Uma Malla pelo mundo Interney.net/blogs/malla

sábado, fevereiro 24, 2007

And the Oscar goes to...

Oscar e Lucia Malla

... Lucia Malla!!!

:)))))

Brincadeiras a parte (afinal, minha vocacao para cinema eh praticamente nula), semana passada estive numa exposicao no Kodak Theatre, em Hollywood, onde as estatuetas do Oscar que serao entregues hoje a noite estavam a mostra - sem o nome dos vencedores gravados, eh claro. Tirando a curiosidade de tabloide da mostra, uma outra curiosidade tambem me saltou aos olhos: a estatueta do Oscar eh feita por 4 camadas de metais diferentes. Primeiro, uma camada de bronze, depois uma de niquel, e outra de prata; aih banha-se com ouro 28 quilates para dar esse look "dourado vencedor" e depois passa-se uma camada de um material transparente que protegerah o ouro de danificacoes maiores.

Kodak TheatreCalcada da fama

Nessa exposicao, havia tambem uma estatueta do Oscar verdadeira amarrada a um pilar, onde podiamos tirar fotos com ela - fotos-chavao como a da entrada desse post. E tambem tinha lah a lista completa dos concorrentes desse ano - e eu fiz questao de tirar uma foto do Oscar jah perto da foto do Leonardo di Caprio, que eh para quem eu torco esse ano.

Meu favorito

Los Angeles respira Oscar nessa epoca do ano... que festa.

HollywoodOscar

Tudo de bom sempre.

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quinta-feira, fevereiro 22, 2007

California dreaming on such a winter day...

- Em pouco mais de uma semana pelas highways e nao-highways americanas, andamos cerca de 2100 milhas (ou mais ou menos 3400 quilometros) pela California e Oregon, dormindo em hoteizinhos de beira de estrada - exceto em San Francisco, onde meu super-amigo de longos carnavais bioagrenses Gilson me hospedou. Estou amando essa sensacao on the road de vento na cara, mesmo sendo inverno de temperaturas amenas. Afinal, minha vida eh na estrada, como diz aih do lado.

- Mais uma das minhas resolucoes para 2007 foi cumprida: visitei o Aquario de Monterey. E aconselho a visita a quem quiser aprender mais sobre o mar, esse "desconhecido". O tanque com animais oceanicos (os que vivem no meio do mar, longe da costa) eh simplesmente maravilhoso. Tem varios atuns, mahimahis (ou peixe-golfinho), tubaroes de Galapagos e ateh um estranhissimo mola-mola. Eh trabalho de profissional super-gabaritado manter essa galera junta num tanque, e eles se superam. Alem disso, o tanque de floresta de laminarias tambem eh de uma beleza inacreditavel. E as lontras sao uma diversao. E nos precisamos acordar para a destruicao dos mares que vem acontecendo. Em suma, em minha modesta opiniao, Monterey eh o melhor aquario que jah visitei pelo mundo em varios sentidos. Chantilly da visita: todos os funcionarios de contato direto com publico no aquario sao idosos da "melhor idade". Jovens, soh cuidando de tanques e alimentando tubaroes. Mas quem pega no pesado para explicar porque nao podemos comer sopa de barbatana de tubarao ou mostrar a textura de uma anemona para as criancas sao os mais velhos. Nao eh um barato aproveitar esses senhores cheios de luz, experiencia e energia? Amei.

- Existe cidade mais iluminada que San Francisco? Talvez Barcelona. Mas o sol que brilha em San Fran causa uma beleza estonteante na cidade, um revigor de tirar o folego.

- Yosemite faz por merecer: eh um parque nacional extremament fotogenico. Mas Point Lobos eh mais "a minha cara".

- Eh incrivelmente maravilhoso pensar que amanha estarei de volta a um dos meus lugares prediletos do mundo. Por pouco tempo, mas a certeza da visita jah eh rejuvenescedora.

- Posts detalhados de tudo que tenho passado e anotado? Daqui a um mes, talvez. Mas virao, porque eh necessario logar a viagem de forma organizada, com fotos que lembrem os melhores momentos, e nao em notinhas minusculas, sem inspiracao ou (des)informacao necessaria.

- Tudo de bom sempre.

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sábado, fevereiro 17, 2007

Onde eu estava anteontem

Sequoia1Sequoia3

Visitando os maiores (em massa) seres vivos existentes no planeta, as sequoias, no Parque Nacional das Sequoias, estado da California, EUA. A paisagem de inverno completamente cheia de fog, neve e coniferas dah o toque "Lord of the Rings" da aventura nessa floresta magnifica e cheia de surpresas bioecologicas para mim. A historia mais detalhada desse passeio eu contarei num post futuro, aguardem.

Sequoia2

Tudo de bom sempre.

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sexta-feira, fevereiro 16, 2007

Obviedade

Estah bem dificil arrumar tempo para acessar a internet. E mais dificil ainda fazer o download das minhas fotos - quero prometer a mim mesma que faco isso muito em breve. E quando finalmente arrumo tempo, eh soh pra escrever poucas linhas no meu bloguinho querido e jah tem alguem me chamando para sair de novo, cair na estrada, ou fazer algo interessante, ou simplesmente curtir o local. Estou por 2 dias na casa de um dos meus melhores amigos, matando as saudades dos papos e tempos bons da juventude insolita vicosense.

A viagem estah uma infinita highway de sorrisos: a estrada que preenche. Em breve conto mais detalhes.

Tudo de bom sempre.

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sábado, fevereiro 10, 2007

On the road again

Lucia Malla on the road again. Mais uma vez, estou caindo na estrada. Dessa vez, viagem um pouco mais longa: um mês. Visitarei 5 amigaços e isso me deixa felicíssima: consolidar os laços que ficam espalhados pelo mundo mas que nunca saem do coração.

Tentarei postar aqui no meu bloguinho na medida do possível o que estiver acontecendo de interessante durante o trajeto nesse mês; mas, como eu sempre acho quase tudo interessante, pode ser que o ritmo de posts não diminua tanto. Ou não. Vai depender da disponibilidade de computador - que pode ser nula.

Só tem um detalhe: o destino vocês descobrem depois.

Até lá... tudo de bom sempre a todos.

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quinta-feira, fevereiro 08, 2007

Uma tarde agradável em Seul

Se você um dia na sua vida estiver em Seul, sem indício de chuva, só tiver uma tardezinha para passear e disposição para caminhar... esse roteiro é uma dica Malla interessante.

Pegue o metrô de onde você estiver e desça na estação City Hall, na linha 1 ou 2 (é uma estação bem central e movimentada). Ao sair, você verá a Prefeitura de Seul, um prédio cinzento não muito bonito - eu acho a arquitetura dele extremamente monótona. Em frente à prefeitura, há uma praça enorme (2 milhões de coreanos se juntaram ali na Copa para torcer pelo seu time), onde geralmente tem umas apresentações de artistas locais, bem típicos. Absorva um pouco desse universo.

©Seul-City Hall©Seul-artistas de rua
O prédio sem-graça da Prefeitura de Seul. Ao lado, artistas de rua se apresentam na praça da Prefeitura, tocando músicas típicas coreanas.

Em frente a essa praça, fica o palácio de Deoksugung, onde diariamente (exceto terças e no inverno) no portão principal há a cerimônia de troca da guarda real, feita nos moldes da dinastia Joseon, com tambores e música. As roupas típicas coloridas são o highlight, e até mesmo os coreanos param na calçada para ver. O parque do palácio em si é orgulho nacional, cheio de pavilhões em arquitetura coreana e um prédio exótico em estilo ocidental, o Museu de Arte Deoksugung.

©Seul-troca da guarda 4©Seul-troca da guarda 3
©Seul-troca da guarda 2©Seul-troca da guarda 1
Troca da guarda real em diferentes momentos. Repare no tambor coreano pintado - e no quão colorido é o uniforme dos guardas.

Depois de passear pelo palácio, vá andando na direção das montanhas (norte) pela calçada da direita e você verá o início de um riozinho entre prédios modernos. É o "stream" da cidade, Cheonggyecheon, feito para revitalizar o espaço urbano. Ali embaixo passa um córrego de verdade, que foi coberto com uma avenida na década de 60 (ah, as viagens do urbanismo antigo!) e agradavelmente reaberto agora. O córrego tem cachoeiras, áreas de descanso e um painel de azulejos que conta a história da Coréia. Fica lotado nos fins de semana. Quase ao final da área mais urbanizada do riozinho, você verá uma escada à direita. Suba.

©Seul-Stream©Seul-stream2
©Seul-azulejos©Seul-stream3
Cenas do córrego Cheonggyecheon: bastante urbanizado, com pontes de pedrinha (detalhe bem asiático), e azulejos contando a história das dinastias coreanas. É o novo point da cidade.

Você está agora no bairro de Myeong-dong, onde as lojas chiques estão instaladas e as vielas estreitas da Seul antiga ainda estão vivas, cheirando a kimchi. Há ruas só de pedestres por lá. Pergunte no guichê de informações turísticas pela Gelateria Gusttimo, simplesmente a melhor sorveteria da cidade. Termine sua tarde deliciando um sorvete por lá, sem pensar em dieta - afinal, eles são feitos sem açúcar (palavras da própria dona, uma italiana-coreana com quem conversei numa das inúmeras visitas que fiz). Você não se arrependerá.

©Seul-transporte local©Seul-Gusttimo
Em Myeong-dong, um senhor em seu transporte típico. Ao lado, a gelateria Gusttimo, que merece a visita. Me dá água na boca só de ver essa foto.

E lembre-se que Seul fica nos nossos corações, apesar de aparentemente inóspita e indecifrável. É só aparência: palavra de uma brasileira das terras coreanas.

Tudo de bom sempre.

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(Post publicado também no Goitacá.)

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terça-feira, fevereiro 06, 2007

Meme das 3 atitudes ecoconscientes

Eu estou criando um meme, nesse exato momento, o "meme das 3 atitudes ecoconscientes". Eu sei, muitos torcem o nariz para memes, principalmente na hora de indicar para quem passá-los. Porque todo meme é de certa forma uma brincadeira de lista de (não)preferências, e essas listas são, a grosso modo, um exercício mental "aborrescente". Entretanto, abstraiamos a faixa etária e concentremo-nos na brincadeira, como uma forma divertida de relembrar pontos/momentos importantes em nossas vidas. E memes passam facilmente de um para outro, o que pode aumentar o valor adaptativo da idéia. É com essa mentalidade de diversão adolescente misturada à ação adulta por um mundo mais ecoconsciente (sem desbancar pro ecoxiismo), que eu gostaria que as pessoas repercutissem esse meme em seus blogs, para que gerássemos um mar de idéias, discussões e soluções ecológicas pela blogosfera. Não seria o máximo?

A idéia é a seguinte:

"Poste as 3 atitudes ecoconscientes que você praticou/pratica/pretende praticar na sua vida (ou na sua casa, no seu trabalho, no boteco, etc.) para melhorar a situação ambiental do planeta Terra."


Cada um escolhe o tempo verbal e o local que quer usar no seu meme, e se possível, discute um pouquinho sobre cada uma das suas 3 atitudes. Se a pessoa tiver mais atitudes para postar, não tem problema, ponha quantas quiser. 3 é um número aleatório que eu escolhi, mas não obrigatório. O mais importante é tentar pôr a mão na ecoconsciência e tirar 3 atitudes que você acha interessantes serem repassadas para outras pessoas ao redor, que outros leiam e, quem sabe, se inspirem.

Vamos começar?

Minhas respostas:

- Levar minha mochila quando vou fazer compras no mercado. Assim, evito o gasto desnecessário de plástico de empacotamento. Por que faço isso? (Minha perspectiva pessoal do problema) O plástico das sacolinhas (geralmente brancas ou semi-transparentes) termina no lixo, que infelizmente em parte ainda termina no mar, onde flutua parecendo uma água-viva. Algumas tartarugas marinhas (como a tartaruga-de-couro) se alimentam de águas-vivas, e ao verem aquele troço transparente flutuando, comem o plástico enganadas e morrem entaladas. Em países como Coréia do Sul e Alemanha, as sacolas de empacotamento são pagas, portanto as pessoas por lá já estão acostumadas a colocarem suas compras nas bolsas que trazem de casa. E minha consciência se acostumou facilmente a isso.

- Visitar parques e áreas de conservação. Por que faço isso? Sou bióloga, e sei o quão complicado é para arrumar verbas para uma pesquisa científica decente. Parques e áreas de conservação são locais abertos à visitação pública, agradáveis, uma diversão muitas vezes a preço irrisório. Mas esse ingresso irrisório, acreditem, faz a diferença entre manter ou não uma pesquisa andando, entre manter o parque funcionando ou não - qualquer ajuda nesses locais portanto é bem-vinda. Quanto mais visitação, sei que no final da linha, mais dados sobre fauna, flora, ecossistema e afins estarão disponíveis para toda a comunidade, e soluções de manejo mais consistentes podem aparecer.

- Não imprimo nada, a não ser o absolutamente necessário. Por que faço isso? Porque para produzir papel uma quantidade gigantesca de água é usada, além de árvores que são cortadas. Leio livros e artigos pela internet. Formulários, fichas de cadastro, etc, se tiverem a opção para mandar por email ou completar o pdf, eu faço. Mesmo quando não dá - o que no Brasil é tragicamente comum, porque a burrocracia adora um "papelinho" assinado e autenticado em cartório - eu imprimo nos dois lados da folha e se possível uso papel reciclável. Reuso papel para escrever até que nada mais caiba nele. E acho que deveria haver uma campanha nas universidades para que trabalhos escolares escritos só fossem aceitos em formato digital, nada de papel. Afinal, a universidade, onde em tese tudo se discute, deveria dar o exemplo à sociedade, né não?

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Como todo meme, tem que ser repassado para funcionar. Então eu aproveito e repasso para 3 pessoas, coincidentemente que também participam do Faça a sua parte, o nosso blog de aquecimento global e ativismo verde consciente: o Allan, o Flávio Prada e a Denise.

Tudo de bom sempre.

(Também postado .)

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sexta-feira, fevereiro 02, 2007

Industrialmente Ulsan

Em setembro do ano passado, nós fizemos uma viagem para gastar as milhas que tínhamos acumulado pela Korean Air. Podíamos escolher qualquer destino dentro do país, e escolhemos Gyeongju, uma pérola histórica. Entretanto, Gyeongju não tem aeroporto, então tivemos que voar para Ulsan, que fica a 40 minutos de ônibus. Como Ulsan era parada obrigatória tanto na ida quanto na volta, decidimos conhecer um pouco essa cidade também.

"Ulsan é a cidade mais industrial da Coréia do Sul." Eu ouvi essa frase incontáveis vezes da boca de diferentes coreanos, inclusive nativos da cidade, e sempre com uma conotação negativa, de poluição e marasmo. Fiquei com um pé atrás, claro. Afinal, o que uma cidade que só tem fábricas poderia oferecer ao turista além de crises de asma? (Apesar disso, a seleção brasileira ficou em hospedada em Ulsan na saudosa Copa de 2002.) Quando percebemos que não tínhamos muita escolha no roteiro, comecei a ler sobre Ulsan. Achei meia dúzia de atividades que pareciam interessantes e estava feito um roteiro "meia-boca".

©UlsanAS-aerial©UlsanAS-aerial factories
Vista aérea de Ulsan, com seus recortes costeiros e o mar de fábricas ao redor do rio. Ulsan tem o porto mais movimentado da Coréia do Sul.

É realmente fantástico quando a gente se surpreende com um local - por isso que gosto mesmo é de ir ao lugar e elaborar a minha própria opinião, não apostar todas minhas fichas na opinião alheia. Não sei se foi como o avião pousou, dando a volta por todo o litoral da cidade, ou se foi o céu azul que brilhava na manhã da chegada, ou se foi o cenário plácido do rio Taehwa que corta a cidade. Mas fato é que achei Ulsan uma cidade muito simpática, industrial na medida certa, digamos assim. Lembrou-me (vista do céu) Vitória (ES) - talvez pela curvatura do litoral e do enorme porto da Hyundai (fala-se em coreano "riôndé") lá instalado.

O aeroporto pequeno, mas simpático - internacional, para os grandes negócios que devem ser fechados ali, na sede da Hyundai Heavy Industries (que produz navios e afins). Mas, como já tínhamos planejado não nos atermos a Ulsan, fomos direto para Gyeongju, passar 2 dias. Deixamos Ulsan para depois.

Na volta, decidimos vir mais cedo, e passamos parte do dia caminhando por Ulsan. No centro da cidade, uma visão engraçada: uma roda-gigante enorme em cima de um prédio de alguns andares - a Hyundai Department Store. Uma dessas mágicas da engenharia civil, em minha modesta opinião leiga. Como se sustenta? Depois de tirarmos fotos daquilo, fomos almoçar num fast-food, para não perdermos tempo.

©Ulsan-Roda gigante
A roda-gigante em cima do prédio!

Do centro, pegamos um ônibus até a ponta da baía de Ulsan, em Jangsaengpo, onde fica o Museu da Baleia. Achei interessante a proposta do museu, que tem um prédio interessantizinho. No pátio do Museu, uma réplica de navio baleeiro antigo. Dentro do museu, explicações biológicas e econômicas sobre o animal e toda a cultura que o envolve - na Ásia, lembremos bem, baleia ainda é comida, infelizmente. Várias fotos da atividade baleeira, daquele mar de sangue que viram os navios quando eles coletam um animal. Admirei um feto de baleia em formol, à exposição. Biologicamente muito interessante. Poucas tabuletas em inglês (melhor seria dizer "konglish"), do que se conclui que o museu é basicamente para os coreanos.

©UlsanAS-Hyundai©Ulsan-museu
Vista dos guindastes do porto da Hyundai; ao lado, o prédio do Museu da Baleia.

Mas aí a gente sai do museu, e o que vemos ao atravessar a rua em frente a entrada? Vários restaurantes especializados em... carne de baleia! Achei aquilo altamente contraditório. A Coréia, desde a década de 80, é um dos países que declararam moratória na caça a baleias, por pressões ambientais. Mas eis que descobrimos em Ulsan que aqueles restaurantes ali na frente do museu são os únicos que existem no país, é uma "tradição" local (mais uma vez...) comer carne de baleia - não ficou claro para mim de onde essa carne oficialmente vem - , e muitos nostálgicos do país vão a Ulsan apenas para isso. Por causa dessa nostalgia, a Coréia já há algum tempo pressiona para voltar a pescar baleias para alimentação. Por causa dessa possibilidade, a reunião da Comissão Internacional de Baleias em 2005 foi em Ulsan, na tentativa de trazer ao debate de novo sobre a importância da preservação - e a Coréia, aliás, apresentou a proposta mais estapafúrdia possível.

©UlsanAS-restaurante©Ulsan-lulas secando
Um dos inúmeros restaurantes que vendem carne de baleia em frente ao Museu da Baleia. Ao lado, uma cena típica coreana: um varal de lulas, secando para futuro consumo.

De qualquer forma, andar por aquela rua me deu uma enorme tristeza. Decidimos ir então passear na praia de Ilsan, que fica do outro lado da baía. Passamos pela fábrica de carros da Hyundai, um mundo, enorme. Tinha um navio parado de pelo menos 15 andares lotado de carros, que maluquice.

A praia de Ilsan é simpática. Curvatura bonita, algumas lojinhas, um mini-calçadão. Muito "lixo de deriva" na areia - aquele lixo que é trazido pelas correntes marítimas. No final da praia, tem uma escadaria que leva a um vilarejo e ao parque Daewangam Songnim ("floresta de pinheiros") no topo de um morrinho. No vilarejo de ruas estreitas, muitas barraquinhas com comidas típicas coreanas, inclusive os besouro, que as crianças adoram e comem feito pipoca.

©Ulsan-farol Ulgi©Ulsan-Ilsan
O farol de Ulgi, com uma brancura Omo de dar gosto. Ao lado, a praia de Ilsan.

Passado o vilarejo, chegamos na floresta de pinheiros. A trilha leva ao farol branco-mediterrâneo de Ulgi. Andando um pouco mais, uma paisagem simplesmente maravilhosa desponta: o mar e um céu azulzíssimos, com as rochas recortadas claras chamadas de Daewangam abaixo. Muito vento, meu cabelo não parava no lugar nem amarrado. Estava frio no dia, mas as pessoas não se desanimavam a andar até a ponta do parque, onde uma pontezinha ligava o continente a essa ilhota de rochas estranhas. Fomos até lá, um local pacífico, ótimo para reflexões. Diz a lenda que a ilhota é na verdade a rainha Munmu da dinastia Silla, que ao morrer se transformou em dragão e foi morar embaixo d'água, virando finalmente uma rocha protetora da entrada de Ulsan. Estórias à parte, a paisagem é nota 10, apesar da multidão - era domingo.

©Ulsan-Ponte©Ulsan-Banco de gatos
Uma das rochas exóticas do litoral de Ilsan ligada pela ponte. Não é uma paisagem linda? Ao lado: eu adorei esse banco com os gatinhos segurando o assento! Estava na ilhota do parque, e era feito de pedra.

Depois de subirmos e descermos em rochas, hora de voltar para casa. Como não sabíamos como chegar no aeroporto, entramos no primeiro ônibus e por sorte chegamos a um ponto final onde os motoristas conseguiram entender que queríamos ir pro aeroporto, e nos indicaram o ônibus certo. Tranquilíssimo trajeto de ônibus, vendo "as modas" coreanas. Pegamos o vôo para Gimpo (Seul) e a viagem terminou com a certeza de que as milhas da Korean foram muito bem aproveitadas.

©Ulsan-rocha

Tudo de bom sempre.

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quinta-feira, fevereiro 01, 2007

A grande desilusão

Menos uma resolução de 2007. Terminei de ler "The God Delusion", do Richard Dawkins. Edição em inglês, não faço a menor idéia quando será publicado no Brasil - embora acredite que nem tão cedo, dado o teor do que ali é discutido. O livro é fabuloso, com uma lógica científica fantástica. A vontade que eu tenho é de comprar umas cópias e distribuir para meus amigos que gostam de "provocação mental". (O Guto, por exemplo, imagino que adoraria.)

Richard Dawkins, biólogo renomadíssimo da Universidade de Oxford (é dele também "O Gene Egoísta", onde elaborou o conceito de meme pela primeira vez), se propõe nesse livro a discutir o até então considerado "indiscutível": religião e a existência de deus. Sim, ele trata essa questão como "hipótese científica" e disseca todos os argumentos possíveis e imagináveis ao redor. Faz com maestria literária, incisivo até a última gota. Lá pelo meio do livro, alerta para o potencial perigo do que fazemos com as crianças hoje em dia ao chamarmos as mesmas de "criança católica", "criança budista" ou qualquer coisa assim: colocamos um rótulo no subconsciente da criança de difícil retirada depois, algo que ele considera tão pernicioso quanto assédio sexual, já que a criança não está preparada ainda pra tal escolha (não falamos criança marxista, por exemplo, e religião é algo tão complexo de se escolher quanto a vertente econômica). O certo para Dawkins seria chamar "criança de pais católicos", etc. no que seria o ápice do politicamente correto. Para terminar, presenteia o leitor com um insight digno de um filme do Buñuel. É muito instigante, eu gostei.

Aliás, talvez por eu ser bióloga e ter estudado muito da argumentação "biológica" dele, o livro é de leitura fácil. Mas alguns filósofos e/ou estudiosos do assunto não saíram satisfeitos da leitura do mesmo. Falta aprofundamento filosófico, talvez. Eu, sinceramente, não percebi - mas, de novo, talvez seja pelo meu background.

O livro é definitivamente polêmico. Quer dizer, para o leitor (que é convidado constantemente a rever paradigmas), mas não na cabeça de Dawkins, para quem o assunto é mais claro que água de fonte natural. Eu diria que o livro é uma tentativa alentadora de abordar um tabu humano para leigos - já que em geral dizemos que religião não se discute. Dawkins mostra que se discute, sim.

Só por essa quebra de tabu, o livro já bastaria. Mas ele tem muito mais riqueza argumentativa para merecer ser lido. Independente de religião, credo ou filosofia de vida que a pessoa professe. O único pré-requisito é que seja lido com a mente aberta, com racionalidade, sem preconceito ou emoção exagerada. Vale cada linha do investimento.

Tudo de bom sempre.

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Para viajar mais...

- Um editorial interessante do NYTimes sobre o livro e sua temática. (Precisa de login, infelizmente.)

- Uma entrevista com Richard Dawkins. (Via Nemo Nox)


- O Flávio Prada deixou nos comentários um link muito bom: um vídeo narrado pelo próprio Dawkins sobre seu livro. Tem parte 1 ("The God delusion") e parte 2 ("The virus of faith"), cada um com cerca de 50 minutos. Eu aconselho assisti-los com afinco, pois muito do que o livro narra ele mostra compactamente nesse programa de TV.

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UPDATE: Esse texto foi incluído como parte das discussões do Roda de Ciência desse mês de fevereiro, cujo tema é "Ciência e religião". Comentários novos deixem por lá, para esquentar a discussão.

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