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terça-feira, julho 31, 2007

Educação na era Google

Educacao

Nesse mês de julho que passou, o Roda de Ciência dedicou-se a conversar sobre o ensino básico em geral e sua participação no despertar da criatividade e curiosidade. Para variar, aos 45 minutos do segundo tempo, eu deixo aqui minha colaboração na discussão.

Educar não é tarefa fácil, e educar para a ciência talvez seja mais complexo ainda. Digo isso porque há, sem percebermos, uma pressão para a especialização exagerada - e mesmo uma criança tende a virar e perguntar "Pra quê estou estudando isso?"; a resposta a essa pergunta não é fácil, e provavelmente muito professor já se cansou de ouvi-la. Na infância, a percepção utilitarista da ciência é minúscula, e não raro indignamo-nos (e irritamos nossos pais) em aprendermos a taxonomia animal ou distinguir diferentes tipos de rocha. É mais simples a meu ver entender porque precisamos fazer análise sintática (para escrevermos melhor, algo que você exercita com frequência em todas as disciplinas) ou aprender equações trigonométricas (para saber calcular áreas e afins) que as questões que a ciência impõe.

Só que essa visão utilitarista com a ciência, que vi em quase todos meus amigos de colégio, eu não compreendia - desde sempre eu fui apaixonada por conhecimento. Se não para o vestibular, o desafio de aprender algo novo sempre me deixou de olhos brilhando - até hoje sou assim. Mas infelizmente, sei que esse comportamento não é um padrão, e sim a exceção. A regra, na atualidade, é muito mais triste.

Vários amigos meus trabalham no ensino básico, e eles são unânimes em dizer que há um desinteresse coletivo pelo aprendizado. Não sou professora, e vejo apenas de fora essa situação - talvez a falta de prática pedagógica no ensino básico torne um pouco tosca a minha análise - mas para mim, há um desinteresse coletivo pelo ensino de modo geral, incluindo aí a figura do professor, que recebe mal, trabalha muito, vive quase num sacerdócio para ser o que é. O aluno percebe esse desânimo/desinteresse e apenas rebate o que está recebendo.

Por outro lado, acho também que há um problema grave no método educacional em geral - e incluo aí de escolas públicas a privadas de elite, de brasileiras a coreanas. A sociedade mudou, a tecnologia avançou anos-luz, mas ainda temos o mesmo esquema be-a-bá, decoreba e cansativo para forçar o aprendizado. As crianças hoje têm acesso a um mundo de informação muito maior que há algumas décadas, e elas em sua maioria, já chegam a escola "semi-educadas" - o termo não é bom, mas significa que elas já aprenderam algo valioso antes da escola. Cabe ao professor nesse caso filtrar e reorganizar esse "aprendizado caótico" que ela traz da experiência dela no mundo lá fora, acrescentar o "conhecimento formal" inserido nesse novo contexto da criança, de forma que aguce sua curiosidade e interesse em aprender. Nunca se escreveu tanto como hoje - blogs, torpedos, scraps no orkut, emails, etc. Em miguxês, que o seja, mas escreve-se: desenvolve-se o hábito da escrita. Será que o professor não pode aproveitar esse hábito já cultivado e transformá-lo numa plataforma para o aprendizado da "norma culta"? E principalmente, no campo da ciência, trazer o confrontamento: a idéia de que nem tudo que se ouve ou lê é verdade absoluta. Aprender a usar o Google de forma a não se enganar e sim, a acrescentar conhecimento. Saber buscar a informação correta, na fonte correta, entender o processo de formação do conhecimento. Em minha opinião, devíamos ser educados desde cedo a questionar, a formar hipóteses testáveis, a fazer ciência - em todas as disciplinas. Transformar esse ideal em realidade não é tarefa simples principalmente diante da situação caótica de falta de preparação pedagógica dos professores e de estrutura que vemos e vivemos. Mas quem disse que educar é tarefa fácil?

Tudo de bom sempre.

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Gostaria de pedir que os comentários fossem feitos lá, para fazer a Roda girar em prol da discussão.

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quinta-feira, julho 26, 2007

Na ponta do lápis: Lençóis Maranhenses (e alguns insights sobre pacotes de turismo)

Quando decidimos incluir em nosso roteiro de viagem uma visita aos Lençóis Maranhenses - um sonho antigo - comecei a pesquisar pela internet e afins quanto custaria tal empreitada. Era a época ideal, junho, o auge da cheia das lagoas, e a oportunidade de boas fotos naquele local exótico atiçava ainda mais a imaginação. Eis que depois de muita busca, eu finalmente caio no post primoroso do super-Ricardo Freire sobre o trecho exato que queríamos fazer: de São Luís a Fortaleza, incluindo Santo Amaro, Delta do rio Parnaíba e Jericoacara. Imprimi o post apenas, antes de efetivamente ler os comentários. Mas quando fui lê-los, deparei-me com um comentário onde alguém citava o preço cobrado por uma agência de ecoturismo que fornecia esse trajeto (4,000 reais por pessoa!), e tomamos então o primeiro susto básico. Mas não desistimos do sonho, e resolvemos encarar a viagem assim mesmo.

Seguindo meus hábitos contabilísticos, eis que decidi anotar cada centavo gasto por nós dois fazendo essa viagem por nossa conta, sem arranjos prévios nem preocupações exageradas com o tempo e com logística. Tínhamos, é claro, um percurso pensado, mas ficava por nossa conta a liberdade de escolha sobre quanto tempo ficar em cada lugar. E partimos para a aventura.

Trajeto-Malla
Trajeto Malla

"Economia viajante" não significa necessariamente no meu dicionário ausência de diversão nem de um certo conforto - pelo menos de vez em quando. Procuramos as pousadas mais baratas, perguntando às vezes de porta em porta quando chegávamos no local - mas em São Luís, por exemplo, ficamos numa pousada muito boa no centro histórico, pois queríamos descansar de verdade por um dia: tínhamos acabado de chegar de uma maratona pela Amazônia, e eu estava com uma leve crise de bronquite, era preciso recarregar baterias, principalmente sabendo do que vinha pela frente. Escolhíamos a dedo também os locais de refeição. Para nossa sorte, junho é época de festas juninas por aquelas bandas, e pude me entupir com vários pratos de vatapá, arroz de cuxá e farofa de tapioca que custavam poucos reais nos diferentes locais de quadrilha - e ainda fomos convidados VIP do Quadrilhódromo de Parnaíba! Mas mesmo assim, há lugares onde a diversidade de opções para escolha é pequena, como em Santo Amaro do Maranhão, e nesses locais o jeito era encarar o jantar sem estressar muito com o valor. Uma ida ao mercado em alguns casos suplanta o almoço e o bolso: come-se frutas, barras de cereais e afins, mesmo porque com o calor insuportável que fazia ao meio-dia, a última coisa que queríamos encarar era um prato de comida. Sucos de bacuri, graviola ou cupuaçu, no máximo. Bem gelados.

No quesito "passeios", a economia ficou por conta da qualidade da negociação com os oferecedores do serviço. Em Santo Amaro, por exemplo, encaramos ir até os Lençóis à pé pela manhã. Uma hora de caminhada dentro da restinga, gasto monetário zero, muito divertido e ainda faz-se um exercício físico básico. À tarde, fomos à Lagoa da Gaivota (considerada a mais bonita de todo o Parque dos Lençóis) numa toyota que combinamos com mais 4 pessoas: 10 reais cada um. Já em Barreirinhas, os passeios são todos obrigatoriamente feitos de toyota, pois as lagoas dos Lençóis naquela região ficam a cerca de 1 hora de carro da cidade - embora a gente tenha encontrado duas meninas fazendo o trajeto à pé, eu não recomendo pelo cansaço que te exaure, pois você quer ter energia para subir e descer das dunas de areia, tarefa não muito fácil sob o sol escaldante que parece ser lei. Para tais passeios, pechinchamos com os toyoteiros pelas ruas de Barreirinhas - oferta não falta, e se o preço começa em 40 ou 50 reais, depois de chorar ele cai tranquilamente para 25. O mesmo para o passeio do rio Preguiças que vai até o vilarejo do Caburé.

Em Jericoacoara, tudo já é mais caro. Se uma hora no cybercafé em qualquer lugar até então ficava em torno de 2 reais, em Jeri o preço padrão era de 6 reais. Entretanto, a oferta era maior que a demanda, e as leis do mercado são eficazes: basta andar e pesquisar e você encontrará preços condizentes com a baixa temporada em que estávamos. Ficamos numa pousada muito boa (a Pousada Azul) cujo dono é um britânico de Londres, que nos fez um preço camarada e terminamos pagando menos para ficar lá que em Barreirinhas. Para a Pedra Furada, passeio famoso do pôr-do-sol, fomos por nossa conta à pé, seguindo a trilha deixada pelos visitantes de dias anteriores. Para ver os cavalos-marinhos do rio próximo à Tatajuba, fomos num grupo dividindo um buggy - apesar de que, dada a quantidade de asneiras que eu tive que escutar de alguns membros do grupo, o preço do buggy foi alto demais: uma madame doutora-sabe-tudo, que apesar da postura arrogante, procurava cavalos-marinhos entre as folhas do mangue, como se eles efetivamente tivessem quatro patas e relinchassem. Daí vocês meçam o nível da coisa toda.

Após todas as aventuras e desventuras, entretanto, qual não é nossa surpresa quando, ao chegarmos no destino final Fortaleza, percebemos que o nosso gasto total, incluindo absolutamente tudo (pousadas, passeios, traslados, e até um vôo panorâmico sobre os Lençóis), era de menos de um quarto do que o que boa parte das operadoras de turismo ofereciam? Absolutamente todos os preços dos pacotes detalhados no trajeto São Luís-Fortaleza são inflacionados em pelo menos 200% quando comparados com o gasto de ir-se por conta própria. Ok, há a parcela que a agência, por estar organizando tudo, deve obter, mas acho meio abusivo que as pessoas tenham que pagar tão acima do valor médio de uma viagem feita independentemente. O mais interessante é que, como esse é um passeio meio "roots" para o turista brasileiro padrão, vários trechos (como de Sangue para Santo Amaro, por exemplo) são feitos em toyotas bandeirantes, única e exclusivamente por causa da estrada que não dá margem a opções mais luxuosas. Toyotas que custarão 10 ou 200 reais, dependendo da sua escolha em como se aventurar. A outra forma de ir é fretar um jipe (o que é caro) ou se você fizer o trajeto de avião: em ambos os casos, o preço é bem mais salgado.

Mas outro dia, eu discutia exatamente isso com o Inagaki. Quando você compra um pacote de ecoturismo numa agência, sem dúvida você está pagando pela logística, acima de tudo, já que no Brasil, organizar uma viagem dessas online pode se tornar um pesadelo sem fim - para muitos trechos há pouca informação (e muitas vezes contraditória) na internet, para não dizer em alguns casos ultrapassada. E é exatamente em cima dessa desinformação existente, aliada à expectativa do cliente, que as agências fazem a festa. Outro diferencial também é o público-alvo de uma agência de ecoturismo: em geral, é aquela pessoa que tem vontade de explorar a natureza ou um local específico, tem apenas um período X de tempo para viajar, não quer se preocupar com logística alguma e termina pagando mais pelo conforto do não-estresse e pela experiência de viagem que as agências oferecem. (Embora muitos sejam os relatos de serviços ruins por aquelas bandas também...) Não há absolutamente nada de errado em aceitar um esquema desses, eu mesma já o fiz em alguns momentos, e acho que funciona muito bem principalmente se você quer montar uma viagem com mais pessoas envolvidas que não tenham o mesmo pique e sintonia aventurescos. Mas a minha conclusão final é a de sempre, e vale para quase todos os lugares do mundo: se você for mais desencanado, não se estressar facilmente com atrasos, percalços e afins, se você quiser fazer seu trajeto próprio, disposto a andar para pechinchar, sem interrupção de guias apressados, sem visitas a "lojinhas-esquema" (é como a gente chama aqui em casa aqueles tours que sempre terminam numa "fábrica" de qualquer besteira para você comprar algo quase que forçosamente, um esquema de turismo que eu abomino por ser artificial), há alternativas independentes, e essas alternativas em geral saem muito mais em conta do que a opção de comprar um pacote por uma agência. Você só precisa gastar tempo prévio à caça de informações e não se incomodar com os imprevistos que inevitavelmente aparecerão. Às vezes, as dificuldades e surpresas da viagem se transformam em mais histórias interessantes para contar depois aos amigos. Basta ter a cabeça no lugar, fresca e aberta.

A sua escolha final em como viajar vai obviamente da sua intenção primária com a viagem - e do quanto tempo e bolso você tem disponível. Só você pode decidir qual esquema melhor te apetece. Definido isso, o resto é uma boa viagem.

Tudo de bom sempre.

Lencois-1

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quarta-feira, julho 25, 2007

No Quadrilhódromo de Parnaíba

Uma de nossas paradas pelo nordeste brasileiro foi em Parnaíba, no Piauí. Vínhamos do Maranhão, e estávamos cansados de presenciar o descaso político e econômico em que o estado se encontrava. Tivemos uma boa surpresa portanto ao cruzar a divisa de ônibus, numa tarde de sábado: Parnaíba era uma cidade bem organizada, simpática e bonitinha.

Estava em Parnaíba para ver o famoso delta, passeio que só poderia ser feito de dia. Era de tardinha, e saímos então para dar uma volta pela cidade. O antigo porto, onde as barcas antes saíam pro passeio do delta, tinha sido revitalizado. Ali encontramos várias agências de passeio, com preços iguais: de nada adiantava a concorrência. Alguns bares e lojinhas - mas a aparência desértica da área me deixou com uma pulga atrás da orelha. Afinal, aquele era supostamente o "point" da cidade. Onde estariam as pesssoas? Resolvi perguntar. E a resposta do moço da pizzaria foi decisiva: no Quadrilhódromo de Parnaíba. Nos "folguedos", que é como se chamam as festas juninas no Piauí.

O nordeste inteiro festeja intensamente os santos de junho. Em várias cidades por onde passamos, pudemos aproveitar as danças e delícias culinárias que o festejo propicia. Em São Luís, por exemplo, o arroz de cuxá com vatapá foi inesquecível. Parnaíba, com suas fogueiras acesas a cada esquina, não ficou para trás: a prefeitura construiu um Quadrilhódromo, onde em junho acontece o encontro de folguedos, com apresentações das quadrilhas, locais e de outras cidades do nordeste.

Eu esperava uma área pequena - afinal, a festa junina que eu estava acostumada eram festas pequenas, com canjica, quentão e fogueira, não muito mais que isso. E depois de mais de 10 anos sem ir a uma festa junina, já não me lembrava mais direito do ritual festeiro. Quando cheguei no Quadrilhódromo, tive a real noção da dimensão do que é a festa junina por essas bandas: quase um ginásio a céu aberto, com arquibancada, dois palcos e centenas de barraquinhas ao redor. Tudo lotado. O festival de quadrilhas já havia começado, e nós, como bons turistas, sacamos nossas câmeras fotográficas e começamos a registrar tudo. Uma senhora nos viu, e nos convidou a subir na ala VIP do Quadrilhódromo. Sua explicação para o segurança da porta, que eu entreouvi, foi a melhor de todas: "São turistas, estão divulgando nossa cidade." A senhora era alguém importante da secretaria de Turismo da cidade, e acreditava que por ter nos dado o privilégio da estadia VIP, divulgaríamos positivamente a cidade para ela. Era a prova cabal de que, por mais que tentássemos despistar, tínhamos cara de turista mesmo.

De chinelo e bermuda ao lado do prefeito e seus assessores engravatados, assistimos às apresentações de diferentes estilos de quadrilha (eu nem sabia que existia isso), mas uma em particular me chamou a atenção: a do grupo Rei do Cangaço, com o tema "Nordeste de Cabra da Peste" (uma foto oficial da apresentação aqui). Quase 100 participantes dançavam em ritmo frenético uma música originalíssima que engrandecia os estados do nordeste, com um refrão simples, agitado e divertido:

"Esse é o meu nordeste/ terra de cabra, cabra da peste..."

Parnaíba-1©Parnaíba-2
A apresentação da quadrilha "Rei do Cangaço", em cores vibrantes. Ao lado, barraquinhas de quitutes... hmmmmm!!!

Fiquei encantada com a quadrilha de alto nível, cheia de efeitos especiais, de excelente bom gosto e muito animada. Que vibração da galera! Vimos mais algumas apresentações e resolvemos descer da ala VIP. Afinal, eu queria me meter no meio da muvuca e aproveitar um pouco da culinária regional. Encostamos numa barraca de vatapá (amarelo ovo!) com arroz-de-maria-isabel e pirão de parida, e eu comecei a degustação... tudo delicioso e baratíssimo! De sobremesa, mugunzá e bolo de macaxeira. Melhor impossível.

Era tarde quando saímos do Quadrilhódromo, que ainda estava lotado e não dava indício algum de que iria esvaziar tão cedo. Afinal, era sábado de folguedo junino nessa cidade simpática do nordeste brasileiro: evento imperdível para os turistas de sopetão e para os foliões de plantão.

Tudo de arraial sempre. Anarriê!

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sábado, julho 21, 2007

Pequenas anotações de viagens virtuais 20

1) Pérola pescada da seção Turismo do portal Terra, numa reportagem sobre a praia de Mokuleia, onde é filmado o seriado "Lost":

"Transporte
A população do Havaí habita oito ilhas do arquipélago. Nenhuma delas está conectada com outras ilhas locais através de pontes ou túneis. Cada uma possui seu próprio sistema rodoviário (administrado pelo Estado). Para os turistas se locomoverem para outras regiões precisam fazer uso de balsas ou de aviões."


Eu gostaria de saber onde o repórter achou essa informação. Morei no Havaí por quase 2 anos, tenho amigos que ainda estão lá, e até hoje ninguém nunca andou de balsa entre uma ilha e outra - sequer viram esse transporte listado como alternativa. (Para cargas, talvez.) Eita, pseudojornalismo eficiente, sô! Mas o Marmota explicou bem por que essas distrações acontecem nas redações nacionais.

Mokuleia, aliás, é onde eu comemorei meu aniversário de 28 anos, da forma mais passarinhesca possível.

2) Meu amigo Camburizinho postou superbamente sobre sua viagem a Foz do Iguaçu para ver as cataratas famosas. As divagações que ele teve pelo caminho também valem a leitura.

3) Taiwan está pensando seriamente em banir a pesca de tubarões-baleia no país, uma medida que, se tomada, será o fim do comércio legal da carne desse animal por aquelas bandas, transformando qualquer venda de carne de tofu shark em crime. Finalmente uma boa notícia! Mas, antes de comemorar, esperemos que a medida seja aprovada.

4) As brigas mais idiotas na edição da Wikipedia. Rolei de rir com alguns "causos"!

5) A "guerrinha" por quem tem o prédio mais alto do mundo parece que vai começar a ficar acirrada.

6) Os melhores turistas do mundo são os japoneses, de acordo com uma pesquisa recente feita com pessoas da rede hoteleira de Londres. Os piores? Os franceses. Americanos são os mais mal-vestidos. Não houve aparente destaque de brasileiros em nenhuma categoria pesquisada. Será que viajamos pouco? Ou gastamos poucos enquanto viajamos? Ou nossa integração com a cultura local é fraca? (Duvido dessa última deveras.) Eis a questão.

7) ... e o Brasil se ofereceu para construir uma fábrica em Moçambique para produção de drogas contra a AIDS. A idéia é ajudar a diminuir a mortalidade no país africano. Ajudar fazendo, entenda-se: bonita atitude. Mas quanto custará aos cofres públicos? 23 milhões de dólares. Não é absurdamente muito mas em épocas onde cada centavo público gasto para o PAN e para a InfraZero é motivo de bate-boca, o risco de confusão com uma notícia dessas é grande.

8) Depois do aquecimento global e da destruição da camada de ozônio, para os coreanos o pior problema ambiental é a presença de hormônios e/ou disruptores de vias metabólicas hormonais no ambiente. Mais de metade da água engarrafada testada (e usada normalmente para consumo) possui traços de hormônios sintéticos. O que isso pode acarretar na população futura? Só Darwin sabe.

9) E falando em coreanos, a LG patenteou a tecnologia de produção de uma máquina de lavar roupas que toca MP3. A utilidade atual do eletrodoméstico com música é debatível, mas a LG parece estar querendo se antecipar, just in case. Pensar pra frente: esse é o caso?

10) Uma reportagem do New Zealand Herald muito interessante narrando uma visita aos vulcões da Papua Nova Guiné, um dos meus sonhos de consumo. Afinal, um lugar que tem vulcões E o melhor mergulho do mundo não pode ser esquecido na lista Malla, né?

11) Um dos meus destinos visitados prediletos na Alemanha quando lá estive em 1997 foi a pequena cidade de Kassel durante a Documenta (link em alemão; em inglês aqui). Para quem não conhece, a Documenta é uma exposição de arte contemporânea que acontece a cada 5 anos e que torna Kassel por 3 meses um museu a céu aberto: do metrô às galerias tradicionais, por onde você passa na cidade há obras expostas - muito interativas, por sinal. E o detalhe: o albergue da juventude de Kassel é um dos melhores por que passei na Europa. Se o tempo não fosse limitado, eu tentaria, sem pensar muito, ir a Kassel nesse verão e se deliciar com a Documenta. Vale muito a pena, principalmente se você é amante das artes vanguardistas.

12) Minha amiga morcególoga Monik me enviou o link para sua nova página, que explica bastante sobre esses mamíferos voadores. A Casa dos Morcegos já está no ar, e vai além das fronteiras do vampiresco, com informações científicas e quetais. Voe lá!

Tudo de bom sempre.

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sexta-feira, julho 20, 2007

Duas dicas

1) Mas não é que meu fotógrafo querido me surpreendeu mais uma vez e mandou sem eu saber mais uma foto linda de lulas para publicação no Pharyngula? Ah, e a nova galeria do site da ArteSub com fotos de boto-rosa e de peixes-boi já está pronta. Eu sei que sou suspeitíssima para falar, mas vale a pena visitar: as fotos estão simplesmente lindas!

2) A agência de ecoturismo Ambiental (com quem eu já viajei uma vez para Bonito e Pantanal) sai na frente no setor e é a primeira a cair nas garras virtuais da blogosfera mantendo um blog, onde chama a atenção para os destinos que vende em seus pacotes. Pela inovação no setor feita no Brasil, merece palmas.

Tudo de dica sempre.

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R.I.P. Jim

Jim

James Watt - 1951-2007.

Um dos maiores e mais experientes fotógrafos subaquáticos do planeta, um dos fundadores do Wetpixel (o melhor fórum online de foto sub existente), uma fonte de inspiração constante para os amantes do mar, excelente mergulhador, uma pessoa alto astral e de inestimável caráter. Que tive o prazer de rever em fevereiro no Havaí, no casamento de um amigo em comum. É a imagem dele vivo e enérgico, falando de suas inusitadas e fantásticas experiências embaixo d'água, fotografando maravilhosas jubartes e tubarões nos destinos mais exóticos do mundo, que levarei comigo pra sempre.

My deepest condolences to friends and family.

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UPDATE: O Wetpixel prestou sua homenagem e os super-fotógrafos Doug Perrine, Stephen Frink e Masa Ushioda lastimaram com palavras tocantes a morte do amigo.

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quinta-feira, julho 19, 2007

Amorversariante

Hoje é o aniversário do meu amor. Ele que está presente nas entrelinhas diretas e indiretas de praticamente todas as aventuras deste blog, que acompanha cada viagem maluca que nossas cabeças elocubram, que afiadamente critica, que incentiva projetos e sonhos, que tira as fotos mais lindas. Ele que eu amo e para quem hoje deixo meu muito obrigada: por você existir na minha vida, fazê-la mais completa, divertida, apaixonada e feliz!!

Feliz aniversário, meu amor!!! :)


Amorversariante
Meu companheiro de andanças pelos lugares, ares, mares e estares... andarilhando nos Lençóis Maranhenses.

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quarta-feira, julho 18, 2007

Aeroporto de Congonhas: 1, 2, várias vergonhas

Quando criança, nos idos da década de 80, adorava ler e reler (e achava surreal) uma crônica de Carlos Eduardo Novaes com esse título inusitado: "Aeroporto de Congonhas: Uma, Duas, várias vergonhas", parte do livro "O Caos nosso de cada dia", escrito em 1976. Nela, Novaes transformava em comédia da vida cotidiana as agruras de quem tentava viajar por esse aeroporto, morava ao redor do mesmo ou trabalhava naquele pandemônio. Acho que Novaes nunca imaginou o quão realista e trágica aquela inocente crônica se tornaria 30 anos depois de sua publicação. Para tristeza de uma nação.

Meus votos de pêsames aos que perderam amigos, parentes e amores nesse acidente revoltante.

(Para leitura de um texto primoroso sobre o caos aéreo brasileiro e esse acidente trágico, sugiro este. Não precisa concordar com tudo, apenas perceber o quanto o sistema aéreo brasileiro anda manco. E para viajantes como eu, isso é um problema a se pensar muito.)

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No dia 04 de julho passado, eu estava dentro de um avião da TAM que pousava em Congonhas, na nova pista, exatamente na direção que este fatídico vôo 3054 tentou pousar, voltando do plériplo norte/nordeste que fizemos. O dia estava claro, com uma massa de poluição densa sob São Paulo, como é de costume infelizmente no inverno. Por sorte, não chovera. No momento da descida, o máximo de incidente que houve foi uma mulher encrencar porque eu usava minha câmera fotográfica para tirar fotos da cidade, como sempre faço em vôos diurnos ("porque era digital", essa foi a explicação que ouvi, esquecendo das leis básicas da física eletromagnética). Acho que problemas muito mais graves estavam ali sendo expostos, naquela descida, para pilotos e tripulantes, do que as imagens pueris saídas da minha máquina. Viajar pelo Brasil de avião virou esporte radical. Tristeza sem fim.

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domingo, julho 15, 2007

O caminhão do leite

Sangue. Esse era o vampiresco nome da suposta cidadezinha onde deveríamos fazer a conexão para chegarmos em Santo Amaro do Maranhão, reconhecidamente a melhor área para se ver os Lençóis Maranhenses. É de Sangue que partem as toyotas responsáveis pelo traslado aventuresco até o vilarejo - só esses pseudo-tratores aguentam as 2 horas necessárias na não-estrada alagada que conecta o povoado à civilização asfáltica.

Saímos de São Luís de manhã cedo num micro-ônibus cheio de turistas de um dia, e depois de duas horas de viagem, eu e André fomos despejados em Sangue, os únicos a descer ali no meio do nada. Eu pensava que o local seria pelo menos um entreposto com um pequeno comércio local, mas estava enganadíssima: Sangue é uma parada de uma única casa/boteco na estrada que liga São Luís a Barreirinhas, a "metrópole" dos Lençóis. Ao chegarmos, já perguntamos logo quando sairia a próxima toyota para Santo Amaro. "Ah, só às 5 e meia da tarde." Eram 10 da manhã.

A desanimadora resposta não nos pegou de surpresa. Sabíamos que o transporte por aquelas bandas era complicado, e já prevíamos uma possível estadia de muitas horas ali. Dado isso, despejamos nossa bagagem na varanda da casa. Os moradores da residência obviamente estavam acostumados a viajantes perdidos, e logo ofereceram cadeiras e sorrisos para nós dois. Sentei na varanda e depois de meia dúzia de palavras trocadas, puxei um livro de paperback do George Simenon que levara para leitura descompromissada das horas vagas, e pus-me a ler. André abriu o laptop e começou a (tentar) trabalhar nas imagens acumuladas da Amazônia ao redor de inúmeras crianças que surgiam por todos os pontos da casa, encantadas que estavam com fotos de peixes e afins naquela "máquina mágica".

Leite-4©Leite-6©
Em Sangue: uma casa de varanda no meio da estrada. Ao lado, a toyota do leite, preparando para levar leite e viajantes para Santo Amaro.

As horas passavam, assim como uma infinidade de animais saíam da casa. Galinha, porco, pato, bode, cachorro, gato... todos pareciam conviver harmoniosamente debaixo daquele teto. O calor reinava. Os habitantes locais discutiam cotidianices na varanda da casa, sentados pelas muretas, assuntando a vida. Duas crianças molhadas andavam de bicicleta fazendo malabarismos e dando risadas de nós, turistas acidentais. Toda a cena tinha um quê de surrealismo que só a realidade do interior do Maranhão apresenta.

Eram 2 da tarde quando uma toyota encostou. Não era a "oficial", de linha, e sim 3 rapazes aleatórios. Logo souberam pelo pessoal da casa que queríamos ir para Santo Amaro, e vieram me perguntar se queríamos ir com eles. "A que horas vocês saem?" A que o mocinho respondeu: "Daqui a uma hora mais ou menos". Beleza, pensei. Chegaríamos um pouco mais cedo no destino.

Continuei com as agruras detetivescas de Maigret, até que encostou em Sangue um caminhão frigorífico dos grandes, com letras garrafais nas laterais: "Programa de Distribuição do Leite". Dentro, milhares de litros de leite. Os mocinhos que nos levariam a Santo Amaro começaram a se movimentar, transferindo do caminhão para a caçamba da toyota uma infinidade de leite. Essa rotina acontece 3 vezes por semana, e são mais de 1000 litros distribuídos apenas por aquela toyota. A operação de transferência durou cerca de 40 minutos. Nesse meio-tempo, mais 2 viajantes foram despejados ali em Sangue, ambos vindos de Barreirinhas, ambos querendo chegar em Santo Amaro. Comentamos sobre a toyota que estava sendo carregada de leite, e o motorista Nêuton logo falou que apenas mais um caberia no carro - já que a caçamba estava ocupada por leite. Começou então o processo de colocar nossas bagagens em cima da toyota, e nós mais um japaulistano divertido iniciamos a aventuresca travessia de Sangue até Santo Amaro numa toyota de distribuição de leite.

A toyota parava em cada vilarejo de pau-a-pique. Uma casa com geladeira era privilegiada com mais litros de leite, já que ela provavelmente serviria como redistribuidor local às outras casas da vila, numa entrega porta-a-porta. Quando a toyota chegava, as pessoas apareciam com bacias, baldes, sacolas, etc. para coletar seus litros de leite. Na maioria das vezes, crianças, mas em certo momento um senhor com pinta de micro-coronel local veio com seu chapéu, seu rifle e um brio capenga. Ao mesmo tempo que eu percebia que aquele leite era provavelmente a única fonte protéica que aquelas crianças teriam - e é possível que o programa tenha melhorado os índices de mortalidade infantil e nutrição do Maranhão -, não conseguia me desvincular da visão do todo: distribuir leite é um assistencialismo/paternalismo do governo em grau cru, e isso não pode ser a melhor forma de um país andar pra frente. Paternalismo como esse é a receita embolada para o não-desenvolvimento de um país, tornando-o dependente e sem planejamento a longo-prazo. Porque as pessoas terminam acostumadas a receber do governo, e como isso vem sem esforço algum, a sensação vigente no olhar das pessoas era do comodismo da obrigação do governo cumprida, e só. Nenhuma perspectiva de melhoria, de futuro, nenhuma ambição, nada. Péssima combinação de falta de educação básica com assistencialismo eleitoreiro: pode gerar marasmo psíquico. Mas... é exatamente a falta básica de comida que precisa ser sanada em primeiro lugar! É muito complicado julgar toda essa situação e perante essa dicotomia filosófica incômoda que tomou parte do meu pensamento ali, dentro daquela toyota, confesso que senti tristeza por aquelas pessoas serem tão dependentes do governo.

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Um dos responsáveis regionais pela distribuição de leite deixando alguns saquinhos numa casa com geladeira. Ao lado, uma criança enche sua bacia com leite - talvez sua única esperança de ingestão de cálcio e proteínas naquele ambiente arenoso.

Casebres espaçados iam brotando em meio à restinga densa que marcava o caminho - muito arenoso, e quanto mais perto chegávamos de Santo Amaro, mais alagadiço o terreno ficava. Sem dúvida, só carros 4x4 chegam até o vilarejo. Duas horas de toyota, leite e travessias de lagoas, e eis que um rio aparece. Do outro lado, Santo Amaro. Eu não acreditava no que via, mas a toyota foi se enfiando dentro do rio, entrou água dentro de onde estávamos, e aí eu entendi porque a bagagem tinha que ir obrigatoriamente no teto: a toyota efetivamente mergulha no rio para chegar em Santo Amaro. De acordo com os locais, mesmo carros 4x4 modernos, automáticos, têm muita dificuldade naquele trecho, porque sua parte elétrica em geral pifa com tanta água. As toyotas bandeirantes antigas são ainda a melhor opção para aquela não-estrada do interior do Maranhão.

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O rio que temos que atravessar para chegar em Santo Amaro. E a toyota vai fundo, como podemos ver na foto ao lado, quando ela começa a mergulhar no rio.

Já passava das 5 da tarde quando enfim chegamos em Santo Amaro do Maranhão, com os pés molhados, na carona mais láctea e brasilianesca que poderia haver.

Tudo de bom sempre.

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quinta-feira, julho 12, 2007

Na Mergulho com o peixe-boi

Manatee-1st-page


Mais uma colaboração minha com André saiu nesse mês de julho na revista Mergulho (n. 132): uma reportagem sobre os peixes-boi da Flórida, aventura vivida em março desse ano que está na fila pra ser contada aqui no blog - e essa fila só cresce... A reportagem saiu muito legal e eu recomendo a visita às bancas! :)

(Para uma amostrinha online, o início da reportagem encontra-se nesse link do site da revista. E a foto de entrada é de um peixe-boi filhote mamando na mamãe peixe-boi no Crystal River, Flórida.)

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domingo, julho 08, 2007

Reabrindo a mala

Um mês de férias. Ah, como foi bom! A jornada foi intensa, longa e deliciosa. Começamos visitando a reserva de Mamirauá, no Amazonas...

Mamiraua

Passamos por Novo Airão (AM) para conhecer o boto cor-de-rosa...

Boto-rosa-2
(Essa aí quase dentro da boca do boto sou eu fotografando-o.)

... e visitamos Manaus, onde finalmente conheci o peixe-boi amazônico (que é curiosamente malhado na barriga, como uma vaca).

Peixe-boi-AM

Fomos por terra em transporte roots (o que significa alguns trechos pesados em pau-de-arara) de São Luís a Fortaleza passando pelos Lençóis Maranhenses...

Lencois

... e por Jericoacara (CE).

Jeri

Histórias? Tenho inúmeras: hilárias, reflexivas, divertidas e intrigantes. Virão detalhadas aos poucos para o blog, que sairá enfim desse descanso de inverno. Afinal, distorcendo as palavras de Fernando Pessoa, logar a viagem é preciso, e viver, mais preciso ainda.

A partir dessa semana, começam os relatos dessa última aventura aqui no blog. Espero que se divirtam.

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Durante esse mês de férias, tive a oportunidade de rever/conhecer 4 blogueiros incríveis e que eu há muito queria encontrar: a amiga Alline, que me recepcionou e hospedou maravilhosamente em Tefé; a Eva, que é mesmo um doce de pessoa; o Chico, que tem um papo jóia e é um gentleman; e a Denise Arcoverde, que dispensa apresentações - pessoa simplesmente maravilhosa. É interessantíssima essa história de conhecer amigos virtuais: em todos os casos, tive a sensação de que já os conhecia de longa data. As afinidades e amizades que lemos sem dúvida ultrapassam as barreiras dos bits e bytes, e essa dinâmica da blogosfera é de uma magia deliciosa. Aos 4, muito obrigada, por se aventurarem em encontrar uma Malla pelo Brasil.

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E em meio ao meu período de recesso, muitas notícias e desnotícias. O Cristo virou maravilha numa eleição promoção "ixquema ixpertíssimo" de um suíço - como a Acrópole grega não está lá??? E os moais da ilha de Páscoa??? (para uma opinião que bate com a minha sobre o assunto, leia aqui.) O mundo ouviu um grito cadenciado de tons e notas musicais em 8 lugares diferentes clamando por uma mudança de atitude em relação ao aquecimento global, na série de shows bem-sucedida do Live Earth. E a China já é o país com o maior índice de emissões de CO2 do planeta, rebaixando os EUA para a segunda colocação de um triste ranking. O mundo gira.

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Falando de política ambiental, esse blog foi nomeado ao "prêmio" pelos direitos fundamentais humanos "Blog com Tomates" por 3 outros blogueiros supimpa: o Rafael Reinehr, a Denise e a Alê. E ao Thinking Blogger Award pelo Levi, um fã de montanhismo como eu. Com muito atraso (que vergonha...) agradeço aos 4 por lembrarem com tanto carinho desse espaço em suas nomeações. É extremamente gratificante saber que o que eu escrevo aqui pode servir - nem que seja nanometricamente - como fonte de informação. Obrigada, amigos.

(Parênteses: Fui convidada também a responder a um meme estranhíssimo sobre livros, e quanto a isso, só tenho um ponto a fazer: viajar pelo universo paralelo de Douglas Adams no "Guia do Mochileiro das Galáxias" enquanto se viaja pelo universo nada paralelo da realidade cotidiana no nordeste brasileiro é apelar para a surrealidade das contradições: o Brasil é definitivamente habitado pelos Vogons. Não aconselhado para pessoas normais no hiperespaço. Fim do parêntenses.)

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Tudo de volta sempre.

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