Uma Malla pelo mundo Interney.net/blogs/malla

quarta-feira, agosto 30, 2006

Mallenquete

Uma "Mallenquete" - a enquete da Malla, advinda de uma curiosidade inata sobre as viagens dos que passam por aqui... e homenageando o Blogday, um dia de maior interação blogal (o certo seria eu indicar outros blogs, mas prefiro abrir o meu a uma conversa que tenho curiosidade há tempos...). Lá vai:

- Se dinheiro ou tempo não fossem restrições, para que lugar você gostaria de viajar agora? Em outras palavras, qual seu "lugar dos sonhos" mais imediato?

Aguardo as respostas.

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segunda-feira, agosto 28, 2006

8 "viagenz(m)inhas" + 60 anos

A Regina me "intimou" (no bom sentido) a responder um meme contando 8 "coisinhas" sobre a minha pessoa. Como sou uma pessoa altamente viajante na maionese, vou escrever 8 viagenzinhas minhas - as "viagenz(m)inhas". Vamos lá:

1) Sou absolutamente apaixonada pela música instrumental brasileira. De Arthur Moreira Lima a Yamandú Costa, tudo nela me emociona, me encanta e engrandece. Paro para apreciar. Choro ao ouvir a versão de "Gabriela" do Trio Água - é perfeita. Acho que preferir o instrumental pode ser um reflexo da minha personalidade: sou uma pessoa calada, taciturna, pensativa. Muitas vozes ressoando me distraem demais, não me permitem pensar com clareza.

2) Adoro meus amigos de infância (da rua onde morava). Tive o privilégio de crescer com uma turminha nota 1000, e até hoje, cada um em um canto do planeta, nos falamos constantemente - temos até uma comunidade só nossa no Orkut. Eu acho uma viagem isso porque em geral as pessoas quando adultas mantém um ou outro amigo de infância, mas não uma turma inteira (e não somos poucos!). Mesmo separados, estamos de certa forma "juntos". Considero a todos eles meus irmãos de coração e sonho com uma festa em que todos estejam presentes. Sinto muita saudade deles todos.

3) Gosto muito de conversar com as pessoas desconhecidas do dia-a-dia: a mulher da vendinha da esquina, o taxista, o companheiro de fila do ônibus, a garota do Starbucks. Uma das grandes limitações de estar na Coréia é o fato de que não consiga me comunicar tão bem quanto gostaria com essas pessoas, e isso me incomoda.

4) Tenho uma pequena e modesta coleção de tubarões de pelúcia.

5) Não uso roupas cáqui. Não gosto de cáqui, me entristece. A exceção única é uma saia que minha mãe me deu.

6) Um dia ainda quero poder dar um abraço no Hermeto Pascoal e outro no Ziraldo. (Para ter esse sonho realizado, cheguei a sugerir o Ziraldo como paraninfo de formatura da minha turma, mas não foi aceito... infelizmente.)

7) Sou simplesmente apaixonada por ciência. A realidade científica dos fatos me fascina e me preenche.

8) Sou Fluminense desde que nasci. E adoro futebol, principalmente aqueles campeonatos de menor destaque - motivo pelo qual eu acho simplesmente fantástico o trabalho dos Jogos Perdidos.

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E falando em futebol, hoje a razão fundamental da minha paixão por futebol faz aniversário. 60 anos... Que alegria, hem, papai? Feliz aniversário!!!

Papai

Tudo de bom sempre ao melhor pai do mundo!!!

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quarta-feira, agosto 23, 2006

Os tubarões de Recife

DentesRecife
Ataques de tubarão a humanos se tornaram mais freqüentes em Recife, PE, consequência do desenvolvimento.

A principal via googlística de chegada ao meu bloguinho são, sem dúvida alguma, as fotos de tubarões espalhadas por diferentes posts. De certa forma, gosto quando as pessoas que estão atrás de informações ou fotos de tubarões caem aqui - muitas procurando inclusive por "receita de sopa de barbatana", para meu desespero interno. Se pelo menos uma dessas pessoas passar a entender a grande problemática ambiental que envolve esse assunto, já me darei por satisfeita.

(Independente disso, eu já estava também com comichão: muito tempo sem falar de tubarões, meu animal estimado e de hidrodinâmica tão perfeita. Sempre darei um jeito de comentar sobre ele, não tem jeito.)

A Denise me deixou um link na caixa de comentários de um post passado que eu não conhecia: uma página agregadora de todos os ataques de tubarões a seres humanos em Recife que aconteceram nos últimos anos. Sem dúvida, um site interessantíssimo. À primeira vista constam apenas relatos de ataques, mas se você fuçar mais, verá explicações relevantes com uma análise ecológica e a razão dos ataques em Recife. Mas mesmo assim, a página inicial dá essa impressão falsa de "el matador" ao tubarão sem dar um atalho fácil ao link com as devidas razões de por que ele vem se comportando assim especificamente naquela área de Recife - já que em outros lugares do mundo, como nas Bahamas, os tubarões-cabeça-chata não atacam pessoas tão frequentemente. E eis que essas razões estão também explicadas cientificamente num post recente do Divester - post, aliás, advindo de um programa do Discovery Channel sobre Recife, o que significa que em breve espero poder assistir e avaliar por mim mesma o conteúdo.

Tubaroes nas BahamasNaufragio
Tubarões sendo alimentados manualmente nas Bahamas. Ao lado, o naufrágio "Vapor de Baixo", um ponto de mergulho recreacional em Olinda, mais distante do porto de Recife (~5 milhas).

Para entender os freqüentes ataques de tubarão que acontecem em Recife hoje em dia, é preciso voltar no tempo: uns 40 anos, mais ou menos. Nessa época, raros eram os ataques de tubarão por lá: eles habitavam mais ao sul, onde uma região costeira de manguezais fornecia o abrigo ideal para sua reprodução. Mais ou menos nessa época, começou a construção do porto de Suape, em Pernambuco, que iria trazer desenvolvimento e bons negócios ao estado. Pois bem, para tal construção, destruiu-se o manguezal onde os tubarões se reproduziam e de certa forma, se alimentavam. Com o hábitat destruído, os tubarões passaram a nadar mais ao norte, onde a água é mais quente e mais cheia de nutrientes. Onde fica Recife.

Entretanto, os tubarões não perturbariam os recifenses hoje se o fundo do mar e as condições do oceano local fossem diferentes. Nas Bahamas, onde a visibilidade embaixo d'água é fantástica, os tubarões raramente atacam humanos, porque eles, tubarões, os "enxergam" bem - enxergar aqui no sentido de perceber que não são seu alimento. Recife tem um mar de pouca visibilidade porque o rio Capibaribe despeja todo seu leito na região, comprometendo a clareza da água do mar de lá. Além disso, o fundo do mar em Recife é peculiar: um grande penhasco subaquático, que ainda próximo da costa leva a profundezas abissais, onde os tubarões gostam de buscar refúgio, vindo à superfície apenas para... se alimentar.

Num terreno próximo a regiões mais profundas, com água turva e intensa pesca (muitas vezes ainda de arrasto, desequilibrando a cadeia natural do ecossistema), os tubarões não conseguem identificar a presa com tanta clareza. Adicione a isso o fato de que a área onde eles buscavam seu alimento natural foi destruída, e o resultado desse caldeirão são tubarões com fome tentando sobreviver em áreas mais ao norte, próximo à boca de um rio, em baixa visibilidade: a receita perfeita para um "ataque".

Humanos não são parte da dieta de tubarões. Em geral, os ataques são reflexo de uma "petiscada" que o bicho dá em algo se movimentando na superfície da água que ele quer saber se é alimento. O problema é que, quando um animal enorme com uma mandíbula tão poderosa faz uma "provinha" do alimento, essa mordida única já é suficiente para causar sérias hemorragias e até matar um humano. Curiosamente, a maior parte dos ataques são mordidas únicas: ou seja, o tubarão, ao perceber que a carne é humana, larga a presa e não a devora por completo.

É claro, fica nítida a existência de um problema ecológico muito maior por trás de toda essa questão. E a empresa que gerencia o porto de Suape, um dos maiores responsáveis pela destruição do habitat natural dos tubarões em Pernambuco, se desculpa fracamente jogando a culpa na pesca de arrasto e na falta de recursos governamentais para resolver os problemas dos depejos orgânicos no mar. (Para mim, essa desculpa não cola muito.) Enquanto esse jogo de empurra vai rolando, pessoas continuarão a ser atacadas em Recife - principalmente as que mais frequentam o mar, os surfistas.

Há um intenso debate entre estudiosos de comportamento animal que dizem que o surfista em cima da prancha esperando pela onda quando visto por baixo se parece com uma tartaruga ou outro animal qualquer que o tubarão efetivamente atacaria, portanto o tubarão estaria "se confundindo" ao morder o surfista. É verdade que o surfista lembra mesmo uma tartaruga quando olhamos pra cima, e essa pode ser uma boa explicação comportamental de porque eles são "alvos" mais freqüentes, mas ainda acredito que o simples fato de eles estarem mais tempo na água não pode ser desprezado nessa análise: maior probabilidade de encontro com o bicho.

Mas outra percepção que eu gostaria muito que as pessoas tivessem também: o mar é a "casa" do tubarão. Ao decidirmos entrar na água do mar, precisamos estar cientes de que aquele não é o nosso ambiente natural - embora eu às vezes também pense que nasci pro mar, sei que é só uma viagem na maionese pessoal. Deveríamos entrar no mar sabendo que atitudes de respeito e informação são fundamentais para a boa convivência entre nós, humanos, e os demais "donos" daquela casa. Com uma postura assim, é menor a probabilidade de acidentes acontecerem.

Tudo de bom sempre aos tubarões do mundo.

Tubarao pacatoCurioso tubarao
Tubarao-marteloTubarao a passeio
Não são lindos? ;-)

P.S.: Nenhum dos tubarões retratados aqui pertencem às espécies que mais atacam em Recife: o tubarão-tigre e o tubarão-cabeça-chata.

UPDATE: Ainda no tema tubarões, deparei-me hoje com essa notícia: cientistas australianos tentam desesperadamente salvar tubarões e produzem um útero artificial para os animais. O "desesperadamente" não é de minha autoria, como vocês podem perceber no link. ;-)

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terça-feira, agosto 22, 2006

Passarinho

Passarinho morto

Sou passarinha fora do ninho: moro já há alguns anos fora do país - e meu conceito de país se torna cada vez mais etéreo. Estrangeira na terra alheia, tento na medida do possível me adequar aos costumes locais, aos choques que vêm pelo caminho, às intempéries da vida cotidiana. Em todos os lugares por onde passei, um denominador comum para a facilidade de adaptação: a ausência de violência urbana em larga escala. É fácil acostumar-se com a segurança. Poder sair de perto do seu ninho temporário sem a preocupação nas costas de voltar e encontrá-lo devastado por um vendaval ou sabendo ter grande chance de voltar vivo. É uma sensação libertadora.

E me pego pensando como devem se sentir os estrangeiros que moram no Brasil, nesses tempos de PCC no poder. De certa forma, eu só fui começar a entender o problema da violência pública brasileira depois de morar no exterior - digo "começar" porque acredito que nunca entenderei por completo questão tão complexa e cheia de meandros sociológicos. Foi preciso para mim estar fora da arena para começar a compreender porque esse pão e circo caótico e escandaloso não funciona: dentro da arena só ouvimos gritos.

Onde moro hoje há um nível de segurança pública inacreditável já para os padrões internacionais, impensável para brasileiros: basta dizer que o índice de assaltos em Seul, uma cidade-estado de quase 20 milhões de habitantes, é quase nulo (à mão armada, então, eu nunca ouvi falar). Pode haver um componente cultural por trás dessa realidade, afinal roubar é um ato de muita desonra para as sociedades orientais. Entretanto, essa segurança permite que as pessoas exerçam plenamente seu direito humano de ir e vir, e podem por exemplo se utilizar de qualquer maravilha tecnológica pelas ruas ou andar com a bolsa aberta sem a preocupação de ser vítima de repente por um assalto. Esse conforto, em geral comum em terra estrangeira, é uma das grandes forças motrizes por trás da minha opção pelo exterior. É fácil a uma andarilha sonhar com as benesses da liberdade.

Penso então de novo nos estrangeiros, acostumados a esse ir e vir urbano sem preocupações adicionais nonsense, como manter uma reserva de dinheiro separada pro assaltante (minhas primas fazem isso no Rio de Janeiro). Os estrangeiros que por escolha ou obrigação se vêem morando no Brasil do PCC... o que será que eles pensam disso tudo? Será que entendem? Eu consigo imaginar vários deles percorrendo os caminhos lógicos normais e vislumbrando soluções possíveis, "fáceis" - é interessante como a mente acostumada à segurança percebe facilmente os erros grotescos cometidos pela política de segurança pública brasileira. Soluções que infelizmente nunca chegarão a ser postas em prática. Porque não levam em consideração um elemento arraigado da nossa cultura: a quase-total impunibilidade do criminoso "peixe grande", o líder do cardume de pequenos peixes. No Brasil, o criminoso "de carteirinha" não pensa na lei que está transgredindo na hora de cometer o crime; não porque não queira burlá-la e se defender no caso de ser pego, mas porque sabe previamente que o sistema é tão danificado, tão corrupto, tão errado, que a probabilidade maior é de que ele saia sem punição da empreitada. Acostumou-se à não-punição institucionalizada, onde quem manda é quem tem mais AR-15s e não quem de fato é justo, e com isso o crime ganha o sentido de emprego.

Eu adoro o Brasil. Mas confesso que a situação do jeito que está me afasta muito dele. Fico triste que a situação tenha chegado ao ponto das pessoas meio que perderem o direito à vida saudável: andar na rua na hora que quer, usando o que bem entender, preocupadas apenas com os percalços da rotina - que já não são poucos em lugar nenhum do planeta.

Foi depois de viver no exterior que pesou em mim a triste realidade ao qual eu também acreditava estar excluída: o brasileiro acha que tem liberdade, que somos a pátria mais democrática e aberta do planeta, etc. mas no fundo, no fundo, vive na prisão mais cruel - a da insegurança impune. É passarinho sem asa, trancafiado em gaiolas urbanas, pronto para perecer.

A todos que vivem nesse dia-a-dia angustiado de violência e que não têm o direito de voar livremente: que um dia tudo seja bom... sempre.

Livre para voar

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Esse post faz parte da blogagem coletiva da Laura sobre violência e segurança pública no Brasil. Visitem os outros links para prestigiar essa temática importante sendo discutida na blogosfera brasileira.

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sábado, agosto 19, 2006

Dia mundial da Fotografia

Fotos retratam um mundo. Um simples clique pode ser o início de uma grande aventura, o congelar de uma realidade, o despertar de uma idéia, o revelar de um sonho. Ou simplesmente, uma memória eternizada. Fotos são vivas porque contam histórias, e o que o fotógrafo vê é apenas o início da história, a ele cabe a tarefa de compor um momento único perdido no tempo: o final dessa história cabe ao observador da foto.

Com essa perspectiva, hoje, no dia mundial da fotografia, posto aqui algumas histórias começadas, para vocês viajarem à vontade no final delas...

PescadorJacaré
À esquerda, um pescador se prepara para jogar sua rede ao mar. À direita, na boca do jacaré: "foge, foge!!"

Gueixa Pneus
À esquerda, uma gueixa posando para fotos num parque no Japão. O que será que pensa ela? À direita, viajando de trem, a casa-dos-pneus-no-telhado no interior de Taiwan. Quem será que mora lá?

VeadoReflexão
À esquerda, o veado aparece de repente na janela do carro. À direita, reflexos... de quê? (Por alguma razão surreal, acho que a Danicast vai gostar dessa foto...)

Tudo de bom sempre.

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Educação científica: pela divulgação eficaz

Gosto muito dos ScienceBlogs, uma iniciativa americana de blogs profissionais voltados apenas para o tópico "ciência", que abriga o blog de ciência mais lido do planeta, o Pharyngula. São 48 blogs (e crescendo...) nos assuntos mais diversos, de evolução a astronomia. Os ScienceBlogs estão agora entre os 100 mais populares do índice Technorati, e isso, para um assunto árido para muitos como ciência, pode ser considerado uma vitória.

Não temos uma iniciativa (mesmo amadora) como o ScienceBlogs na blogosfera lusófona - não tínhamos, melhor dizendo. Porque desde o início do mês está funcionando a ótima idéia agregadora da Ana: o "Roda de Ciência", um blog coletivo com contribuição de cientistas, jornalistas de ciência e interessados no tema, do Brasil e de Portugal. É o nosso cantinho virtual na língua de Camões para discutir assuntos da ciência. A proposta é: cada mês, um tema. E o tema desse mês de agosto é divulgação da ciência.

Interessantemente, há alguns dias li um post exatamente sobre esse tema no ScienceBlog da Janet Dr. FreeRide. Ela comentava lá sobre alguns problemas que a divulgação da ciência para não-cientistas apresenta, problemas que sem dúvida colaboram na transformação da ciência de assunto divertido (como eu vejo) para assunto chatérrimo e de nerd (como a maioria das pessoas vê).

O primeiro problema que ela vê (e eu concordo) é a passividade da audiência; para mim um reflexo direto da ausência de educação científica nas pessoas em geral. Nós simplesmente não aprendemos a pensar cientificamente na escola. Falo por experiência própria: minhas aulas de química, física e biologia restringiam-se a conteúdo, nunca à elaboração da hipótese, à experimentação para validação, a executar o método científico. E pior: apenas no meu último ano de faculdade fui exposta a ele, numa aula formal (disciplina optativa, ainda por cima!). Ou seja, corri o sério risco de me formar cientista sem saber o que era o método científico a fundo, praticando-o a esmo. Até eu me choco quando lembro disso.

E me choco mais ainda porque depois de perceber o que o "método" é (por favor, não confunda com o "método" de Marlon Brando para atuar!), percebi que já o usava há tempos para tudo na vida - não só para ciência. A Janet cita um exemplo muito legal de fazer um bolo na cozinha: você experimenta quantos ovos, quanto de açúcar, quanto de chocolate pôr na massa. Se o bolo fica gostoso, você chegou num resultado satisfatório. Se ainda não está bom, você continua testando, modificando variáveis: mais ou menos farinha? Menos açúcar? E por aí vai, até ficar do jeito que você quer. Com a ciência, é o mesmo: você testa diferentes variáveis de um sistema (o seu "problema" científico) até chegar no resultado satisfatório.

Mas em geral, as pessoas não entendem esse tipo de lógica experimentativa da "vida real" como parte da ciência. E aí, quando ouvem um cientista de verdade (de preferência de jaleco branco-Omo) falando (de preferência com um discurso bem hermético), intimidam-se e acreditam piamente no que ele fala, sem questionamento algum. As pessoas acreditam demais. Aí está o erro.

Quando qualquer pessoa fala - sobre política, por exemplo - quem está do outro lado da linha em geral ouve, e acrescenta intervenções, questionamentos, dúvidas, etc. Isso chama-se diálogo. "Ora, por que usar essa estratégia na campanha do fulano pra deputado?" E assim a conversa flui, a informação se difunde, é discutida e formam-se opiniões. Confesso que discutir ciência requer um pouco de conhecimento prévio básico, mas não tanto assim que impeça ao cientista de se esforçar para estimular a mesma reação no ouvinte/leitor que um assunto como política ou futebol suscita. Por que somos todos "técnicos de futebol" no Brasil, e não somos todos "cientistas"? Por que travamos um dílogo e não um diálogo com o não-cientista? Não no sentido "ir ao laboratório fazer o experimento e analisá-lo", mas no sentido entender a lógica por trás da notícia científica, de como o pesquisador atacou um problema, como resolveu, e as consequências de tal resultado para uma amplitude maior: a sociedade. É isso que eu sinto falta na divulgação: pessoas usando o próprio pensar científico como base do questionamento. Os cientistas não incentivam isso, os jornalistas de ciência parecem querer meramente narrar resultados sem incitar discussão, as pessoas não se educam a perguntar, e ficamos nesse jogo de zero a zero infinito.

Talvez devêssemos incentivar isso em nossas crianças, e colher os frutos de uma melhor divulgação daqui a alguns anos. A curto prazo, a solução ainda é a mesma: cabe ao cientista/divulgador da ciência tornar o assunto palatável aos olhos de um público que não foi educado cientificamente. Trabalho difícil, mas não impossível, que blogs como toda a leva dos ScienceBlogs (e espero nosso projetinho Roda de Ciência) mostram diariamente ser possível fazer.

Que venham mais blogs de ciência, que venham mais discussões científicas!

O futuro agradece.

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Amigos, esse é um cross-post: se quiserem comentar e entrar na roda de discussão da ciência, deixem seus comentários lá no Roda, não aqui na minha caixinha, ok? :-)

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quinta-feira, agosto 17, 2006

O Caminho do Pedro

Desde que o mundo é mundo as pessoas se deslocam para lugares diferentes, e os relatos de viagem são uma tentativa de eternização dos momentos únicos que vivemos na jornada. No passado, escritos em pergaminho. Hoje, em cybercafés. Muitos blogs nascem da vontade de relatar viagens de uma forma mais interativa - uma das razões para o meu mesmo foi essa. Fazer um diário de viagens "versão moderna e antenada", portanto, passa quase sempre pela criação de um blog.

Nesse estilo, acompanho no meu tempo livre diferentes relatos pela internet, onde em geral "viajo" com a pessoa. Alguns temporários, como o Rômulo, primo do Guto, que está desde maio percorrendo a América Latina de bike e contando tudo dessa aventura. Outros relatos são mais permanentes, como o do Luke, que vai todo ano para a Antárctica, e durante o resto do ano, como baleia migratória, visita outros mares e ares mais quentes se preparando pro próximo verão polar.

E quando um jornalista excelente e de ponto-de-vista equilibrado em outras esferas muito mais áridas se decide a fazer o mesmo tipo de relato de viagens, seu blog se torna imperdível no mais amplo sentido da palavra. E a gente pára pra ler sem piscar os olhos.

Eu já estou viajando com o Pedro Dória pelo Caminho de Santiago de Compostela. Convido todos a fazer o mesmo: pode não vender ou ter impacto do relato do Paulo Coelho, mas que vai ser muito mais bem-escrito, pode apostar que vai.

Tudo de bom sempre.

(A dica preciosa veio do Alfarrábio.)

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segunda-feira, agosto 14, 2006

Ser estrangeiro na Coréia do Sul

Hoje é feriado na Coréia do Sul, oficialmente o dia da Libertação, que nada mais é que a independência do país de seu dominador, o Japão, ocorrida há 61 anos. Interessante o uso da palavra "libertação" ao invés de "independência": tenho a impressão que "libertação" é algo mais forte, mais poderoso para o coreano, embora imagine que a independência seja a maneira política de expressar a libertação de um país antes subjugado a outro e que signifiquem no fundo a mesma coisa. Divagações linguísticas à parte, fato é que o espírito orgulhoso nacionalista coreano está em festa hoje, e é sobre ele que ultimamente o governo federal se debruça. Há muitos e sérios problemas em ser estrangeiro na patriótica Coréia do Sul.

E eu sou uma estrangeira em terras coreanas. Mas não posso falar muito pelo meu caso ímpar: sou brasileira (um país muito exótico aos coreanos, do qual eles têm pouco conhecimento e informação mínima em geral), cientista (uma carreira intelectual) e casada com um brasileiro - melhor dizer "casada com um não-coreano". Essas características reforçam a peculiaridade do meu status de estrangeira aqui, e percebo peculiaridades em quase todos os brasileiros que moram aqui, afinal não somos muitos (a embaixada tem registrado cerca de 300 brasileiros). Somos uma exceção, não a regra. Os demais estrangeiros que vivem em terras coreanas (a maioria) estão divididos a grosso modo em 4 classes:

- os coreanos expatriados (também chamados "coreanos étnicos", nascidos em outros países, com passaporte estrangeiro e que retornaram à Coréia para viver ou trabalhar);
- os militares americanos;
- os professores de inglês (englobando canadenses, neozelandeses, australianos e britânicos);
- os trabalhadores braçais (em geral, da China ou de países do sudeste asiático, como Vietnã, Laos, Filipinas, Camboja, etc. que procuram melhores condições de vida imigrando para um país mais "rico").

Nos dados oficiais, são cerca de 750,000 estrangeiros vivendo na Coréia (~1.5% da população coreana). Não sei exatamente como se dividem entre as 4 classes acima, sei apenas que 32,000 militares americanos estão na península, número já suficiente para gerar protestos frequentes em Seul e adjacências de coreanos com sentimento anti-americano, gerado pela situação política da península. Mas coreanos não nutrem apenas sentimento anti-americano.

Seul protesto 2Seul protesto 1
Um dos inúmeros protestos próximos à embaixada americana em Seul.

A Coréia do Sul é considerada um dos países mais hostis a estrangeiros do mundo. Embora eu não seja uma estrangeira "comum" porque não pertenço a nenhuma das 4 grandes classes acima, noto bastante a atitude de estranhamento perante os não-coreanos. As leis e regulamentações para estrangeiros são confusas (o que atrapalha os negócios das multinacionais), a dificuldade de comunicação do coreano é considerável, a diferença cultural entre eles e o mundo ocidental é abissal, e existe um grande sentimento de "homogeneidade" que eles prezam muito dentro do país.

(Parênteses: Os coreanos, quando o assunto é casamento, não gostam de misturar seu "sangue" com os de outras etnias. Entretanto, por alguma razão (preconceito, confucionismo ou ignorância mesmo) existe uma aversão grande em doar sangue, e os coreanos dependem de importar sangue para manter seus bancos, de diferentes países. Ironia da vida, quando o assunto é doença, o coreano literalmente mistura seu precioso sangue sem saber com o de outros povos. Um peso, duas medidas. Fim do parênteses.)

Para uma pessoa ser cidadã coreana, precisa ser filho de coreanos E nascer na Coréia. Se eu tivesse um filho aqui, por exemplo, ele não seria coreano - não existe o chamado jus solis. Dessa forma, nenhum estrangeiro, por mais adaptado que esteja, nunca chega ao status de cidadão - e há casos bizarros como filhos de cidadãos coreanos apenas nascidos em outros países mas que vivem aqui há décadas e são, perante a lei, "estrangeiros".

HomogeneidadeCoreanas
Onde melhor vemos a homogeneidade coreana: no metrô de Seul. Ao lado, duas amigas minhas que são "coreanas étnicas" - uma é canadense e a outra é americana. Ambas moravam na Coréia, são filhas de coreanos mas, apesar da descendência, não são coreanas perante a lei.

Esse rigor no que é "ser coreano", essa homogeneidade da raça, gera uma união no país de proporções inacreditáveis, característica aliás que ajudou a Coréia a pular de país pobre e subdesenvolvido para rico e desenvolvido em poucas décadas. Hoje, a Coréia tem uma economia forte, empresas reconhecidas no mundo todo (Samsung, Hyundai, LG,...), mas ainda não tem tanto espaço na mesa de negociações das nações ricas, porque, para ir além, para dar esse salto qualitativo nas relações internacionais, precisa de mais multiculturalismo, o elemento singular que gera criatividade e maior adaptação a adversidades em qualquer sociedade. Quanto mais diversidade, mais probabilidade de evolução - uma lei biológica que se expande nesse caso às sociedades. É a homogeneidade que agora navega contra eles, e que impede de certa forma que a economia coreana se destaque mais no âmbito internacional.

E com tantos estrangeiros aqui, o governo, que não é bobo, decidiu agir. E estão preparando uma série de regulamentações da imigração para a Coréia que vão trazer uma reviravolta na sociedade - como a definição do que é ser cidadão coreano. As novas regras ainda estão em caráter embrionário, sugeridas a diferentes esferas do poder, e o feriado da Libertação desse ano tem como principal temática a conscientização dessa necessidade de mais integração entre estrangeiros e coreanos. Só de ler jornais e entreouvir dos coreanos em suas conversas, já posso imaginar as consequências radicais que tais mudanças vão trazer. Para melhor ou para pior, não sei, só o tempo dirá.

Tudo de bom sempre.

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Viagem ao fundo do mar

Que viagem! Foi desenvolvida pela Marinha Americana uma vestimenta de mergulho - mais para equipamento que "vestimenta", mas deixa baixo - capaz de aguentar a pressão subaquática até 2000 pés de profundidade. Já pensou?

Daniel Jackson, o primeiro sortudo que foi a 2000 pés mergulhando (sem uso de submergível) disse sobre a "viagem":

“At 2,000 feet, I had topside turn off all the lights, and it was like a star show. The phosphorescence that was naturally in the water and in most of the sea life down there started to glow. When I started to travel back up, all the lights looked like a shower of stars going down as I was coming up. It was the best ride in the world.”

Eu acredito... e posso imaginar a adrenalina! :-)

De acordo com os pesquisadores, essa vestimenta será usada por mergulhadores para salvamentos e consertos em submarinos (ou seja, uso profissional). Mas já pensou se no futuro nós, pobres mortais, pudermos também ir a 2000 pés ver de perto as maravilhosas bizarrices do mundo biológico nas profundezas?

Que sonho!

Tudo de bom sempre.

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sexta-feira, agosto 11, 2006

Sobre viajar de avião

Voos

Imagino que a maior parte das pessoas interconectadas por algum meio de comunicação no mundo já devam estar a par das notícias recentes de que mais um plano terrorista de explodir aviões em rota internacional foi desconfigurado - dessa vez, pela Scotland Yard britânica, tendo como alvo aviões em rota para os EUA. Em um dos jornais que li (já não lembro mais qual) citava-se a "operação Bojinka" como possível inspiração al-qaedista para esse plano fortuitamente frustrado. Fui na Wikipedia atrás de informações sobre a tal operação, passada em 1995, para aprender e entender mais o contexto político-social (sugiro a leitura do artigo). Milhares de questões e reflexões surgiram na minha cabeça, nenhuma delas de fácil digestão. Analistas políticos, econômicos e históricos mais versados no tema provavelmente podem opinar melhor sobre o assunto.

Apesar das reflexões e questões que pairam no ar com toda essa balbúrdia sobre terrorismo, me peguei também utopizando no que vem pela frente em termos de viagens aéreas - principalmente internacionais. Para os viajantes de carteirinha, viciados em aeroportos e novas esquinas, adaptação é cada vez mais a palavra-chave. E adaptação à atividade "viajar" nos dias de hoje passa via de regra pelas questões de segurança pública.

Viajar já foi no passado remoto sinônimo de conquistar novos continentes, e a esses exploradores do passado, restam os louros e agouros da História. Com o advento do avião, viajar para terras longínquas passou a ser uma aventura mais acessível a um público maior. Tornou possível um ato quase de libertação: pôr uma mochila nas costas e ir, sem pensar demais em logística. Bons e românticos tempos, quando o avião era meramente transporte de sonhos... Tempos fadados à extinção em nosso mundo atual, cheio de fronteiras levantadas pelo terrorismo, realidade ironicamente sem fronteiras. Ainda há espaço para tais ímpetos, mas tornam-se cada vez mais raros os viajantes "puristas". Ser cidadão do mundo requer cada vez mais organização prévia, indo na contramão da filosofia do mochileiro despretensioso.

Eis que a ameaça terrorista de ontem em Londres reforça o mundo pós-11 de setembro, com sua premissa básica de que é necessária muita cautela e queima de neurônios antes de sequer pôr o pé-na-estrada. Avião ainda é transporte de sonhos, agora com pinceladas de pesadelo e sonambulismo. O viajante compulsivo hoje em dia padece, porque precisa pensar muito, em tudo, nos mínimos detalhes, desde a preparação de sua mala até as conexões mais apropriadas.

Criatividade e paciência andam cada vez mais lado a lado, viajando de chinelo (para evitar ter que tirar o sapato em cada revista policial) em malas cada vez mais compactas. Mas depois de anos quebrando a cabeça para se adaptar às diferentes regras dos aeroportos e encontrar uma fórmula mágica de como fazer uma mala funcional, que esteja dentro do peso permitido (e para burlar essa regra, passei a carregar os itens mais pesados na bolsa de mão), eis que um novo desafio surge a partir de Heathrow: agora a bagagem de mão pode vir a ser regulada de forma mais rígida do que já é. Sinceramente, dado o alarde e o contexto do mundo hoje, vejo essa hipótese de restrição máxima cada vez mais sendo a regra, e não a exceção. Apenas itens essenciais entrando no avião e principalmente, nada de eletrônicos. O que acrescentará novos desafios às empresas aéreas: como evitar a monotonia para o passageiro de longos vôos? Vejo com frequência cada vez maior em aviões turistas arrumando as fotos da viagem que acabaram de fazer em seus laptops (sem contar os executivos trabalhando e insones lendo livros), e se essas pessoas agora não podem passar o tempo assim, o que farão por 15 horas além de dormir (mal numa cadeira de classe econômica) e comer (almoço sabor isopor)? E como passar o tempo nas conexões em aeroportos sem muitos afazeres? Conseguirão as empresas aéreas, muitas já operando no vermelho, empregar mais funcionários necessários para tantas novas regrinhas?

Está claro que ao viajar de avião enfrentaremos cada vez mais obstáculos; portanto, a solução para continuarmos na estrada é realmente adaptar-nos. Itens proibidos, volume permitido reduzido, excesso de tempo ocioso em aeroportos, pouco dinheiro... a conspiração para que a pessoa desista de sua aventura não vai diminuir, muito menos desaparecer como homens-suicidas.

Bem-vindo ao pouco-admirável mundo novo das viagens de avião burocráticas.

Tudo de bom sempre.

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domingo, agosto 06, 2006

Terra que cai, terra que vai

Vocês lembram da trilha de lava do Kilauea (Hawai'i) em que a gente andou em fevereiro? Pois ontem um pedaço dela caiu no mar. Desapareceu. Terra levada pelas ondas do Pacífico.

(Ninguém se machucou durante o incidente, ainda bem.)

Mas o vulcão não pára de fazer mais terra na ilha, e nesse dinamismo tectônico em grau máximo do nosso planetinha, mais terra vai se formando, para repor a que se foi. Processo contínuo enquanto o Kilauea estiver ativo.

Nossas fotos de repente se tornaram efemérides de um pedaço de terra visitado que não mais existe. Melancólico.

Lava 1Lava 2
Lava 3Lava 4

Tudo de lava sempre. Enquanto lava houver.

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sábado, agosto 05, 2006

Propaganda é a alma do negócio

Estava eu outro dia distraidamente assistindo TV, quando um comercial me chamou a atenção. Era de uma bebida. Como entendo pouco de coreano, fiquei tentando imaginar o que aquela bebida seria. Teria álcool? Seria um suco? Ou um refrigerante? A propaganda mostrava uma jovem de biquini, na piscina de um resort de praia, num dia ensolarado, ao lado de vários drinks coloridos, e com a lata da bebida do comercial em mãos, deliciando-se ao matar a sede. Até aí, nada mais chavão de propaganda de bebida, imagino. Mas algo diferente estava no ar.

Ao ouvir o nome da bebida imediatamente dei uma gargalhada cultural (daquelas que outros povos não-lusófonos não entenderiam). Em alfabeto romano, escreve-se "CC"; em coreano, escreve-se "씨 씨". O problema é como se lê (e se fala!) isso em coreano: "Xixi". E a bebida é amarelada, numa latinha transparente. Exatamente igual ao conteúdo dos frascos de exame laboratorial.

A propaganda da marca de nome hilário no final das contas foi efetiva, pelo menos para mim, que nada entendi do que a garota dizia na TV. Assim que fui ao supermercado comprei 6 latinhas de "Xixi" para matar a vontade e a charada: é um refrigerante sabor limão. Tem também sabor maçã, cuja coloração é mais translúcida.



E não é que o "Xixi" coreano é gostoso? :D

Tudo de bom sempre.

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sexta-feira, agosto 04, 2006

Pequenas anotações de viagens virtuais 13

UPDATE: A Ana Maria Brambilla, jornalista do OhMyNews, escreveu um artigo sobre os brasileiros que moram na Coréia do Sul. Desnecessário comentar: basta abrir a reportagem e a foto de abertura já indica quem foi uma das entrevistadas... O artigo está bem interessante, apenas um adendo: na entrevista original, eu coloquei que sentia saudade da coxinha de frango com catupiry, que foi traduzida para inglês como... chicken with cheese! Nããão!! Vacilo meu, sem dúvida, que deveria ter previsto que edição de jornal iria cortar palavras "exóticas" demais e substituir por algo mais palatável ao leitor. Enfim. O OhMyNews é um jornal peculiar, que pratica o chamado "citizen journalism", ou seja, as reportagens são escritas por cidadãos comuns e passam pelo crivo editorial de jornalistas profissionais - como a Ana. Um modelo único no mundo, e bastante de vanguarda. É bem lido aqui na Coréia, e um dos responsáveis pela proliferação de notícias entre jovens do país. Parabéns pela reportagem, Ana!

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Stephen Frink é considerado por muitos especialistas o melhor fotógrafo sub da atualidade. Vencedor de inúmeros prêmios, viajante dos mais diversos recantos, fundador da UnderwaterStockPhotos.com (renomada agência de fotos marinhas, conhecida no meio sub como Stephen Frink Collection), recentemente escreveu um pequeno texto sobre uma faceta de ser fotógrafo sub muito relaxante. Empolgante também.

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"Aquecimento global é uma realidade." Quem diz isso interessantemente é o autor de um artigo muito usado como base argumentativa pelos que negam a existência desse fenômeno meteorológico - como o escritor Michael Crichton - num editorial do NYTimes. Enquanto isso, o site que coordena a Skeptical Enquirer publicou um artigo do afiado Chris Mooney sobre como os jornalistas reportam (ou deveriam reportar) para o público geral as notícias relacionadas ao aquecimento global. Uma análise crítica construtiva excelente, mostrando muitos pontos de entrave. Deveria ser leitura obrigatória para jornalistas de ciência.

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Já ouviram falar de esfriamento global? Uma outra faceta do mesmo problema de aquecimento, dessa vez envolvendo a poluição produzida pelos aviões em que viajamos pra cima e pra baixo.

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E já que o assunto são esses tempos modernos de temperaturas extremas, li um artigo da National Geographic esses dias mais preocupante ainda, cujo título já diz tudo: "As grandes cidades causam as tempestades de verão mais fortes que as vêm assolando." Onde iremos parar?

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Na mesma National Geographic, uma descoberta interessantíssima para lava junkies como eu gostaria de ser: uma nova categoria de vulcão foi descoberto no Pacífico, o petit spot, presente em fissuras pequenas de placas tectônicas longe das áreas de fricção ou tensão das bordas das placas. Mais um acréscimo aos livros didáticos de geografia.

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Ulaan Bataar, capital da Mongólia, é considerada a capital mais "feia" do mundo. (Por quem? Onde acho essa lista?) Mas até lugares "feios" têm seus recantos e relatos de belezura para viajantes de mente aberta...

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O bate-papo fértil da caixa de comentários do post sobre óleo com o Camburizinho se tornou a minha mais nova viagem na maionese pessoal: Antárctica. Comecei a fuçar, ávida por informações. Achei desde exposição online na forma de blog (termina dia 31/agosto, aliás) até um post bem didático do World Changing sobre a invasão de espécies no continente gelado. Vale conferir.

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A notícia coreana da semana diz respeito à religião. Um grupo de coreanos cristãos evangélicos (incluindo 600 crianças) estava procurando sarna pra se coçar e resolveu participar de um "Festival da Paz"... em Cabul, no Afeganistão, um país islâmico radical, em guerra e sendo ainda construído. Antes de embarcarem, o governo coreano aconselhou-os a não ir, mas como o grupo religioso se mostrou incisivo em sua decisão, o governo coreano decidiu isentar-se de qualquer responsabilidade se algo acontecesse. Pois aconteceu. Muitos estão retidos na Índia, mas os que conseguiram entrar no Afeganistão estão ameaçados pelo governo afegão, que nada satisfeito com a invasão de cruzes cristãs em suas mesquitas, decidiu deportar e processar por "evangelização", uma ofensa aparentemente gravíssima no país islâmico, todos os coreanos que por lá apareceram para a tal passeata da paz. Já pensou se a moda pega?

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Dunas de Mangue SecoMangue Seco

Dunas são enigmas. Ainda me pego boquiaberta quando me vem à memória as de Mangue Seco, que visitei em 2003; sonho com o que sentiria se visse as da Namíbia, de 300m de altura. Mas, apesar de achá-las misteriosas, nunca havia pensado nessa questão quase-filosófica: por que as dunas soam como música? Agora há resposta para mais essa curiosidade. Haja areia na maionese.

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E falando em dunas, as do deserto considerado o mais espetacular existente foram registradas por um dos fotógrafos mais competentes do planeta: Sebastião Salgado. Ano passado, eu publiquei um post em que comentava sobre o novo projeto fotográfico de Sebastião Salgado, chamado Genesis. Hoje, depois de muitos meses, revisitei o site do Guardian sobre o projeto, e que surpresa maravilhosa! Salgado esteve com os índios do Xingu e também no meu lugar dos sonhos impossíveis: o deserto da Namíbia. Algumas fotos dele da Namíbia foram feitas sobrevoando a área num balão e estão simplesmente deslumbrantes. A minha predileta é essa aqui. E essa. Salgado é mestre da fotografia, sem dúvida.

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Já que o assunto é Namíbia, fica a dica do blog da Clarisse Cunha, que está morando por lá e conta histórias e perspectivas incríveis sobre esse país tão desconhecido e misterioso: Transitórios. (A bela sugestão veio do Tiagón.)

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Tudo de bom sempre.

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