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segunda-feira, abril 30, 2007

Rápidas everestianas

- O primeiro grupo já alcançou o cume do Everest nessa temporada de 2007 - hoje de manhã. A dupla do Casaquistão Vassily Pivtsov e Maxut Zhumayev escalaram com condições meteorológicas ruins, sem oxigênio auxiliar e sem ajuda de sherpas, no verdadeiro estilo alpino, preferido pelos montanhistas "de raiz". Ambos estão na corrida para subirem sem uso de oxigênio suplementar os 14 picos de mais de 8,000m, e colocarem seus respectivos nomes na história do montanhismo mundial. Com o feito de hoje, faltam agora apenas três. Parabéns aos dois.

- Uma avalanche fechou a região da geleira do Khumbu, o que pode atrasar a maior parte das grandes expedições que se agrupam no acampamento-base do lado nepalês. Há grupos trabalhando na reabertura, mas como tudo que ronda o Everest, pode custar a perda de uma boa aclimatação ou da janela de oportunidade do cume. Aguardemos.

- No lado tibetano, um grupo de americanos protestaram contra a passagem da tocha olímpica pelo Everest, visto que a China contribui para a degradação da cultura tibetana ao não aceitar a região como independente e banir da mídia interna qualquer referência a essa questão. É claro, a China-mãe tomou sua atitude característica e baniu os americanos da região, prendendo-os e deportando-os; e a tocha passará por lá normalmente, como se nada tivesse acontecido - esse ano, um grupo fará essa "escalada olímpica", tentando chegar ao cume. Interessantemente, duas outras cidades de política controversa com a China também receberão a tocha olímpica: Pyongyang (que acho que nunca recebeu a tocha desde que virou ditadura fechada) e Taipei (que luta pela independência da China há décadas). Taiwan já se recusou a receber a tocha olímpica, por considerar o momento em que a mesma passará como "uma rota doméstica chinesa", o que ofende a soberania pelo qual lutam. Só de curiosidade, o trajeto da tocha foi anunciado, e nas Américas passará apenas por Buenos Aires e San Francisco (EUA).

- Sir Edmund Hillary, o primeiro homem a chegar ao cume do Everest, encontra-se hospitalizado após uma queda no Nepal. Hillary estava em Kathmandu para incentivar uma expedição chamada "Super-sherpas" que pretende homenagear os verdadeiros heróis das escaladas everestianas, o povo sherpa. (Homenagem muito justa, por sinal.)

- O prefeito de Praga Pavel Bem foi proibido de escalar o Everest pelo lado tibetano (exemplificando mais uma vez a flexibilidade política chinesa tão típica...). Mas Pavel, mostrando que sua persistência extravasa para outros campos não-políticos, está agora do lado nepalês, para tentar concluir seu objetivo. Ah, se todos os prefeitos tivessem essa vontade de alcançar suas metas propostas...

- Tudo de Everest sempre.

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sexta-feira, abril 27, 2007

Você já ouviu um muriqui na mata?

Muriqui©

Fim de semana passado eu estava no meio da remanescente floresta Atlântica da Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) Feliciano Miguel Abdala - mais conhecida entre os biólogos como Estação Biológica de Caratinga. O que me levou até lá foi o interesse por um animal lindo, infelizmente a um pequeno passo de desaparecer da Terra (está na categoria "criticamente ameaçado de extinção" da lista vermelha do IUCN): o muriqui, ou macaco monocarvoeiro.

©RPPN - Caratinga 6©Muriqui - Caratinga 1
Entrada da RPPN Feliciano Miguel Abdala, em Caratinga (na realidade, em Piedade de Caratinga, cidade vizinha). Ao lado, o famoso e raro habitante daquela área.

O muriqui é o maior primata das Américas e é encontrado apenas no Brasil. Há duas espécies desse macaco: o muriqui-do-norte (Brachyteles hypoxanthus) que vive em MG e ES e tem a cara rosada, e o muriqui-do-sul (Brachyteles aracnoides), presente em SP, RJ e PR, com a cara preta. É o muriqui-do-norte que está mais ameaçado: são pouco mais de 500 indivíduos ao total no mundo. Desses poucos, cerca de 250 deles vivem na reserva de Caratinga, que tem apenas 1000 hectares - um fragmento de mata atlântica em meio a pastos e fazendas de café. O muriqui é essencialmente arborícola: nasce, cresce, vive, alimenta-se e reproduz-se em cima das árvores. Além de movimentar-se muito nelas, é claro. Portanto, é a destruição da mata para pastagens e plantações a maior ameaça a sua sobrevivência, já que sem árvores grandes em cobertura contínua ele padece. E sinceramente, é muito triste pensar que um animal como o muriqui perecerá. A razão pelo qual isso é triste eu deixo pro Luciano Candisani, autor do livro "Muriqui" (2004), dizer:

"Os muriquis, em especial, têm surpreendido os primatologistas pelo comportamento peculiar, se comparado ao das outras espécies de macaco. Maiores mamíferos endêmicos do Brasil (tanto a fêmea quanto o macho chegam a medir 1.5m e pesar 15 kg na fase adulta), não brigam nem pelo domínio de um grupo, nem pela comida, nem pelo acasalamento. Ao contrário organizam-se com base na fraternidade, trocam abraços a todo momento e mantém-se unidos conforme uma espécie de hierarquia que é regida pelo afeto - coisa inusitada entre os briguentos primatas. Ademais, são as fêmeas adolescentes que tomam a iniciativa de largar seus bandos para ingressar em outros grupos."


Esses macacos são os primatas mais pacíficos conhecidos pela ciência. Vivem numa sociedade em completa harmonia - e durante o período em que estivemos com eles na mata, pudemos ver isso claramente: a todo momento eles se abraçam, brincam, fazem cafuné no vizinho, preocupam-se uns com os outros. Não há competição: há cooperação intensa entre os muriquis. Um verdadeiro exemplo de convivência social aos primatas humanóides.

Passamos um dia inteiro na mata seguindo os animais. Eles se movimentam bastante, usando o rabo como um quinto membro para se pendurar nos galhos, e nós o avistamos primeiro - com a ajuda do super-guia Jairo, é claro - no topo de um morro (haja perna para subir aqueles barrancos escorregadios...). Alimentavam-se da Mabea fistulifera, uma flor que produz um néctar que eles adoram e cuja densidade florestal é gigantesca no topo de um dos morros da reserva. A Mabea só floresce nessa época do ano, então nesse período, os muriquis visitam as árvores dela constantemente para o banquete efêmero da comida predileta. Local certo de vê-los.

©Mabea - Caratinga 5©Mabea - Caratinga 4
As Mabeas, alimento preferido pelos muriquis, na árvore; ao lado, detalhe da inflorescência (conjunto de flores), que contém o néctar açucarado que o animal tanto gosta.

Ficamos por horas com um grupo de 25 muriquis (10% de todos os indivíduos da reserva!) bem pertinho, observando seu comportamento, fotografando, dando risadas com suas brincadeiras, "xingando" alegremente toda vez que eles por brincadeira faziam xixi nas nossas cabeças, e em delírio completo por avistarmos tão amigável e pacato primata. Havia filhotes no bando, e esses são mais desengonçados, usam muitas vezes a mãe como ponte para passar de um galho para outro. Depois de alimentados, os muriquis se deslocaram para áreas mais baixas do morro, para uma sesta básica, e se encolheram em seus galhos. O mais interessante, no entanto, é que o trabalho científico em Caratinga foi/é tão intenso, que os pesquisadores e guias conhecem os muriquis pelo nome (os animais não são marcados ou anilhados): Guga, Fernanda, Nilo, Darlene... foram alguns dos que vimos. Essa nomenclatura veio da cabeça de Karen Strier, pesquisadora americana da Universidade de Wisconsin que dedicou 20 anos de sua vida aos muriquis, vivendo com eles e estudando-os ali, em Caratinga. Estudou tanto que passou a reconhecê-los individualmente, o que facilitou a análise das relações sociais e comportamento dentro dos grupos - Karen mapeou os laços de amizade de maneira precisa. Além de tê-los acostumados à presença humana: nenhum deles fugiu ao nos avistar por entre folhas. Os esforços de Karen, aliados ao dos primatologistas Célio Valle, Russel Mittermeier e Álvaro Aguirre, permitiram que os muriquis não fossem completamente extintos. Batalharam por anos para a criação da reserva - mesmo quando a pressão dos fazendeiros vizinhos para comercializar a madeira que ali restava era enorme. Hoje, alguns pesquisadores ainda se debruçam em questões básicas de comportamento e estratégias de preservação da espécie ali mesmo em Caratinga e em alguns outros lugares do Brasil, onde felizmente a espécie já foi avistada. A estação de Caratinga, pela sua população bem estudada e de maior número, recebe cientistas do mundo inteiro e a agência Conservação Internacional (filial brasileira da Conservation International) está envolvida diretamente na luta pela manutenção do muriqui. No período em que lá estivemos, conhecemos Fernanda, Luísa e Carla, pesquisadoras de doutorado que estão fazendo parte de sua coleta de dados ali. Convivem diariamente com o muriqui, sabem seus hábitos e personalidades, e apesar do trabalho árduo e do isolamento (a estação não tem telefone nem internet, e elas deslocam-se à vizinha cidade de Ipanema para comunicar-se com o mundo exterior), parecem amar estar na RPPN, em contato com animais tão raros e tão dóceis.

Mas os esforços da Karen teriam sido em vão se, primeiramente, a fazenda não tivesse sido desde sempre mantida intacta. Feliciano Abdala, antigo dono das terras, também possuía outros alqueires na região, que transformou em áreas de plantação. Mas por uma visão ecoambiental privilegiada (e promessa no ato da compra), manteve uma área de mata generosa em suas terras, cerca de 80% da fazenda. Nessa área, hoje, vive o muriqui. Se Seu Feliciano tivesse desmatado tudo naquela época (como o fizeram seus vizinhos), provavelmente o muriqui estaria extinto. Seu Feliciano faleceu em 2000, e hoje a fazenda é cuidada por Ramiro, seu filho. Mas são ainda as palavras de seu Feliciano, lidas no livro do Candisani que citei acima, que ecoaram na minha cabeça por todo o tempo em que interagi com os macacos:

"Eu não tinha a menor idéia do valor e da utilidade científica que essa mata teria no futuro. Durante toda a minha infância, ouvia do meu pai que era preciso cuidar das matas porque o fim delas traria algo de muito trágico. Isso ficou gravado na minha memória. Uma coisa é certa: não podemos retirar da natureza aquilo que jamais poderemos devolver."


Seu Feliciano sabia no fundo que o relincho de um muriqui na mata é um valor que a gente realmente não devolve à natureza, muito menos esquece ou deixa fenecer.

©Muriqui - Caratinga 2©Muriqui - Caratinga 7

Tudo de muriqui sempre.


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Para viajar mais com a macacada...

- Há populações de muriquis ainda não completamente aferidas na Serra do Caparaó, na Serra do Brigadeiro e em Santa Maria de Jetibá (ES). A idéia da CI era fazer um corredor de mata atlântica, para que os diferentes grupos desse macaco pudessem se encontrar e misturar seu material genético. O corredor seria uma extensão floresteira que conectaria 4 grandes áreas já protegidas: o Parque Nacional do Rio Doce, a Serra do Caparaó, a Serra do Brigadeiro e a reserva de Caratinga. Em todas essas áreas, há relatos de visualizações de muriquis - em baixíssima quantidade, mas há. Para que isso ocorra, muito mais que logística científica, é necessário boa-vontade política, principalmente entre os fazendeiros da região - e é aí que o muriqui torce o rabo.

- Perguntei a uma das pesquisadoras sobre níveis de endogamia, e ela me respondeu de forma evasiva. Aparentemente, ainda não é alto para ameaçar a espécie (as fêmeas ainda acasalam bastante com machos de grupos diferentes), mas é difícil imaginar que um grupo tão pequeno consiga se manter geneticamente "intacto" numa área fragmentada.

- O governo federal, no ano retrasado, dedicou 1 milhão de reais para retirar o muriqui da lista mundial de animais ameaçados de extinção. Achei interessante essa informação, apesar de ingênua da parte do governo - como se apenas a boa vontade científica dos pesquisadores com suas bolsas fosse suficiente para que o muriqui se reproduzisse mais (e não mais áreas e recursos naturais para ele viver). Não é bom para a imagem internacional do Brasil que o muriqui se extinga, mas muito mais que dinheiro para pesquisa (que também é necessário), o governo faria melhor pela preservação da espécie se convencesse os fazendeiros ao redor da necessidade de reflorestamento. Ou talvez até se comprasse as terras adjacentes e reflorestasse. A esperança é a última que morre...

- A idéia da ONG Preserve Muriqui é transformar o animal num símbolo da preservação brasileira (uma "espécie-bandeira"), como o panda é para a China. Mantida pelos membros da família Abdala, conta com a colaboração de primatólogos e interessados na salvação do animal.

- Além de muriquis, a reserva de Caratinga possui também macacos bugios, macacos-prego e sagüis-da-cara-amarela. Vimos apenas o bugio e o sagüi - os pregos são de difícil interação, contou-nos o mateiro.

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quinta-feira, abril 26, 2007

Minha contribuição à idéia 38

O Flávio Prada, junto com a galera 10 do Faça a sua parte, convocou todo mundo no dia da Terra passado a participar de uma ação coletiva pelo planeta, que fiz questão de divulgar aqui também. Como eu estava viajando, não pude participar no dia, mas eis que agora vai a minha contribuição à chamada "Idéia 38".

A minha meta, embora simples, é talvez a mais comum entre todos os participantes da ação: diminuir o consumo de sacolas plásticas de supermercado e afins. Hoje, a cada vez que vou ao mercado para compras grandes, mesmo superlotando as sacolas que me oferecem e carregando parte do comprado na minha mochila, eu termino trazendo em média umas 20 sacolas pra casa - o que é muito acima da necessidade que tenho de sacos de lixo para as lixeiras do apertamento. Acredito que essa disparidade aconteça porque não fiscalizo devidamente os mocinhos que empacotam minhas compras, ou talvez porque quando eu mesma empacoto, termine separando ineficientemente os itens de geladeira. Fato é que preciso diminuir as sacolas plásticas a minha volta.

Pretendo ficar mais atenta a esse problema. Acharia ótimo se as sacolas fossem pagas no Brasil, como o são na Alemanha e na Coréia do Sul - essa simples mudança de política do supermercado obrigaria boa parte da população a pensar numa alternativa mais limpa para o problema, como carregar sua própria sacola de pano ou mochila - para a feira, levamos uma pequena malinha velha onde dá pra pôr todos os itens comprados de uma vez só, o que já ajuda bastante. O plástico é um dos lixos mais complicados de serem reaproveitados do planeta, e um dos que mais contribuem para a poluição de muitos ecossistemas (tartarugas marinhas morrem frequentemente sufocadas por comerem sacolas plásticas achando que são águas-vivas). Eu estou cansada de ver sacolinhas boiando no mar ou em meio a trilhas de floresta. Isso não está certo, e a disponibilidade fácil das mesmas talvez seja a principal razão que explique sua enorme dispersão em ambientes onde elas deveriam ser inexistentes.

Como parte da idéia 38, tentarei dar updates regulares durante o ano de como estou resolvendo esse problema localmente: ação local é contribuição global.

Tudo de bom sempre.

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quarta-feira, abril 25, 2007

Pequenas anotações de viagens virtuais 18

1) Notícia vergonhosa: como uma espécie que ocorre e é pescada normalmente no nordeste inteiro, do Maranhão a Bahia, é uma nova espécie de peixe e só agora é descrita pela ciência? Cadê os laboratórios de biologia marinha das universidades nordestinas, darwin-do-céu???

2) O Rafael Lima escreveu uma excelente resenha sobre o livro que conta a trajetória dos criadores do estilo Lonely Planet de viajar. Entrou pra lista imediata de livros-que-eu-ainda-quero-ler-em-2007.

3) Em tempos de Olimpíadas de Beijing, a China vai esconder pra debaixo do tapete todas as suas vergonhas, entre elas a de que são os maiores destruidores das populações de tubarões do mundo. (Via Wetpixel)

4) E já que o assunto é tubarão, nada melhor que um grito de esperança para esse grupo como o dado por essa reportagem da National Geographic.

5) O Márcio escreve um blog também fotográfico muito bonito - com um contexto mais urbano e fotojornalístico. Escreveu recentemente sobre a decisão de ser fotógrafo - como largou uma carreira numa empresa para dar asas à imaginação com uma lente na mão. Vale a visita.

6) Falando em fotos, a galeria de Paul Nicklen, fotógrafo da National Geographic e 4 vezes vencedor do BBC Wildlife Photographer of the Year, é simplesmente inacreditável. As fotos de aurora boreal e as brincadeiras com a câmera e a luz no Ártico são deslumbrantes, e mostram a mão de um artista nota 10. Os olhos ficam mais felizes depois de passear por tão belas imagens... (Via Nemo Nox)

7) A primeira mulher de todos os tempos a receber um visto de "turista independente" para o Reino da Arábia Saudita escreve posts para o excelente blog do Lonely Planet. Frances Linzee Gordon é enviada deles à península, e conta algumas de suas histórias, contrastes, questões e afins. Interessantíssimo.

8) Mais um post curto que define o problema da imprensa - e de alguns cientistas. O João sabe o que fala.

9) Um blog para aqueles que, como eu, se interessam pelos mistérios do fundo do mar: Deep Sea News. Escrito por dois pesquisadores, traz informações sobre esse universo tão "inatingível". Mergulhe nele.

10) Eis que finalmente os brasileiros terão um passaporte mais moderno. A taxa de emissão é salgada, em minha opinião, mas as novas cores compensam. Já quero renovar o meu! Mas... pra que destino eu vou? Oh, dúvida cruel...

11) (Alerta: nerdismo adiante!!) Esse post do Palazzo me deu saudade dos tempos de nonsense mediated decay...(Nerdismo finalizado, câmbio desligo.)

12) Dia 22 de abril foi o dia da Terra. Ano passado, fizemos uma blogagem coletiva maravilhosa, onde muitas perspectivas interessantes foram colocadas - sugiro relerem os posts participantes, muito interessantes. Esse ano, infelizmente fiz uma pequena viagem e estava isolada sem telefone ou internet naquele dia - aos curiosos, fica a dica de que estava dentro de uma floresta, com uns animais raríssimos que vivem no Brasil. Mas a festa pelo nosso planeta não foi esquecida, e aconteceu no Faça a sua parte. Assim que voltar a minha "base", pretendo registrar minha participação. Afinal, antes tarde do que nunca pelo planeta...

13) Tudo de bom sempre.

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quinta-feira, abril 19, 2007

Ação para o dia da Terra

Eis o que o pessoal do Faça a sua parte está sugerindo para o dia da Terra, domingo agora:

"No ano passado a Lucia Malla organizou para o "Dia da Terra" uma blogagem coletiva que foi um verdadeiro sucesso. Milhares de blogs aderiram e postaram algo para marcar a data e lembrar dos problemas que afligem nosso planeta. Como boa bióloga, a Lucia mantém um blog que é um verdadeiro caldo de cultura de ótimas idéias que faz propagar em modo epidêmico. Não foi portanto com muita surpresa que a idéia desse blog viesse a nascer exatamente dentro do "Uma Malla pelo mundo", na sua caixa de comentários. Da idéia se passou à ação e o blog ganhou as estradas da rede. O numero de colaboradores cresceu e ótimos textos e debates vem se desenvolvendo aqui, ousaria dizer, de altíssimo níveis.

Esse ano, temos uma proposta a fazer para comemorarmos esse dia da Terra de modo a transformar essa que seria apenas uma homenagem lida e ouvida por nós humanos, em algo que a homenageada, a Terra, pudesse realmente perceber, sentir o quanto estamos a seu lado e lutamos por ela.

Como é até óbvio, o próprio nome do blog é um convite à ação. Pensamos somente em explicitar mais isso, com exemplos práticos e reais, de pessoas que estarão se esforçando para melhorar o seu modelo de consumo com vistas a uma melhoria do ambiente.

Propomos uma ação coletiva onde para a postagem do dia 22, a sugestão para quem for participar, é que faça um post onde se coloque uma sua meta a ser atingida no que se refere ao meio ambiente. Explicando melhor:

Cada um que postasse, poderia declarar a sua meta no que se refere a economia de recursos, a porcentagem de lixo separado, enfim, o que for. Exemplo: espero reduzir em 20 por cento meu consumo de combustível. Isso é um dado objetivo e mensurável. Alguém pode traçar como meta diminuir o consumo de água, ou o de embalagens, comprar menos supérfluos ou mesmo simplesmente andar mais a pé . Cada um fala do seu empenho no seu blog e o "Faça a sua parte" reúne os links no dia 22. Mas o objetivo também é o de ter uma meta que o "Faça a sua parte" possa noticiar ou linkar ao longo de todo ano. No próximo dia da terra, daqui a um ano, o "FSP" fará um grande balanço dos resultados.

Faço um exemplo um pouco mais detalhado. Meu caso particular. Consumo com meu carro, em média 1600 litros de gasolina por ano. Posso traçar uma meta de reduzir 20% desse consumo, claro que sem fazer uma substituição com outra fonte de energia e sim uma economia real. Parece fácil, mas envolve um mundo de decisões, planos e mudanças de hábitos. O que vou fazer? No lançamento da campanha faço um post expondo isso. Depois, a cada um, dois ou três meses, posto algo sobre meu progresso. Quantos passeios programei fazer com a bicicleta em lugar do carro. Meterei as fotos que ilustram esse meu esforço. E os números. Vou pedir ajuda, incentivos, idéias, orações. Chamar à participação e envolver as pessoas em torno de uma idéia. Porque tudo isso?

Porque todas as questões relacionadas com meio ambiente têm um fundo político/ideológico, de como nos relacionamos com o mundo e como o consumimos. Mudar essa realidade é um dos nossos maiores objetivos e começa com a mudança das mentalidades e os modos de atuar na realidade. Não podemos pretender que algo se mova simplesmente lendo este blog e esperando que alguém faça a sua parte. Nos precisamos fazer a NOSSA parte."


Está lançado o desafio! No dia da Terra em si, estarei fora do ar. Mas prometo postar aqui depois minha contribuição a essa idéia tão interessante - e de vez em quando atualizá-la, em ação contínua. E convido a todos a fazerem o mesmo.

Tudo de bom sempre ao nosso planetinha querido e aos que cuidam dele com amor.

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P.S.: O texto é do querido Flávio Prada.

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segunda-feira, abril 16, 2007

Everest entre médicos

Eis que estamos em abril, e como todo ano, essa é a época em que a febre do Everest me ataca - e eu assumidamente adoro sucumbir a ela. Ano passado, a letal temporada foi classificada como "um circo" (principalmente do lado do Tibet), houve vários protestos das comunidades montanhistas, e as equipes esse ano estão provavelmente tentando ser mais zelosas com os fatos que ocorrerão, e principalmente com as mortes - porque elas são inevitáveis, infelizmente. No Himalaia agora, as equipes já estão a todo vapor, e, claro, temos algumas expedições bem interessantes.

A mais diferente delas é a expedição Caudwell Xtreme Everest 2007. São médicos (anestesistas em sua maioria) do Centro de Medicina de Altitude, Espacial e de Ambientes Extremos da Universidade de Londres, e estarão desenvolvendo um projeto científico muito ambicioso: medir parâmetros cardiovasculares e o volume de oxigênio de uma pessoa no topo do Everest. Para tal feito, o time está levando um pequeno laboratório de fisiologia (com direito a centrífugas e afins) para o acampamento-base, além de aparelhos de medição de consumo de oxigênio, de exames oftalmológicos e uma série de bicicletas ergométricas, que serão instaladas em diversas altitudes da montanha. Um voluntário da equipe de alpinismo (médico também) terá que andar na bicicleta ergométrica no cume, para que seus parâmetros sejam medidos e computados - talvez a maior loucura da temporada, já que chegar ao cume já é um exercício extremamente extenuante. Como é uma expedição de cunho científico, a Nature está hospedando o blog da equipe médica - e eu recomendo a leitura, porque os relatos têm uma perpsectiva de certa forma diferente do tradicional "diário na montanha". Os médicos já tiveram o primeiro contratempo, pois sua permissão para fazer pesquisa no Nepal estava irregular, mas aparentemente o problema já foi resolvido. Eu, é claro, estou torcendo para que essa expedição dê certo, porque os dados serão preciosos - o objetivo final de todo esse "sacrifício" pela Medicina é entender como algumas patologias que acarretam diminuição do consumo de oxigênio ao nível do mar podem ser amenizadas, além de saber um pouco mais sobre a fisiologia do próprio organismo humano em situações limites. Eu, apaixonada por ciência e por Everest, estarei ligada nos relatos do grupo.

Um outro time que está no Himalaia - mas aparentemente com problemas também de permissão - é o que conta com o prefeito de Praga Pavel Bem. O prefeito pediu férias não-remuneradas à cidade, e está agora no Tibet como membro de uma das expedições que tentarão escalar o Everest. Óbvio, essa atitude gerou uma série de protestos, editoriais ácidos, acusações de descaso e afins. O prefeito quer levar o nome da cidade ao topo do mundo. Cada político louco com sua montanhosa mania.

Fora do Everest, mas ainda no Himalaia, quem também está por lá é Waldemar Niclevicz, o brasileiro que escalou duas vezes o Everest - e que eu já entrevistei em 2005. Esse ano, o brasileiro vai tentar escalar o Makalu, de 8643 m de altitude. O time conta também com Irivan Gustavo Burda, fiel parceiro de Niclevicz em outras escaladas, e eles já estão no acampamento-base da montanha. Niclevicz conta tudo sobre a escalada em seu site, que obviamente eu recomendo. Caso tenha sucesso, o Makalu será a sétima montanha acima de 8,000m que Niclevicz alcança, o que o coloca na metade do caminho para o grande desafio de escalar os 14 picos acima de 8,000m do mundo, panteão de ouro em que apenas 13 alpinistas até hoje chegaram. Vamos torcer, porque esse ano pode dar Brasil no Himalaia mais uma vez.

As outras expedições comerciais já estão em aquecimento, e eu, aqui da minha confortável e aquecida poltrona, estou acompanhando online a movimentação delas, "respirando" o ar rarefeito que elas emanam em seus relatos. Agora é aguardar em maio, quando a janela de oportunidade para o cume do Everest chegar, e ver quem serão os heróis da temporada.

Tudo de bom sempre aos alpinistas de 2007.

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domingo, abril 15, 2007

Por que eu gosto de blogs?

Porque blogs têm vida. Não são estéreis e robóticos como o jornalismo tradicional - eles brilham com luz própria, porque os olhos das pessoas brilham enquanto escrevem seus posts, sejam eles de alegria, delírio, tristeza, raiva, indignação ou questionamento. Os blogs respiram a realidade e transpiram humanidade por todos os poros. Nesse metabolismo da conversação humana, espalha-se a comunicação no mundo atual ultrapassando fronteiras e bandeiras. É o nomadismo na forma de palavras, assuntos, pensamentos. A vida contada pelos milhões que caminham por essa web sem porteira, de byte em byte. Uma vida que bloga e faz brilhar a contemporaneidade. E eu, como bióloga, não posso me recusar a admirar a vida, meu objeto de estudo primeiro, seja por que meio ela se apresente.

Tudo de bom sempre ao mundo dos blogs - e aos blogs do mundo.

(Estou participando do Concurso: "Por que eu gosto de blogs?", realizado pelo BrPoint.)

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sexta-feira, abril 13, 2007

Mar em Cores

Começa hoje!

Mar em Cores postcard

Até dia 06 de maio, se alguém passar pelas redondezas de Poços de Caldas (MG), não deixe de ir ao Shopping Minassul para apreciar a exposição "Mar em Cores", do artista e meu fotógrafo predileto André Seale. São 31 fotos ampliadas que fazem o olhar do observador passear por toda a miríade de cores que compõem o fundo do mar - muitas das quais a gente nem percebe que está lá (a lei física da refração da luz na água explica...). Não perca!

Só para dar um gostinho, 4 das fotos que estarão expostas lá:

©Mar em cores1©Mar em cores2
Detalhe do manto de uma ostra-ferradura (Hippopus hippopus). Ao lado, uma imagem do atol de Ailuk, nas Ilhas Marshall.

©Mar em cores3©Mar em cores4
Fotografia macro de um crinóide amarelo (Oxycomanthus bennetti), tirada nas Filipinas. Ao lado, um cardume de peixes-donzela (Chromis viridis) - essa foto não parece que os peixes foram "pincelados"? Eu particularmente adoro.

Tudo de bom sempre ao Mar em Cores!!!

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- Se você estiver nos arredores de Viçosa (MG) na próxima quarta-feira, dia 18 de abril, dê uma passada às 18:30 no Auditório da Biblioteca Central da UFV: uma Malla estará por lá, palestrando sobre suas aventuras biológicas pelo mundo... A palestra foi um convite dos organizadores da Semana da Biologia, e o título mais-abrangente-impossível é "Adaptação".

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terça-feira, abril 10, 2007

Parques nacionais americanos: Everglades

Em um dos meus episódios prediletos de "CSI Miami" - o primeiro, aliás, em que a equipe de Las Vegas vai a Miami para desvendar o assassinato do ex-chefe de polícia de Vegas - há uma cena que eu adoro: CSI Eric mergulha num lago nos Everglades para tentar achar uma pista do caso. Na borda do lago, Horatio Cane, o chefe do time de CSIs de Miami, aponta uma espingarda na direção de Eric, ao que Catherine Willows, CSI da jurisdição Las Vegas, não entende a precaução e pergunta o por quê daquilo. Horatio responde com uma palavra apenas: "Alligators".

Essa cena passa uma imagem que eu imaginava exageradérrima da Flórida: um estado infestado de jacarés por todos os lados. Não é bem assim, é claro. Mas ao chegar nos Everglades em março passado, eu tomei um susto: uma população enorme de jacarés me esperava. Só faltava o Horatio ao meu lado de óculos escuros para a cena ser típica de um episódio do CSI.

O Parque Nacional dos Everglades cobre uma área imensa do sul da Flórida, cerca de 10,500 km quadrados de terra pantanosa. Um ecossistema de planície alagado que lembra bastante o do Pantanal brasileiro, com sua vegetação baixa - há inclusive uma iniciativa de estudos em conjunto, Brasil e EUA, para manejo de impacto e afins. Mas há também diferenças entre os dois ecossistemas, principalmente no que concerne à fonte de água de ambos: no Pantanal, um emaranhado de rios vindos dos planaltos mais elevados ao redor "transborda" na época da cheia para alagar a planície, enquanto no Everglades os rios da região de Orlando (no centro da Flórida) simplesmente se ramificam infinitamente e geram o fenômeno que os pesquisadores chamam de "percolagem", ou seja, a água vai escorrendo vagarosamente - e alaga a planície. Não há cadeias montanhosas ao redor do Everglades como existe no Pantanal, facilitadoras da descida da água, e é essa ausência de elevação que gera a percolagem. A diferença na forma como a água chega a esses parques de certa forma reflete na fauna e nos nutrientes do solo: o Everglades é pobre em nutrientes, muito vulnerável, e sua fauna é muito menos biodiversa que a do Pantanal, o que percebemos claramente quando chegamos à Trilha Anhinga, próximo a Miami.

Há várias trilhas e estradas que você pode visitar dentro da área dos Everglades. A Trilha Anhinga, a primeira que visitamos, é relativamente curta, de facílimo acesso para todos (uma passarela de palafitas no meio da vegetação seca e baixa) e muita visitação durante o ano inteiro. Março é o período da seca, o melhor período para ver os animais dos Everglades, porque a seca força os bichos a se agregarem ao redor de qualquer pocinha d'água. Logo no começo da trilha, na frente de um laguinho (perto dos banheiros do parque!), 3 jacarés repousavam ao sol. Aquela visão já me deixou em êxtase - mal sabia eu do que vinha pela frente. À medida que fomos andando, mais e mais jacarés apareciam, em todos os recantos. Eram 10 da manhã, e eles estavam tomando seu sol diário - jacarés são exotérmicos, precisam de uma fonte de energia exterior para manterem a temperatura corpórea.

Everglades 02©Everglades 01©
Os habitantes locais mais aparecidos: os jacarés. Ao sol, descansando. Do lado, uma cena típica do Everglades: água, jacaré e uma garça-branca-grande.

Perdi as contas na trilha inteira (que tem menos de 1 km) de quantos jacarés avistei. De todo jeito: dormindo, descansando, nadando, andando. Interagindo com o ambiente. Eles realmente são os donos do pedaço por aqui. Mas não são os únicos.

Everglades 05©Everglades 03©
Um cabeça-seca, pássaro típico de áreas alagadas e indicador da saúde do ecossistema - ele só faz seus ninhos se na estação seca não houver alterações ambientais. Ao lado, um biguatinga secando suas asas ao sol.

Everglades 04©
A garça com os cágados...

Havia na trilha de Anhinga vários fotógrafos de pássaros, ocupados em pegar o melhor ângulo das várias espécies que ali habitam. A trilha tem o nome de um pássaro aquático, o biguatinga (Anhinga anhinga), cuja fêmea tem o curioso comportamento de ficar de asas abertas um tempão, secando ao sol - ele não tem lubrificantes naturais à prova d'água como os patos, então ele literalmente molha suas penas quando entra na água. As asas abertas são ideais para fotos. Além do anhingá, vimos mais algumas garças, ibis, insetos (que umas crianças fofas se distraíam fotografando), dois cágados e... mais jacarés. Apesar da trilha ser pequena, passamos mais de 2 horas andando ali, porque as atrações animais eram muito diversas.

Everglades 3©Everglades 1©
Uma fotógrada de pássaros à espreita de um ibis na beira do laguinho. Repare como a trilha Anhinga é asfaltada, ou seja, super-fácil de andar. Ao lado, uma das áreas onde o Everglades encontra o mar: em Flamingo, na pontinha da Flórida.

Da trilha de Anhinga fomos para outra parte do parque, o Flamingo, área à beira-mar ao sul da Flórida, na esquina do Oceano Atlântico com o Golfo do México. Flamingo foi bastante destruído durante a temporada de furacões em 2005, e mesmo em março passado, algumas partes estavam ainda fechadas ou funcionando em esquema provisório. Mas ficamos basicamente em torno do píer, onde uma das guias do parque nos garantiu que veríamos crocodilos. O Everglades é o único lugar do mundo onde jacarés e crocodilos coexistem juntos. Ali no píer, a água era salobra, mais propícia aos crocodilos. Jacarés gostam apenas de água doce.

Apesar de termos visto um crocodilo, ele estava num local inacessível - então nos contentamos em ficar espiando uns filhotes de águia-pescadora num ninho estrategicamente feito pela mãe águia em cima de umas ferragens do píer. Embora fossem filhotes, eram grandes, mas não voavam direito ainda - mas já estavam treinando...

Everglades 4©Everglades©
Filhotes de águia-pescadora no ninho. A cara desafiadora de águia desde pequeno... muito lindos. Ao lado, insetos em uma graminha.

Depois de passar um tempo admirando aquele pedaço de Everglades onde o alagado encontra com o mar, era hora de partir. Vimos só um pouco do Everglades, mas o suficiente para já admirarmos seu ecossistema e entendermos a importância de protegê-lo. Ironicamente, ficou para mim a imagem do Everglades dos jacarés (ainda bem que estão por lá!), que eu achava tão exagerado no CSI. A vida imita a arte que se inspira na vida. Obtuso como Horatio, não? ;)

Tudo de bom sempre.

Everglades 2©
Acharam o crocodilo?

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- Para viajar mais nos Glades...

1) Todos nos falaram maravilhas da trilha do Shark Valley, que fica mais ao norte dos Everglades e de onde aqueles botes típicos saem. Infelizmente nossa prioridade na Flórida eram outras praias (mais posts pela frente...), então nós só tivemos a oportunidade de ver o "Everglades at a glance". Mas ficou a vontade enorme de voltar lá... Vale muito a pena, é lindo.

2) A pantera-da-Flórida é o único felino que vive nos Everglades e está ameaçadíssima de extinção: estima-se que existam 70 indivíduos na natureza. Em determinado momento da década de 90, ela foi inclusive considerada como extinta, mas esforços intensos de proteção, com reprodução em cativeiro e tudo mais, conseguiram fazer ressurgir um pedacinho da população original existente antes da chegada dos europeus ao continente americano. Até quando a população resistirá? Só os construtores de condomínios podem responder. ;)

3) Post também publicado no Goitacá.

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sexta-feira, abril 06, 2007

Um email de Leonardo DiCaprio

Hoje de tarde, como sempre faço, abri minha caixa postal de email. Algumas poucas mensagens, mas uma em particular me chamou a atenção: o remetente era Leonardo DiCaprio.

Óbvio, imediatamente pensei: spam. O filtro não funcionou e esse email acabou vindo parar no lugar errado. Olhei a linha do assunto, e uma outra palavra me chamou a atenção: "polar bear". Aí atentei pro fato de que ao lado do nome de tão celebrado do ator, havia uma sigla: NRDC.

A ficha caiu. NRDC (National Resources Defense Council) é uma ONG americana que trata de problemas de áreas degradadas e espécies ameaçadas - e hoje obviamente cita aquecimento global como um de seus fronts de luta ambiental (que novidade). Eu recebo updates grátis deles por email, desde que uma amiga minha que trabalhava com eles há muito tempo me cadastrou lá. Como eles às vezes trazem notícias interessantes, nunca me preocupei em me descadastrar. Até que hoje, essa surpresa.


"Dear Lucia,

If you watched the Academy Awards, I'm sure you were as proud as I was that An Inconvenient Truth won the Oscar for Best Documentary.

The Oscar is a milestone in our fight . . . but now I'm asking for your help to keep the momentum going.

For the next few days, we have a narrow window of opportunity in which to help one of the first well-known victims of global warming: the polar bear.

Through my work as an NRDC trustee and their new Polar Bear S.O.S. campaign, I've learned that polar bear populations are already suffering the effects of a rapidly warming Earth: their birth rates are falling, fewer cubs are surviving, and more bears are drowning.

Each one of us can help polar bears by signing an Official Citizen Comment in favor of their protection under the Endangered Species Act.

When you do so, you'll also be sending the Bush Administration a message loud and clear: that it must reckon with the pollution that is overheating our globe and threatening all living things.

I've already signed my own Official Citizen Comment -- and used the Tell a Friend page to spread the word about this important campaign to my friends and family.

Now I'm asking you to do the same. We only have until April 9 to submit these Comments. To reach our goal of 500,000 signatures, we're really going to need your help.

Let's keep the winning streak we started with An Inconvenient Truth going . . . by winning this critical protection for the polar bear . . . and turning down the heat that threatens so many species on Earth, including our own.

Sincerely,

Assinatura do Leo di Caprio
Leonardo DiCaprio
NRDC Trustee

PS: I just finished an important environmental documentary film called The 11th Hour about the state of the world and humanity. Please watch out for it, it will be released this year."


A carta basicamente pede apoio para a assinatura de uma petição para a preservação do urso polar. O uso de uma celebridade hoje tão ligada às causas ambientais é claramente uma jogada de marketing mais que propícia - já vejo hordas de adolescentes assinando a petição porque, afinal, "foi o próprio Leonardo quem escreveu pedindo". Que "honra", não?

Embora possa parecer ingênuo, essa é paradoxalmente uma das vantagens que vejo no filme de Al Gore - e há outros que concordam nesse aspecto. Ele trouxe para a mesa de jantar, para as rodinhas de violão da escola e para os círculos de amigos no boteco da esquina um debate que até então estava restrito à torre de marfim da Academia. Ele aproximou a massa de um problema científico, e isso para mim é uma vitória, principalmente num mundo onde a pseudo-ciência ainda infelizmente desvia (e ganha!) atenção da ciência de fato. Por mais que as discussões pela mídia a fora ainda estejam muito capengas, pelo menos as pessoas têm tentado se esclarecer sobre o assunto. Elas buscam as definições que os cientistas tanto falam e a mídia tanto martela, esforçam-se para entender o modelo. O problema é que climatologia é um tema muito complexo. O que falta é a academia entender que, devido a essa complexidade, precisamos levar o público pela mão até a informação segura, publicada em jornais revisados, explicar da forma mais simplificada possível, mostrar as dificuldades do campo. E é aí que está o papel social do cientista.

Nós, cientistas, devíamos seguir o exemplo de Kerry Emanuel, o meteorologista do MIT que, além de pesquisar o aumento da temperatura do mar do Golfo (link para seu artigo da Nature) e ajudar a criar modelos de medição climática, dedica parte de seu tempo divulgando aos leigos a ciência da climatologia, tão complexa e hoje, tão politizada. (Leiam por exemplo esse artigo excelente que ele escreveu para o Boston Review ou vejam o programa "Perfect Disaster: Anatomy of a Super Typhoon" do Discovery Channel, em que ele contribuiu.) Mas Emanuel é apenas um. Precisamos que seu exemplo se multiplique, que mais discussões sérias sejam fomentadas pela sociedade com a participação de academia e público leigo, que alternativas promissoras sejam discutidas, que nosso estilo de vida seja questionado, que exemplos sejam comentados e analisados, que as pessoas entendam a importância científica do tema no dia-a-dia delas e as implicações que as atitudes de cada um têm de fato. Ficar criticando as intenções de Al Gore com o seu documentário ou de Leonardo DiCaprio com seu envolvimento em ONGs e posando para capa de revista, por mais politicagem que seja, é desviar o foco de uma discussão séria com a sociedade sobre ciência para um escanteio de certa forma pouco pragmático. Devíamos aproveitar a oportunidade do tema tão massivamente presente na mídia para elevarmos o nível da divulgação científica e da discussão, e não investirmos em picuinhas. Já está mais que provado que somos responsáveis por parte dos problemas que estão aí. Que tal se vestíssemos a carapuça e procurássemos educar os demais, buscar soluções, e não ficar acusando quem pelo menos faz um pouco pelo ambiente? Eles precisam se tornar secundários.

Se fizermos isso de forma "energeticamente" eficiente (para usar o termo da moda), um email do Leonardo DiCaprio poderá não ser no futuro a estratégia mais efetiva para que uma adolescente se envolva pela causa ambiental de preservação de ursos polares, algo tão distante da realidade dela quanto os jardins suspensos da Babilônia. Ela já estará envolvida, com argumentos muito mais sólidos, porque gente competente propôs-se a educá-la com seriedade, clareza e discernimento. O bom conhecimento é contagioso - e contagiante.

Tudo de bom sempre.

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- Amigos: eu escrevi bastante sobre aquecimento global no início do ano aqui no blog (por isso, o linkfest malla desse texto). A idéia da discussão floresceu muito entre interessados não-cientistas a ponto de criarmos um blog próprio para tal tema, o Faça a sua parte. No início, eram apenas posts de aquecimento global, mas aos poucos o blog foi sendo maleabilizado para reflexões sobre nosso estilo de vida, dicas para sermos mais ecoconscientes, etc. Tem sido uma excelente surpresa ver os textos, comentários e dicas que aparecem por lá - e algumas se relacionam ainda com o tema geral "aquecimento global". Pode ser um pequeno passo, mas pelo menos é um pouco da teoria da web: caiu na rede, é peixe lido. Por alguém, em algum lugar. Recomendo a visita.

- Esse texto é a minha contribuição para as discussões no Roda de Ciência, cujo tema do mês de março (e estendido para abril) é "Aquecimento global". Sinceramente, esse tema, na conjuntura atual, está intimamente ligado ao de agosto, a divulgação científica. Numa época em que todo dia sai algo no jornal sobre aquecimento, é fundamental a meu ver que reflitamos sobre como anda a divulgação específica desse assunto e que possamos propor melhorias. Gostaria que os comentários a esse post fossem feitos lá no Roda de Ciência, para que possamos centralizar melhor a discussão.

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quarta-feira, abril 04, 2007

Bacalhau na Semana Santa - até quando?

Cresci celebrando a Sexta-feira da Paixão com minha família. Embora eu morasse no Espírito Santo, não comia a famosa torta capixaba - iguaria que, por sinal, não sou muito fã devido ao excesso de mariscos que minha mãe sempre comentava serem de "procedência duvidosa". Como tenho ascendência nordestina por um lado, fazíamos então na sexta-feira um verdadeiro banquete baiano: vatapá, caruru, arroz de côco e feijão de côco. Era mais sagrado que qualquer crença religiosa: chegava a sexta-feira, e íamos todos para a casa do meu tio ver a tia Alice preparar o melhor vatapá do mundo. (Sem exageros, o dela é realmente o melhor que já comi na vida.)

Para mim, a contradição máxima da Semana Santa residia exatamente aí. Como é que em um dia quando você supostamente precisa jejuar (é a tradição, não é?), nós comíamos o triplo do normal? Apenas esquecíamos da carne, mas de resto, era uma fartura só. Eu realmente não entendia. E cresci sem entender, e até hoje acho extremamente irônica essa contradição.

Eis que depois de quase 10 anos afastada do país - e obviamente descartando o feriado da Semana Santa do calendário - esse ano estou coincidentemente no Brasil nessa época para relembrar as tradições que rondam esse dia.

Sinceramente, fiquei assustada. Não com as prateleiras de ovos de chocolate, que agora têm opções mil, mas com as quantidades astronômicas de bacalhau que são vendidas nessa época nos mercados. O preço reflete bem a raridade desse peixe, mas as pessoas não estão nem aí - a maioria nem sabe que esta pode ser a última geração a comer esse peixe. Inacreditável.

O bacalhau da Noruega, também conhecido como bacalhau-do-atlântico, representa 50% do bacalhau à venda no mercado mundial hoje. É da espécie Gadus morhua, e sua reprodução é bastante demorada, além de ineficiente: a fêmea chega a pôr 10 milhões de ovos para apenas um se salvar. Para se alimentar, ele precisa de águas com uma temperatura extremamente restrita - uma diferença de um grau pode ser suficiente para ele não migrar e perecer. Por essas e outras, é muito problemático criar o bacalhau em cativeiro, pois ele precisa de muita área para sobreviver, já que é um peixe tipicamente migratório, e de temperatura mais que adequada. Há tentativas, mas elas não são bem-sucedidas.

O bacalhau sempre foi pescado por todo Atlântico Norte há milênios. Quando era pescado de modo artesanal, e o foi por mais de 1000 anos, a população de bacalhau conseguia se manter em níveis estáveis no mar. Mas o advento da indústria pesqueira de grandes navios e redes de arrasto colossais levou a produção à uma queda vertiginosa, e em 1992, a produção total de bacalhau chegou a um quinto da produção de 1969 (dados desse excelente artigo). Hoje, o bacalhau já praticamente desapareceu da costa do Canadá, e mal sobrevive na costa escandinava. Os vilarejos noruegueses que dependem do bacalhau para manutenção da economia entraram em estado de alerta: era necessário tomar providências para que o animal não se extinguisse por completo. Essas providências foram tomadas: estabeleceram-se cotas de pesca; mas não foi suficiente, pois as grandes indústrias compravam as cotas dos pequenos pescadores, e continuavam com a dizimação do bicho a níveis assustadores.

Atualmente, o bacalhau consta na lista vermelha de animais ameaçados de extinção como "vulnerável", e sua população chegou aos níveis quantitativos mais baixos da história - nunca houve tão pouco bacalhau no mar. Seu preço no mercado reflete a fragilidade da sua população e sua insustentabilidade: está ficando cada vez mais difícil encontrá-lo. Se tudo continuar como está, se não pararmos de pescá-lo industrialmente, o bacalhau estará fadado à extinção no ambiente natural. E se o aquecimento dos mares também continuar no ritmo que está, o bacalhau poderá simplesmente ser extinto de vez, já que o aumento das temperaturas do Atlântico Norte levaria sua população ao colapso. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come.

Aí eu volto ao mercado aqui perto de casa. Pilhas e mais pilhas de bacalhau sendo vendidas. O preço alto parece não intimidar o consumidor perante a necessidade de se manter a tradição - triste constatar nesse caso que parecemos a China abatendo tubarões a qualquer custo. A instituição igreja faria muito mais pela saúde e bem-estar do planeta se, na Semana Santa, incentivasse seus fiéis a literalmente jejuarem (e saírem dessa contradição estranha), ou educasse seus seguidores a evitarem a compra de bacalhau. Será que se o consumidor soubesse que está contribuindo diretamente para o fim de uma espécie importante do topo da cadeia alimentar do Atlântico, persistiria nessa tradição que já não se sustenta?

E volto também às Semanas Santas da minha infância. Sem saber, em plena década de 80, antes do verde ser notícia, já fazíamos uma sexta-feira um pouco mais ecoconsciente que a atual, com o melhor vatapá do mundo. Viva a minha querida tia Alice.

Tudo de bom sempre.

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Para viajar mais na maionese...

- Mais desanimador que ver a venda alucinada de bacalhau nessa época do ano, é constatar qual foi a alternativa "mais barata" encontrada aqui no Brasil: cação seco. Cação ou tubarão, um animal cuja pesca no Brasil é advinda apenas de "bycatch" (haja pesca acidental, viu... Só mesmo os órgãos fiscalizadores e ingênuos acreditam nessa desculpa esfarrapada da indústria pesqueira.) Eu vi uma pilha enorme de cação seco à venda no mesmo mercado que vi hordas de bacalhau. Sinceramente, a emenda, nesse caso, é tão ruim quanto o soneto.

- Já ouvi inúmeras vezes as pessoas argumentarem ao comprar bacalhau (ou qualquer outro produto que esteja ambientalmente ameaçado) que "o bicho já está morto mesmo, então é melhor comprar do que deixar estragar". É exatamente essa mentalidade que fomenta o mercado, e mantém as indústrias pescando incessantemente. Em minha opinião, o contrário seria mais sensato: se você simplesmente parar de comprar, mesmo com a oferta alta, o mercado encalha com o produto. Da próxima vez que for comprar do distribuidor, o dono do mercado vai diminuir sua cota de compra, pois não quer ter um prejuízo com aquele produto. E o distribuidor, por sua vez, comprará menos da indústria, é a lei básica do mercado. Essa bola de neve reversa de diminuição do consumo seria, para mim, uma das melhores formas de se evitar a extinção completa das espécies animais ameaçadas pelo desenfreado e exagerado consumo humano.

- Leitura complementar, a quem interessar: em novembro do ano passado eu escrevi a minha opinião sobre a indústria pesqueira, depois de uma visita a uma colônia de pescadores.

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segunda-feira, abril 02, 2007

Santa Barbara, saúde!

Minha ex-chefe era da cidade de Santa Barbara, na Califórnia. Ela refletia um pouco da sua cidade natal: super-atlética, outdoor, movida a água salgada e ensolarada. Eu percebia essas características na personalidade dela, mas quando visitei Santa Barbara, a "Riviera americana", em fevereiro passado pela primeira vez é que entendi profundamente o que todos esses adjetivos juntos realmente significavam.

Santa Barbara já foi eleita em algum momento a cidade mais "esportiva" dos EUA. Basta andar pelas ruas de lá que fica óbvio: muita gente fazendo exercícios, caminhadas, corridas, bikadas, e afins. Em Santa Barbara, a onda é malhar, estar saudável. Primeiro resultado prático desse estilo de vida: você não vê tantos obesos por lá como no resto dos EUA.

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Vista da praia de Santa Barbara, com caiaques para atividades aquáticas - que são inúmeras por ali. Há também muitas quadras de vôlei de praia e afins na enorme extensão de areia. Ao lado, o calçadão, onde as pessoas se exercitam.

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Algum gaiato desenhou um bambolê ao redor de todos os homenzinhos da placa que indica a faixa de pedestres pelas ruas da cidade. Brincadeira ou alusão ao espírito atlético de todos ali? Fica a questão irrelevante do dia...

Chegamos a Santa Barbara numa manhã ensolarada, vindos pela US-101, uma das rodovias que cruzam a Califórnia de norte a sul. Uma bela vista do mar calmo e uma praia com extensão de areia enorme nos surpreendiam na entrada de Santa Barbara. Paramos o carro numa rua transversal ao calçadão para darmos uma volta pelo píer de Stearns, principal ponto de encontro de turistas da cidade.

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O píer de Stearns. Todo em palafitas, com vários restaurantes e o Aquário da cidade (foto ao lado) - na verdade, um "Centro do Mar", ou seja, um pequeno aquário. O píer deve ser um local agradável para ver o pôr-do-sol ao fim de tarde.

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A engraçada placa que logo na entrada do píer já avisa da estranha proibição - que faz sentido, mas não deixa de ser irreverente. Ao lado, as típicas palmeiras que estão por todas as cidades da costa californiana de clima mediterrâneo.

O píer é todo feito em madeira. Pegou fogo várias vezes durante sua existência (a última foi em 1998), como consequência de incidentes ou de terremotos, e ficou fechado por 6 anos na década de 70, sendo reconstruído depois de mais um incêndio. Esses acidentes de percurso instigaram uma série de regulamentações rígidas para passear por lá, que hoje vigoram. É terminantemente proibido fumar no píer, mesmo este sendo uma área ao ar livre à beira-mar. Existem 3 pontos específicos onde o fumante pode dar suas baforadas, mas se for pego fumando fora desses lugares, a multa é alta. Entretanto, como Santa Barbara é uma cidade extremamente preocupada com a saúde, vi pouquíssimas pessoas (a maioria turistas asiáticos, conhecidos por fumarem muito) desfrutando da área reservada para fumantes - bom sinal. Um outro detalhe interessante do píer é a proibição de andar de salto alto. Para evitar acidentes: caso seu salto fique agarrado entre um das milhares de ranhuras que o píer possui e você cair ou deslocar o pé - as madeiras são justapostas com fendas entre elas, e a prefeitura provavelmente não quer ficar respondendo a processos desse porte. (Parênteses: Mais uma vez, de tabela, os asiáticos é quem sofrem, já que as japonesas, coreanas e chinesas não dispensam um salto nem para ir à praia - eu vi várias meninas coreanas indo à praia com salto fino, pisando na areia e quase torcendo o pé. Um desconforto de dar dó, mas qualquer sacrifício parece valer para se estar elegante. Fim do parênteses.)

Fora essas regrinhas exóticas, o píer é um lugar delicioso. Ouve-se o chuá-chuá do mar batendo nas palafitas, as gaivotas sobrevoam nossas cabeças, pode-se comer em lanchonetes e restaurantes de preço amigável, e temos uma bela vista da cidade e da floresta de Los Padres. Depois de andar por lá, resolvemos dar uma volta pela cidade, que tem a maioria dos edifícios em arquitetura espanhola com azulejos decorados - Santa Barbara foi a missão californiana com maior influência franciscana e espanhola, daí a manutenção do estilo. Há realmente um quê de Figueiras no ar.

Um pouco mais ao sul de Santa Barbara, já na praia próxima a Montecito, vimos a cena mais que santa-barbarana por excelência: dois surfistas dourados com cara de juventude saúde aproveitavam a manhã de boas ondas na praia praticamente deserta - além deles ali, só um casal de brasileiros on the road.

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A praia ao sul de Santa Barbara e um dos surfistas saindo de mais um dia de ondas na Califórnia... Trilha sonora que não saía da minha cabeça: "Garota, eu vou pra California/ viver a vida sobre as ondas..."

Despedimo-nos de Santa Barbara, a cidade mais atlética dos EUA continental que já vi, no início da tarde. Era hora de continuar na estrada, rumo a outras paragens americanas - que aos poucos vão sendo relatadas aqui.

Tudo de bom sempre.

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