Uma Malla pelo mundo Interney.net/blogs/malla

terça-feira, outubro 31, 2006

Nos bastidores do Shell Wildlife Photographer of the Year

No mês de outubro (que já está em seu último suspiro), o tema de discussão no Roda de Ciência foi "Relação entre Ciência e Arte" - essa encruzilhada tão intangível para muitos cientistas e tão necessária para o entendimento do público leigo sobre ciência. Embora eu particularmente tenha passado o mês inteiro viajando "a lazer", de certa forma o motivo que me levou a Londres tem a ver exatamente com a interrelação sugerida pelo tema do Roda, e aproveito a coincidência para pedir licença ao Roda e explorar alguns aspectos pessoais que vivenciamos, questionamos, aprendemos, nos deparamos a partir do momento que André soube que havia vencido o Wildlife Photographer of the Year 2006.

Aliás, soubemos dessa novidade em junho, quando estávamos na Coréia - ele tinha acabado de chegar de mais uma expedição nas Ilhas Marshall. É óbvio, a alegria foi enorme, indescritível, e a comemoração teve que ser silenciosa, devido ao embargo para a imprensa estabelecido pelo Museu Britânico - fiquei explodindo de vontade de contar pra todos, mas não podia, que tortura. Ao vencer uma categoria, André imediatamente concorria ao prêmio máximo, que é o Wildlife Photographer of the Year mesmo e que só é conhecido na hora da entrega dos demais prêmios - essa alegria terminou indo para o sueco Göran Ehlmé pela foto de uma morsa se alimentando de sedimentos numa região da Groenlândia. Ele levou 10 anos para conseguir a imagem, e é uma foto definitivamente única no mundo, do comportamento de um animal difícil por si só de ser fotografado, e pouco entendido pela ciência. Merecido o prêmio - embora tenha havido controvérsias nos bastidores: muitos não gostaram da qualidade fotográfica em si da imagem, ou seja, da arte. Nesse caso, podemos de certa forma dizer que a ciência falou mais alto na hora da decisão do júri, já que o comportamento animal foi mais relevante que a beleza artística ("a foto é muito verde e ciano, tem áreas desfocadas em demasia, o canto superior direito é espaço morto indesejado, e se fosse qualquer outro animal ali, a foto seria considerada ruim para envio, etc." - essas foram as frases mais entreouvidas à boca-miúda e captadas pela minha parabólica pessoal na semana de atividades do Museu).

Goran e sua morsaMorsa vencedora
O fotógrafo Göran e sua controversa morsa premiada, ao lado. Na foto, ele conversa com o CEO da Shell.

Mas vejo por outro lado: no momento em que a ciência é preponderante num concurso de Fotografia tão reconhecido mundialmente, acho que o objetivo pragmático da arte (pelo menos aquela que se pretende a tangenciar com a ciência) foi alcançado. A arte como veículo de aprendizagem da ciência: não é isso que boa parte dos cientistas esperam? Parabéns ao simpático fotógrafo, que trouxe a desconhecida etologia da morsa para as páginas do noticiário mundial.

***************

Voltemos ao prêmio em si. O Wildlife Photographer of the Year deste ano gerou também um outro tipo de controvérsia, esta muito mais relacionada à política de conservação do ambiente: o patrocinador.

Percebemos indícios iniciais dessa controvérsia ao chegarmos no dia da cerimônia de premiação ao Museu de História Natural Britânico. Ao sairmos do metrô, vestidos elegantemente, nos deparamos na porta do museu com um grupo de ativistas ambientais do Friends of the Earth (alguns fantasiados de animais ameaçados de extinção) nos saudando com panfletos e frases irônicas/ácidas sobre a presença da Shell como patrocinadora do evento. Protesto pacífico, e de certa forma, com razão.

A Shell, uma empresa petrolífera, já esteve envolvida (dados do Friends of the Earth) em diversos acidentes ambientais que prejudicaram a vida selvagem de ecossistemas pristinos e de comunidades locais que dependiam desses recursos para subsistência. Uma demonstração de atitude nada ecológica. E de repente, a empresa, para tentar melhorar sua imagem, decide patrocinar o prêmio mais importante de Fotografia da Vida Selvagem - a mesma vida que ela acidentalmente ajuda a destruir ao longo do tempo de sua existência. Contraditório, não? Até o CEO da Shell, em seu discurso de abertura da Cerimônia de Premiação, confessou estranhamento nessa dicotomia difícil de engolir. Mas, é claro, a história é mais reveladora que as desculpas ambientais do discurso dele.

Esse foi o primeiro ano em que houve protestos contra o patrocinador do concurso - não contra o concurso em si, que todos entendem unanimemente como uma oportunidade fundamental de divulgação da vida selvagem, acima de qualquer suspeita. E, claro, foi o primeiro ano da Shell nesse papel. Como sabemos que o orçamento necessário para a organização de um concurso desses não é nada baixo e também sabemos que a fotografia é uma arte já menosprezada pela maioria do público e que precisa de incentivos como esse para sobreviver dignamente, fomos atrás de mais informações: perguntamos diretamente à diretora do Museu Britânico, responsável pela organização desse concurso há mais de 20 anos. E a resposta dela nos surpreendeu deveras.

Por muitos anos no passado, o patrocínio para o evento veio da British Gas, também uma empresa petrolífera, "destruidora do ambiente". Aparentemente, a British Gas possui uma melhor reputação frente aos grupos ambientais (Menos desastres? Mais programas de auxílio?), já que nos anos anteriores jamais foi cogitado protesto algum mesmo sendo também uma petrolífera a patrocinar tal evento. A única alteração foi mesmo o nome da empresa patrocinadora. Porque a indústria do petróleo, uma das mais ricas do planeta, já auxiliava há anos a competição, e com isso amenizava sua propaganda negativa de causadora de desastres ecológicos. E por que então os grupos ambientais estavam calados no passado, e esse ano apenas, resolveram agir? Essa pergunta ainda me incomoda, porque imagino que a resposta possa trazer à tona um double standard perigoso para os grupos ambientalistas, que tanto prezo por sua luta valiosíssima pelo bem-estar do planetinha azul e de seus habitantes. Fica o mistério.

*****************

A cerimônia de premiação aconteceu numa quarta-feira, no Dinosaur Hall do Museu de História Natural de Londres. Essa sala principal do Museu estava toda modificada, com luzes vermelhas e amarelas, e uma cortina de "céu" ao fundo, para dar a sensação de universo àquele momento. No dia seguinte, revisitei o local, e nostalgicamente percebi que havia vivido um momento de sonho. Olha o contraste:

Dinosaur Hall - WPOY 2006Dinosaur Hall de dia ©
À noite, com as mesas para a festa sob a cauda do dinossauro. De dia, como os visitantes vêem - que já é impressionante.

******************

Explicando a tartaruga
Momento de explicação das fotos em exposição. O contato direto com a imprensa e com os profissionais da fotografia teve uma constatação interessante para a vida selvagem: saber bem a ciência do que se fotografa é crucial para o sucesso do seu clique.

E na quinta de manhã, houve a abertura oficial da Exposição Fotográfica do Shell Wildlife Photographer of the Year (que correrá por alguns países do mundo e infelizmente não virá ao Brasil) para a imprensa. Ficamos a manhã inteira e parte da tarde conversando com fotógrafos renomados e profissionais da National Geographic, BBC Wildlife, Getty Images, jurados do concurso, enfim, um festival de papos agradáveis. Mas também um assunto triste em comum em quase todos: o quão irreversível pode estar a situação da natureza em nosso planeta. Para a maioria dos profissionais tarimbados que lidam com vida selvagem no seu dia-a-dia, são claros os indícios de que algo não vai bem nos ecossistemas do mundo inteiro. O próprio vencedor geral, Goran, nos disse que as morsas costumavam aparecer num certo mês na Groenlândia, e que de uns tempos para cá, têm vindo cada vez mais cedo, provavelmente devido (adivinhem?) ao degelo da região - provocado pelo aquecimento global, é claro. Lamentável. Será que ainda há como negar que o planeta está pedindo socorro? E a pergunta mais importante que todos se faziam era a mesma: como podemos agir para amenizar os percalços naturais que vêm por aí? Como será que a arte da fotografia pode auxiliar na construção de um mundo melhor, no aumento da conscientização pelo meio ambiente, na disseminação do conhecimento científico sobre o ambiente que vivemos? Como integrar arte e ciência em benefício do futuro?

Foca fofa!
Foca saindo no gelo, foto de Baard Naess que ficou em segundo lugar na categoria "Animal portraits". Eu amei essa foto, que simbolicamente mostra apenas uma saída de respiro ao animal para sua sobrevivência: questionar o humano que a olha. Demais, não?

****************

Young wildlife photographer of the yearVote!
Foto do "Fotógrafo Jovem de vida selvagem" do ano - e a foto vencedora dele atrás. Rick Stanley, de 17 anos, já mostra virtuose com a lente, nesse clique de uma perereca sendo predada por uma cobra. De certa forma, o prêmio é um incentivo à juventude: pare e olhe o ambiente natural ao seu redor, porque ele ensina sobre a vida em diversos âmbitos. Ao lado, a cabine de votação popular das imagens prediletas na exposição - é possível votar online também.

**********************

Além de conversar com pessoas, nessa manhã de "encontro com a mídia" tive mais tempo para admirar melhor as fotos vencedoras desse ano. Difícil escolher qual a mais bonita, e imagino o trabalhão que os jurados tiveram para selecionar entre as 18,000 enviadas aquelas 80 que ali estavam expostas como as melhores do mundo. O cd que ganhei com todas as fotos do concurso me permite mostrar apenas 5 na internet sem pagar - e escolhi para publicar aqui as 5 que me marcaram mais (quem quiser ver as demais, dê uma passada pela galeria online do Museu, vale a pena). Ei-las:

Geometry of desert. Sossusvlei and the plain Deathvlei, Namib desert, Namibia. EOS 1d markII, 24-70 mm/2.8
1) Precisa explicar? Eu, que sonho em visitar a Namíbia exatamente por causa do deserto, delirei ao ver essa foto de Bernard Van Dierendonck, vencedora da categoria "Wild places". Essa duna vermelha... parece até uma pintura, não uma foto! Fantástico.

The tree in the forest
2) O autor dessa foto, o sueco Jocke Berglund, estava sentado na mesma mesa que a gente durante a cerimônia de premiação. Apesar das poucas palavras, ele trouxe uma forte mensagem com sua imagem vencedora da categoria "The world in our hands". A foto é do trabalho de limpeza por caminhões de uma clareira aberta por um furacão numa floresta sueca. Vista de cima, a foto fala por si: é a esperança sob a forma de uma árvore. A foto mais tematicamente impactante da exposição, em minha opinião.

African Leopard Skin
3) Confesso que fiquei impressionada com a força do olhar dessa onça desse leopardo (obrigada, Fabricio!) já morta, virada tapete e encontrada por Alessandro Bee à venda numa loja da Tanzânia. Ela parece pedir socorro. A foto ficou em terceiro lugar da categoria "The world in our hands".

Behind Dew Drops
Levou um tempo para eu entender o que era essa foto. Já havia conversado com o fotógrafo Juhani Kosonen e seu filho na noite de terça, num pub onde os vencedores se reuniram para o warm-up da festa, e sabia o tema da foto. Mas só depois de vê-la é que entendi a genialidade do clique: são gotas de orvalho numa janela. Algo tão simples retratado de forma tão esplêndida: merecidíssimo o primeiro lugar na categoria "Creative visions of nature".

Coconut Crab, Aldabra
Outro exemplo de simplicidade genial para revelar um comportamento. O caranguejo-côco fotografado em ação: subindo coqueiros. Mas a composição da foto é tão linda e simples que estonteia a gente. A foto é de Jan Vermeer e venceu a categoria "Animals in their environment".

********************

Constatação randômica: Apenas uma mulher premiada com o terceiro lugar numa categoria - sinceramente, custo a entender por quê, já que em geral mulheres tendem a ser mais pacientes, e fotografar vida selvagem requer toneladas dessa virtude. Uma das juradas com quem conversei quer incentivar mais mulheres a submeter fotos ao concurso - só não sabe ainda como. De acordo com ela, 80% das fotos submetidas são por homens. Dado interessante.


*******************

WPOY 2006 pub ©Pub WPOY 2006 ©

Como tudo que se preza na Inglaterra, a festa da fotografia selvagem terminou... num pub. Mais chavão britânico, impossível. Cheers!

Tudo de bom sempre.


P.S.: Esse post é parte das discussões no Roda de Ciência. Quem quiser comentar por lá também e enriquecer as discussões, as palavras são bem-vindas.

Marcadores: , , , ,

terça-feira, outubro 24, 2006

Uma tarde em Londres

Enquanto meus relatos continuam atrasados dada a quantidade de afazeres na capital britanica, deixo voces com o link (com fotos!) da minha amiga Ale, que tive o imenso prazer de conhecer no sabado, depois da entrevista online do Andre no Museu de Historia Natural (que foi um barato, alias), e com quem passamos uma tarde deliciosa a bordo de um barco no Tamisa, e quando pude por um peh de cada lado do meridiano de Greenwich, realizando um sonho de crianca. Valeu, Ale! E valeu, Stu! :)

Tudo de bom sempre.

Marcadores: ,

quarta-feira, outubro 18, 2006

Wildlife Photographer of the Year 2006

Releia esse post.

Agora olhe para a foto abaixo (que pode ser vista em maior resolucao aqui).

Turtle grooming

Voces estao olhando para a foto vencedora da categoria "Animal Behaviour - Other animals" do concurso Shell Wildlife Photographer of the Year 2006, simplesmente a maior e mais conceituada competicao de fotografia de vida animal que existe no planeta. Eh com exacerbado orgulho que anuncio que, entre mais de 18,000 fotos enviadas para a competicao, o meu fotografo predileto venceu em primeiro lugar uma das 14 categorias, a de "Comportamento Animal - Outros animais" (jah eh interessante demais que haja comportamento animal - mamiferos, e comportamento animal - aves, mas nao de repteis ou peixes... mas isso eh discussao pra depois), estando portanto entre as melhores fotos de vida animal deste ano. O premio eh uma iniciativa do Museu de Historia Natural de Londres e da BBC Wildlife Magazine, dois nomes importantes em projetos de divulgacao cientifico-ambiental. Felicidade eh pouco: estou em extase de alegria nesse momento.

*******************

No sabado, a exposicao de todas as fotos vencedoras abre ao publico na Inglaterra, e estarah em tour por varios paises em paralelo (nao sei se Brasil estah incluso). Hoje a noite vimos a exposicao, em solenidade formal de premiacao cheia de glamour, num dos lugares mais incriveis para tal evento: o Dinosaur Hall do Museu. Jantavamos olhando para o esqueleto fossil de um Diplodocus iluminado brilhantemente em tons de vermelho! Uma verdadeira emocao, indescritivel, indecifravel, inimaginavel.

A exposicao receberah a visita solene da Rainha da Inglaterra, aparentemente quando ela agendou uma visita a Estonia - e a exposicao vai para lah tambem, a visita real farah parte das solenidades nesse pais, pelo que eu entendi. E eu me pergunto: serah que a Rainha tem predilecao especial por tartarugas marinhas? ;)

No sabado, ao meio-dia e as 2 da tarde (horario de Londres, GMT), Andre estarah sendo entrevistado no programa Nature Live ao vivo pela internet, sobre a foto, a premiacao e tudo o mais. O programa chama-se "Behind the lens - Wildlife Photographers", acontece de 21 a 25 de outubro - mas a entrevista de Andre eh no dia 21. A entrevista eh aberta ao publico para perguntas, portanto, a quem interessar, liguem seus botoes de internet nesse site.

********************

Londres eh uma festa!

Tudo de bom sempre aos dedicados fotografos de vida selvagem que se esmeram nos recantos do planeta.

Marcadores: , ,

sábado, outubro 14, 2006

London London

Antes de mais nada, obrigadíssima a todos pelos recados delicados e gentis deixados no post de aniversário do blog. Fiquei emocionada com todos, e embora não os tenha respondido ainda, tenham certeza que fiquei lisonjeada com cada palavrinha que li. Reforçam a certeza de que criar o blog foi uma idéia aconchegantemente recompensadora, e isso, na atual conjuntura, é impagável.

Nessa semana afastada do mundo virtual e no meio de tanta correria real, eu e André tivemos também a oportunidade de conhecer mais 2 (ex)blogueiras queridas: a Pat Kohler (do antigo Striptease Cerebral) e a Gabi (do antigo Pega na Grandona), além do neo-blogueiro Tuca numa noitada onde a Viva também estava presente na capital paulistana. Foi uma delícia, e a Pat é mais legal e humana ainda ao vivo do que seus textos antigos mostravam. Galera, valeu pelo encontro delicioso!

Mas agora, é preciso que a Malla volte à estrada, e pela primeira vez na vida, visitarei a capital da monarquia mais famosa do mundo. Esperem relatos assim que os zilhões de afazeres permitirem e eu retornar a uma base internética em algum lugar do planeta. O motivo que me leva à metrópole londrina é tão nobre quanto a própria realeza (pelo menos, para mim), e na semana que vem vocês vão saber o que é. Até lá, deixo a curiosidade de todos viajarem à vontade.

Tudo de bom sempre.

Marcadores: , ,

segunda-feira, outubro 09, 2006

2 anos viajando com a Malla pelo mundo

Quem diria. Já se passaram 2 anos desde que eu comecei a rascunhar minhas idéias e viagens na maionese nesse espaço. Vale aquele chavão: como o tempo passa rápido.

Tenho andado sumida, eu sei, mas não poderia deixar de escrever uma notinha que fosse celebrando o aniversário do meu bloguinho querido. No ano passado, nessa data, anunciei a criação exótica do prêmio Malla Bloggel, uma paródia ao prêmio Nobel, que é revelado anualmente nesse período também (parênteses: que lindo para a biologia molecular o Kornberg Filho ganhar o Nobel de Química esse ano na mesma área que o Kornberg Pai ganhou na década de 50, não? Eu delirei ao saber! Fim do parênteses). O Malla Bloggel destaca as aventuras bloguísticas mais interessantes acontecidas no "Uma Malla pelo Mundo" no ano que passou - ou o contrário, aquelas que me fizeram passar vexame ou cara de ponto de interrogação, na internet e/ou na vida real.

O dia é de comemoração, então vamos começar a festa: na passarela, os "vencedores" do Malla Bloggel 2005-2006!


1) Economia

Eu realmente não esperava tamanha repercussão quando decidi avaliar a ciência por trás da indústria de cosméticos - e que tem um contraponto interessante nesse outro post (os títulos são propositalmente invertidos), que em tese deveria ter sido publicado em seguida, mas devido ao randomismo mallístico, terminou separado por alguns meses. Mas "A ciência da beleza" é um dos posts mais populares nos bastidores desse blog, e é denso em dados econômicos, mesmo sabendo-se que economia não é o meu forte. Uma boa surpresa e recompensa para mim, que levei 6 meses angariando as informações que distribuí naquele post. Valeu a pena.

Por outro lado, apesar de antropológico, o post "Casamento na Índia" reflete uma realidade que pode vir a influenciar em demasia a política econômica dessa grande nação asiática. O futuro nos dirá se a Índia chega ao tão almejado título de país desenvolvido apesar da sociedade de castas... Esperar pra ver.

Mas a melhor discussão ecológico-econômico-política de uma caixa de comentários foi suscitada pelo post "Corrida por óleo", quando meu amigo Camburizinho desfiou seu conhecimento profundo sobre as questões da Antárctica, ensinou à beça e enriqueceu esse blog com uma opinião de quem já esteve lá, valiosíssima para mim e para qualquer um aficionado em viagens. Simplesmente fantástico.


2) Medicina

Não há dúvida. Todas as viagens na maionese envolvendo diabetes e avanços relacionados a ela merecem o prêmio de Medicina. Foram 3 os posts principais, e que estão entre os mais acessados aqui do blog: "Algumas colocações sobre diabetes e afins", feito para celebrar o dia mundial da Diabetes e carro-chefe de uma blogagem coletiva sobre a data; "Insulina nasal no mercado", uma análise do primeiro momento de euforia após a liberação pro mercado da insulina nasal; e "Gravidez e diabetes - qual o perigo?", um post que fez parte da blogagem coletiva do dia mundial de luta contra a mortalidade materna organizada pela Denise. Os 3 posts dividem o prêmio, porque englobam o mesmo problema médico que é, para mim, tão fascinante estudar.


3) Literatura


Nesse ano que passou, infelizmente fiz poucas análises de livros por aqui, e o post premiado é um dos poucos que existiram nessas paragens sobre o tema: "Viagens em torno do DNA" - que aliás, contém a republicação de um post filosófico sobre o DNA de 2004. Categoria muito provavelmente fadada à extinção em terras mallísticas, dada minha inapetência para a crítica literária.


4) Política

Só deu Coréia - por que será? As sandices nucleares do Kim do Norte, a disputa com o Japão por Dokdo, o mico das células-tronco do prof. Hwang, e as observações político-econômicas de ser um estrangeiro na Coréia do Sul merecem dividir o prêmio Malla Bloggel de Política, um tópico aliás que não é meu forte, mas que de vez em quando me arrisco comentando.


5) Popularidade Google


Essa é uma categoria interessante, porque a popularidade das buscas quase nunca reflete os meus posts prediletos, ou aqueles que eu imaginaria fazer sucesso na ferramenta de busca. Até o final do ano passado, o post de Dubai estava bastante cotado, talvez pela enxurrada de reportagens na mídia sobre o Emirado Árabe. Mas aí chegou o verão, e com ele a busca por informações sobre praias - e o post mais buscado passou a ser o que comenta sobre as 10 melhores praias, do Brasil e do mundo. Em maio, minha febre everestiana terminou trazendo muita gente para cá quando foi anunciada a tragédia com Vítor Negreti. E, mostrando que há uma certa sazonalidade blogueira, já era setembro desse ano, quando outro post advindo de notícias de jornal teve audiência máxima na história desse bloguinho, ultrapassando qualquer um dos anteriores: o post sobre "Arraias e a morte de Steve Irwin", sem dúvida alguma vencedor absoluto na categoria popularidade Google desde que foi publicado.


6) Fotografia


Esse blog é recheado de fotos exclusivas, de nosso acervo particular, e essa é uma característica que faço questão de manter. São, aliás, uma das maiores vias de chegada de pára-quedistas googlistas neste recinto. Mas para presentear o ano e o meu "cientartista" predileto, acho que o desenvolvimento do site da ArteSub foi um marco na nossa rotina caseira, e dessa forma, o post que divulga o site fica com a premiação de melhor fotografia do ano. Visitem a ArteSub sempre, sempre. E obrigada aos amigos Allan, Manu e Alessandra pela divulgação carinhosa que fazem em seus blogs.


7) Filosofia do mundo

No ano da Copa do Mundo, pude divagar sobre o evento esportivo e chorar com os brasileiros a derrota fatídica. Que não me desanimaram para a próxima investida - afinal, filosofia viajante é procurar se adaptar sempre às novas idéias que vêem por aí. E a nova idéia mais legal deste bloguinho que surgiu nesse segundo semestre foi a criação do Roda de Ciência, um espaço de discussão e divulgação científica, com posts mensais sobre um único tema vistos sob a ótica de diferentes autores (cientistas, jornalistas ou interessados no assunto). Acho que participar do Roda é uma iniciativa instigante para aumentar o ruído de ciência no mundo virtual, e isso, querendo ou não, é uma forma de melhorar o status quo.


8) Visita ilustre


Foram inúmeras as visitas marcantes que passaram pelo blog e foram registradas pelo Sitemeter. Mas nenhuma me deixou com mais cara de ponto de interrogação que um belo dia quando um visitante chinês apareceu (o único até agora) - dada a censura governamental por aquelas bandas ao blogspot, o fato de um chinês ter conseguido acessar a minha página me deixa até agora intrigada. Como ele fez? De acordo com o Sitemeter, ele não veio de um proxy. Mistérios que nem Freud explica...


9) Pior título de post


Quando publiquei esse post, era uma inocente completa do significado da palavra suja em seu título. Foi preciso receber o email de um amigo me explicando exatamente o significado implícito e pejorativo que jamais sonhei para tal post. Um descuido advindo da minha ingenuidade, e que ganha o prêmio de maior furo deste blog num título de post. Deixo a vocês a averiguação do fato.


10) Melhor viagem real relativamente longa


Foram muitas esse ano, e todas maravilhosas. Seattle foi uma descoberta e tanto, Portland recheada de surpresas e rosas; entretanto, a escolha é fácil, porque a melhor viagem foi aquela que me deu a maior emoção da vida: meu casamento havaiano. Ah, Hawai'i... Viagem especialíssima que virou vários posts: Kauai e o deslumbre da Na Pali Coast, Hilo e seus arredores vulcanicamente quentes ou verdes, Kona, indo e vindo, pé na estrada ao redor da Big Island do Hawai'i. A viagem mais inesquecível da minha vida, e ponto final.


11) Melhor viagem real relativamente curta

Foram outras tantas. Mas as mais emocionantes são em geral as de última hora, inesperadas. E nesse quesito, duas viagens curtas se destacaram, ambas de fim de semana e decididas na sexta-feira à tarde: a visita ao Parque Nacional de Seoraksan durante o outono, e a ida há poucas semanas a Gyeongju, a cidade-sede da dinastia Silla. Foram as minhas prediletas do ano que passou.


12) Viagem na maionese

Outras tantas. Afinal, minha especialidade é ficar divagando sobre assuntos aleatórios - ou não. Continuo muito apaixonada por tubarões e outros animais marinhos, apesar da ameaça existente a eles. Mas acho que uma das viagens mais maionesísticas que publiquei foi essa análise sobre... coração de girafas. Será que há alguma dúvida do meu amor pela Biologia? (Ou será que merecem o prêmio a esquisitice da neve (e da poeira) amarela na primavera coreana? Vocês decidem.)


13) Onde fica?

Uma das delícias de botar o pé na estrada é descobrir recantos ignorados ou desconhecidos pelos demais - ou ver os mesmos lugares de sempre com outros olhos, mais inquisitivos e abertos. Desses recantos ignorados, uma viagem nostálgica foi a feita a Raul Soares, em Minas Gerais.

Outro recanto desconhecido desbravado aqui no blog foi o atol de Ailuk, nas Ilhas Marshall, com um projeto de educação ambiental primoroso e um ecossistema riquíssimo de fazer sorrir qualquer ecólogo. Merece o prêmio de mais remoto de todos.

E eu não poderia deixar de fora nesse quesito a viagem à Palau, que rendeu logo no início do ano 4 posts e tomou conta do mês de janeiro aqui no blog. As fotos desses posts são de longe as minhas favoritas de viagens aqui registradas. Recentemente li em uma revista que não existem pacotes turísticos saindo do Brasil que levassem até lá, o que só valoriza o fato de termos ido, visto e adorado. Palau vale muito a pena, é um dos lugares mais exóticos e lindos do planeta, seja embaixo d'água, em cima, sua história ou suas bizarrices (teve até uma versão em inglês aqui). Palau merece o primeiro lugar disparado do "Onde fica?" - e que bom que nós achamos o caminho do paraíso Pacífico.


14) Tudo de bom sempre

Musicalmente, o momento de maior emoção do ano para mim foi saber da defesa de mestrado do meu amigo Dindinho. Sua tese sobre Dori Caymmi foi emocionante, um brinco de delicadeza. Tudo de bom sempre pra esse post, com seu arroubo de amizade deslavada e a comprovação de que meus amigos são uma eterna fonte de alegrias para mim.


15) Mallice da Malla


Algumas viagens umbiguísticas da Malla são verdadeiras flores de Narciso - ser blogueiro é ser um pouco assim, não é mesmo? Nesse ano que passou, escrevi 3 posts que exacerbaram essa auto-mallice, ao contar um pouco do que passei por aí, aos 18 anos, durante e após a faculdade, e quando fui nanometricamente resenhada pela Science. Mas a viagem fica mais legal em minha opinião quando é compartilhada por mais pessoas, e nesse quesito, um dos momentos mais emocionantes foi a organização da blogagem coletiva do Dia da Terra, que rendeu um feedback lindíssimo de muitos blogs em prol do nosso planetinha querido. Impagável, emocionante, um presentão que recebi de todos que participaram, seja escrevendo posts, comentando e/ou lendo em silêncio, refletindo sobre o futuro que estamos deixando às futuras gerações.


16) Malla Bloggel da Paz

A quem mais posso dedicar esse prêmio senão a todos que me dão a honra da visita? Obrigada de coração a todos que viajam por aqui comigo, e que enriquecem tanto a discussão nessas paragens. A festa é de vocês, principalmente.

Tudo de bom sempre aos leitores desse blog, que topam embarcar nas viagens da Lucia Malla serenamente e acrescentam tanta alegria ao participarem!

Tin-tin pra nós!

Marcadores: ,

sábado, outubro 07, 2006

Noite blogueira carioca

Ah, a Cidade Maravilhosa! Que saudade! Saudade há tempos de viver momentos como os que vivi na quarta, chantilizados pela hospitalidade-mestra da Viva, que me apresentou a uma verdadeira pérola carioca: a Confeitaria Colombo do Forte de Copacabana. Além do Parque dos Patins, na Lagoa Rodrigo de Freitas, local de muita bossa e música num Rio que me era completamente desconhecido.

VivaForte de Copacabana
A Viva é realmente apaixonante. Aconselho a todos conhecerem essa pessoa de excelente coração, que ciceroneou uma "desconhecida" como se fosse amiga de anos. E ainda me apresentou um lado do Rio que eu, carioca da gema, não conhecia, como o Forte de Copacabana renovado e aberto ao público. Viva, obrigadíssima por tudo!

É com alegria que mostro também algumas fotos da excelente noite blogueira, passada na companhia de amigos há muito lidos e queridos, e que só agora pude conhecer ao vivo e a cores. A todos os amigos, blogueiros ou não, que participaram dessa noitada divertida na Lapa, muito obrigada pelos momentos deliciosos, regados a saudosos bolinhos de aipim com carne seca e histórias incríveis das viagens de cada um. Adorei conhecer todos, amigos virtuais tornados reais. Viva o admirável mundo novo da internet.

IdelberBruno
Mestre Idelber, direto de Tulane - rumo à África? Ao lado, o adorável Bruno.

Rio Blog MeetingIdelber e as Fridas
A visão geral da nossa mesa blogueira na Lapa, com a super-Tata e o Alexandre em primeiro plano. Ao lado, Mestre Idelber e as Duas Fridas em momento descontraído.

Ana
A escritora Ana Maria Gonçalves, que me encantou profundamente ao relatar o processo de escrita de seu livro "Um defeito de Cor"; já estou ansiosa para lê-lo, aliás. A Ana é realmente uma pessoa especial, e fiquei lisonjeada de conversar com ela ao vivo.

Tudo de bom sempre.

************************

P.S.: Está difícil postar. Muito sono, muito cansaço acumulado. A periodicidade aqui no blog ficará caótica por um tempo ainda (alguma vez foi menos?), até que eu me organize melhor no atual estado de matação de saudade generalizada que se instaurou em mim - aliás, meu blog faz aniversário segunda, vamos ver se consigo produzir uma linkfestinha virtual pra celebrar a data... Desculpa o transtorno transiente e obrigada a todos antecipadamente pela compreensão amiga com essa viajante Malla. :)

Marcadores: ,

domingo, outubro 01, 2006

Gyeongju: a sede da dinastia Silla

No penúltimo fim de semana, nós resolvemos gastar nossas milhas acumuladas pela Korean Air e fazer uma viagem pela Coréia do Sul. Embora já conhecêssemos muitos locais interessantes, de acordo com a maioria dos coreanos faltava o lugar mais espetacular: Gyeongju, a cidade histórica sede da dinastia Silla (fala-se Shilla), que formou o povo coreano e boa parte do asiático.

Pegamos o avião até Ulsan (outro post sobre a cidade em breve), e de lá fomos de ônibus até Gyeongju - menos de 1 hora. E ao chegar lá, entendi por quê os coreanos recomendavam tanto a ida à cidade: Gyeongju é um dos lugares mais pitorescos que já visitei.

Os vestígios da dinastia Silla, reinado que dominou a península coreana entre 50 e 1000 d.C., estão por toda parte, mas principalmente na arquitetura local e nas inúmeras tumbas da cidade. Cada membro da família real que morria era enterrado em tumbas que eram verdadeiras pirâmides de grama, construídas por uma base sólida de rochas calculadamente colocadas, cujo centro possuía uma câmara de madeira, onde o corpo era colocado junto com artefatos e jóias pertencentes à pessoa. Por cima das rochas, uma camada de solo com gramado, formando montinhos característicos que estão espalhados pela cidade - um charme. Boa parte das tumbas só foi escavada recentemente, na década de 70, e muitos tesouros descobertos foram salvaguardados no Museu Nacional de Gyeongju, dedicado à história da dinastia Silla.


Entrada do BulgkusaBulguksa
Entrada do palácio Bulguksa, patrimônio histórico da humanidade, e a visão da escadaria de pedra do mesmo, com mais de 1000 anos de existência.


Ao chegarmos em Gyeongju, fomos direto para o palácio de Bulguksa, uma fortaleza na montanha, com arquitetura típica e bem-preservada com mais de 1000 anos de existência e inúmeras invasões sofridas. Junto com o Seokguram Grotto (onde há um Buda belíssimo, construído dentro da rocha em 742 d.C. e que de acordo com a lenda "guarda" o Mar do Japão), o palácio de Bulguksa é considerado uma obra-prima Silla e integra a lista de patrimônio da Humanidade da UNESCO. Bulguksa contém também duas pagodas (um fato incomum nos palácios da época, sendo uma delas, a Seokgatap, de 3 níveis no pátio central, além de diversos pavilhões, todos em madeira colorida, e em muitos deles, estátuas de Buda. Gyeongju é a cidade mais budista que visitei na Coréia - uma peculiaridade agradável num país hoje dominado pelo cristianismo.

Pagoda do BulguksaBulguksa
A pagoda de 3 níveis do pátio central do Bulguksa. Ao lado, outro pátio (dentre vários) do Bulguksa.

As escadarias de Bulguksa são todas originais, com cerca de 1000 anos. Confesso que ao subir aqueles degraus, ficava imaginando quantos reis, escravos, soldados, por ali passavam, apressados ou não, com notícias alegres e tristes. Pisar em solo tão histórico é uma sensação fascinante. Almoçamos sanduíches no pátio da frente do palácio, admirando a arquitetura e a tranquilidade local - apesar dos turistas, o local é de uma paz transcendental.

Após o almoço, decidimos subir até o Seokguram Grotto, onde está o Buda famoso. A trilha começa ao lado do Bulguksa, e é uma subida íngreme de 1h - a subida é considerada por muitos um momento de nirvana espiritual. Uma amiga nossa nos disse que Gyeongju é uma viagem típica para alunos de primeiro grau as escolas coreanas, razão pela qual vimos um mundo de crianças no caminho, fazendo gincana a cada parada para entreter e esquecer o cansaço da subida. Levamos exatamente 1h para chegar à entrada do Grotto, e lá de cima, uma vista muito bonita do Mar do Japão, distante ao fundo, com muitas montanhas no foreground. Não podemos fotografar o Buda, mas a sala é pequenininha. Entretanto, o Buda está dentro de um túmulo como os existentes na cidade, de montinhos de grama. A história da construção do Buda no topo da montanha ainda é um mistério - assim como boa parte da história de Silla -, sabe-se que mais de 180 tipos de rochas diferentes (vindas de muitos lugares na Ásia) foram usadas para montar a imagem do Buda e o groto, embora ao vê-lo, a sensação que tive foi de que apenas uma delas foi usada.

AnapjiAnapji pavillion
Pavilhão Silla na beira do lago Anapji em reflexo na água: beleza indescritível. Ao lado, outro pavilhão Silla no mesmo parque.

Após visitar o Grotto, descemos pela mesma trilha e voltamos ao centro da cidade, dessa vez para o parque Nacional de Gyeongju, onde há uma concentração de túmulos e algumas construções interessantes: o observatório astronômico mais antigo da Ásia Ocidental, o Cheomseongdae, construído em torno de 600 d.C.; um prédio para estocar gelo, que era preenchido durante o inverno e usado durante o verão, uma engenharia interessantíssima que maximizava o aproveitamento do gelo e diminuía a perda por derretimento. Para crianças, há a oportunidade de passear pelo parque de charrete. Depois de passear pelo parque, fomos para um outro parque, onde fica o lago de Anapji. Já era hora do pôr-do-sol, e o visual dos pavilhões históricos Silla iluminados refletindo no lago foi simplesmente deslumbrante, um dos mais belos que vi pela Ásia. À beira do lago, muitos fotógrafos - afinal, a cidade toda é muito fotogênica, e fotógrafos profissionais abundavam por todo canto. Um show performático iniciaria às 8 da noite, e antes de começar, houve distribuição de chá verde gratuito pra esquentar; a temperatura caía vertiginosamente.

O show começou - na realidade, um festival de Músicas do Cinema. À medida que a orquestra Korea Pops tocava as músicas, um trailler do filme respectivo era passado na tela atrás do palco. Muito nostálgico ver e ouvir Love Story, Dr. Jivago, Bonequinha de Luxo, além da versão super-legal de Missão Impossível com a qual eles abriram o espetáculo. Ouvir essas músicas que eu adoro (sim, sou melosa também) e olhar pro lado, ver um palácio construído há mais de mil anos... é um desses momentos inesquecíveis da vida da gente.

ObservatórioBunhwangsa
O Cheomseongdae, o mais antigo observatório astronômico da Ásia Ocidental. Ao lado, a ruína da pagoda do templo de Bunghwangsa, que supostamente tinha mais 4 ou 6 níveis.

No dia seguinte, acordamos cedinho e fomos ao templo Bunghwangsa, com ruínas de uma pagoda que, de acordo com historiadores, deveria ter de 7 a 9 níveis - restaram 3 apenas. Uma senhora budista rezava andando em volta da pagoda. De lá, fomos caminhando para um lago com um pequeno pavilhão Silla no meio. O lago é todo coberto por uma planta aquática que dá uma flor parecendo um chuveirinho - meus conhecimentos parcos de sistemática botânica não me permitem uma identificação clara do que é aquela planta. Para mim, naquele momento, ela estava linda, e isso basta na composição do cenário.

Túmulo realLago
Um dos inúmeros túmulos reais do parque de Tumuli. Os montinhos verdes dão um charme maravilhoso por toda a cidade. Ao lado, o lago coberto por plantas aquáticas com pavilhão Silla no meio. O local é um verdadeiro estúdio fotográfico ao amanhecer, com nuances de luz fantásticas.

Do lago, fomos para o Parque Tumuli, onde há uma concentração enorme de túmulos-montinhos verdes para passearmos entre eles. É possível entrar em um deles, e nós pudemos então entender a construção do mesmo, as camadas de rocha por baixo daqueles montes de grama.

Ponto de ônibus
Ponto de ônibus em Gyeongju, também no estilo Silla. A cidade é uma jóia arquitetônica, com muitos templos budistas e um clima histórico delicioso.

Depois desse passeio, hora de dar adeus à cidade e à toda aquela arquitetura Silla, presente até nos pontos de ônibus da cidade. Gyeongju é uma jóia rara num país tão uniforme. Gyeongju é única e a delicadeza da cidade me encantou.

Gyeongju transcende.

Tudo de bom sempre.

Marcadores: , ,