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quarta-feira, julho 25, 2007

No Quadrilhódromo de Parnaíba

Uma de nossas paradas pelo nordeste brasileiro foi em Parnaíba, no Piauí. Vínhamos do Maranhão, e estávamos cansados de presenciar o descaso político e econômico em que o estado se encontrava. Tivemos uma boa surpresa portanto ao cruzar a divisa de ônibus, numa tarde de sábado: Parnaíba era uma cidade bem organizada, simpática e bonitinha.

Estava em Parnaíba para ver o famoso delta, passeio que só poderia ser feito de dia. Era de tardinha, e saímos então para dar uma volta pela cidade. O antigo porto, onde as barcas antes saíam pro passeio do delta, tinha sido revitalizado. Ali encontramos várias agências de passeio, com preços iguais: de nada adiantava a concorrência. Alguns bares e lojinhas - mas a aparência desértica da área me deixou com uma pulga atrás da orelha. Afinal, aquele era supostamente o "point" da cidade. Onde estariam as pesssoas? Resolvi perguntar. E a resposta do moço da pizzaria foi decisiva: no Quadrilhódromo de Parnaíba. Nos "folguedos", que é como se chamam as festas juninas no Piauí.

O nordeste inteiro festeja intensamente os santos de junho. Em várias cidades por onde passamos, pudemos aproveitar as danças e delícias culinárias que o festejo propicia. Em São Luís, por exemplo, o arroz de cuxá com vatapá foi inesquecível. Parnaíba, com suas fogueiras acesas a cada esquina, não ficou para trás: a prefeitura construiu um Quadrilhódromo, onde em junho acontece o encontro de folguedos, com apresentações das quadrilhas, locais e de outras cidades do nordeste.

Eu esperava uma área pequena - afinal, a festa junina que eu estava acostumada eram festas pequenas, com canjica, quentão e fogueira, não muito mais que isso. E depois de mais de 10 anos sem ir a uma festa junina, já não me lembrava mais direito do ritual festeiro. Quando cheguei no Quadrilhódromo, tive a real noção da dimensão do que é a festa junina por essas bandas: quase um ginásio a céu aberto, com arquibancada, dois palcos e centenas de barraquinhas ao redor. Tudo lotado. O festival de quadrilhas já havia começado, e nós, como bons turistas, sacamos nossas câmeras fotográficas e começamos a registrar tudo. Uma senhora nos viu, e nos convidou a subir na ala VIP do Quadrilhódromo. Sua explicação para o segurança da porta, que eu entreouvi, foi a melhor de todas: "São turistas, estão divulgando nossa cidade." A senhora era alguém importante da secretaria de Turismo da cidade, e acreditava que por ter nos dado o privilégio da estadia VIP, divulgaríamos positivamente a cidade para ela. Era a prova cabal de que, por mais que tentássemos despistar, tínhamos cara de turista mesmo.

De chinelo e bermuda ao lado do prefeito e seus assessores engravatados, assistimos às apresentações de diferentes estilos de quadrilha (eu nem sabia que existia isso), mas uma em particular me chamou a atenção: a do grupo Rei do Cangaço, com o tema "Nordeste de Cabra da Peste" (uma foto oficial da apresentação aqui). Quase 100 participantes dançavam em ritmo frenético uma música originalíssima que engrandecia os estados do nordeste, com um refrão simples, agitado e divertido:

"Esse é o meu nordeste/ terra de cabra, cabra da peste..."

Parnaíba-1©Parnaíba-2
A apresentação da quadrilha "Rei do Cangaço", em cores vibrantes. Ao lado, barraquinhas de quitutes... hmmmmm!!!

Fiquei encantada com a quadrilha de alto nível, cheia de efeitos especiais, de excelente bom gosto e muito animada. Que vibração da galera! Vimos mais algumas apresentações e resolvemos descer da ala VIP. Afinal, eu queria me meter no meio da muvuca e aproveitar um pouco da culinária regional. Encostamos numa barraca de vatapá (amarelo ovo!) com arroz-de-maria-isabel e pirão de parida, e eu comecei a degustação... tudo delicioso e baratíssimo! De sobremesa, mugunzá e bolo de macaxeira. Melhor impossível.

Era tarde quando saímos do Quadrilhódromo, que ainda estava lotado e não dava indício algum de que iria esvaziar tão cedo. Afinal, era sábado de folguedo junino nessa cidade simpática do nordeste brasileiro: evento imperdível para os turistas de sopetão e para os foliões de plantão.

Tudo de arraial sempre. Anarriê!

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