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domingo, julho 30, 2006

Hale'akala

Para mim, um dos grandes momentos randômicos de plenitude da vida acontece quando presencio o nascer do sol - o que é raro, já que não sou muito fã de acordar de madrugada. Alguns amanheceres são especialmente maravilhosos, e deles guardo recordações de momentos etéreos, que parecem infinitos na minha memória. Como o nascer do sol dentro da cratera do Hale'akala, vulcão dormente da ilha de Maui, onde estive em 2003. Você sai no escuro de casa, pega uma estrada sinuosa loooooonga até o cume do Hale'akala a cerca de 3,000m e se posiciona na borda da cratera vendo o mar ao fundo. A surpresa ao chegar lá em cima, fica por conta da multidão de turistas madrugadeiros - parece inclusive que está chegando num número limite. Mas nem os turistas atrapalham a maravilha que é o visual lá de cima. O topo do Hale'akala é considerado um dos melhores lugares do mundo para se ver estrelas, planetas e diferentes luas, devido ao horizonte visível (e a limpeza do ar), que chega a 115 milhas de oceano. Simplesmente inacreditável.

Nessa cratera, existe também uma espécie de planta "super-endêmica" (que só cresce lá): a silversword (Argyroxiphium sandwicense macrocephalum). Ameaçada de extinção por sua especialização exacerbada - não cresce em nenhum outro lugar do planeta, nem em cativeiro, nem mesmo em outras áreas da mesma ilha de Maui! - a silversword floresce uma vez na vida, entre junho e setembro. Após florescer, morre. Sua flor é muito maior comparada ao tamanho da planta, e seu nome vem da aparência prateada de suas folhas pontiagudas.

SilverswordPaisagem lunar
Uma silversword florida - a flor é todo esse "talo" enorme que sai do arbustinho prateado. O que a gente vê no resto do ano é só o arbustinho. Ao lado, um pedaço da paisagem quase-lunar de dentro da cratera do Hale'akala durante o dia.

Estive esses dias relembrando o Hale'akala, com muita saudade. As cores que vi naquela cratera foram únicas, e o brilho do sol ao atingir os barrancos torna a paisagem vermelha intensa, quase lunar, espacial. Sabemos que vivemos na Terra, um planetinha tão frágil; mas com versatilidade suficiente para todos os dias pela manhã se revelar em fantasia de lua num endereço específico: cratera do Hale'akala, ilha de Maui, Havaí.

Onde a vida é rara em tons de prata.

Onde o sol nasce numa lua.

Onde as estrelas são mais visíveis e claras.

Onde a mente da gente... flutua.

Cratera do Hale'akala

Tudo de bom sempre.

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*Meu poeminha bobinho e infantil ao fim é uma tentativa de homenagem ao lúdico das palavras Mário Quintana pelo centenário de seu nascimento.

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quarta-feira, julho 26, 2006

Corrida por óleo

Leio o jornal esses dias. Eis que acho duas notas que me fazem refletir sobre nossas fontes de energia.

A primeira nota mostra que, não satisfeitos em perfurarem o Alasca (uma das áreas de beleza e riqueza natural mais inacreditáveis do planeta), eis que na fome de petróleo do mundo, os homens de negócio da indústria petroleira já cogitam fórmulas e maquiavelices para contornarem a legislação vigente e perfurarem na última fronteira humana intocável do planeta: na Antárctica. Pergunto-me o que a ONU acha disso - ou se já sabe. Ou se um dia saberá, quando já for tarde demais. (Leiam o primeiro comentário deste post feito pelo Camburizinho, literalmente Mestre em Antárctica, sobre o assunto.)

Aí em outra nota ambiental, descubro que essa semana a indústria de óleo vegetal brasileira se comprometeu a não mais comprar soja procedente de áreas de floresta devastadas na Amazônia (via Hermenauta). Motivos para comemorar! "Uma vitória", sonhei. Mas aí voltei à realidade e comecei a pensar o que os produtores de soja estariam aprontando... afinal, ficar sem lucro é que eles não ficariam, se bem conhecemos a voraz indústria. Num jornal do outro lado do mundo, achei uma possível resposta: a soja brasileira pode se tornar a nova fonte de energia americana. Biodiesel de soja, semente de girassol ou algodão, ambientalmente mais limpo para os EUA - uma bela propaganda positiva para eles e o planeta definitivamente agradece esse primeiro passo. Mas por trás, é a floresta brasileira que pode perder, e muito, se essa soja vier de onde mais fazendas surgem no país: da Amazônia. E por esse lado, o planeta não agradece.

Sei que precisamos de energia para sobreviver. No mundo de hoje, muita. Mas será que há alguma forma de não destruirmos áreas de biodiversidade natural inestimável em troca dessa energia?

Fica a reflexão.

Tudo de bom sempre. Espero.

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- E no dia em que decido comentar problemas de energia neste blog, coincidentemente celebro também o aniversário de um dos meus melhores amigos, que trabalha... na Petrobrás. Mas ele cuida do ambiente, que eu sei bem - afinal, comigo como amiga virtualmente próxima, ele não pode deslizar, hehehehe!!

Feliz aniversário, meu amigo "Capixaba de Brasília"!

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segunda-feira, julho 24, 2006

Kim do Norte

Ontem tive a oportunidade de assistir na TV ao documentário interessantíssimo "A State of Mind", de 2004, que conta a história de duas pré-adolescentes norte-coreanas se preparando para os Mass Games, o maior e mais coordenado festival de ginástica rítmica do planeta. (Vídeos do último Mass Games, no ano passado, podem ser visto nesse post do blog do Dan Schoor. Ele também tem fotos da Coréia do Norte e relatos imperdíveis.) Os Mass Games eram bastante comuns no bloco comunista dos tempos da guerra fria, e hoje, em tempos de eixo do mal, ocorrem apenas em Pyeongyang, na Coréia do Norte.

O documentário é emocionante. Embora mostre um pouco da propaganda/lavagem cerebral feita pelo governo norte-coreano para enfatizar o "poder do grupo", não se deixa levar em excesso pela postura ocidental, e relata de forma realista os sentimentos das 2 meninas. Para elas, participar dos Mass Games e principalmente, ser vista pelo "Grande Líder" Kim Jong-il, é a realização de menina-moça que podem almejar. E no tocante à realização desse sonho, o documentário é eficiente.

Após o filme, a discussão/reflexão sobre o regime norte-coreano e a atual conjuntura da península coreana foi inevitável. Nós já visitamos a fronteira das 2 Coréias, conhecida como zona desmilitarizada (DMZ) em 2005, moramos há quase 3 anos próximos a Seul, vivendo essa cultura homogênea por todos os lados - e junto com ela, tentando juntar as peças desse quebra-cabeças complicado e aparentemente insolúvel que é o momento atual político onde parece que o sonho de reunificação está se tornando um pesadelo.

Bandeira Norte-coreana na DMZDorasan station, DMZ

A Coréia do Norte é hoje sem dúvida o país mais isolado economica e politicamente do planeta. No início de julho, o governo do Kim do Norte fez testes com mísseis supostamente direcionados ao Havaí, no mar do Japão, o que gerou um mal-estar gigantesco na comunidade internacional e a suspensão da ajuda sul-coreana aos irmãos do norte. A situação da Coréia do Sul, aliás, é delicadíssima: doadora de arroz, fertilizantes e outros insumos ao Norte em troca de paz na península, após o lançamento dos mísseis norte-coreanos está vivendo uma reviravolta no governo central por causa de sua política com a Coréia do Norte. O governo atual do Sul vem sendo acusado de ser muito "benevolente" com o Norte, e boa parte do Parlamento vem pedindo uma política mais linha-dura por parte do Sul. Mas, se as coisas se enrijecerem mais, a Coréia do Norte pode retaliar. E como será essa retaliação é a incógnita da hora.

Some-se a isso que os mísseis caíram próximos ao Japão, inimigo histórico número 1 dos coreanos (e chineses) em geral. O Japão, assim que soube dos testes, começou a pressionar a ONU para sanções imediatas - que a Rússia e a China pediram para serem reconsideradas. Mas o fato implícito desse imbroglio é: o Japão está irritado com tudo isso. E pode muito bem atacar preventivamente Pyeongyang, à la Doutrina Bush num futuro mais próximo que o desejado.

Claro, tem a (enorme) fatia americana nessa confusão toda. Com parte considerável de soldados estacionados na Coréia do Sul, reminiscentes ainda do armistício da Guerra da Coréia na década de 50, a presença dos EUA na península é a maior certeza que a Coréia do Sul possui de que o Norte não atacará Seul tão cedo - porque se atacar, os EUA retrucam de forma feroz. E o Kim do Norte sabe que, embora o exército americano seja menor que o dele, as armas americanas são muito mais poderosas e eficientes na destruição. Mas existe o outro lado da moeda: o sentimento anti-americano, principalmente depois da invasão do Iraque, domina a população coreana, que está constantemente protestando em frente à embaixada americana em Seul.

Enquanto os governos brincam de War num tabuleiro real, parecem sinceramente esquecer que no meio dessa salada indigesta há pessoas comuns. Pessoas que de certa forma vivem drasticamente a real consequência das decisões políticas discutidas em esferas superiores estéreis de individualismo humano, muitos desses separados de familiares pela guerra ainda pendente. Cidadãos que querem apenas o direito de serem felizes em sua caminhada.

Interessantemente, foi o conceito de felicidade que gerou maior reflexão após ver o documentário das garotas norte-coreanas. Afinal, o que é felicidade? Uma das definições é a busca daquilo que nos satisfaz - e que gera uma busca eterna na nossa sociedade do consumo, pois o que queremos hoje é o que desprezaremos amanhã, para querermos algo melhor ainda. A velha história do moço que vende uma Brasília para comprar um Palio, mas já sonhando com a BMW.

O que "A State of Mind" deixa de mais revelador ao mundo é essa ausência da ambição de felicidade individual nos norte-coreanos. Efeito colateral da intensa lavagem cerebral praticada pelo governo, a valorização do "poder do grupo" não dá espaço ao sonho do indivíduo. A felicidade maior para o norte-coreano parece ser a perfeição do grupo. E se o grupo apresenta-se perfeitamente (como vemos de forma figurada nos Mass Games), a felicidade está conquistada. Plenitude alcançada.

Enquanto isso, os demais povos do mundo parecem viver nesse mar de frustrações, em boa parte existentes por não alcançarmos nunca essa felicidade utópica. Afinal, sempre queremos mais. E mais. E melhor. Somos felizes nessa busca incessante pela felicidade?

Não, eu não defendo o regime de Pyeongyang, em hipótese alguma. O livre arbítrio e o direito de ir e vir para mim são bens vitais de sobrevivência de um ser humano social. Também sei que por baixo da aparente união, igualdade e complacência, há muito sofrimento, fome e miséria na Coréia do Norte, o que para mim torna mais insano ainda o investimento maciço do Kim do Norte em militarismo. Quero acreditar que a queda do regime comunista norte-coreano é uma questão de tempo, e que ocorrerá por vias diplomáticas ou pelo desmantelamento gradual, como vem acontecendo com a China. Entretanto, não deixa de ser curioso que no final das contas, com sua vida restrita, fechada e sem informações, os norte-coreanos estejam tão conformados com sua situação que se dizem... felizes. O oposto do que o resto do mundo parece viver.

Felicidade é mesmo "a state of mind", não?

Tudo de bom sempre.

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sexta-feira, julho 21, 2006

Tirando os turistas de cena

Via BoingBoing me chega aos olhos um website com um serviço pra lá de bizarro: removedor de turistas de fotos. Sim, sabe quando você se depara com um monumento lindo numa cidade que está visitando pela primeira vez, quer tirar a foto para registrar o momento, e tem sempre uma pessoa ou um carro passando, "atrapalhando" a sua foto? Pois o TouristRemover se dispõe a limpar as fotos.

Particularmente, uma idéia interessante, mas de relativa dificuldade operacional. De acordo com o site, você precisa tirar várias fotos numa mesma posição, com tripé e com a mesma iluminação - ou seja, mesmo horário do dia - e depois colocar todas no site deles, que de alguma forma mágica "interpolativa" a foto resultante capturará apenas o que não se move de todas as fotos - ou seja as construções.

Eu até entendo a necessidade desse serviço para muitos fotógrafos e curiosos, e óbvio, entendo quando a "invasão" da foto se dá por uma cabeça ou uma perna de alguém que não prestou atenção aos arredores - aí vale realmente a pena tirar o "pedaço" de pessoa da foto. Mas a idéia no geral não me compra. Tenho bastante paciência, em geral espero diminuir o número de pessoas ao redor para bater a foto onde quer que esteja, mas se o tempo é contado, a foto fica com aquelas pessoas mesmo no background - muitas vezes no foreground. E se acho que a pessoa interfere demais na cena, que realmente a foto sem ela ficaria melhor, nada que o Adobe Photoshop não limpe depois.

Entretanto, pessoas adversas na foto algumas vezes nos mostram um pouco do ritmo e atmosfera da cidade, do local ou do momento. Como ir a Paris e não pegar sem querer numa foto um senhor bem-vestido num café lendo jornal? Ou visitar a Coréia e não pegar distraidamente um jovem ultra-tecnodogmatizado falando em seu celular de última geração? Essas fotos registram muito mais que apenas pessoas "atrapalhando" um cenário ou momento, bonito ou interessante. Registram o dia-a-dia, que no planeta em que vivemos, habitado também por seres humanos, refletem um pouco da nossa natureza tão camaleônica.

Acho que eu prefiro deixar a tarefa de remover "turistas" fotográficos por conta do Photoshop mesmo. E só em casos extremamente necessários, quando eles ao invés de revelarem algo, apenas queimam o filme da foto.

Tudo de bom sempre.

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Resolvi brincar com o Photoshop em 2 fotos onde as pessoas estão aparentemente "atrapalhando" o cenário - mas sem exagero. Descontado o fato que meu manejo do Photoshop é bastante tosco, não gostei do resultado final: na primeira foto, perde-se o feeling de "momento de sorte" que a foto passa, quando uma baleia jubarte de repente aparece perto do barco; na segunda, perde-se um traço cultural presente na foto, o fato de que as pessoas vão à praia de roupa aqui na Coréia, mesmo em pleno verão (a foto foi tirada na praia de Haeundae, em Busan).

Baleia com 2 fotógrafosBaleia sozinha

Praia de Haeundae - Busan, com pessoasPraia de Haeundae, sem pessoas

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quarta-feira, julho 19, 2006

Cientartista

Ele está presente em absolutamente todos os posts do meu bloguinho: seja com as fotos que tira, com os comentários que suscita, com os deslizes que descobre, com a leitura e a crítica afiada e certeira, ou simplesmente, com a inspiração que emana carinhosa e diariamente para a dona deste pedacinho.

Hoje é seu dia especial. O tripulante mais amado da minha viagem pelo mundo, que se dedica a duas paixões lindas: a ciência de entender processos metabólicos dos seres vivos e a arte de eternizar esses mesmos seres com um clique mágico de uma câmera fotográfica. Eu já era uma apaixonada por ciência e fotografia quando o conheci, mas desde então, cada dia mais me descubro em uma nova avenida do conhecimento-arte. A ciência é reveladora. A fotografia é revelação. Em diferentes perspectivas, ambas convergem: uma vida capturada, as cores do mundo expostas e entendidas, num momento libertador do tempo. O tempo... O tempo hoje dá um pulo logicamente impossível de um ano em um dia, e marca a entrada em uma nova contagem pro meu cientartista mais querido.

Ao também dono deste pedaço - e ele tem a parte mais valiosa desta página virtual: o coração da dona - que engrandesce cada minuto dessa viagem apenas por existir na minha vida, eu desejo...

Feliz aniversário!

Cientartista

Tudo de bom sempre para você, meu amor cientartista!

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segunda-feira, julho 17, 2006

A ciência da beleza

Há algum tempo houve um editorial do New York Times sobre marketing nas campanhas para produtos de beleza - principalmente de cremes e loções anti-celulite. Muito interessante, principalmente no que tange... à ciência da beleza.

Não sigo nem leio muito publicações dermatológicas sobre testes científicos de produtos de beleza, nunca tive curiosidade para tal. Adoro um creme, uso os mais variados e cheirosos possíveis, e não resisto ao passar em frente a um Bodyshop - eis aí minha fraqueza suprema. Potes de loções desnecessárias amontoam-se no meu banheiro, e tenho alguns em embalagens especiais para viagem. Quando viajo, sou prática, econômica, compacta, etc. mas para meus cremes, sempre dou um jeito de driblar o excesso de bagagem e carregá-los comigo.

Entretanto, ao ler a reportagem do NYTimes, comecei a pensar sobre a ciência existente por trás dos cosméticos, e fui atrás de literatura científica geral sobre o assunto. E me deparei com uma situação bastante indigesta. Praticamente, existe zero de informação sobre cremes para celulite, e muito pouca informação sobre a real eficácia da maioria dos cosméticos anti-envelhecimento. Talvez a única certeza no meio dermatológico parece ser a eficácia do uso de protetor solar para evitar problemas de pele e envelhecimento precoce - mas até aí, isso é uma ínfima parte do que a indústria de cosméticos marketeia. Quase tudo que vemos nas prateleiras das lojas de produtos de beleza não passa de estelionato dermatológico. E até o Greenpeace já se incomodou o suficiente com essa situação a ponto de emitir um guia "ecológico" de cosméticos.

Uma das características que mais me incomodou ao procurar por informações claras de como os agentes químicos que dizem existir nos tubos de creme funcionam foi o fato de as pesquisas serem em sua maioria feitas pelas próprias indústrias de cosméticos. Até aí, alguém poderia dizer, a indústria farmacêutica também faz suas próprias pesquisas. Correto, mas existe uma regulamentação governamental no fim da linha. Para a indústria de cosméticos, não. Além disso, quando olhadas com o devido rigor científico, em muitos estudos sobre cosméticos a metodologia adotada não responde a questões básicas de segurança. Se compararmos com a indústria farmacêutica de remédios, onde o FDA fica marcando em cima para saber tudo sobre qualquer droga nova que entra no mercado, perceberemos que o mercado de cosméticos é muito mais "volátil". O FDA, aliás, tem também uma certa dificuldade em entender boa parte do que a indústria de cosméticos diz oferecer nos produtos. Não há uma regulamentação tão clara, e em geral, o produto só é testado efetivamente quando já está no mercado, para os consumidores. Nós somos as cobaias, de maneira geral. Mesmo as regulamentações que existem, como na Europa, ainda não são tão rigorosas quanto as de drogas medicamentosas. Sendo o mercado de cosméticos basicamente dependente da vaidade humana, e o de remédios da necessidade de sobrevivência, poderia-se até argumentar a favor dessa volatilidade maior. Entretanto, essa linha tênue de importância torna-se incômoda quando olhamos os números da indústria cosmética.

Cosméticos movimentam um mercado de algumas dezenas de bilhões de dólares - a indústria farmacêutica, em contrapartida, movimenta cerca de 550 bilhões de dólares, não descontados os gastos com pesquisa e regulamentação reforçada, de que a indústria cosmética carece. Só a marca Estée Lauder, uma das líderes do mercado, possui um valor estimado de mercado de 10 bilhões de dólares, o mesmo que o mercado dos produtos cosméticos ditos "orgânicos" gira e quase metade de todo o mercado americano de produtos de beleza. Em apenas 5 países da Ásia (China, Coréia do Sul, Singapura, Taiwan e Malásia),
o mercado girava em 2002 cerca de 10 bilhões de dólares - hoje esse número é quase o que um único país, a Coréia do Sul, gasta com cosméticos. Aliás, só com Botox, gasta-se 10 milhões de dólares por ano em terras coreanas. E com o crescimento acelerado da China, é para lá que as indústrias de cosméticos estão migrando o foco de suas propagandas. Adicione-se a isso que cremes e produtos de beleza agora não são exclusividade feminina, e você terá vários investidores da vaidade felizes com seus portfolios no mercado de ações.

De acordo com algumas previsões, o Brasil se tornará o terceiro mercado mundial de produtos cosméticos em 2007, atrás apenas dos EUA e do Japão. Isso não me soa novidade: é uma consequência de vivermos na sociedade da super-glamourização da aparência eternamente jovem. Envelhecer tornou-se um problema dos mais temidos. Será que é para ser assim? Afinal, biologicamente falando, nascemos, crescemos, nos reproduzimos, envelhecemos e morremos - é o ciclo da vida, para qualquer ser vivo que anda nesse nosso planetinha. Às vezes tenho a impressão ao ver todas as zilhões de propagandas de cremes, loções e afins na TV de que o Homo sapiens parece ter esquecido que envelhecer faz parte do processo. Enfim.

Apesar de saber de tudo isso, eu sou contraditória nesse aspecto: continuo passando cremes, loções e afins todos os dias, dando lucros infelizmente a uma indústria desregulamentada. Mesmo sabendo que quase todos os cremes são iguais: um combinado de glicerina com algum óleo qualquer que apenas lubrificam a pele e os cabelos. Mesmo sabendo que são puro engodo. Pelo menos deixam a pele e os cabelos mais cheirosos (qual o parâmetro olfativo??), e isso, na minha relutância em aceitar o óbvio, me basta. Por enquanto.

Tudo de bom sempre.

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Duas viagens sobre produtos de beleza interessantes...

- No Biotech Blog, um post sobre o uso do botox na medicina, para auxílio em certas patologias. Um exemplo de que às vezes um produto pesquisado e/ou desenvolvido por um motivo frívolo pode ter um efeito benéfico em uma área completamente diferente. Legal essa interface.

- Diferente do Brasil e dos EUA - onde o look bronzeada domina o mercado - aqui na Ásia, quanto mais branco, melhor. Dada essa diferença, um dos grandes hits de venda em qualquer loja de produtos de beleza são os cremes de esbranquiçamento (os "whitening creams"). Uma reportagem de alguns meses atrás do NYTimes sobre os problemas que esses cremes podem trazer à pele das mulheres mostra, entretanto, um lado perverso desse traço cultural.

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quinta-feira, julho 13, 2006

Coloridos nudibrânquios

Estou selecionando fotos para um concurso de um calendário específico sobre nudibrânquios, meus animais prediletos de procurar e ver em qualquer mergulho que faço - de certa forma mais até que tubarões.

Nudibrânquios são moluscos conhecidos também como lesmas-do-mar. São invertebrados parecidos com vermes que apresentam suas brânquias (orgão de respiração na água) desnudadas, expostas ao ambiente marinho do lado de fora de seus corpos. Possuem rinóforos na cabeça, que são tentáculos sensoriais que os ajudam a detectar outros da espécie assim como moléculas de feromônio ou provável alimentação. Vivem em geral em recifes de corais, e são minúsculos, a maioria não mais que poucos centímetros. Lentos, nadam apenas quando necessário, preferindo locomover-se pelo substrato como um verminho. Reproduzem-se em um verdadeiro balé aquático, e os milhares de ovos postos formam uma massa única pra lá de artística em cima de um substrato, com formatos que vão de uma mola a uma rosa. Embora quando a gente fala "vermes" um certo asco natural venha à cabeça, uma vez que você vê o espectro de cores e estamparias que as diferentes espécies de nudibrânquios apresentam, você esquece qualquer nojo e se apaixona por eles.

Foi assim que aconteceu comigo. No jurássico da minha faculdade, aprendi praticamente nada sobre invertebrados marinhos - e os nudibrânquios passaram incógnitos por todo meu currículo. Como eu estudava longe do mar, não houve incentivo extra algum para que aprendêssemos sobre o animal. Até que mais de 10 anos depois eu decidi aprender a mergulhar, por pura diversão.

Já no primeiro mergulho depois do batismo avistei um "verme" verde muito estranho em cima de uma rocha: meu primeiro nudibrânquio! Não conseguia tirar os olhos dele, cheguei perto para admirar suas cores - era listrado de verde e preto - e me apaixonei imediatamente por aquele colorido exótico. O bicho era simplesmente maravilhoso e eu, uma adoradora de cores fortes, descobri que já tinha meu invertebrado favorito escolhido.

Quando cheguei em casa, empolgada com a visão colorida que tive no mergulho, fui procurar saber mais sobre os nudibrânquios. Classe, ordem, famílias, características comportamentais, tudo que era possível coletar num livro de zoologia. E a cada foto de espécie que aparecia no livro, mais eu caía de amores por aquelas fofuras. Desde então, muitos mergulhos depois, já avistei uma boa quantidade de espécies, e cada uma me convence mais de que o universo arco-irístico que os nudibrânquios apresentam está provavelmente dentre os mais vastos da vida natural. As cores refletem na maioria dos casos, a sua dieta: se comem esponja azul, empacotam o azul sob a pele. Existem espécies que se alimentam de algas coralinas, numa relação mutualística com as mesmas. Em geral, você encontrará o nudibrânquio na proximidade de sua comida, já que eles são extremamente específicos na escolha gastronômica. E se eles comem nematocistos de anêmonas com toxinas, por exemplo, empacotam essas toxinas sob a pele - ou seja, as cores vibrantes no final das contas indicam toxicidade elevada. Como eles não possuem concha ou casco para proteção como outros invertebrados têm, os nudibrânquios evoluíram ao longo do tempo essa forma de defesa: produção/metabolismo de toxinas que os tornam impalatáveis a maior parte dos predadores que tentam se alimentar deles.

Com tantas características fascinantes num bichinho tão pequeno, só espero imensamente que o aquecimento global não os extingue também, embora as perspectivas pro futuro não sejam das melhores já que o ambiente em que vivem (os recifes de corais) já estão bastante ameaçados.

Separei aqui para compartilhar com todos algumas das minhas espécies prediletas de nudibrânquios, que vi por essas andanças pelo mundo embaixo d'água - e que foram enviadas para o concurso para o qual estou inscrevendo as fotos. São ou não são uma verdadeira aquarela?

Chromodoris willani2 Nembrota cristata
À esquerda: Chromodoris willani; direita: Nembrota cristata.

Ovos de Hexabranchus sanguineus (dançarino espanhol) em formato de rosa2 Chromodoris sp.
Massa de ovos de nudibrânquio em uma rocha no Havaí: o formato de uma rosa vermelha é simplesmente meu favorito. Ao lado, 2 nudibrânquios de espécies diferentes, mas com padrões similares, diferentes apenas em suas cores.

Chromodoris magnificaBornella stellifer - Coreia do Sul
Esquerda: Chromodoris magnifica; direita: Bornella stellifer, cuja postura na folha de alga lembra um movimento sublime de dança moderna.

Chromodoris kunieiGymnodoris aurita
Esquerda: um dos meus prediletos, o Chromodoris kuniei. Ao lado: Gymnodoris aurita.

Chromodoris willaniJoruna funebris - nudibrânquio
Esquerda: Outro Chromodoris willani; direita: um dos mais engraçados, que eu chamo de nudibrânquio "oreo" (parece um monte de biscoito de chocolate em cima dele!): Joruna funebris.

Pleurobrânquio Berthelle martensiDetalhe da pele de um pleurobrânquio
Esses dois são pleurobrânquios (ordem Pleurobranchia), parentes próximos dos nudibrânquios. Apesar de não serem nudibrânquios, suas cores também são incríveis e estavam valendo para o concurso que estou enviando, então ficam aí pra vocês criticarem/apreciarem também... O primeiro é o Berthelle martensi, e ao lado, um detalhe da pele de um pleurobrânquio - repare nos dois rinóforos (na forma de antena de função sensorial para detectar elementos químicos, metabólitos, alimentos e feromônios na água do mar). O padrão abstrato me deixa estupefata toda vez que eu vejo. Vida realmente maravilhosa, já dizia Gould.

Será que conseguiremos pelo menos uma foto no calendário do concurso? Torço que sim!

Tudo de bom sempre.

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terça-feira, julho 11, 2006

Bom dia

Hoje de manhã fui tomar um café no Starbucks perto da estação de metrô de Sincheon, em Seul. Eis que ao entrar na loja, coincidentemente começa a tocar um dos meus discos favoritos de todos os tempos: "Samblues", de Juarez Moreira. Dessas miudezas irônicas da vida que tornam um dia grande.

Fiquei absorta "tomando café" por quase uma hora, até o disco acabar de tocar.

Tem dias que a gente se sente.

Tudo de bom sempre.

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segunda-feira, julho 10, 2006

Casamento na Índia

Tem 2 indianos na empresa que trabalho. Um deles é hinduísta, morava na Finlândia antes de vir parar na Coréia do Sul, e casou-se com outra hinduísta da mesma casta antes de aceitar a proposta de emprego aqui. Vivem como um casal moderno hindu. O outro indiano é da região próxima a Caxemira (fronteira com o Paquistão), muçulmano e vegetariano, nunca saíra da Índia antes e chegou na Coréia em 2004 solteiro. Eu sou uma pessoa bastante calma, mas esse indiano muçulmano me vence por anos-luz: é o ser mais tranquilo que já conheci na vida, sempre de bom humor e sorridente. Logo o apelidamos de "Gandhi", por seu temperamento sempre plácido. E é esse indiano que tem uma história que me faz refletir constantemente sobre diferenças culturais.

A Índia, como bem mostra essa ótima análise do New York Times, está fadada à contradição, e a meu ver pode entrar numa enorme crise cultural caso algumas tradições não se modifiquem depois de tanta mudança econômica que o país vem sofrendo nos últimos anos. Veja bem, por mais que eu seja favorável à manutenção da diversidade de culturas, uma cultura é por si só intrinsicamente dinâmica para chegar num ponto em que um povo se adequa a novos parâmetros, a uma nova realidade, ao novo mundo que o cerca. O maior exemplo disso para mim é o Japão com sua comilança de carne de baleia: na hora que as baleias acabarem, eles vão continuar mantendo essa tradição? Claro que não, adaptar-se-ão ao novo mundo - e a grande questão nesse caso que os grupos ambientais tanto insistem é "por que não se adaptam desde já", papo para longas discussões que não interessam aqui. O que quero dizer é: haverá uma mudança cultural inevitável na sociedade japonesa quanto ao hábito de comer baleias, e nem por isso a cultura japonesa será ofendida ou minimizada. Apenas terá se modificado com o passar do tempo e com a nova condição de não-existência do mamífero.

Mas voltemos a Índia e ao indiano que trabalha comigo.

O indiano chegou solteiro na Coréia. Até aí, nada de mais. Em suas primeiras férias de volta à Índia (depois de mais ou menos um ano aqui), eis que seu casamento começa a ser arranjado: o pai havia selecionado anteriormente uma série de candidatas "plausíveis" à vaga de noiva. Não são muitas aparentemente as moçoilas disponíveis por aquelas bandas, como mostra esse artigo, portanto nosso amigo considerou-se afortunado de poder escolher.

(Parênteses: Eu imagino que meu colega de trabalho indiano faça parte de uma casta social elevada, caso contrário não haveria estudado em boa escola e não haveria tanta preocupação com a escolha da sua noiva, mas isso pode ser apenas viagem minha de desconhecedora da cultura indiana. Fecha parênteses.)

E o indiano foi apresentado a uma lista de pretendentes - e sem nunca ter visto nenhuma delas ao vivo e a cores. Como a maioria dos indianos, eis que ele "se decidiu" - entre aspas porque significou basicamente o aceite da escolha que os pais já haviam feito - por uma das moçoilas muçulmanas e começou então o planejamento do grande dia.

Nesse meio-tempo, suas férias acabaram. Como seu aceite da pretendente foi muito próximo da data de voltar pra Coréia e sua noiva não era da mesma cidade que ele, seu noivado foi realizado apenas alguns meses depois: ele aqui e ela lá. Para celebrar o noivado à distância, ele nos mostrou umas foto-montagens representativas que os parentes fizeram, com ele e ela recortados de fotos separadas e colocados não-photoshopicamente abraçados, como se estivessem juntos naquele momento tão importante. Uma colagem pueril, mas engraçadinha. Até então, ele não havia trocado sequer uma palavra com a escolhida, mas já era noivo dela.

De acordo com a tradição indiana, os casamentos são festas enormes e fartas, que duram uma semana inteira: a celebração final de um contrato social bem-sucedido entre famílias, que se apresentam umas às outras - uma das "cerimônias" do evento é a entrega oficial do dote da noiva, prática comum que os ocidentais consideram muito controversa. Afinal, muitos abortos seletivos são realizados no país como efeito da existência de tal tradição, pois as famílias não querem ter filhas mulheres, já que elas significam apenas despesas futuras. Com isso, a proporção desigual de mulheres para homens é escandalosa em alguns recantos do país. Os grupos de direitos humanos estão sempre rondando a Índia (não sem razão...) vigiando a quantas anda o preconceito à mulher e às pessoas de diferentes castas.

Eis que meu colega de trabalho ano passado vai então de férias para a Índia, dessa vez para seu casamento, que já estava todo organizado pelas partes contratuais. Pela primeira vez, ele conversa com a noiva, num ponto em que já não é possível mais voltar atrás na decisão da escolha. Mas, como plácido Gandhi que é, aceitou de bom grado a moça escolhida pela família. Ocorre a enorme festa de casamento, famílias felizes confraternizando, uma semana de comilança e festejos típicos de Bollywood. E depois de uma semana, eles voltaram casados para a Coréia.

Não somos muito amigos, mas é claro, sou curiosa de culturas diferentes. E várias perguntas me passaram pela cabeça ao saber do casamento indiano finalmente efetivado depois de um noivado sem conhecer a noiva - perguntas tipicamente ocidentais, do tamanho da minha ignorância da cultura indiana. Será que a moça sabe que vai morar na Coréia? Será que ela está preparada pra esse choque cultural que é morar num outro país (e logo num país tão diferente de tudo)? Será que ela pode trabalhar? Será que ela se adapta à alimentação? E se ela não suportar o frio? (Eles chegaram aqui no auge do inverno.) E se adoecer de tristeza e saudade da família?

Coincidentemente, na primeira semana dela aqui, houve uma festa de aniversário da filha de uma colega de trabalho, e fomos todos prestigiar o bolinho. Tive a oportunidade de conhecer a moça e minha língua coçou para perguntar tudo que queria, mas por polidez, deixei que ela falasse mais - o que significou quase nada, pois ela parecia muito envergonhada e não respondeu nenhuma das minhas perguntas mentais. A atitude complacente/submissa da moça me chocou num primeiro momento, mas logo percebi que estava assistindo a mais um exemplo da diversidade cultural do mundo ainda vigente. Depois dessa festinha, nunca mais vimos a moça, mas ao que tudo indica ela está bem, (sobre)vivendo em terras coreanas. E eu continuo com minhas dúvidas culturais não-respondidas.

Essa é a dicotomia de casamento que a Índia me serve diariamente: um contrato meramente social de um lado, e do outro (o indiano hindu) um casamento moderno, em pouco diferente do que os ocidentais experimentam. Para o casamento tipo contrato social, fica o mote: nada de amor nem nóias. O que vale é seguir à risca as regras contratuais.

Eis que, no meio de todos esses devaneios enquanto escrevo esse post, sem querer me pego olhando profunda e placidamente pro meu marido, que está compenetrado em seus afazeres na mesa ao lado, inocente às minhas divagações viajantes do momento. E me pergunto mentalmente: será que as mulheres indianas são felizes, nesse mundo moderno e cheio de novos desafios, sem a possibilidade de escolha do companheiro para compartilhar seus momentos? O quanto essa não-escolha pode afetar o futuro econômico da nação?

Mais dúvidas a serem não-respondidas.

Tudo de bom sempre.

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Para refletir mais sobre a Índia...

- Uma perspectiva interessante sobre as consequências culturais da tradição hindu dos casamentos arranjados.

- Uma narrativa pessoal sobre casamentos indianos, num blog bastante delicado.

- O lado negro do sistema de castas: os indianos estão alugando suas mulheres e vendendo suas filhas, por causa da pressão econômica do dote.

- Uma sociedade com seus preconceitos arraigados. Eis que o príncipe de uma das regiões indianas foi deserdado por sua família. Seu crime? Assumir sua homossexualidade.

- A Denise tem uma série de posts bem ricos e informativos sobre a Índia, escritos durante sua passagem pelo país. Vale a pena conferir.

- Essa história de dote e perseguição às filhas mulheres, embora choque boa parte dos ocidentais, existe em várias culturas ainda, principalmente na Ásia. Aqui na Coréia, por exemplo, o resquício dessa tradição está nos consultórios de obstetras: é proibido por lei revelar o sexo do bebê durante o ultra-som de uma mulher grávida - uma tentativa (vitoriosa) do governo já na década de 90 para diminuir os abortos seletivos de meninas.

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segunda-feira, julho 03, 2006

Verde-amarelo

Só para lembrar que existe um Brasil ainda verde-amarelo...

Aquário natural, Bonito, BrasilFernando de Noronha, Brasil

... e que joga bonito todos os dias, sem alarde ou torcida: um Brasil que vai lá e faz. Apesar de tudo.

Voluntaria do TAMAR com filhotes de tartaruga, BA, Brasil


Tudo de bom sempre.

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Fotos: Verde - Aquário Natural de Bonito (MS).
Amarelo - Pôr-do-sol no Parque Nacional de Fernando de Noronha (PE).
Jogo bonito - Voluntária-mirim do Projeto TAMAR da Praia do Forte (BA), com filhotes de tartaruga a serem liberados na praia.

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sábado, julho 01, 2006

E agora, Pelé?

Depois de sua declaração desastrosa e altamente desnecessária, o que resta ao rei do futebol? Ir ao Champs-Elysées comemorar?

Dada a derrota anunciada aliada à falta de maestria de Parreira em fazer estrelas de alto quilate brilharem, eis que nossa participação na Copa de 2006 termina de forma triste, feia, quase desonrosa, com pouquíssimos chutes a gol e um time desencontrado. E a coroação de um rei que não engordou, não agourou e não perdeu sua majestade e finesse: Zinedine Zidane.

Estou triste.

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Deutschland über alles.

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