Uma Malla pelo mundo Interney.net/blogs/malla

domingo, outubro 07, 2007

Viajando por email: Sergio Leo

O currículo do Sergio Leo postado em seu blog já podia dizer tudo para esta introdução de entrevista, mas deixaria de lado o mais fundamental. Competentíssimo jornalista do Valor Econômico nós todos já sabemos que ele é, e seu quinhão internético (ou melhor, "sítio") demonstra isso a cada post de ironia requintada sobre as trapalhadas de nossos políticos em Brasília; verdadeiras pérolas políticas poéticas (gostou da aliteração proparoxítona?) como nesse exemplo: "Chove em Brasília, pondo fim a uma seca que já incomodava mais que a péssima qualidade dos parlamentares da base governista." Mas é no trato com os amigos, nas trocas de email com dúvidas e observações que descobrimos o quão gentleman Sergio Leo verdadeiramente é. Aceitou ser entrevistado por essa Malla sem titubear ("Que vengan las questiones!"), e ainda por cima (honra das honras), cedeu a foto de uma de suas produções artísticas exclusivíssimas (sim, ele também é um artista!) para ilustrar a conversa - sobre viagens, é claro, que eu deixo para ele a tarefa de descascar o abacaxi das conversas políticas lá no sítio dele. Divirtam-se então com as viagens que o Sergio Leo me contou por email - e que eu dei risadas ao ler. O triste foi constatar que fiquei com gostinho de "quero-perguntar-mais" e não pude. Vocês também não ficaram?

********************

Auto-retrato by Sergio Leo
"Auto-retrato", pintura em cêra e pó de barba sobre acrílico, by Sergio Leo.


- Você se considera mais ecoturista ou é mais adepto aos passeios urbanos?

Sergio Leo:
Sou mais um worktourist, Lucia; viajo mais a trabalho que qualquer outra coisa. Mas, apesar de meu carinho com as paisagens e aventuras, sou bem urbano. Não há shows de jazz na mata virgem, e os museus de arte nas praias e arquipélagos são tão raros...


- Como você escolhe seus destinos? Amigos, curiosidade, internet etc.?

Sergio Leo:
Deixo o destino escolher os destinos. Uma sugestão da parceira, uma matéria de jornal, um convite, o exílio algum dia, quem sabe.


- Qual foi sua viagem inesquecível? Por quê?


Sergio Leo:
Toda viagem é inesquecível, Lucia. Mas não consigo me lembrar de nenhuma em especial. Brincadeira. De todas, acho que foi mágica a de Amorgós [nota malla: fotos em 360 graus aqui], uma ilha grega quase na Turquia, agreste e linda, onde a comida é divina e há um mosteiro com uns frades que parecem saídos de algum filme edificante; após uma subida íngreme sob sol escaldante, te oferecem um licor celestial, uma espécie de jujuba abençoada e paz de espírito. Você aluga uma lambreta e percorre a ilha toda num dia. E tem as praias, o povo, as cabras. Com estas últimas não travei nenhum relacionamento, mas tinham lá seu charme.


- E qual foi a pior viagem que fez? Por quê?

Sergio Leo:
Joanesburgo. Viagem a trabalho, decidida de última hora, em que me recuperava de uma hepatite e me vi abrigado na casa de uma prima de um sujeito do setor administrativo do jornal. Cobrindo a Conferência de Meio Ambiente, coisa frustrante, e com o Fernando Henrique Cardoso e toda sua empáfia. Não recomendo.


- Qual a comida mais exótica/ estranha que já comeu numa viagem?

Sergio Leo:
Ovo de mil anos, em Hong Kong. Mas acho que me enganaram, aquele troço não tinha mais de duas semanas, embora parecesse tão podre quanto. Eles enterram o bicho (dizem que na China antiga, deixavam, de fato, por gerações) e, ao retirarem, a clara tem consistência e cor de geléia de mocotó Colombo. A gema fica cinza e com um exótico sabor de putrefação. Deixam pôr ketchup, se você fizer questão, mas acho ketchup intragável.


- Você tem alguma mania ao viajar?

Sergio Leo: Sempre trago algum instrumento musical dos lugares aonde vou. Adoro a forma e a idéia de que posso carregar comigo um som especial do local que visitei. Outra mania é tentar aprender alguma coisa da língua local. Já quase me rendeu porrada em restaurante. É incrível como certas expressões e a má pronúncia de certas palavras pode te botar em encrenca.


- Qual sua trilha sonora preferida durante uma viagem? Alguma música em especial?


Sergio Leo: O som local. Até música brega fica divertida fora de casa.


- Qual o souvenir mais exótico que já trouxe de algum lugar?

Sergio Leo: Entamoeba colli, de Lima, Peru. Deve ter sido o pisco sour, ou aquela maldita sopa de moluscos...


- Uma dica sua especial.

Sergio Leo:
Ao visitar o Metropolitan, em Nova York, faça como os novaiorquinos, e, em vez de pagar os 12 ou 15 dólares que cobram aos turistas, estique uma nota de um dólar e peça uma entrada, que é a mesma coisa. O preço é sugerido; e eles têm bastante visitantes de países ricos para pagarem mais e garantirem uma boa receita. Outra dica: para fazer reservas, não só na França, como em várias partes do mundo, use o site da ferroviária francesa, a SNCF, onde tudo tem desconto.


- E a próxima viagem é para...


Sergio Leo: Temo que para a Colômbia, a trabalho.


- Solo me queda desearle un buen viaje, compañero!!* :D



*Ajuda especial para evitar mico do meu espanhol macarrônico: Vanessa. Obrigadinha! :)

Marcadores: