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sábado, maio 05, 2007

Casamento nipo-foto-havaiano

Festa tartarugal ©
Cena surreal de um casamento inesquecível.

O motivo pelo qual nós começamos a bolar a viagem de férias de fevereiro aos Estados Unidos foi nos dado a um ano atrás, exatamente no dia em que nos casamos. Um casal de amigos, padrinhos do casamento, lançou o alerta ainda em Shipwreck Beach: "Ano que vem é a nossa vez de casar, e vocês já estão convidados." Ou seja, mal chegamos daquela viagem de sonhos e começamos a vislumbrar uma volta ao Havaí...

Conhecendo esses amigos, sabíamos que o casamento seria de extremo bom-gosto e elegância. Os dois são japoneses muito requintados e moram no Havaí há algum tempo, portanto já viram bastante em matéria de casamentos na ilha para saber exatamente o que queriam e o que não queriam na festa deles. Tinha certeza que o casamento dos dois ia ser bem interessante, e não me enganei.

O casamento foi marcado para a ilha em que eles moram, Big Island, a maior e mais recente do arquipélago havaiano. É a ilha dos vulcões. Entretanto, a festa ia ser no extremo oposto ao da lava: em Puako, a noroeste, uma área mais árida e inóspita, com poucos habitantes e muita pedra preta de lava.

No dia anterior ao casamento, houve a despedida de solteiro do nosso amigo. Foi bem light, apenas mai-tais no bar de um hotel à beira-mar, com 2 casais de amigos (um vindo de Aruba, outro de Miami), algumas amigas da noiva vindas do Japão, e uma arraia jamanta fazendo piruetas no mar em frente. Não queríamos uma bela ressaca no dia seguinte, então tudo correu sem exageros.

Chegou o grande dia, uma segunda-feira à tarde. O traje era formal, estávamos todos alinhadíssimos - e valia até o traje formal havaiano, que não é terno e sim as aloha shirts de tecido fino. Tanto a cerimônia quanto o jantar foram numa casa de sonhos com praia particular, alugada para a ocasião. Como o noivo também é fotógrafo subaquático, dentre os convidados, estavam nada menos que 4 dos melhores fotógrafos sub do planeta, todos vencedores passados do Wildlife Photographer of the Year: Doug Perrine, Masa Ushioda, Andre Seale e Jim Watt - visitem o site de cada um deles e vejam com seus próprios olhos as maravilhas que eles produzem embaixo d'água: é de tirar o fôlego (e eu sou suspeitíssima para comentar, hehehe). Todos eles estão unidos pela paixão infinita pela vida marinha, e essa ligação permitiu um dos momentos mais hilários da festa, quando alguém pediu a Jim Watt para tirar uma foto dos noivos e ele respondeu com cautela: "Foto de pessoas não é a minha especialidade", e Sue, a madrinha da cerimônia, contrapôs ironicamente: "Pretend they're sharks". Gargalhada geral numa piada interna do mundo sub que nem todos entenderam.

O casamento foi celebrado brevemente, nada de enrolação de discursos infinitos. Todos os convidados ganharam leis de flores brancas, e pétalas de pluméria (a flor mais caracterizada como "Havaí") para serem jogadas nos noivos após a cerimônia. Depois da troca de alianças, um dos fotógrafos sub percebeu que várias tartarugas-verdes estavam na praia descansando, oportunidade para um clique que poderia ser mágico - e foi (o que abre este post). Os fotógrafos se agruparam para ver a cena. Após a festa tartarugal, fomos todos levados para a mesa, onde o jantar de casamento seria servido à beira da piscina e com vista para o mar. Apenas 30 pessoas no total, lugares marcados por um golfinho de prata/abridor de garrafas que segurava o nome de cada um, cor e frescor de um pôr-do-sol romântico, algumas caudas de baleias jubartes ao fundo, de vez em quando aparecendo à superfíce e dando alô aos convidados.

O jantar foi feito por um chef holandês, contratado para a noite, e no menu, exoticidades da culinária fusion. Tudo uma delícia; entretanto, era o ambiente o grande charme da noite: nosso amigo contratara uma dupla tradicional de tocadores de ukulelê (que nos cobriram de músicas havaianas durante toda a noite) e uma dupla de dançarinas de hula (que inspiravam delicadeza com seus movimentos sutis). A vontade que dava era literalmente de chorar, tão emocionante tudo acontecia. As músicas... escolhidas a dedo, para que mergulhássemos na cultura havaiana sem medo de ser feliz. Tudo isso, mais a comida maravilhosa, mais o pôr-do-sol que só o Havaí oferece, mais a companhia de grandes amigos. Simplesmente, parecia cena de filme de Hollywood. Mas não era ilusão: era sim, o resultado de muito esmero na produção amorosa de um momento que se pretende eterno para os noivos e para todos presentes - e o foi.

Masa painel

Tudo de bom sempre aos Ushioda.

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