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quarta-feira, janeiro 31, 2007

Na Mergulho

Eu esqueci de avisar antes, mas tem uma minúscula matéria e uma foto minha (tirada pelo André, é claro) na Revista Mergulho desse mês de janeiro - nem foto nem artigo estão disponíveis online. Vocês vão ter que adivinhar qual é... E para isso, só indo na banca de jornal. ;)

Tudo de bom sempre.

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terça-feira, janeiro 30, 2007

Pequenas anotações de viagens virtuais 17

Tem galeria nova lá no site da ArteSub: Rongelap (que eu contei a peculiar história há pouco tempo atrás). Viaje nessa viagem subaquática: é emocionantemente pacífico.

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Um "manual" (muito metódico, por sinal) de como ler livros de fotografia - e tirar o máximo de proveito deles. Tentarei o método assim que possível, para testar. Meu pressentimento é que funciona. Vamos ver.

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Um grupo de pesquisadores liderados por um professor da UFV (minha universidade!!) está indo para uma nova área na Antárctica, estudar o permafrost da península Byers. Esses estudos poderão gerar mais dados sobre o processo de aquecimento global. Viçosenses entrando numa fria - por uma boa causa, é lógico.

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Viagem pessoal: para quem quiser sentir um pouco o que eu senti quando mergulhei nesse lago... A música de fundo chama-se "Isa Lei", e é de Fiji. Deu MUITA saudade de Palau.

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Todos sabemos que vivemos na era da tecnologia googlística, e a empresa domina o mundo virtual como nenhuma outra, principalmente como ferramenta de busca. Entretanto, já há gente viajando na maionese e utopizando como a empresa irá à bancarrota. Não deixam de ser interessantes observações.

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Um dos meus blogueiros de ciência prediletos, Bora "coturnix" (seu nome já lembra uma designação de espécie), organizou uma conferência de Blogs de Ciência, na Carolina do Norte, um livro/antologia com os 50 melhores posts de ciência de 2006 (in english, only), e agora foi entrevistado pela Nature. Super-blogueiro, não?

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A melhor definição de gene que já encontrei.

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Se você curte blogs de ciência, semana que vem é a "Week of Science Challenge", onde a blogosfera científica de língua inglesa vai discutir apenas ciência - conceitos básicos e descobertas interessantes, nada de ataques políticos, pseudociência ou divagações pessoais. Já está todo mundo por lá ouriçado com a novidade. A ser lido, sem dúvida.

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O MountEverest.net publicou uma lista com os picos nunca escalados do mundo - as montanhas "virgens". Boa parte delas está em área considerada "sagrada" por alguma religião ou povo, e são terminantemente proibidos de serem alcançados. A maioria no Himalaia, é claro. O sonho colorido de qualquer alpinista de plantão.

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E falando em alpinismo, as leis do mercado também estão preponderando nessa nova temporada que já-já se inicia de expedições ao Everest. A China aumentou sua taxa de "escalada" pelo Tibet, o que fez as empresas tradicionais (e confiáveis) que levam os alpinistas ao topo aumentarem seus preços: de 35 mil a 125 mil dólares! Este último preço, entretanto, é para uma empresa nova de Seattle (o preço não aparece no site, mas os fóruns de montanhismo não falam de outra coisa) que tem Ed Viesturs, o mais renomado montanhista americano, como guia de super-luxo. Escalar com Ed: outro sonho colorido de qualquer alpinista de plantão. Basta saber se nesse caso haverá alguém com verba para tal.

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Earthdive: um projeto bacana apoiado pela UNEP para mergulhadores recreacionais e simpatizantes do mar. Pretende ser um mega-divelog (registro de mergulho), global, para mapear o máximo de espécies marinhas do planeta. Infelizmente, sem colaborações até o momento na região brasileira. Vamos agitar, mergulhadores de plantão?

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Um lado nada agradável da culinária sofisticada de frutos do mar.

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Que papelão, hem, Japão? Em mais uma temporada de carnificina caça às baleias - em que os navios japoneses foram sorrateiramente para um local desconhecido na Antárctica - caças da Força Aérea da Nova Zelândia descobriram esse local casualmente, fotografaram e entregaram essas imagens ao governo neozelandês, já que os japoneses estavam relativamente próximos a McMurdo, a estação neozelandesa na Antárctica. O governo pediu que colocassem essas imagens de carnificina na mídia, para que as pessoas vissem como a atividade baleeira acontece de verdade. Agora, o governo japonês está pedindo pelamordebuda para que o governo neozelandês não divulgue o local onde os navios estão, por medo de represálias de grupos ambientais. (O Greenpeace e o Sea Shepherd já estão a caminho, by the way.) Isso tudo, é claro, em nome dessa tal de "tradição alimentar" que o Japão parece não abrir mão em tempos de recursos marinhos pra lá de escassos e de corporações baleeiras, não mais pequenos barquinhos. Ah, desculpa, japoneses: é para "pesquisa científica". Ahã. Só uma palavra para essa desculpa esfarrapada: patético.

(Enquanto isso, a Islândia, outro país baleeiro, tem carne de baleia estragando em aterros sanitários. De amargar.)

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Narcolepsia é um distúrbio do sono em que a pessoa tem episódios de sono incontroláveis, e dorme de repente no meio de qualquer atividade - pode estar dirigindo ou trabalhando, simplesmente dorme. Em casos mais extremos, a pessoa "acorda" do seu sono, mas perde o tônus muscular e/ou não consegue abrir o olho, e demora a levantar (está consciente mas não se mexe e tem percepção clara dessa situação conflitante), o que gera um momento considerado angustiante em grau máximo por todos os narcolépticos. Como pode-se imaginar, é uma patologia que perturba o seu dia. Resultado: o narcoléptico é incompreendido pelas pessoas, que vêem "tanto sono" apenas como preguiça. Sabe-se que a patologia tem a ver com o hormônio recém-descoberto orexina, cujos níveis regulam o sono. (Orexina baixa = muito sono.) Os narcolépticos têm poucos neurônios produtores do hormônio, o que os torna predispostos a dormirem com mais constância. Nessa semana, saiu na Nature uma reportagem sobre um composto desenvolvido por um laboratório que bloqueia a orexina. Infelizmente, nada fará aos narcolépticos, que já a têm baixa, mas em testes clínicos, fez pessoas saudáveis dormirem mais rápido, e já está sendo cogitado como a nova revolução no tratamento da insônia, outra anomalia (essa tão mais comum) do sono. Os cientistas miraram em um lugar e acertaram em outro: uma das delícias da ciência.

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Tudo de bom sempre.

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segunda-feira, janeiro 29, 2007

Na vanguarda da moda ecológica

A Lucia Freitas já havia comentado no Faça a sua parte sobre a preocupação ecológica da São Paulo Fashion Week, mas garimpando pela internet, achei um artigo elogiando o evento e suas intenções ecológicas, com várias fotos dos tecidos "ecológicos" lá apresentados. O artigo é do World Changing, um site de sustentabilidade nota 10, cuja missão é:

"Worldchanging was founded on the idea that real solutions already exist for building the future we want. It's just a matter of grabbing hold and getting moving."

Afinal, um mundo diferente é possível.

Tudo de bom sempre.

(Também postado .)

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sábado, janeiro 27, 2007

Ser viajante em tempos de aquecimento global

23May06 Japan02

E agora, Lucia Malla?

Já há algum tempo eu venho me questionando sobre o problema da poluição emitida pelas aeronaves e o que fazer para diminuí-la - mais precisamente desde que esbarrei há um ano (mais ou menos) num link que calculava a parcela de poluição de cada um. Apesar de eu (tentar) levar uma vida o mais ecologicamente possível - reciclar ao máximo, preferir o transporte público, evitar gastos desnecessários de energia elétrica, etc. - meu índice de CO2 foi às alturas, literalmente. Por um fator simples: as viagens de avião.

Sabemos que aviões consomem uma quantidade fenomenal de combustível, necessárias para manter toneladas de metal no ar. Esse combustível todo, é claro, termina na atmosfera sob a forma de CO2, colaborando para a ciranda de problemas climáticos que vemos na atualidade - principalmente aquecimento. Uma medição da temperatura atmosférica nos 3 dias consecutivos ao 11 de setembro de 2001 quando todas as aeronaves nos EUA estavam obrigatoriamente em solo, mostrou que a variação térmica diária era muito maior, ou seja, mais temperaturas baixas apareciam na escala do que a situação que vivemos diariamente, com os aviões cruzando os céus.

Felizmente, já existem pessoas e empresas procurando alternativas a esse problema, tentando construir um avião ecologicamente correto; entretanto, a maior parte dessas alternativas ainda são idéias pro futuro, não imediatas. Na prática, o que podemos fazer hoje é sermos bons consumidores e tomar medidas para diminuir as emissões de CO2 relacionadas a viagens. A mais drástica delas é deixar de viajar de avião, ou tentar viajar apenas quando estritamente necessário. Nesse caso, procurar empresas com melhores ofertas (onde os vôos provavelmente estarão mais cheios e a eficiência de transporte é maior) ou que sejam mais "ecologicamente corretas" - embora o avião em si não o seja, a empresa responsável por ele pode ter planos de diminuição de CO2 em ação, incentivar projetos ambientais, etc. Afinal, o avião ser um agente poluidor ainda é reflexo de um problema tecnológico de modelo - a "eterna" e errônea dependência do petróleo.

(Parênteses: Um amigo meu inglês está nesse momento viajando da Inglaterra ao Tibet de trem, para evitar exatamente o uso de avião. Vários dias na estrada. Esse é talvez o maior exemplo de pessoa preocupada com o ambiente com que já me deparei. Fim do parênteses.)

A questão, entretanto, que martela em minha cabeça é: não viajar, ao mesmo tempo que é um benefício ao ambiente, é um problema para a melhoria da sociedade como um todo, porque no extremo do raciocínio, estaríamos fadados a conhecer apenas nossos arredores, e não o mundo - experiência que eu garanto, é impagável na formação de uma mentalidade global. Não há internet nem fotos possíveis que tragam o barulho das mobiletes nas ruas de Taipei, os miados dos zilhões de gatos que andam à deriva em Honolulu, ou o cheiro (deliciosamente desagradável, por sinal) das bolhas de sulfa nas crateras de Rotorua, na Nova Zelândia. Essas experiências sensoriais fazem parte do "estar em um local" e elas enriquecem a visão de mundo, nos tornam de certa forma pessoas mais flexíveis, adaptáveis. Elas colaboram para sua visão aberta de horizonte, e te mostram o quanto a diversidade étnica, de idéias e de ecossistemas é um bem de valor inestimável. E isso no final colabora para a existência de cidadãos mais preocupados com questões globais. Uma roda-viva.

Penso muito nessa contradição, e me dói. Afinal, amo viajar. Pelos meus últimos cálculos, precisaria plantar 111 árvores para compensar as 16.7 toneladas de CO2 que ajudei a deixar na atmosfera apenas em 2006, resultados de tantas viagens de longa distância - só as viagens transpacíficas já estourariam qualquer limite aceitável. Preciso começar a fazer como Dave Matthews e Al Gore, que "compram" árvores antes de viajar na tentativa de (tentar) neutralizar a emissão própria. Ou, pelo menos, amenizar. Sugestões mais eficientes para este problema são bem-vindas.

Tudo de bom sempre.


(Postado também no "Faça a sua parte".)

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quinta-feira, janeiro 25, 2007

São Paulo é

A primeira vez que pisei em São Paulo foi aos 15 anos, quando ganhei de presente de aniversário uma ida a Bienal do Livro no Parque Ibirapuera. A garoa reinante no final de semana que lá estive não foi suficiente para tirar o clima de festa que minha mente registrou: São Paulo era então comemoração.

Anos mais tarde, me encontrei novamente na cidade, dessa vez com um objetivo claro: fazer meu mestrado. Objetivo não-declarado: ser apenas um número na multidão. Entre o passeio de garota e a moradia de adulta, um mundo de acontecimentos, aventuras e desventuras. São Paulo era então respiração.

Sampa blog01Sampa blog02
Monumento às Bandeiras no Parque do ibirapuera; ao lado, uma das deliciosas pizzarias paulistanas.

O mundo deu mais voltas, eu saí da cidade, mas não deixei de carregá-la no coração. Cada esquina da Vila Madalena conta um pedaço de história dos 2 anos que passei ouvindo Júpiter Maçã, comprando flores na feira da Mourato Coelho e pegando o antigo ônibus intergaláctico Barra Funda-USP - quando ele passava, é claro. Hoje, quando eu volto a São Paulo, é essa sensação nostálgica que me arrebata: a cidade não pára, e eu estou, não-vivendo nela, deixando passar idéias, eventos e interações que a cada segundo se renovam. São Paulo me escorre entre os dedos, e não tem nada embaixo da minha mão que segure a cidade. A vida continua. São Paulo é desvairada agitação. São Paulo é constante ebulição. São Paulo é a metrópole por opção. São Paulo é platônica paixão.

São Paulo é.

Tudo de bom sempre à cidade mais vertical do Brasil em seu aniversário.

Sampa AS blog02Sampa AS blog01

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quarta-feira, janeiro 24, 2007

RSS feed - URGENTE

Gostaria de saber se os leitores que lêem meu blog via RSS feed (atom também vale) estão conseguindo ler os posts normalmente em seus respectivos leitores de feeds. Eu explico: na passagem do blogger velho pro novo, eu sem querer desativei os RSS feeds temporariamente, e ao reativá-lo, percebi que meus posts não estavam mais aparecendo no Bloglines e que eu simplesmente PERDI o meu próprio feed. Analfabytismo é um caso sério...

Alguém pode verificar por favor como anda o meu feed em seu leitor de RSS? Caso você perceba um longo tempo meu "calada", recadastrar o feed do "Uma Malla pelo mundo" pode ser uma alternativa.

Aguardo feedback de vocês na caixa de comentários. Obrigada pela atenção dispensada a essa Malla perdida nos bytes da vida.

UPDATE: Aparentemente, ao fazer o upgrade para a nova versão do blogger, um novo endereço de feed surge, invalidando o antigo. Aparentemente também, o novo endereço do feed é:

http://umamallapelomundo.blogspot.com/atom.xml

O que na minha modesta visão não muda nada, mas eu posso estar totalmente enganada nessa selva de bytes.



CONCLUSÃO DA HISTÓRIA EM MEU PONTO-DE-VISTA:
Amigos, o feed antigo parece que morreu sem deixar endereço do cemitério. Precisa recadastrar o suposto feed novo no leitor de RSS de vocês - igual CPF de vez em quando. Não dói nada. :)

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A ciência por trás do aquecimento global

Lembram do Kerry Emanuel? Pois ele escreveu no Boston Review um artigo para leigos, onde explica meticulosa e claramente sobre a ciência por trás do problema do aquecimento global. O artigo é longo, mas vale a pena ser lido, principalmente as 2 partes finais, onde ele disserta sobre como a política se meteu nessa história - e critica tanto a atitude da direita quanto a da esquerda. Imprescindível.

(Via Real Climate e postado também no Faça a sua parte.)

Tudo de bom sempre.

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terça-feira, janeiro 23, 2007

Selo pronto!

Às vésperas de sair o relatório científico definitivo reportando o quão a ação humana é responsável por boa parte do aquecimento global (relatório este onde milhares de cientistas consultados imploram que os governos "façam a sua parte" para ajudar a solucionar esse problema), saiu também o nosso selinho do blog "Faça a sua parte", dedicado às discussões em torno do aquecimento global, para quem quiser colar em seu blog e ajudar a divulgar essa causa!! Corre já lá e pegue o seu. Faça a sua parte!

Faça a sua parte

Não é uma coincidência adorável?

Tudo de bom sempre.

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sábado, janeiro 20, 2007

Um dia de sol no Rio

Em novembro do ano passado, eu passei num dia de semana pelo Rio de Janeiro. Meio dia, mais precisamente. Estávamos com pressa. Mas como não somos de perder viagem, decidimos aproveitar e fazer algo "turístico" pela cidade. Escolhemos um roteiro aleatório, afinal eu conheço um pouco daquelas praias; iríamos nos virar bem.

O Rio só combina com dia de sol, e por sorte, o céu nesse dia não arriscava nenhuma nuvem. Azul lindo. Às 7:30 da matina já estávamos subindo a rua do Cosme Velho que dá acesso à subida do Cristo. Quando chegamos lá em cima, o Cristo já estava aberto à visitação, mas as lojinhas de souvenir ainda estavam fechadas. Era cedo pro turista carioca. Alguns gringos já rodavam por ali. A vista fantástica, como sempre. Aproveitamos a manhã ensolarada e depois das tradicionais fotos, decidimos andar pela estrada que leva até o Alto da Boa Vista. Nunca tinha passado antes por ali, e que floresta! Dá pra entender por que a cidade é venerada, mesmo com e apesar da violência: que outra metrópole do mundo tem uma floresta tropical daquela majestade dentro dela? E com aquela vista? A cada buraquinho que a mata deixava, víamos os contornos montanhosos de Ipanema, Copacabana, São Conrado... Várias fontes naturais de água, onde parávamos para lavar o rosto e amenizar o calor de quase 11 da manhã. Depois de andar por alguns quilômetros de estrada cheia de curvas - onde me senti em qualquer lugar, menos no Rio - chegamos na Vista Chinesa, onde uma série de jipes de ecoturistas estavam estacionados. Acredito que era um tour tipo "wild in Rio" (no bom sentido), porque todos vestiam roupas cáqui como se fossem a um safari. Uma curiosidade me chamou a atenção: todos os jipes com placa de Vitória-ES. Será que é mais barato emplacar jipes no Espírito Santo?

GáveaForte de Copacabana
A Pedra da Gávea e o Forte de Copacabana: pedaços de um Rio que encanta.

Da Vista Chinesa, começamos a descer pela estrada que passa pelo Mirante das Gaivotas. Uma vista belíssima de São Conrado e do mar, que cada hora ficava mais azul. Uma asa-delta ensaiava a descida na rampa da Pedra da Gávea. Descemos pela estrada e caímos em São Conrado, onde pegamos o túnel e fomos beirando a Lagoa até Ipanema, onde andamos pela beira da praia, apreciando os diferentes personagens cariocas. Afinal, ser carioca muito mais que um registro na certidão de nascimento, é um estado de espírito. E todos deveríamos ser cariocas pelo menos uma vez na vida; faz bem.

De Ipanema, passamos pelo Arpoador, e saímos direto no Forte de Copacabana, onde decidimos entrar. Já passava do meio-dia. Dentro do forte, uma vista maravilhosa da praia de Copacabana, com o morro do Pão-de-Açúcar à direita. Alguns surfistas se arriscavam no píer dos pescadores. O Forte tem sem dúvida um dos visuais mais lindos do Rio de Janeiro, e se você é turista-por-um-dia, não deve deixar de visitar esse espaço agradável e seguro.

Estava tendo uma festa-almoço fechada no topo do Forte - parecia promoção da Coca-Cola. Decidimos continuar nosso passeio: pegamos o carro e encaramos a Av. Atlântica, que estava super-engarrafada. Naquele calor sufocante de quase 40 graus dentro do carro, a salvação apareceu sob a forma de um vendedor de mate com limão. Gritei pela janela e... lá vem o mate que mata a sede. Copacabana, princesinha do mar e do calçadão de pedras portuguesas, que é um dos mais famosos do mundo.

Depois disso, tínhamos que encarar a estrada e seguir viagem. Não sem a satisfação de termos recebido um belo presente: um dia de sol tipicamente carioca. Um dia azul, pra confirmar o óbvio: o Rio de Janeiro continua lindo.

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Tudo de bom sempre à minha cidade querida, essa Babilônia Maravilhosa que celebra hoje mais um ano de vida.

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Dizem as boas línguas que o Rio é uma cidade panorâmica - e fotogênica. Eu concordo e acrescento: o Rio é azul.

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sexta-feira, janeiro 19, 2007

Americanas.com vendendo cartilagem de tubarão???

Republico aqui o post da Alline, que alerta para o descabimento completo das Americanas.com ao vender cartilagem de tubarão em seu site - que nós sabemos que é um grande engodo, charlatanismo. Semana passada, Shawn Heinrichs (membro do site/fórum/comunidade de foto subaquática mais badalado da internet, o Wetpixel) publicou uma nota de repúdio elaborada destinada a Amazon.com, exatamente porque eles estavam vendendo produtos de tubarão em seu site. A Amazon ouviu seus consumidores e retirou os produtos das "prateleiras virtuais". Vamos ver como aqui, na terra brasilis, as Americanas.com vão se comportar com o mesmo problema.

A carta abaixo foi escrita pelo Marcelo Szpillman, biólogo e fundador da Projeto Pró-Tuba, do Instituto Ecológico Aqualung.


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NOTA DE PROTESTO
Americanas.com comercializa cápsulas de cartilagem de tubarão

Por Marcelo Szpilman*

Recentemente, o Instituto Ecológico Aqualung e seu Projeto Tubarões no Brasil lançaram a Campanha contra o Consumo de Barbatanas de Tubarão com o objetivo de esclarecer e conscientizar os consumidores sobre essa questão e assim contribuir para a queda no consumo, na demanda e no comércio.

É com esse mesmo objetivo que aqui protestamos contra a comercialização de cápsulas de cartilagem de tubarão e cápsulas de óleo de fígado de tubarão pela Americanas.com através de seu site americanas.corpoperfeito .

Uma das mais graves e absurdas formas de pesca predatória é a captura dos tubarões para a extração de partes de seu corpo com o objetivo de obter produtos específicos cujos benefícios apregoados não têm nenhuma base científica comprovada __ algo semelhante às inúmeras aberrações predatórias e criminosas que vemos ao redor do mundo, especialmente no Oriente, como a crença de que pênis de tigre, pata de tartaruga-marinha, olho de primata ou chifre de rinoceronte curam determinadas doenças ou supostamente têm efeitos afrodisíacos. Mesmo que tivessem tais benefícios, já temos tecnologia suficiente para produzir artificialmente as substâncias com comprovada ação farmacêutica sem que para isso tenhamos que sacrificar esse animais.

Atualmente existem duas fórmulas milagrosas no mercado envolvendo os tubarões. As cápsulas de óleo de fígado de tubarão, conhecidas como “remédio da harmonia”, receitadas para combater o cansaço, a insonia, o reumatismo, a bronquite e até mesmo o alcoolismo. É o milagre da medicina: todas as curas em uma só cápsula. Fórmula milagrosa que vende saúde é coisa de “charlatão do velho oeste”. Veja abaixo o que diz o site da Americanas sobre o produto.

"Informações - Óleo de Fígado de Tubarão: pesquisas efetuadas por vários cientistas suecos, durante mais de 30 anos, demonstraram que o alto poder imunológico dos tubarões é atribuído à elevada dosagem de alquilgliceróis ou alcoxigliceróis existentes no óleo de seu fígado que chega a ser 100 vezes maior que a porcentagem destas substâncias normalmente produzidas no organismo humano (medula óssea, leite materno, etc)."

A outra fórmula milagrosa são as cápsulas de cartilagem de tubarão, que os fabricantes apregoam como antitumorais, em uma gritante e falsa analogia à tese de o tubarão ser imune ao câncer. Afirmações incorretas como essas costumam ser baseadas em informações pinçadas de forma oportunista de trabalhos científicos sérios. A cartilagem do tubarão, assim como a do boi, realmente contém pequena quantidade de uma substância que inibe o crescimento de vasos sangüíneos, em experimentos in vitro __ os tumores dependem fundamentalmente de um rápido crescimento dos vasos sangüíneos para alimentar suas células e assim se expandir. No entanto, essa substância está comprovadamente restrita à cartilagem e não escapa para o resto do corpo do tubarão. Além disso, como todos os animais, o tubarão também pode ter câncer. Para extrair pequenas quantidades dessa substância é preciso utilizar enormes volumes de cartilagem que são impregnados por semanas em fortes preparados químicos. Ainda assim, há sempre quem esteja disposto a investir e lucrar com isso. Para se ter uma idéia de como os tubarões vêm sendo massacrados para atender às nossas “fúteis demandas”, uma simples fábrica na Costa Rica transforma, todo mês, 235 mil tubarões em cápsulas de cartilagem. Veja abaixo o que diz o site da Americanas sobre o produto.

"Informações - Cartilagem de Tubarão: estudos indicam que a cartilagem de tubarão é um complemento nutricional de cálcio e fósforo indicada no tratamento alternativo de diversos processos dolorosos e inflamatórios associados a artrite reumatóide e osteoartrite, assim como para osteoporose, psoríase, degeneração muscular, ritinopatias, cicatrização de feridas, além de ser um excelente estimulador do sistema. Estudos conduzidos por Robert Langer, Ph.D e Anne Lee no Massachusetts Institute of Technology demonstraram que a suplementação com cartilagem de tubarão causa uma diminuição do fluxo sanguíneo para tumores no corpo."

Recentemente, após uma campanha internacional e centenas de e-mails e reclamações do mundo todo, a Amazon.com deixou de comercializar os seguintes produtos: Sharkfin Soup with Crab Meat ; Dragonfly Shark Fin Soup ; Shark Fin Cartilage ; Shark Fin Cartilage Powder.

A pesca dos tubarões para obtenção desses produtos (e das barbatanas) é uma ação predatória insustentável. Está ameaçando seriamente a sobrevivência dos tubarões e já levou 43% das nossas espécies ao declínio e à ameaça de extinção. A complementação nutricional de cálcio, fósforo e outros elementos pode ser obtida através de diversos outros alimentos e suplementos vitamínicos. Não é necessário capturar e matar tubarões com esse único objetivo.

A comercialização desses produtos pela Americanas.com incentiva e induz o consumo e cria demanda para seu comércio. Cessando sua comercialização, certamente influenciaremos sua cadeia produtiva e poderemos ter uma sensível diminuição na demanda para a pesca de tubarões.

Contamos com o bom-senso, a ética e a responsabilidade social das Lojas Americanas e esperamos que, após tomar ciência desse problema, tenha o mesmo procedimento da Amazon e deixe de comercializar os produtos derivados dos tubarões.

Não seja omisso. Faça também seu protesto enviando um e-mail solicitando cessar a comercialização desses produtos para

ombudsman@americanas.com e mdiniz@maquina.inf.br

Somente com a ajuda e a participação de todos poderemos fazer a diferença em favor da preservação dos oceanos.


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Colabore e envie seu email de repúdio às Americanas.com também. Os tubarões agradecem.

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quinta-feira, janeiro 18, 2007

Se a internet fosse uma biblioteca de papel e osso...

...meu cartão no catálogo seria assim:

Cartão de biblioteca Malla

Engraçado, não? Eu, que sempre achei graça nesses cartõezinhos nas bibliotecas, achei um barato a transposição do virtual pro real - ou seria o contrário? Tirei daqui.

Tudo de bom sempre.

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quarta-feira, janeiro 17, 2007

Kerry Emanuel

Para quem não sabe, uma das 100 pessoas mais influentes de 2006 pela eleição da revista Time foi um meteorologista: Kerry Emanuel, professor do MIT, em Boston. E por que ele está lá? Porque seus estudos tentam entender o motivo pelo qual os furacões têm se intensificado no mundo, principalmente no Atlântico. O artigo que Kerry Emanuel publicou na Nature (link em pdf) meses antes do Katrina destroçar New Orleans tornou-se literatura básica para qualquer discussão científica decente sobre aquecimento global e furacões que se queira ter. Ele calculou, teorizou e hoje é citado pelos 5 cantos do planeta como o grande idealizador do modelo que dita que a atividade humana é, em parte, responsável pela intensidade dos furacões.

Ano passado, eu assisti a um programa no Discovery Channel que hipotetizava sobre um super-tufão em Hong Kong - e lá estava Emanuel explicando tintim por tintim como essa tragédia se desenvolveria na atmosfera e o que causaria nos arranha-céus da cidade.

Essa semana, Chris Mooney está blogando diretamente da Reunião Anual da Associação Americana de Meteorologia, e relatou em seu blog a palestra de Kerry Emanuel. Um pedaço me saltou aos olhos:

"Emanuel was a party to that consensus statement, but of course he has his own views. And it's clear that although at present he hasn't won over all of his fellow scientists, he still thinks global warming is playing a significant role in increasing the power dissipation of hurricanes, especially in the Atlantic. (Emanuel showed yesterday that the data are much more contested for the Northwest Pacific.)"


Embora todos os pesquisadores sejam relutantes em dizer preto no branco que a o aquecimento global é o responsável (direto ou indireto) pelo aumento da intensidade dos furacões, percebe-se que Emanuel está claramente decidido em sua resposta. Vale notar também no post de hoje do Mooney outra constatação:

"More recently, though, Holland and his co-author Peter Webster of Georgia Tech have gone further and, in a new paper (PDF), asserted that in the Atlantic, an increase in tropical cyclone numbers over the past 100 years is indeed being caused by global warming's heating of the tropical ocean. As the paper puts it: "It is concluded that the overall trend in SSTs and tropical cyclone and hurricane numbers is substantially influenced by greenhouse warming." The paper further argues that although the proportion of major to minor hurricanes has not changed in the Atlantic, there are more of the strongest storms just because there are more storms in total."

Ou seja, não só a intensidade, mas o número de furacões que se formam no Atlântico aumentou em função do aquecimento global.

É claro, ainda há discussões no meio científico sobre a parcela exata de culpa das emissões de CO2 nesse fenômeno, mas é quase certo que há uma parcela - existem outros fatores que influenciam a formação dos furacões, como temperatura da água do mar, o El Niño, correntes atmosféricas, etc.

Resta a nós ficarmos atentos ao que os próximos artigos de Emanuel e de outros grupos importantes da meteorologia podem acrescentar à discussão, que já está pra lá de quente.

Tudo de bom sempre.

(Também postado no "Faça a sua parte".)

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segunda-feira, janeiro 15, 2007

Definição de aquecimento global

" 'Aquecimento global' é uma frase que se refere ao efeito sobre o clima das atividades humanas, em particular a queima de combustíveis fósseis (carvão, óleo e gasolina) e a queima em larga escala das florestas, que causam emissões à atmosfera de grandes quantidades dos "gases do efeito estufa", dos quais o mais importante é o dióxido de carbono. Esses gases absorvem a radiação infravermelha emitida pela superfície da Terra e agem como um cobertor sobre a superfície, mantendo-a mais aquecida do que deveria ser. Associadas a esse aquecimento estão as mudanças climáticas. A ciência básica do "efeito estufa" que gera o aquecimento é bem compreendida. Um entendimento mais detalhado requer modelos numéricos do clima, que integram as equações básicas dinâmicas e físicas que descrevem o sistema climático completo. Muitas das características esperadas das mudanças resultantes do clima podem ser identificadas (como ondas de calor mais frequentes, aumento de chuvas tropicais, aumento na frequência e intensidade dos eventos climáticos extremos). Incertezas substanciais ainda existem sobre o conhecimento dos feedbacks dentro do sistema climático (que afetam a magnitude de mudança total) e em muitos dos detalhes regionais da mudança. Devido aos impactos negativos nas comunidades humanas (incluindo aumento substancial do nível dos oceanos) e nos ecossistemas, o aquecimento global é o problema ambiental mais importante que o mundo passa no momento. Adaptação aos impactos inevitáveis e motivação para reduzir sua magnitude são necessárias. Uma ação internacional tem sido alavancada pela comunidade científica e política mundial. Devido à necessidade por ação urgente, o maior desafio atual é mudar rapidamente para uma condição de maior eficiência energética e para a geração de energia por combustíveis não-fósseis."

- Tradução minha desse resumo aqui. Referência:

Houghton, J. 2005 Global Warming. Rep. Prog. Phys. 68: 1343-1403.


(Thanks for the excellent link, S. Wayne!)

- Também postado no "Faça a sua parte".

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sábado, janeiro 13, 2007

Rongelap

Ilha de Bokoen - Rongelap

Toda vez que alguém fala em praia deserta comigo, eu penso nessa da foto: na Ilha de Bokoen, que é parte do atol de Rongelap, no pequeno país chamado Ilhas Marshall, no meio do Pacífico. (Mapa aqui.) Pela sua história, deve ser uma das praias mais desertas "de verdade" do mundo.

Rongelap é um atol que fica ao lado de outro atol famoso, o de Bikini, que foi utilizado na década de 50 para testes nucleares americanos - e onde efetivamente eles detonaram uma bomba nuclear. Naquele dia fatídico de teste em 1954, os habitantes de Bikini haviam sido evacuados todos para o atol de Rongerik, mas ninguém se importou em evacuar Rongelap, que ficava ao lado - dizem os marshalheses que o exército queria propositalmente testar os efeitos da radiação em humanos. Nem sequer avisaram ao povo de Rongelap que eles veriam 2 "sóis" naquele dia. E, graças aos ventos reinantes do dia do teste, após a bomba, as cinzas radioativas foram carregadas e caíram em grande parte... em Rongelap. Há relatos de que os habitantes de Rongelap viram cair uma chuva de cinzas brancas naquele dia que cobriram as ilhas completamente, resultado de recifes de coral e afins que foram pros ares com a bomba. Em poucos dias a população começou a adoecer vítima da radiação e foi evacuada.

Mesmo depois do estrago, os habitantes tiveram que voltar a Rongelap 3 anos depois, quando a radiação ainda estava bem alta - e nunca uma "limpeza" da radiação foi feita pelos americanos. Consequência da volta adiantada: sofreram muitas doenças típicas de exposição à radiação, como câncer de tiróide. Foi apenas na década de 80 que o Greenpeace tomou à frente e fez na calada da noite o que o governo americano não fez por essa população "radioativa" em 3 décadas: retirou-os de lá, na chamada "Operação Exodus", que foi completada em 10 dias, com 4 viagens do Rainbow Warrior e que gerou uma situação embaraçosa para a diplomacia americana que não sabia explicar o "esquecimento". E até hoje, poucos nativos de Rongelap voltaram ao seu atol.

Entretanto, ecologicamente, Rongelap ficou isolado desde a bomba. Apesar da radiação, permanecer intocável gerou ironicamente um dos ecossistemas mais magníficos do planeta ainda em estado selvagem total. Rongelap é hoje um paraíso do mergulho - e dizem as novas medições que a radiação é bem baixa na água do mar, devido ao fator de diluição e correntes. Nas praias, não se pode consumir nada que cresça da terra, mas tirando isso, a radiação de fundo é aceitável. E a praia, como se pode imaginar depois de tanta confusão, é totalmente deserta. Humanos não querem ir para lá por medo de contaminação. Então, os habitantes predominantes são os animais que vivem à vontade principalmente embaixo d'água, onde a radiação é quase inexistente. Rongelap é um paraíso tropical ironicamente deixado de lado de propósito; deserto e lindo - um bom destino de sonho para aventureiros/ecoturistas de plantão, não?

Tudo de bom sempre.

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P.S.: 1) O prefeito de Rongelap ainda luta no Congresso americano pela indenização aos habitantes do atol que sofreram com a bomba. O governo americano já tentou "comprá-los" por uma quantia vultosa, mas eles querem mais: querem o devido reparo que o povo merece. Afinal, quando sugeriram o Pacífico para o teste, Kissinger, numa pérola da diplomacia americana, assim se referiu aos marshalheses: "There aren't many of them there, who cares?". O prefeito cares... A luta será dura.

2) Um grupo japonês já tem planos de construir um resort em Rongelap. Os bangalôs já estão prontos, e em breve, Rongelap estará oficialmente aberta ao turismo. A conferir.

3) Cross-posted no blog de viagens Goitacá.

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Fotos bem recentes de Rongelap...


Rongelap - águaRongelap - peixes
Atol quase-deserto, com muitos peixes se multiplicando por lá.

Rongelap - coraisRongelap - coral
Recifes de corais super-saudáveis devido à não-exploração nesses últimos 50 anos. Local intocado mesmo.

Rongelap - arraiasRongelap - tubarão
Tubarões e arraias (essas, brincando de ciranda, hehehehe) nadando tranquilamente em Rongelap.

Rongelap - moreiaRongelap - ostra gigante
Uma moréia curiosa e uma ostra gigante, a espécie indicativa de que a saúde do ecossistema local está nos eixos. É bem raro encontrar ostras gigantes num mergulho hoje em dia, e em Rongelap elas estão por toda parte. Excelente momento para um projeto de conservação.

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sexta-feira, janeiro 12, 2007

A importância de um modelo

Estava lendo o último post do Real Climate, onde os climatologistas discutem o último inverno americano, extremamente atípico, e com pouca neve em regiões onde sempre neva muito, como a costa leste.

Um pedaço me chamou a atenção:

"(...) one cannot attribute a specific meteorological event, an anomalous season, or even (as seems may be the case here, depending on the next 2 months) two anomalous seasons in a row, to climate change. Moreover, not even the most extreme scenario for the next century predicts temperature changes over North America as large as the anomalies witnessed this past month. But one can argue that the pattern of anomalous winter warmth seen last year, and so far this year, is in the direction of what the models predict." (grifo meu)

Temos que tomar cuidado na atribuição de todos os problemas ecológicos do mundo ao aquecimento global. O modelo científico aceito pelos mais renomados especialistas realmente diz que o mundo tende a um aquecimento - e que outros cientistas de áreas diversas afirmam poder trazer consequências catastróficas para os humanos.

Mas ponderação é sempre algo importante em qualquer caso. Se por um lado, a existência dessa estação anômala trouxe com toda a força para a mídia o problema do aquecimento global - principalmente aquele antropogênico, ou seja, causado pelo ser humano -, pode trazer também a oportunidade de entendermos melhor os modelos que estão por trás de tais afirmações da mídia.

Os modelos são calculados baseados em temperaturas medidas por muitos anos, décadas, séculos, e até milênios. Há como identificarmos a temperatura de alguns milhares de anos analisando-se a composição da atmosfera que ficou aprisionada em blocos de gelo em locais remotos, como na Antárctica, por exemplo. Quando olhamos para esses números, vemos que houve momentos de aquecimento e resfriamento, como se fosse um ciclo que acontece de vez em quando com o planeta. Sobe e desce. Entretanto, alguns estudos usando diferentes tecnologias apontaram há algum tempo que o século 20 foi anomalamente quente, e que a tendência de variação climática está só subindo - o que plotado num gráfico gera a forma de um bastão de hóckey voltado para cima, a que os climatologistas chamam de curva de "hockey stick", como vemos abaixo nesse gráfico com a temperatura média do último milênio:

Temperatura dos ultimos 1000 anos

(Repare que o ano de 2006, o sexto mais quente da história, ainda não havia sido registrado nesse gráfico na época de sua feitura... e que se prevê que 2007 será o mais quente da história, o que significa que pode passar dessa linha preta de 2004. Gráfico tirado daqui.)

O modelo de clima global caminha para esse ápice à direita, ou seja, terá variação de temperaturas médias maiores. O que os dados coletados pelos cientistas hoje em dia fazem é apenas confirmar esse modelo por diferentes caminhos científicos - e pasmem, na maioria quase absoluta, os dados confirmam a existência dessa curva crescente teorizada anos atrás. Então, quando alguém refuta o aquecimento global dizendo que "a Terra sempre teve um ciclo de quente-frio", vale ressaltar a essa pessoa que nunca os dados (que são estatisticamente significativos e controlados, publicados em jornais científicos, revisados, repetidos, etc.) mostraram variações de temperaturas tão altas - e subindo mais a cada ano. O conceito de "quente" do passado não é o mesmo que estamos presenciando hoje. Ok, há o efeito do El Niño (que esse ano inclusive prevê-se que será "moderado", não tão forte quanto no passado), há o problema das erupções vulcânicas, mas nesse último século há principalmente a ação humana gerando CO2 em quantidades gigantescas. Portanto, podemos até (fugir e) culpar o El Niño, podemos (fugir e) culpar os vulcões em erupção e o que mais de irracional aparecer pela frente, mas o grande diferencial dessa equação - o homem - precisa também ser incluído no cálculo e repensar suas atitudes geradoras de CO2. Repensar o que vem fazendo pelo planeta.

Mesmo que isso não afete a sua existência direta agora - afinal, os modelos climáticos são, como tudo na ciência e na vida, baseados em estatísticas -, é um problema cuja probabilidade de afetar as gerações futuras é muito elevada. E que planeta você quer deixar para seus filhos?

Olhe pro modelo do gráfico, pondere e responda.

(Postado também no "Faça a sua parte")

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quinta-feira, janeiro 11, 2007

Adote o planeta

Escreveu perfeitamente o Allan em seu post "Adote o seu planeta" (que eu deslavadamente copio aqui, porque precisa ser divulgado):


"Lendo um post da Lúcia Malla sobre o aquecimento global, descobri que escrevíamos sobre as mesmas preocupações. Empolguei-me e sugeri fazermos algo juntos, minutos antes que a Ana Paula fizesse o mesmo. O resultado é uma campanha que está nascendo. Se você quiser participar, estamos necessitando de alguém que crie os selos da campanha e de gente disposta a fazer alguma coisa. Você decide o quê.

Faça a sua parte.

Salve a sua vida.

Esta é uma campanha voluntária, popular e internacional. Não tem patrocinador nem proprietário; ela é tão sua quanto minha e começa agora. Não espere convite ou intimação. É você quem decide.

Descubra o que você pode fazer para ajudar a salvar o planeta. Feche a torneira enquanto escova os dentes ou faz a barba; deixe o carro na garagem e use mais o transporte coletivo; desligue o ar-condicionado uma hora antes; não compre produtos da empresa que polui; troque o atum em lata por peixe fresco; exija que a prefeitura da sua cidade adote um programa eficaz de reciclagem de lixo e controle se ele realmente funciona; desenvolva atividades ao ar livre com seus alunos; descubra como substituir as embalagens da sua empresa por material reciclado e biodegradável; divulgue a campanha no jornal, rádio ou tv onde você trabalha e informe os resultados periodicamente; use somente metade das lâmpadas do escritório e da sua casa; desenvolva um equipamento anti-poluente. Enfim, tem sempre alguma coisa que pode ser feita.

Convide a sua associação, a sua comunidade ou seus amigos a descobrirem como podemos salvar a Terra com pequenas ou grandes ações, cada um fazendo o que for possível. Participe, divulgue e incentive, mas não espere por ninguém.

FAÇA A SUA PARTE.
"


Foi dada a largada à nossa campanha global blogal!

P.S.: Apenas algumas considerações... A Ana já está trabalhando num selinho supimpa para a campanha e o blog "Faça a sua parte" (idéia da Ana) já está brotando na blogosfera! Ajustem seus links, pessoal, e ajudem a divulgar na teia.

Para organização minha pessoal, malla-posts sobre aquecimento global publicados aqui serão imediatamente colados lá. Assim mais a mensagem se espalha...

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terça-feira, janeiro 09, 2007

Idéias afloram por um mundo mais verde

Que massa!

O Allan e a Ana Paula se empolgaram bastante pela idéia de fazermos uma campanha pela blogosfera de educação e atitude sobre aquecimento global. Acho que essa iniciativa pode andar lado a lado com posts de discussão sobre o assunto em diversos blogs. Eu adorei descobrir mais pessoas preocupadas com o tema e com vontade de divulgar, educar e ter atitudes mais verdes. Não tinha pensado tão grandiosamente quando escrevi o post abaixo - na verdade, estava egoisticamente pensando em me educar e compartilhar com os amigos o que fosse lendo/aprendendo - mas já que a idéia deu tão bons frutos, por que não encaramos o desafio todos juntos, né? Para fins organizacionais, gostaria de pedir ajuda sobre...

- Um selinho que indique uma preocupação com o aquecimento global, para colocar nos blogs de cada um, em posts referentes ao tema aquecimento global, distribuir como gif, enfim, espalhar pela blogosfera. Precisa ter uma frase de impacto, como "Faça a sua parte" (sugerida pelo Allan e que eu gosto muito). Pode ser também uma frase que se relacione mais diretamente ao aquecimento, como "Por um mundo mais cool" ou algo do gênero (em inglês até funciona bem, mas como podem perceber, minha criatividade para slogans é patética). Mais sugestões são bem-vindas e vou contabilizá-las na caixa de comentários desse post até o final desta semana, ok? A gente escolhe então um logo e faz o gif.

- Uma blogagem coletiva em abril (dia da Terra?) sobre o tema em si, com posts mais detalhados ou mais elucidativos. Como eu sei o quão trabalhoso e prazeiroso é organizar uma blogagem coletiva de tema pesado, deixo meu blog à disposição para abrigá-la na data, ciente do que vem pela frente. Se outra pessoa quiser organizar, sinta-se à vontade para tal, me escreva (emaill Malla no rodapé da página) e a gente combina os detalhes, etc. Seria legal divulgarmos a ação da blogagem com talvez uns 15 dias de antecedência (isso que é pensar ahead of time...), porque mais que isso as pessoas em geral esquecem - o dinamismo da rede é fora do comum, e as coisas são esquecidas com facilidade ao passar do tempo.

- Numa data mais próxima (sugiro "já", mas estou aberta a discussões), fazer um meme (ou algo similar) com 5 atitudes ecológicas que você pode fazer na sua casa, bairro, cidade, no boteco, etc. para amenizar a poluição de CO2. Pode ser uma lista de empresas não-ecológicas a serem boicotadas. Ou sugerir 5 websites que ensinem/comentem sobre o assunto "aquecimento global" e ajudem na educação sobre o aquecimento. Ou 5 pessoas importantes que fazem muito sobre o tema. Ou 5 medidas simples, práticas e do dia-a-dia, que incentivem o "viver ecologicamente". Que sustentem a idéia de que somos parte de um ecossistema, e não donos dele. E que podemos mudar muita coisa, basta tomarmos atitudes com consequências mais verdes. Nesse caso, eu me encarrego sem problema algum de juntar todas as dicas sugeridas nos diferentes blogs e montar um pequeno "guia de como viver ecologicamente na atualidade aquecida" - gosto de organização em certos temas, como podem perceber. Talvez isso ajude mais pragmaticamente no problema, não sei.

O que vocês acham de tudo isso? Deixem sua opinião na caixa de comentários desse post sobre essas propostas, que a gente vai organicamente discutindo e implementando o que vai sendo sugerido. É a Malla pelo e por um mundo melhor entrando em ação.

Vai ser uma festa ecológica legal!

Tudo de bom sempre àqueles que topam o desafio da mudança de atitude por um mundo melhor.

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segunda-feira, janeiro 08, 2007

Uma inconveniente verdade para 2007

Foi dada finalmente a largada para 2007 neste bloguinho malla. O meme de ontem foi apenas aquecimento para o outro aquecimento a que quero me dedicar mais nesse Ano Internacional Polar - e convido vocês a me acompanharem nessa viagem também. Por ser um aquecimento global, requer mais envolvimento das pessoas, mais comunidade. E o que é a blogosfera senão uma "comunidade" virtual de conversa, entretenimento e aprendizado, não é mesmo? Discutir essa verdade inconveniente que vem permeando minha caixola e a de muitas outras pessoas, que apesar de preocupadas com o futuro do nosso planetinha azul, estão otimistas de que acordaremos para a realidade. Eis o desafio de 2007 e dos anos que virão.

Começo com uma retratação pessoal. Comentando sobre a lista das pessoas mais "verdes" feita pelo Guardian, escrevi num post abaixo:

"Gostei de ver o nome de Stephen Jay Gould também, mas confesso que a nona posição para Al Gore me incomodou bastante."

Preciso retirar o que disse - para alívio (acho) do Fernando, que ficou intrigado com meu comentário. No momento em que li a reportagem, eu ainda não tinha assistido ao documentário-cruzada de Al Gore, mostrando sua tentativa de educar a população sobre os riscos do aquecimento global. Aliás, sobre o fato de que ele está aí, batendo na nossa porta. Há pessoas ainda que não querem atender à porta e fingem não escutar a campainha. Por essas, eu quero continuar lendo e compartilhando informações sobre o assunto. Porque o aquecimento global é fato, e praticamente todas as decisões que fizermos como população humana daqui pra frente precisam levar em consideração esse fator na equação. Al Gore está certíssimo e merece mais que a nona: merece estar entre os top 5 de figuras mais verdes do planeta, pela sua intenção nobre, pela sua atitude, por estar efetivamente fazendo algo, e não sentado apenas reclamando da vida em inércia improdutiva. Eu sei, ele é político, pode muito bem estar demagogicamente usando isso a seu favor para uma futura campanha eleitoral - embora eu desconfie que não. E se até os grandes especialistas em aquecimento global o elogiaram e digeriram seu documentário de maneira científica e bela, realmente só resta aos de bom-senso concordar de que ele está eficientemente trazendo ao público leigo um tema nada palatável. O filme - que ganhei de presente de Natal - me fez correr atrás de informações novas, e só pelas diferentes questões que instigou, já tem seu mérito, assim como Gore.

Para muitos, há uma visão catastrofista na abordagem feita pela mídia e afins sobre aquecimento global - virou "palavra da moda". Eu até concordo que muitas vezes misturam-se causalidades e efeitos numa só salada indigesta, mas o acúmulo de dados que provam que a Terra está se aquecendo anomalamente nos últimos tempos é tão mais robusto que os argumentos contrários, que só me resta acreditar que as pessoas preferem culpar a visão catastrofista por desprezo total pelo futuro (atitude tipicamente suicida) ou por medo (consciente ou não) do que vem pela frente. O pior cego é aquele que não quer ver, já dizia o ditado. Mas, ao invés de nutrir medo e negar os dados que mostram que o aquecimento é uma realidade (não leva a muita coisa saber quem veio primeiro, o ovo ou a galinha), muito melhor seria se discutíssemos o futuro incluindo o aquecimento na equação do mundo e fizéssemos a nossa parte, um pouquinho cada um. Eu acredito no efeito formiguinha, e é com esse otimismo de que em 2007 poderemos dar início a um processo de conscientização ecológica global que eu saúdo a todos que passam por aqui.

Tudo de bom sempre no admirável mundo novo e quente.

(Assistam a "Uma verdade inconveniente": vale a pena.)

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*Esse post é a parte 1 de sei-lá-eu-quantos sobre aquecimento global que estou me auto-desafiando a divulgar neste ano de uma maneira mais simplificada. Escrevendo, organizo mentalmente as minhas viagens na maionese global e compartilho um pouco do que tenho lido sobre o aquecimento: aprenderemos juntos, porque o tema é árduo, desgastante e preocupante. Fica o convite para essa aventura aos amigos que quiserem me acompanhar.

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domingo, janeiro 07, 2007

Meme das resoluções para 2007

Eis que o ano começou e este blog aos poucos acorda da ressaca do Ano Novo em Copacabana/Ipanema (onde tive o prazer de conhecer a amiga Alline) e dos já 800 km percorridos nesse 2007 que mal começou. Vida de viajante é um caso sério...

Não sou de fazer resoluções de Ano Novo, acho que a gente as faz diariamente, vivendo de maneira agradável e usando o bom-senso. Trabalhando por seus objetivos de vida. Mas... meme é meme, e esse eu recebi especialmente do Hermenauta pedindo para listar 5 resoluções para 2007. O primeiro meme do ano a gente provavelmente esquece, então aí vão as minhas próximas e pequenas resoluções da última hora para dar vazão à brincadeira:

1) Ir ao Hawai'i de novo.
2) Diminuir o consumo de plástico e papel.
3) Ler "The God Delusion", do Richard Dawkins.
4) Visitar o Aquário de Monterey, na Califórnia.
5) Estudar mais sobre aquecimento global e as consequências sobre os seres vivos.

Tudo de bom sempre a todos nesse 2007 que finalmente respira.

(Ah, eu passo o meme para quem quiser respondê-lo.)

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