cada vez que levantasse a cabeça. O professor me disse que o coração da girafa era enorme, com cerca de 40 cm, pesava cerca de 12 kg, e que trabalhava muito mais para manter o sangue no cérebro. Aceitei a resposta, mas uma interrogação ainda ficou na minha cabeça. Depois, li que nas veias super-elásticas do pescoço da girafa havia um conjunto de estruturas que funcionavam como "sifões" que não deixavam o sangue ser completamente drenado do cérebro quando ela estava com a cabeça levantada. Procurei mais informações em livros, mas as duas hipóteses sempre apareciam e se embatiam. Como não sou especialista em girafas, no fim das contas, tinha que me contentar com a dúvida que os especialistas também tinham sobre o que estaria certo: um coração enorme e poderoso? Um sistema de sifões super-eficiente no pescoço? Ou ambos? Até então, só as girafas "sabiam" a resposta.

Eis que hoje eu achei um artigo na Science que explica essa questão biológica que eu trazia escondida de todos na caixola: a girafa quando levanta a cabeça aumenta a pressão sanguínea para não desmaiar. A pressão hidrostática chega ao dobro da pressão humana normal, e é provavelmente por constrição da veia jugular e da artéria carótida em sua base, elevando a pressão cerebral e evitando o desmaio. Um mecanismo simples, que depende apenas da eficiência da bomba cardíaca. É o poderoso coração da girafa que a mantém sem desmaiar a toda hora. Até então ninguém tinha resolvido essa dúvida, mas eis que zoólogos da Universidade de Wyoming publicaram no Journal of Experimental Biology a solução encontrada, através da construção de um modelo em laboratório que simula o sistema cardiovascular da girafa, chegando ao fim de mais um quebra-cabeça da vida natural. Em ciência nunca se sabe as novas hipóteses que virão, as novas formas de ver a questão, as novas metodologias que podem fazer uma reviravolta no dia de amanhã, mas por enquanto esse mecanismo parece realmente cobrir todos os "buracos" existentes.

E puseram fim também a uma velha dúvida que gratuitamente me intrigava sobre a fisiologia das girafas.

Girafa do Zoo-San DiegoGirafa zoo
Girafas do Zoológico de San Diego, na Califórnia (EUA).

Tudo de bom sempre a esses seres vivos de grande (e poderoso!) coração.

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*Feliz aniversário, Henrique: obrigada pela amizade de tamanho e força como um coração de girafa!

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quinta-feira, junho 15, 2006

Pequenas anotações de viagens virtuais 12: Copa 2006

1) O Ubiratan do Balípodo reclamou - com razão - da falta de notícias específicas na imprensa sobre o esquema técnico do Parreira, mas quem melhor explicou até agora a viagem na maionese da cabeça do nosso técnico no primeiro jogo do Brasil foi o Idelber. O esquema inventado pelo técnico brasileiro é digno de troféu abacaxi - fruta, aliás, cujo consumo é saudável e pode levar à perda de peso, sendo portanto ideal para atacantes necessitados de dieta.

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2) E depois do terror que foi o primeiro jogo do Brasil - e os jogos Coréia X Togo, França X Suíça, Tunísia X Arábia Saudita, entre outros - eis que o verdadeiro líder do terror é citado no caderno de esportes: Bin Laden é um inveterado fã de futebol. Será que ele está assistindo à transmissão dos jogos de dentro da caverninha dele no Afeganistão? Pelo menos uma coisa é certa: a Al-Qaeda não é responsável pelos jogos-"bomba" que a gente tem visto pela Copa...

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3) Uma jóia rara publicada na National Geographic em comemoração à Copa: textos líricos sobre o futebol com a perspectiva das diferentes culturas do mundo. Lindo.

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4) A Coréia do Sul praticamente parou no dia do jogo contra Togo. Os coreanos fizeram apostas, churrasquinhos típicos (calbis), invadiram às ruas para assistir ao jogo (aqui os jogos passam no meio da madrugada) e depois ficaram o resto da noite comemorando a vitória de 2X1 ("대 한 민 국!!!", em alfabeto romano: "Daehanminguk!"). Os jornais no dia seguinte endeusavam o experiente Ahn, é claro. Mas o que eu não vi nos jornais estrangeiros foram os comentários sobre a acirrada torcida coreana pela derrota do Japão contra a Austrália. Os coreanos torcem contra o Japão basicamente por causa da rixa histórica entre os países, mas torciam também a favor da Austrália pelo seu técnico: o holandês Guus Hiddink levou a Coréia do Sul às semi-finais da Copa passada e teria dito, após o jogo contra o Japão, que "por ser um cidadão honorário coreano, ganhar do Japão deixou-me orgulhoso." É a rixa histórica coreana se espalhando pelo mundo.

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5) A Copa do Mundo pode não ser (ainda) verde e amarela, mas definitivamente a Alemanha está fazendo a Copa mais verde de todos os tempos. Os investimentos em reciclagem e alternativas ambientalmente corretas estão um primor. Os alemães estão economizando água ao máximo (coletando e armazenando água da chuva para molhar os gramados dos estádios, usando banheiros públicos químicos secos), tentando minimizar a poluição atmosférica (o metrô é de graça por toda a Copa se você tem ingresso para algum jogo ou é da imprensa, para que as pessoas usem o transporte público e deixem o carro em casa), na tentativa de equilibrar ou minimizar ao máximo o impacto ambiental inevitável (esgoto, lixo, etc.) gerado pela chegada de zilhões de turistas num país num período curto de tempo, boa parte vindo de avião até as terras saxônicas - para quem não sabe, um dos grandes geradores de poluição por dióxido de carbono e consequentemente contribuidores para o aquecimento global é o transporte aéreo. A Alemanha, um dos países mais verdes do mundo, está mostrando que realmente já venceu a Copa nesse quesito.

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6) Essa notícia não está relacionada à Copa, mas é mais "verde" que a Copa da Alemanha: hoje há alta possibilidade de que o presidente Arbusto tomará a primeira medida ambientalmente sensata de sua carreira política na Casa Branca: está sendo criado o maior parque marinho do mundo, nas ilhas havaianas Northwestern. 140.000 milhas quadradas de mar e ilhotas, que se tornarão intocáveis às empresas de pesca predatória, mas acessíveis a expedições científicas, educacionais e ecoturismo. Pode até ser uma medida eleitoreira de desespero, mas sem dúvida os recifes de corais da região agradecem deveras.

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7) O estádio de Munique é simplesmente maravilhoso. Já elegi como meu favorito, talvez de todos as Copas. Fiquei com mais vontade ainda de voltar um dia à Alemanha, agora para conhecer essa obra-prima arquitetônica. E claro, para tomar uma legítima Paulaner na Hofbräuhaus.

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8) Num dia de post sobre a Copa, nada mais conveniente como parabenizar pelo seu aniversário uma amiga de infância das mais queridas, companheira de discutir futebol, e apaixonada pelo esporte - tão apaixonada que cogitou em algum momento do passado ser jornalista esportiva. Parabéns, Liana!! Toda felicidade do mundo para você!!!

(E a Leila também fez aniversário ontem, vamos todos lá fazer festa no blog dela...) :-)

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Tudo de bom sempre na Copa 2006. "Celebrate the day!"

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segunda-feira, junho 12, 2006

12 de junho

Uma praia, um romance...

Shipwreck's Beach

O amor é mesmo como um oceano azul, que enfrenta as pedras da vida e ressoa de volta o etéreo som da plenitude, que nos apazigua e renova a força para uma caminhada de pés descalços, sob o atrito da areia macia, rumo ao infinito da felicidade.


Tudo de bom sempre aos enamorados do mundo.

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domingo, junho 11, 2006

As rosas conspiram em Portland

Com a conferência de Seattle finda e com uma passagem de volta para a Coréia saindo do aeroporto de Portland (estado do Oregon), não pensei 2 vezes em planejar um dia para viajar ao bel-prazer. E já que teria que ir a Portland, resolvi investir na arriscada tarefa de conhecê-la por um dia.

Fui de trem Amtrak, de Seattle até Portland. A viagem é uma delícia, passa por paisagens muito bonitas de florestas de coníferas. Como cheguei em Portland muito tarde da noite, o jeito foi dormir e carregar energias pro dia de caminhadas que teria pela frente. Afinal, só tinha um dia em Portland, queria sentir a cidade ao máximo.

Logo pela manhã, peguei o MAX (sistema de bonde de Portland) e fui para o centro da cidade, bater perna. De cara, achei o centro uma fofura, agradabilíssimo de se caminhar. Estava todo florido, afinal, estamos na primavera. Como meu mapa indicava que eu estava perto do Museu de Arte de Portland, resolvi dar uma checada no local. O Museu é um complexo de galerias, e eu imediatamente me dirigi a galeria de arte contemporânea, minha predileta. Delirei com várias obras super-interessantes, coloridas e cheias de vida. No jardim das esculturas, uma enorme de Roy Lichtenstein. Passeei a manhã inteira pelos corredores do Museu, submersa em arte.

Jardim das EsculturasUm gato de rua
Uma das esculturas do Museu de Arte de Portland, no jardim das Esculturas. Ao lado, uma escultura de rua bem "preguiçosa" que deu muita saudade do meu gato Catupiry.

Roy LichtensteinPortland
A escultura de Roy Lichtenstein que está na frente do Museu de Arte de Portland, muito legal e colorida, dando um toque divertido à cidade. Ao lado, uma parte de Portland vista da margem do rio Willamette.

Saindo do museu, comecei a andar pelas redondezas e eis que encontro casualmente uma churrascaria brasileira. Imediatamente pensei: vou comer carne boa, já que na Coréia carne é artigo de luxo. Picanha, linguiça, polenta frita com parmesão, couve mineira, arroz e feijão - matei a saudade da comidinha caseira brasileira. Tudo uma delícia e regado a guaraná Antarctica, é claro, para ter a experiência brasuca completa.

Com o estômago enfastiado, decidi fazer uma bela caminhada para me exercitar um pouco. Subi até o Washington Park, no topo de um morro, de onde possivelmente teria uma vista do Monte Hood - não tive porque o dia estava nublado. Mas o Washington Park é lindo, um dos parques mais bonitos em que já estive. Quanto ar puro no meio da cidade! Visitei o Jardim Japonês (de uma serenidade incrível) e fui andando até a atração principal do parque: o Jardim Internacional das Rosas.

Uma rosa é uma rosaJardim das Rosas
Uma das muitas rosas do Jardim Internacional das Rosas, atração imperdível de Portland. Não são lindas?

Até então, a visita a Portland estava "normal" nos meus padrões mallísticos. Caminhadas, visita a museu, sentir o movimento local sentada num café. Mas na hora em que pisei no Jardim das Rosas, senti que uma pequena reviravolta viria pela frente, verdadeira conspiração das rosas. O Jardim das Rosas é encantador. Rosas de todos os tamanhos, variedades e modelos, de todas as nações e ecossistemas. Eu já visitei uma fazenda de rosas no Brasil, e confesso: esse jardim em Portland me impressionou muito mais - talvez pela concentração enorme de rosas diferentes num lugar não tão grande. Rosas são minhas flores prediletas, são para mim sinônimo de boas surpresas. Fiquei horas sentada num dos inúmeros banquinhos do parque admirando aquele mar de flores. Muitas fotos. Mais tarde, conversando com o recepcionista do hotel, descobri que a 2 semanas atrás, nenhuma rosa estava aberta. Com a chegada da primavera elas se abriram - e eu estava lá coincidentemente para me surpreender com a intensidade das cores, quando as rosas estavam no auge da florescência. Impossível não se emocionar.

Jardim das RosasDetalhe do jardim japonês
Um dos muitos caminhos pelo Jardim das Rosas... Ao lado, um detalhe do chão do Jardim Japonês, também no Washington Park.

Mas tive que deixar para trás as rosas, e continuar a andar pela cidade. Peguei um ônibus rumo ao centro, e fui andando pela área das lojinhas. Decidi ver um filme no cinema, enquanto aguardava pelo início do Festival das Rosas. Em mais uma coincidência que só as rosas explicam, o festival anual mais esperado da cidade ia começar exatamente no dia em que eu a visitava. Às 9:50 da noite estava marcado o início do show de fogos de artifício à beira do rio - e eu não podia perder essa maravilha.

Banda bolivianaCom a cobra na mão
Enquanto a indefectível bandinha de flautistas andinos tocava numa barraquinha, eu me aventurava com uma cobra na mão na "tenda tropical" armada para o Festival das Rosas... cobra não-venenosa, perigo nenhum comparada à jibóia que tive que segurar nos tempos de faculdade de Biologia...

Depois do cinema, fui para à beira do rio, para o local do festival. Várias barraquinhas estilo gincana ou festa junina animavam a área. Matei a vontade de comer um doener kebap turco legítimo, torci pelas crianças em várias barraquinhas de brincadeiras e apostas, acompanhei de longe um show de piratas, visitei um galpão cheio de animais tropicais à mostra e conversei com 3 ecólogos engajados em divulgar a energia eólica - uma das fotos no cartaz mostrava uma menina perto da torre eólica de Fernando de Noronha, razão pela qual, aliás, fui atraída para a barraquinha ecológica. Depois de muito papo sobre conservação da biodiversidade e problemática da água, arrumei um cantinho no meio da multidão para ver os fogos de artifício. Quando começaram, foi aquela gritaria e alegria. Um belo espetáculo de música e de cores por 40 minutos nos céus de Portland.

FogosMais fogos
Os fogos de artifício do Festival Anual de Rosas à beira do rio Willamette, em Portland: primeiro show da noite.

Assim que os fogos acabaram, saí correndo em disparada. Eu tinha lido num panfleto no hotel que às 9 da noite haveria um show num bar da cidade que eu gostaria muito de ir. Quando comentei com uma das ecólogas que estava a fim de ir no show, e falei o local, ela disse: "Vá. O chão desse lugar tem molas, você tem a sensação de estar flutuando." A bizarrice descrita me venceu e eu decidi ir. As rosas de Portland mais uma vez pareciam conspirar a meu favor.

Mas o show começava às 9, e já eram quase 11. Fui correndo por 15 quarteirões até chegar no lugar. Na portaria, fiquei sabendo que o show ainda estava começando, menos de 5 minutos perdidos. Ufa, que sorte! Eis que compro meu ingresso e entro naquele salão de molas, para ouvir... The Presidents of United States of America!

Sim, essa banda ainda existe, ressurgiu esse ano após a separação em 1997 - eu achava que a oportunidade de vê-los juntos era altamente utópica. Eu gosto muito das levadas light de rock que eles têm, dos absurdos das letras, e principalmente, da música dos gatos. E que outra banda tem uma página sobre copyright das próprias músicas tão educada quanto essa? Um trio simpático, num show calmo e animado, engajado politicamente (é claro) e viajante sob efeito das molas. Um presente surreal que Portland me ofereceu como despedida da cidade.

No dia seguinte, hora de ir pro aeroporto. Mas com a certeza de que, se as rosas realmente significam boas surpresas, em Portland, a cidade das rosas, elas podem conspirar a favor de quem as admira.

Tudo de bom sempre.

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sexta-feira, junho 09, 2006

A Copa é do Mundo

Daqui a uma hora começa a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha, um país onde já morei (em Potsdam, próximo a Berlim) e de onde só tenho excelentes recordações. É emocionante esse clima de festa pré-Copa, com todas as notícias relevantes e estapafúrdias que aparecem em torno do evento. Eu adoro futebol, e essa é a época mais deliciosa pra quem curte o esporte. Eu sinto como se de 4 em 4 anos houvesse uma recauchutagem do sistema neuronal que conecta todo o planeta e tudo se apaziguasse por aquele mês em torno de uma simples bola. A bola de futebol se transforma na bola do mundo, e só não é predominantemente azul-oceano como o planeta porque algum designer ainda não pensou nessa representação máxima para o maior evento de todos os tempos.

Para mim, uma viajante, adoradora das mais diferentes culturas do mundo, em todas as nuances e mosaicos que elas formam sobre a superfície do planeta, nenhum outro momento me dá tanta esperança de que, como humanidade, se quisermos, podemos nos unir por um único objetivo e mudar o mundo para melhor. A Copa do Mundo de futebol é o evento que reflete a esperança comum por uma vivência mais alegre, divertida, harmônica e cheia de oportunidades para todos. É a perfeita simbologia do que vivemos - inclua aí nesse festival de sentidos até o relativo desprezo da maior potência econômica do planeta pelos demais, que dá teses e mais teses elocubratórias em mesas de boteco. Que outro evento dá um recesso em guerras e conflitos? Que outro evento põe 5 bilhões em frente de um aparelho de TV, com um objetivo comum? Que outro evento aproxima tanto povos melindrados por políticas separatistas? Que outro evento permite inimigos políticos de se encararem amigavelmente, como vimos em 1998 quando EUA e Irã entraram em campo? Na Copa-Mundo, a guerra é outra, e é muito mais representativa da harmonia que do conflito armado. Brilha quem joga melhor, independente do GDP, da reserva de mercado ou do poderio bélico-nuclear que armazena. Das tribos isoladas da Papua Nova Guiné às esquinas de Berlim, das estações geladas de pesquisa antárctica aos vilarejos remotos nos atóis tropicais do Pacífico, dos nepaleses tranquilos no topo do mundo aos hongkonguenses apressados ao nível do mar, todos se unem em torno de um só objetivo, numa espécie de transe coletivo que emociona e traz esperança de união. Ah, se expandíssemos essa união para outros campos durante o resto do ano!

A Copa do Mundo de futebol iguala por um mês o coração do mundo. De todo o mundo em geral. Um esporte pode apenas ser um esporte, e futebol pode ser apenas um jogo durante o resto do ano, mas a Copa do Mundo não é apenas futebol; a Copa é do Mundo, para o Mundo e por um Mundo: melhor, sempre. Pelo menos, é isso que o coração de uma torcedora-sonhadora-utópica malla vislumbra a cada 4 anos ao ver tantos povos torcendo numa mesma arena compartilhada.

Que seja dado o pontapé inicial!

E como eu também não posso deixar de dar meu palpite de boleira...

Dá-lhe BRASIL!!! :-)


Tudo de bom sempre para o mundo inteiro nessa Copa de 2006.

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Vovo na Copa 98

Essa é a foto mais especial e emblemática de Copa do Mundo para mim. Tirada durante um jogo do Brasil na Copa de 1998, quando fantasiei minha vó querida de torcedora, mostra o quanto ela, apesar de não gostar nada de futebol nem de confusão, entrava no espírito da torcida canarinho durante aquele período curto, vestindo as cores da bandeira - nem que seja numa bandana. Vovó já foi pro andar de cima, mas o sorriso, a alegria, o bom humor, as piadas e a vibração a cada gol que ela deixou impresso na minha lembrança durante as Copas que passamos juntas foram marcantes o suficiente para selar sua eternidade no meu coração de neta.

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quarta-feira, junho 07, 2006

Seattle rocks

Café com alpinismo - e outras aventuras radicais. Quer combinação mais adrenalinada que essa? Pois podem me recriminar, mas essa foi a primeira idéia que me veio à cabeça quando soube que iria para uma conferência em Seattle. Movimento grunge, terra do Nirvana e afins? Sim, mas Seattle para mim é acima de tudo a cidade onde nasceu o maior símbolo global consumista cafeinado dos nossos tempos, o Starbucks.

No primeiro StarbucksCyberdogs e a vitalidade da rua
Sendo atendida na primeira loja do Starbucks, no Pike Place. Apesar do café do Starbucks ser pasteurizado, não deixa de ser um marco na civilização cafeeira, e é claro, onde há história de café, eu estarei lá :-)... Ao lado, um detalhe colorido do cyberdog-cybercafé nas ruas de Seattle.

A primeira loja do Starbucks fica no turístico Public Market, uma área próxima da baía de Elliot, que banha Seattle. Como boa tomadora de café, marquei presença nesse local histórico da globalização banalizada após um almoço numa barraquinha de crepe e pedi o café mais tradicional possível por aquelas paragens: americano. A loja em nada difere das demais 10,000 lojas espalhadas pelo mundo, o mesmo estilo, esquema e atmosfera. Entretanto, uma sutil diferença: o logotipo. A primeira loja Starbucks em Seattle era reconhecida por uma simpática sereia marrom bem mais rudimentar que a sereia verde. Em 1971, era apenas uma biboca na Pike Place que vendia café em grão e cafezinho simples para os clientes, nada mais. Foi só em 1982 (mais de 10 anos depois!) que o primeiro café latte foi servido, novidade trazida da Itália por um dos sócios, que sugeriu a idéia de modificar um pouco a linha de negócios que até então era feita. É a partir dessa data que o Starbucks começou a virar o que é hoje: fast-food de café, pasteurizado para o consumo global. E óbvio, com o sucesso vem logo a concorrência: o Seattle's Best Coffee não deixa nada a desejar ao original que copia.

Crepe da esquinaSeattle's Best Coffee
Preparação do meu almoço de crepe na esquina do Convention Center. Ao lado, uma das zilhões de loja da Seattle's Best Coffee, concorrente do Starbucks.

Não bastasse toda a cafeína de fácil alcance para a população de Seattle, eis que outra fonte de adrenalina também floresceu por lá: os esportes radicais. Seattle é conhecida mundialmente como uma das cidades mais dedicadas a esportes radicais do planeta - principalmente alpinismo de rochas e de altitudes elevadas. (Chamonix, na França, e a Nova Zelândia inteira seriam outros locais de destaque. Aliás, Seattle me lembrou muito Auckland em tudo, inclusive na organização das ruas - só faltaram os cones vulcânicos.) Seattle é a capital americana do alpinismo profissional, e estando privilegiadamente espalhada entre a gigantesca brancura do Monte Rainier e as águas calmas da baía de Elliot, é muito difícil não se empolgar para uma aventura radical qualquer. E é claro, onde há tanta gente fazendo uma atividade física dessas, há mercado, e consequentemente inúmeras lojas de montanhismo e afins. A maior delas, a REI (fala-se R-E-I) fiz questão de conhecer: um verdadeiro clube de aventuras radicais. Dentro da megaloja, que ocupa um quarteirão inteiro, uma das maiores paredes de escalada indoor do mundo e uma pista de treinamento de mountain bike que passa inclusive por uma cachoeira artificial e uma florestinha. A REI está para Seattle como a Kathmandu está para a Nova Zelândia e Austrália: ela vende uma idéia, muito mais que simples produtos, como bem falou Rafael Lima. Afinal, uma loja cujos balconistas ao serem contratados recebem a "sugestão" de escalar o Rainier (ou qualquer montanha interessante) e cujo website oferece o endereço das filiais também em coordenadas de GPS nao é realmente uma loja qualquer de alpinismo. Vale a pena ir lá conhecer a loja mesmo se você não for comprar nada, apenas para experienciar um pouco do que é o mundo em camadas de goretex. Eu, é claro, como fã do estilo outdoor, passei um belo fim de tarde na loja, me divertindo com cada centímetro de ilusão aventureira que minha cabeça vislumbrava e ali era oferecido.

Space NeedleQue horas são no Everest?
Visão de baixo da Space Needle, a torre de Seattle, com um monumento da praça. Ao lado, o horário everestiano - informação aparentemente importantíssima para um número de habitantes de Seattle.

Entrada da REIPista de mountain bike da REI
Essa "matinha" é a entrada da megaloja REI, de equipamentos para esportes radicais. A área indoor fica no final desse pequeno trekking, e a maçaneta da porta era em formato de machadinha de alpinismo. Na foto ao lado, um dos sinais de que você não está numa loja qualquer: a REI tem uma pista de mountain bike própria.

Se você parar de ler esse texto aqui, a impressão que fica é de que Seattle é uma cidade de pessoas altamente agitadas, prontas para uma aventura cheia de adrenalina com um copo de café na mão, certo? Nada podia ser mais errado que isso. Paradoxalmente, o povo de Seattle tem um estilo relaxado de viver tão contagiante, que até o trânsito reflete isso: os motoristas são lentos, as pessoas andam devagar pelas calçadas, sorriem para os demais transeuntes, e fazem questão de ajudar um típico turista acidental - como eu.

E como típica turista, facilmente me contagiei na semana que passei lá por essa calmaria. Não podia deixar de ir nos intervalos da conferência algumas atrações que fazem de Seattle uma cidade visitável também a pessoas não-adeptas de esportes radicais, e o fiz no ritmo próprio: devagar e degustando tudo ao máximo. Não me preocupei em "perder" algumas atrações, me concentrei em aproveitar as poucas que escolhi visitar no pouco tempo disponível que tinha. A mais importante delas, sem dúvida, é a Space Needle (a torre de Seattle).

Fui almoçar na Space Needle (ao contrário do esperado, o almoço não é caro). O restaurante gira do alto de seus mais de 100m, e permitindo uma visão 360 graus da cidade e das redondezas - e que redondezas! No dia em que lá estive, o céu estava azulzinho, dia lindo de sol, e o monte Rainier brilhava no horizonte atrás do centro da cidade. Também claro no horizonte estava a cordilheira Olympic e a cordilheira Cascade, que termina no Canadá. O Lago Union visto de cima me lembrava a todo momento porque a cidade tem vocação para aventura: entre mar e montanha, o contato com a natureza a todo momento. A visão da Space Needle me cativou, e fiquei tão empolgada que, no fim da tarde, depois do dever cumprido nas palestras da conferência, me dirigi ao terminal de lanchas. Resolvi pegar um ferry boat e ir até a ilha de Bainbridge, em frente a Seattle, só para poder atravessar a baía e ver o horizonte de arranha-céus em outra perspectiva. Valeu a pena, porque na ida, o sol estava se pondo (embora fosse mais de 9 da noite) e na volta, o sol já tinha se posto completamente, era noite, e pude ter o mesmo horizonte em 2 momentos diferentes de iluminação. Delírio fotográfico naquele que já considero o segundo mais lindo skyline do mundo (o primeiro ainda é o de Hong Kong).

Rainier e SeattleSeattle skyline
Um pedaço de centro de Seattle com o monte Rainier no fundo. Ao lado, o horizonte de arranha-céus visto da baía de Elliot ao entardecer.

Num outro dia, decidi passear pelo bairro universitário, onde, dizem as boas línguas, nasceu o movimento grunge - não podia deixar de reverenciar o estilo local em algum momento, né? Naquele clima alternativo realmente dá para imaginar por que Kurt Cobain foi o que foi. Vi várias pessoas nas ruas que pareciam saídas de um clip do Pearl Jam ou de um show do Alice in Chains, direto da década de 90. Mas ao mesmo tempo, aquela pacatez não-rebelde, aquele ar de cidade relaxada e desencanada por completo. Muitos cafés, muitas lojinhas alternativas e o campus da Universidade de Washington. Andar descontraída por ali é um bom passeio de fim de tarde, ótimo para espairecer a cabeça e vivenciar uma minúscula parte da Seattle underground. No bairro universitário, Seattle ainda "smells like a teen spirit".

Devo dizer que Seattle me conquistou. Talvez seja o clima outdoor que reina. Talvez seja a magia da neve do Monte Rainier. Talvez seja a organização das ruas e calçadas, com um povo sorridente a desfrutá-las. Talvez seja a utopia grunge, um estilo musical que nunca entendi muito bem. Não sei direito por que, mas fato é que Seattle, com ou sem adrenalina, se tornou uma das minhas cidades favoritas dos EUA continental. Seattle rocks: seja em tons grunges cafeinados ou nos penhascos desafiadores do Rainier.

Tudo de bom sempre.

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terça-feira, junho 06, 2006

Malla na lua

Acordei de manhã no horário de sempre. Dei comida pro gato, tomei meu café, peguei o lixo orgânico e fui levá-lo à lixeira comunitária de reciclagem, que fica no estacionamento do prédio. Acho que isso me atrasou um pouco, porque ao chegar no ponto de ônibus, ninguém estava lá. Pensei: "Perdi o "Zoraide" (apelido do ônibus) pro trabalho. Devo ter demorado demais arrumando o lixo em casa e não percebi o tempo passando." (O ônibus é fretado, só passa em 3 horários designados e eu aparentemente havia perdido o último da manhã. Estava atrasada.) Tive que apelar pra um táxi. Cheguei no prédio em que trabalho, quase ninguém por lá. Pensei: "Devem estar todos trabalhando em seus escritórios." Peguei o elevador e cheguei no laboratório. Corredor escuro. Luzes apagadas, laboratório vazio. Nenhuma viva alma. Achei estranho. Pensei: "Será que está tendo alguma reunião em outra sala e ninguém me avisou?" Fui para minha mesa, liguei o computador, fui pegar um café. A sala do café estava trancada - em geral está aberta. Destranquei a sala, peguei o café, voltei para minha mesa, sentei em frente ao computador. Aí olhei pro meu calendário. Em letras garrafais com caneta vermelha, a razão para tantas situações estranhas em poucas horas.

Hoje é feriado aqui na Coréia do Sul. Eu esqueci completamente, e fui trabalhar como se apenas mais um dia fosse. E não o é?

Lucia Malla, direto do mundo da lua - e ainda em jet-lag, é óbvio.

Tudo de bom sempre.

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segunda-feira, junho 05, 2006

Ambiente cansado

Hoje é o Dia Mundial do Meio Ambiente, uma data que merece reflexão, principalmente no blog de uma bióloga com tendências ecocêntricas. Entretanto, a cientista que vos fala também é uma andarilha e chegou essa madrugada de uma viagem longa, cheia de atrasos em vôos, mais de 24h em avião e/ou aeroportos, com 8h de diferença de fuso horário entre o local inicial e o final, arrastando uma mala pesada que a alfândega (americana, japonesa ou coreana?) fez o "favor" de quebrar o carrinho, e está um bagaço de cansada, além de desorientada espaço-temporalmente - tenho bastante jet lag.

Para não passar a data que considero ecologicamente tão importante em branco, mesmo cansada, deixo esse conciso editorial do NYTimes sobre a entrada pela primeira vez de 2 espécies de coral no Endangered Species Act americano, e 2 fotos que considero falarem mais que muitas palavras escritas sobre o que andamos fazendo de errado por aí com um certo grupo de animais que particularmente me são muito queridos e que eu não vou cansar nunca de relembrar a todos da dizimação em massa que estamos praticamente assistindo de braços cruzados. Fotos que refletem o quanto o ambiente pode em breve estar tão exausto quanto a Lucia Malla nesse momento. Essas fotos me dóem fundo no coração, e eu já expliquei por quê.

Tubarão sem barbatana embalado para exportaçãoTubarões decapitados e sem barbatanas
Tubarões sem barbatanas, retiradas para "alimentar" o status de restaurantes chineses do mundo inteiro.

Tudo de bom (espero que) sempre ao meio ambiente.

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P.S.: 1) Foi a primeira vez que viajei com uma seleção pessoal de filmes em classe econômica, vídeo on-demand, onde cada um assiste ou faz o que quer com a tv. Ótimo isso, você só assiste aquilo que quer com variada opção, e as baixinhas como eu não precisam ficar esticando o pescoço para tentar olhar a tela láááá longe. Nesse festival de nada-pra-fazer que é um vôo trans-pacífico, terminei assistindo a 4 filmes completos na ida para Seattle: "Procurando Nemo", "Out to sea" (comédia hilária com o ator mais bom velhinho que já existiu, Walter Matthau), "Dormindo com o Inimigo", "Lilo & Stitch" (como boa manteiga derretida de memórias excelentes havaianas, eu sempre choro quando começa a tocar "Hawaiian Roller Coaster Ride" e paguei esse mico manteigal no avião também... "There's no place I'd rather be/ Than on the seashore dry, wet free/On golden sand is where I'd lay/ And if I only had my way/ I'd play 'til the sun sets beyond the horizon"). E na volta, entre Portland e Tóquio, assisti mais 5: "Firewall" (ação elétrica, com Harrison Ford), "Failure to launch" (okzinho, com a Sarah Jessica Parker), "Procurando Nemo" (de novo, porque esse filme para mim é um dos melhores de todos os tempos, meu número 2 de qualquer lista), "The Clearing" (um filme desconhecido surpreendentemente bom, com Robert Redford e Willem Dafoe) e "A Pantera Cor-de-Rosa" (o novo, com Steve Martin). Haja filme.

2) Esse cansaço pós-viagem indica novas aventuras em breve pelas bandas desse bloguinho... aguardem.

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