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quarta-feira, outubro 31, 2007

Buuuuu!!!! Halloween em Honolulu

Waikiki dawn

Se você quando viaja gosta de se misturar com multidões, curtir uma festa de rua para dar muitas risadas e se divertir a esmo no meio de um bando de desconhecidos amalucados, você não pode perder então o Halloween em Honolulu, no Hawaii.

Até então, meus Halloweens americanos sempre tinham sido em Boston, no meio de um frio que já dava seus primeiros respiros. Era a época da cerveja de abóbora (Pumpkin Ale) no Boston Beer Works lá do Fenway Park, uma delícia que eu esperava ansiosamente o ano inteiro. Algumas festinhas e eventos rolavam na noite do Halloween em bares e boates, às vezes uma sessão de cinema de terror à meia-noite; coisas do gênero, mas nada muito carnavalesco. Afinal em Boston o Halloween é por definição uma festa das crianças, que saem às ruas e passeiam pelas casas repetindo incansavelmente "trick or treat".

Já em Honolulu, o dia das Bruxas tomou uma proporção muito maior, mais adulta e festeira. Não que as crianças não deixem de circular pelas casas; pelo contrário, elas ficam o dia inteiro fazendo isso - e o clima ameno do Havaí permite que elas passem muitas horas pela rua sem as tradicionais preocupações maternas de "vista um casaquinho para não pegar uma pneumonia". Em meu primeiro ano lá, deixávamos no apartamento um estoque enorme de maçãs para cada criança que aparecia pedindo doces - e como esperado, não éramos uma casa muito popular.

Mas é a vibração dos adultos que faz o Halloween em Honolulu ser diferente. Lembro que muitos alunos iam para a faculdade de manhã cedo já fantasiados, passavam o dia inteiro tendo aulas e mexendo com as pessoas, numa forma de fanfarra que até então nunca tinha visto nos EUA. Quando cai a noite, a gente percebe então a real dimensão do que é o Halloween no Havaí. Porque, afinal, na noite das Bruxas, todos os caminhos levam a Waikiki.

Waikiki é o bairro mais turístico de Honolulu, onde estão os hotéis e lojas chiques. Às 7 da noite as ruas principais já estão com o trânsito fechado para que a multidão de pessoas possa se deslocar sem problemas. E é uma multidão mesmo. Da primeira vez, não sabia de toda essa confusão e fui de salto agulha para uma suposta festa que aconteceria em um hotel na orla - festa fechada com estacionamento, presumi. Que mico. Tive que andar tanto que cheguei na festa descalça, porque já não aguentava os calos e as bolhas no pé. Já no ano seguinte, de tênis confortável, lembro que tivemos que estacionar o carro na altura do Hard Rock Café, que é praticamente o último bar antes de Ala Moana, e andar alguns quilômetros até o centro do burburinho - passa rápido, pois a galera brincalhona não deixa você lembrar que está andando bastante.

Pelas ruas, vê-se de tudo. De crianças com suas roupinhas de fantasma ou bruxa a adultos fantasiados das coisas mais loucas possíveis, com todo o improviso que a ocasião permite - cheguei a ver um turista todo enrolado com papel higiênico, fazendo às vezes de múmia. Aliás, as fantasias mais "improvisadas" são as dos turistas jovens, que vão para lá sem saber que serão pegos numa data tão comemorada, e quando percebem o fato, se viram do jeito que dá para cair na gandaia. O que não dá é pra perder a festa.

Toda a população da ilha de Oahu parece que vai dar uma espiada no movimento e na bagunça que toma conta das ruas de Waikiki - muitos terminam na praia, é claro. Há policiamento, mas bem mais relax que no continente; os policiais sabem que o evento anual é uma festa popular onde as pessoas libertam-se de suas vergonhas e, como num carnaval à americana, se divertem, sem riscos de violência criminosa. A maioria do pessoal vai fantasiado, fazendo performances de acordo com sua vestimenta. Não há trio elétrico nem banda de Ipanema, mas há músicas em hotéis e nos bares, além da alegria das pessoas, turistas e moradores, que é contagiante. Andam pelo calçadão, fazem graça conversando com a famosa estátua do Duke, bebem seus mai-tais e brincam com o aquário de tubarões que é a vitrine da loja da esquina mais movimentada do bairro. Muito legal.

E desde que eu voltei do Hawaii, todo Halloween eu lembro dessa bagunça de Waikiki, muito mais que das crianças pedindo doces e das tão celebradas bruxas de Salem (onde aliás também já passei um Halloween congelante). A inversão divertida e nada aterrorizante que a festa tomou na terra do surfe dá saudade.

Trick or treat e... aloha!

Tudo de booo sempre.

Halloween Honolulu4Halloween Honolulu1
Às 7 da manhã, na aula de coreano, essa minha amiga de classe já estava à caráter pra festa e no ritmo da brincadeira: vestida de policial, prendeu o professor, que teve que dar aula algemado, para risada geral da turma. Ao lado, um ser fantasiado de soldado Vader. Havia outros soldados do espaço, e eles andavam muitas vezes em fila performática.

Halloween Honolulu2Halloween Honolulu3
A festa ainda é delas também: uma criança vestida de bruxinha nas ruas de Waikiki. Ao lado, um turista improvisando fantasia e dando sustos na galera de trás de seu "poste".


*Publicado também no Goitacá.

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segunda-feira, outubro 29, 2007

Viajando por email: Manu

A Manu é uma leitora muito especial deste blog - e não é só porque ela é baiana, não. Poetisa doce, jornalista de olho nas questões ambientais, ela participa conscientemente da construção da interação que a mídia blog merece, e para mim isso é um bom exemplo. Eu sei que falho muito com relação aos que deixam comentários por aqui, às vezes me desanimo a escrever - tenho a sensação incômoda de que falo comigo mesma a maior parte do tempo, num desvio esquizofrênico delirante. Mas são os recados que a Manu muitas vezes escreve que me fazem lembrar a minha visão inicial sobre blogs (que eu mesma esqueço às vezes): o blog deve ser tratado como uma plantinha, regado sempre, podando as partes secas, dando carinho e atenção aos detalhes da terra, para que um dia as flores brotem e possam encantar a todos que visitam com seu frescor e perfume. Compartilhar é uma delícia. Seja o que for: alegrias, tristezas, amizades, conhecimento, micos, viagens... A Manu entendeu esse espírito perfeitamente e, depois de tanta troca e conversa, chegou a hora dela compartilhar conosco as opiniões que tem sobre viagens, aí embaixo, alimentando o jardim da internet. Deliciem-se.

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Manu
(Foto da Manu gentilmente cedida por ela própria.)


- Você se considera mais ecoturista ou é mais adepto(a) aos passeios urbanos?

Manu: Até a pouquíssimo tempo eu me considerava bem urbana. Mas depois que fui a vilarejos escondidos pelo sertão do Nordeste, descobri que não importa se é metrópole ou cidade de apenas uma rua, eu estou indo. E ambos são uma delícia!


- Como você escolhe seus destinos? Amigos, curiosidade, internet...?


Manu: Acho que amigos ainda pesam muito para minhas escolhas. E tenho sorte de ter amigos em lugares que até Deus duvida... rsrs. Além disso tem as minhas viagens culturais, quando vou mais para estudar que para fazer turismo em si, que é aquilo de passar um dia inteiro indo de museu em museu... mas sempre com um olhar curioso sobre o local e as pessoas, que é o que realmente importa. Ah... as aulas de História no 2º grau também ajudaram muito. ;)


- Qual foi sua viagem inesquecível? Por quê?

Manu: Todas elas. Bom, eu poderia dizer que era a da Europa, por ter conhecido Paris, Viena. Ou que para o Cânion do Rio São Francisco, por ter tomado banho no “Velho Chico”, até na Península de Maraú, pelas ilhas maravilhosas e por serem os locais onde descanso. Mas não... minha viagem inesquecível foi para um vilarejo ao sul do Piauí (sou baiana mas meus pais são de lá) de apenas 4 ruas... a cidade é um quadrado, literalmente. Era lá que morava meu bisavô... eu o conheci, passei uma semana lá... depois disso ele faleceu, recebi a notícia ainda na estrada. :(


- Nossa, que triste. E qual foi a pior viagem que fez? Por quê?

Manu: Nossa... esta pergunta para mim não é difícil. Não que o lugar foi ruim, mas é que viajo muito de carro, enfrentando estrada. E as estradas deste país não estão nada bem. A pior foi a do final do ano, indo de Salvador para o Rio e voltando também. Enfrentamos muita chuva, buracos, pontes que desabaram e engarrafamentos de 2 horas. Mas foi só ver o mar e minha família que todos esses aborrecimentos se dissolveram com um piscar de olhos. :)


- Qual a comida mais exótica/ estranha que já comeu numa viagem?

Manu: Ahhh...kkkkkkkkk. Pode falar mesmo???? Nossa... todo mundo faz careta quando falo as coisas que já comi viajando. Não foi só uma comida, foram várias. Já comi até tartaruga sem saber o que era. Me disseram que era “frito” (espécie de farofa com carne comum no Sertão) e eu comi. Mas o mais esquisito mesmo foi “Teiú ao molho de leite de coco” - para quem não sabe teiú é aquele lagarto imenso que vive na Caatinga e foi servido como grande iguaria na casa de um senhora lá em Delmiro Gouveia, Alagoas. Só me avisaram o que era depois que terminei a sobremesa. :/


- Você tem alguma mania ao viajar? Tipo colecionar fotos de orelhões, beijar o chão ao chegar, etc.?

Manu: Tenho 3, mania de colecionar sabe? Uma é postais, coleciono de tudo, inclusive de propagandas e exposições... e tenho inclusive de lugares que não conheço como San Fran, trazidos por meu pai... são mais de 80 só de lá. :) As outras são os livros das exposições que visito e fotos de paisagens que eu mesma tiro, adoro!


- Qual sua trilha sonora preferida durante uma viagem? Alguma música em especial?

Manu: Depende do lugar. Daqui de Salvador para Teresina é quase sempre forró, para ir entrando no clima... rsrs. Para o Rio é Martinho da Vila, Zeca Pagodinho. Mas a que marcou mesmo foi “Wonderwall” do Oasis durante a estada na Europa... eu e minhas amigas cantando a plenos pulmões em Munique, realmente é inesquecível (principalmente para quem estava ouvindo... rsrsrs).


- Qual o souvenir mais exótico que já trouxe de algum lugar?

Manu: Hummm... acho que foi uma piranha embalsamada lá de Teresina, Piauí. Eu era criança e aquilo para mim era assustador. Tanto que trouxe e coloquei num lugar que eu não olhasse muito para ela.


- Uma dica sua especial.

Manu: Seja numa grande metrópole ou num vilarejo, procure sempre ver mais que ser visto. Ouvir mais que ser ouvido. E nunca dispense a companhia dos mais velhos, pois eles sempre têm o que dizer. E como é bom ouvir “causos” de quem já viveu muito!


- Que bonito isso! :) A próxima viagem é para...

Manu: São Paulo, mês que vem...


- Boa viagem, Manu, e quem sabe a gente se encontra então... ;)

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domingo, outubro 28, 2007

Domingo à tarde, num bar em Minas...

Não me considero uma pessoa chata com português - pratico o exercício de não apontar os erros alheios já que eu também sou passível a eles, e evito indelicadezas desnecessárias acreditando que o cerne da comunicação é o entendimento, afinal. Mas quando abri o cardápio de um barzinho que fomos em Minas, na parte das pizzas, uma palavra me saltou à vista: muçarela. Escrita assim, com cê cedilha.

Cardapio

É claro, eu não devo ter sido a única a se incomodar com essa grafia, porque logo abaixo dessa mesma seção no cardápio havia o recado explicativo visto no rodapé da foto acima, dizendo que o dicionário Michaelis registra a grafia muçarela ou mozarela, e não mussarela.

A Wikipedia apresenta um sucinto compêndio sobre esse bizarro imbroglio gramatical envolvendo o queijo mais consumido no Brasil:

"Embora a origem da palavra seja italiana, conforme o local onde é fabricado, tem nomenclatura diferenciada. No Brasil, embora seja popularmente grafado como mussarela, encontra-se dicionarizado como "muçarela" (Houaiss, Michaelis) ou "mozarela" (Dic. Aurélio). "

Enfim. Enquanto comíamos uma pizza de muçarela no bar, saboreamos um delicioso chop de groselha e outro de menta, esses sem maiores problemas grafológicos. Eu adoro chopes com sabor. Acho que são as cores desses líquidos que me fascinam, porque trazem essa sensação de domingo à tarde tranquilo, com boas expectativas de uma semana melhor por vir. Um tintin colorido a todos, então.

Chops

Tudo de bom sempre.

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sexta-feira, outubro 26, 2007

Fotografia de vida selvagem 2007

Hoje abriu a exposição online - e real, para os que moram em Londres - do Museu Britânico de História Natural, com as fotos premiadas no Shell Wildlife Photographer of the Year 2007. Ou seja, as melhores fotos de vida selvagem do ano no maior concurso do tema que existe no planeta. Como sei que as regras do Museu me permitem reproduzir 5 fotos para divulgação não-comercial (foi a própria diretora do concurso quem me disse isso pessoalmente no ano passado, quando André ganhou uma das categorias do concurso), então resolvi colocar as 5 fotos desse ano que mais gostei. Mas aconselho todos a irem no site da competição visitar os vencedores do ano, porque as fotos estão excelentes, really breathtaking. Foram mais de 30,000 imagens concorrendo. Aos curiosos de plantão, André chegou à fase final de escolha das 3 categorias mais concorridas na competição desse ano com 1 foto em cada (o que significa estar entre os top 100 do mundo!!), mas nenhuma delas levou o prêmio final infelizmente, apesar de serem MARAVILHOSAS, em minha parcialíssima opinião corujística. Essas 3 fotos podem ser vistas no site da ArteSub: um peixe-boi, um tubarão de Galápagos e uma ostra que eu amo de paixão.

Esse ano, houve uma forte predominância dos animais de ambientes gelados entre os vencedors - pode ser uma simples questão de estatística, mais fotógrafos de gelo enviaram imagens para concorrer que de vida selvagem tropical. Mas pode ser também uma escolha proposital: dado o caráter de alerta ambiental que esse concurso em geral tem, mostrar a riqueza biológica que estamos perdendo com o problema do aquecimento global parece ser uma boa mensagem. De nenhuma forma isso tira o mérito de cada uma daquelas imagens para mim; são geniais e os fotógrafos todos estão de parabéns. Mais uma vez, entretanto, eu não gostei muito da vencedora-mor. É a foto de um elefante se chafurdando na lama, e pode ser vista aqui. É uma foto tecnicamente bonita, parece um pintura de lápis-grafite, mas há outras entre as demais vencedoras que em minha opinião são muito mais belas, interessantes e criativas. Vamos então às minhas prediletas do Shell Wildlife Photographer of the Year 2007:

WPY 07 - Gary Steer
Essa é minha foto predileta do ano. É de uma simplicidade sem fim - e a primeira idéia que pensamos é "qualquer criança tira essa foto". Não, meus caros. O olho do Gary Steer viu uma pintura abstrata expressionista, bem Mark Rothko, e para ver isso na frente do mar... o cérebro preparado sucumbiu à arte arrebatadora. Ou sucumbiu à criança guardada no fundo de seu coração. Composição perfeita, e uma emoção à flor da pele brota quando olho para essa imagem. Foi tirada perto de Sidney, mas é uma paisagem marinha universal. Nota 1000 numa escala de 0 a 100. Mais explicações sobre a foto aqui.

WPY 07 - Csaba Karai
Uma foto de muita sorte, como o próprio fotógrafo Csaba Karai explica, que rendeu uma imagem eterna. O avião passando em frente da lua deu o toque humano e reflexivo a uma foto que seria "como outra qualquer feita com telefoto". É a miudeza da nossa existência ali escancarada que espanta, faz pensar e delirar. A lua nunca esteve tão filosófica como nessa imagem.

WPY 07 - Jeff Yonover
É um elefante embaixo d'água!! Sem noção a dificuldade para conseguir esse clique - e numa água tão clara. O bicho é desengonçado, Jeff Yonover provavelmente correu um risco danado (e provavelmente se emocionou deveras), mas trouxe uma leveza a esse corpanzil digna de gênio. Eu já tinha visto um livro de fotografia só de elefantes embaixo d'água na livraria da Universidade de Oxford (não sei se era do mesmo fotógrafo, though), mas fico alegre de constatar que finalmente uma dessas maravilhas foi premiada. Merecidíssimo. A foto foi tirada nas ilhas Andaman, no Índico.

WPY 07 - Bob McCallion
Bob McCallion conseguiu o impossível: mostrar uma imagem de cinema mágico à la Lord of the Rings com um clique simples de máquina fotográfica, sem efeitos especiais ou algo do gênero. O capturado aqui não é um momento: é uma atmosfera, onde se você viajar na maionese como eu, verá até os duendes saindo pelos cantinhos. Desnecessário qualquer outra referência: é magia pura. Leia mais sobre a foto aqui.

WPY 07 - Paul Nicklen
Paul Nicklen é uma sumidade na fotografia de vida selvagem. Fotógrafo da National Geographic, seu site é um dos meus favoritos dentre todos de fotografia que conheço, não pelas tecnicalidades, mas pelas imagens, que são sempre belíssimas. Tirou essa foto aérea das baleias narwhal, espécie ameaçadíssima de extinção, vindo à superfície para respirar num buraco do gelo do Ártico. Para mim, essa foto é quase uma xilogravura. A textura da foto é tudo, nesse caso. Eu adorei a criatividade de sempre do Paul nesse clique.


Tem pelo menos umas 5 outras que eu amei muito. Mas vejam no site do Museu todas as fotos, façam suas escolhas próprias. São muito maravilhosas. Mostram poeticamente um lado da vida animal que nos escapa à vivência. Te fazem pensar o mundo com uma cara mais leve, mais sorridente, levantando questões importantes e sérias (como boa obra de arte que são) mas sem perder a leveza das cores, texturas e frescor. São inspiradoras.

Tudo de bom sempre aos fotógrafos de vida selvagem do planeta, que nos trazem um olhar tão peculiar do mundo natural que (n)os circunda.


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- E já que estamos no clima de fotografia selvagem, fica a dica: se você mora no Reino Unido, ou tem acesso à revista de divulgação científica BBCFocus em algum lugar do mundo, caso caia em suas mãos a edição número 181, não perca a seção "Eye opener", com uma nota sobre ostras gigantes. Qualquer semelhança da página principal com a foto abaixo não é mera coincidência... ;)

Giant clam

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quinta-feira, outubro 25, 2007

Melhores blogs de ciência

A The Scientist perguntou em setembro: quais são seus blogs favoritos de ciência? Claro, em inglês. E eu, que adoro dar pitacos nessas listas randômicas, resolvi dizer aqui quais são os meus prediletos.

São muitos, essa é a realidade. A qualidade da blogosfera em inglês é assustadora - ao ponto de já haver regras da National Library of Medicine sobre como citar apropriadamente blogs em artigos científicos. É difícil escolher, porque são muitos blogs excelentes, nos mais variados temas da ciência. Mas é claro, há os blogs que, além de bons, são os que eu mais me identifico - não por acaso eles estão, em sua maioria, no meu blogroll. Mesmo assim, repito: é difícil fazer essa lista; vai deixar muita gente muito boa de fora, inevitavelmente. Mas aí vão os que em minha opinião são os melhores blogs de ciência em língua inglesa e o por quê de eu os considerar assim (o número NÃO indica a ordem do meu gostar):

1) Pharyngula - Impossível não citar o blog do PZMyers. Ame-o ou odeie-o (alguém consegue odiá-lo?), é indispensável, dado o conteúdo discutido. Atenção especial aos riquíssimos posts de evolução e desenvolvimento embrionário (o "evo-devo"). O maior mérito? Em minha opinião, foi ter popularizado um grupo de seres vivos até então esquecido, os cefalópodes. Não há entre blogueiros americanos de ciência hoje quem veja algo sobre polvo ou lula e não lembre/pense/envie por email pro PZMyers.

2) Real Climate - O tema é árduo, duríssimo: clima e principalmente, as mudanças que temos presenciado no mesmo. A caixa de comentários é de alto nível, com discussões muitas vezes típicas de congressos científicos internacionais. Escrito por um grupo de pesquisadores de diferentes instituições dos EUA (incluindo NASA e Universidade de Chicago), são a minha primeira escolha quando leio algo que não entendo sobre clima: "O que será que o Real Climate tem a dizer sobre isso?" Vou no search deles e inevitavelmente acho algo muito bem escrito e colocado sobre o que estou procurando. O maior mérito: divulgar a ciência do clima de forma entendível aos demais leigos. (O meu "entendível" pode requerer nesse caso um pouco de base de química e física, mas não se assuste.)

3) Respectful Insolence - "Orac knows." Esse era o tagline quase-messiânico do melhor blog sobre biomedicina quando ainda estava hospedado no blogspot. Ele se mudou para o super-portal dos ScienceBlogs, e a qualidade só melhorou: Orac still knows - a lot. O blog é muito voltado para questões de câncer, já que Orac, pseudônimo do médico que escreve o blog, é um cirurgião oncologista. Mas interessantemente o maior mérito do blog, em minha opinião, são os "Friday dose of Woo", posts publicados às sextas-feiras que desbancam "pérolas" da pseudociência. Com essa seção, Orac faz um bem à humanidade e fornece doses maciças de risadas científicas para mim toda sexta. Isso já vale a visita.

4) Deep Sea News - Escrito por 2 biólogos marinhos, o blog é focado primordialmente em toda e qualquer informação relacionada ao mar - o que, de cara, já me encanta. É muito bem-escrito, há vários posts com novidades que você não lê nos jornais, e as fontes linkadas são escolhidas a dedo, com muita qualidade. Falar do mar é, para mim, o maior mérito - precisa de mais?

5) Living the Scientific Life (Scientist, interrupted) - Foi um dos primeiros blogs de ciência que eu comecei a acompanhar nos idos de 2004, quando a Grrrl Scientist ainda "morava" no blogspot. Desde então, o blog só melhorou. Ela faz muitas resenhas de livros, é fã incondicional de Harry Potter, e é também especialista em aves (publica todas as segundas o excelente "Birds in the News", uma espécie de resumo das notícias sobre passarinhos em voga pelo mundo). Tem transtorno bipolar grave, e por conta disso, ficou "ausente" da blogosfera um tempo, o que gerou preocupações inúmeras da parte de seus leitores. Depois soubemos a triste razão: ela infelizmente tentara o suicídio, durante umas das crises de bipolaridade. Mas cientista de verdade que é, não satisfeita com as mazelas do tratamento oferecido, blogou de dentro do hospital psiquiátrico informando ao mundo como são (mal)tratados os pacientes com patologias psíquicas e quais as opções de tratamento que lhe eram oferecidas, com detalhes bioquímicos pra lá de interessantes. O maior mérito, entretanto, para mim, é a forma precisa, concisa e amável como ela escreve: de deixar muito jornalista de queixo caído.

6) The Biotech Weblog - As descobertas científicas em todos os campos, mas com grande ênfase na biomedicina. Principalmente, trabalhos vindos das indústrias de biotecnologia, com explicações simples e diretas. O mérito do blog: ser claro e mostrar descobertas interessantes que ficaram à margem da grande mídia.

7) Pharmalot - Absolutamente tudo sobre indústria farmacêutica. De tendências no mercado de ações aos burburinhos das novas descobertas científicas às fofocas jurídicas dentro da indústria. Embora seja um blog mais de informações e notícias, a ciência que chega de tabela vale muito a visita. Só falta em minha opinião um pouco de humor - mas para isso já existe o Pharmagossip, é claro. Maior mérito do Pharmalot: as notícias dos bastidores da indústria. São decisões que a gente nem imagina como são tomadas, expostas sem dó nem piedade. Lindo.

8) The Loom - O que dizer do Carl Zimmer? Além de finíssimo em seu blog, ele tem a melhor escrita de divulgação científica do planeta - não é exagero, ele é o melhor jornalista atuando nessa área no momento, e não por acaso colabora em grandes redações, como NYTimes. Seu blog é um primor, típico de uma pessoa que leva a vida com garra e vontade de melhorar, sempre, e sem perder o bom humor - quem imaginaria que ele se tornaria o grande organizador das fotos de tatuagens científicas da blogosfera? Eu adoro o Zimmer. O maior mérito do blog dele? Os posts grandes sobre qualquer tema científico, que são tão bem escritos que dá vontade de levantar do teclado e aplaudir de pé.


Na blogosfera de língua portuguesa, há bons blogs de ciência também, mas ainda muito longe de terem a força e o dinamismo que a blogosfera inglesa tem - e isso a meu ver vem muito em decorrência do volume de blogs/cientistas ou profissionais ligados à ciência blogando, que aqui no Brasil é ainda bem pequeno. Todos meus companheiros de Roda de Ciência são ultra-competentes e têm bons blogs, e boa parte dos que leio em português vêm do blogroll de lá. Percebo um padrão também interessante: a blogosfera científica de Portugal é mais organizada, rica e "viva" que a brasileira - organizou-se inclusive um portal de divulgação de blogs científicos, que é linkado pela maioria dos blogs lusos. Aqui no Brasil, portanto, precisamos melhorar muito ainda.

Na minha lista de melhores blogs de ciência em português, não incluirei o Roda de Ciência, onde também colaboro, pois não quero me auto-indicar dessa forma - embora goste muito da interação que o Roda gera. Eis então meus prediletos em português (o número NÃO indica a ordem do meu gostar):


1) Cais de Gaia - "Ciência com vista para o Douro." O Caio discute detalhes zoológicos de uma forma intocável. Os bichos mais estranhos passam pelos posts dele, e o blog é uma caixa sem fundo de surpresas. O maior mérito são para mim os posts onde ele disseca a informação dos diferentes fósseis de forma clara. Um brinco.

2) O Dragão da garagem - O blog do Widson padece da falta de atualização, mas se você olhar nos arquivos, verá que ele é um inconteste arrasador da pseudociência, fazendo em minha opinião o papel de "Orac e sua dose de woo" da blogosfera brasileira. A série em que ele desvenda o filme "What the bleep do we know?" é um clássico, simplesmente imperdível.

3) Ciência e Idéias - A Maria "comanda" um time de colaboradores num blog que traz boas discussões sobre as novidades da ciência e pérolas que ela descobre pela rede. Ela também está por trás do "Café com ciência" que a Fapesp organiza uma vez por mês: é gente que faz. O maior mérito são os posts sucintos, com linguagem de quem entende de divulgação científica de verdade.

4) Chi vó, non pó - O João presta um serviço aos físicos de plantão: ele traduz por diversão as edições do Physics News Update, o boletim de notícias do Instituto Americano de Física. Facilita a vida de muito estudante por aí, provavelmente. Além disso, seus posts têm um tom inteligente sem deixar de ser engraçado, sempre com a visão de outsider da ciência que faz falta ao meio. Esse, aliás, é o mérito do blog: o estar fora da ciência, discutindo por prazer a dita cuja. Parabéns ao João.

5) Por dentro da ciência - O Adílson poderia atualizar com mais frequência seu blog, porque ele é tão bom... infelizmente sofre da mesma patologia bloguística do Widson aí em cima. Mas os arquivos mostram o quão antenado com a física e o mundo seu blog é. Vale a visita, e em minha opinião seu mérito é o texto do Adílson, que é leve e fluido, num assunto tão árduo.

6) Caminhos do conhecimento - é meio que um linkfest de ciência, com posts curtos que redirecionam para outros sites com notícias/curiosidades/bizarrices interessantes da ciência. Como (quase) todo blog de links em minha opinião, a caixa de comentários não é visitada como deveria. Mas seu mérito é o garimpo precioso que a Rita faz, sem dúvida.

7) De Rerum Natura - blog coletivo de pesquisadores portugueses, com posts bons em todas as áreas científicas, de astronomia a filosofia da ciência. A escrita é fluida, e os posts são muito agradáveis e diversos, sendo esse seu maior mérito.

8) Você que é biólogo - Posts bem pessoais sobre a vida de biólogo e professor e divulgador da ciência por todos os poros. O arquivo, embora não-frequente, mostra que o blog existe desde 2002, o que o coloca entre os pioneiros da blogosfera brasuca. O mérito do blog está na sua maneira pessoal, no quanto a gente se aproxima do Mauro quando ele escreve. Eu adoro.


Eis minha lista. E eu pergunto agora aos que me visitam aqui: quais são os seus blogs preferidos de ciência?

Tudo de ciência sempre.

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terça-feira, outubro 23, 2007

Consenso sobre os recifes de corais do mundo

A Universidade de Queensland, na Austrália, publicou hoje um documento chamado "Declaração de consenso sobre o futuro dos recifes de corais". Compilado por mais de 50 cientistas do Centro de Excelência em Estudos de Recifes de Corais, traz uma imagem nada bonita da situação dos mares do mundo. Entre os diversos tópicos citados, muitos infelizmente de difícil realização na atual conjuntura da humanidade. Destaco aqui os tópicos que mais me chamaram a atenção (tradução livre minha):

- Conclamamos a sociedade e os governos a diminuírem substancial e imediatamente as emissões dos gases de efeito estufa. Sem essas reduções, o dano decorrente do aquecimento global sobre os recifes de corais será em breve irreversível.

- Mudanças climáticas, pesca em escala industrial e poluição continuam a causar declínios elevados e rápidos na abundância das espécies de recifes de corais e mudanças globais no mesmo ecossistema. Mesmo recifes bem-monitorados e remotos estão correndo perigo com as mudanças climáticas.

- A megafauna dos recifes de corais (e.g. tubarões, tartarugas e peixes-boi) continuam a desaparecer rapidamente, e estão ecologicamente extintas na maioria dos recifes do mundo. Pesca comercial e o mercado dessas espécies deve ser banido para permitir a recuperação dos estoques.

- O mundo tem uma janela de oportunidade para salvar os recifes de corais da destruição causada pelas mudanças climáticas. Redução global substancial das emissões de gases de efeito estufa devem ser iniciadas imediatamente, não daqui a 10, 20 ou 50 anos.

- A ação local pode ajudar a reconstruir os recifes de corais e promover sua recuperação. É extremamente importante que evitemos os booms de algas nos recifes, reduzindo a descarga de sedimentos e protegendo os estoques de peixes herbívoros.

Leia o resto do consenso aqui. E faça a sua parte pelo mar, esse tesouro tão ameaçado por nós humanos.

Tudo de bom sempre aos recifes de corais do mundo.

Coral reef

*Notícia via Blue Beyond e postada também no Faça a sua parte.

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segunda-feira, outubro 22, 2007

Viajando pelo MSN: Flavio Prada

O Flavio Prada participa do Faça a sua parte, fala de arquitetura e urbanismo, de ações pessoais, inventa moda e tal, mas ele não me engana. Seu blog pessoal é um lixo - tipo especial, entenda-se! Brincadeiras à parte, é um blogueiro irreverente e não há como esconder sua pretensão de conquistar o mundo, tornando Riva Del Garda sua capital-mor. Seus posts têm um teor irônico adorável nas entrelinhas. E ele é muito cabeça aberta e tendencioso a idéias de abalar estruturas: quem mais espalharia tão bizarro/maluco dia para comemorar... o quê mesmo? :D

Dada toda essa bizarrice, entrevistar o Flavio Prada é um desafio particular para mim. Como nossas conversas no MSN normalmente demonstram, a probabilidade de se viajar na maionese e desviar do assunto era elevada - à milionésima potência. Somos dois delirantes, e duas pessoas assim, divagando à deriva, só pode dar nisso: uma entrevista de viagem bem desfocada - e viajandona, na concepção anárquica da palavra. Ainda bem. Viaje junto a seu belprazer e risco, e eu garanto: vale a pena.

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Família Prada
(Família Prada em foto gentilmente cedida pelo Flavio.)


- Vamos começar...

Flavio Prada: Estou ficando ansioso.


- Você se considera mais ecoturista ou é mais adepto(a) aos passeios urbanos?

Flavio Prada: Eu faço as duas coisas e nunca me preocupei em preferir nada. Aliás acho estranho quem prefere algo. Claro que vivendo em cidade me movo mais em ambientes urbanos, mas em geral quando posso estou no meio do mato. Mas acho que ninguém irá se interessar por isso, ou vai?


- Interessa sim, Flavio. Há pessoas que nitidamente preferem um ao outro.

Flavio Prada: Bem, não te respondi essa então, mas vamos à próxima, hehehe.


- Como você escolhe seus destinos? Amigos, curiosidade, internet etc.?

Flavio Prada: Escolho de acordo com a direção do vento, associado ao peso da carteira. Quero dizer, de acordo com budget e do que inspira no momento. Olha, sou tão desprogramado que não tenho um esquema pra nada. Acho que não estou te respondendo de novo, mas veja, eu não me programei pra responder também, de modo que estamos ao léo, ao sabor das ondas.


- Estar ao sabor das ondas é bom, não se preocupe... uma hora elas chegam - quem sabe... numa ilha deserta.

Flavio Prada: Chegam sempre! O mundo é todo feito de ondas.


- Sísmicas, inclusive.

Flavio Prada: O mundo, quer dizer, esse planetinha aqui, parece sólido e estático, mas é um samba sem fim. Eu tento acompanhar o ritmo.


- A gente faz o que pode... ou pelo menos, tenta.

Flavio Prada: Eu não tento, eu faço, hehehe!


- Flavio, o homem que faz!

Flavio Prada: Hahahahaha! Mas em geral eu programo viagens longas e mais caras. Outras, são no mais das vezes decididas ou no dia anterior ou no próprio.


- Você curte viajar em cima da hora?

Flavio Prada: Sem dúvida. E estando na Europa onde as distâncias são relativamente aceitáveis, pode-se fazer sem susto. Uma sexta à noite se diz: “Vamos à Áustria amanhã?” E no dia seguinte se parte.


- Ai, que delícia, Flavio! Agora fiquei com vontade de te visitar... pra irmos amanhã pra Áustria.

Flavio Prada: Ou Venezia. Ou Milão. Suíça. Montanhas, mar. Aquelas viagens de um ou dois dias. O bom é mesmo decidir e ir.


- Muito bom... e qual foi sua viagem inesquecível? Por quê?

Flavio Prada: Um preâmbulo aqui: a minha memória, aquela pessoal e intransferível, depois que entreguei o encargo ao computador, funciona em modo intermitente e incostante. Dessa maneira, coisas inesquecíveis me vêm à mente espasmodicamente, tendo dias que a mente se envolve em um furor de nostalgia e em outros que dorme imperturbável. Bem, posto isso, digo que agora me lembro das belas viagens de carro quando criança. Das viagens de avião que metem medo e por isso emocionam. Das viagens com os filhos que perguntam quando vamos chegar. Das viagens improvisadas da juventude com os amigos, onde se tangenciava a delinquência. Belas também as viagens obrigadas, as de estudo, de trabalho. Os deslocamentos do dia a dia. Me lembro às vezes com saudade de uma simples corrida no metrô, onde me encontrei por cinco minutos com a mulher de minha vida naquele momento, mas que perdi de vista no instante seguinte. Essas milhares de mulheres por quem me apaixonei assim por instantes, são uma bela recordação. Olha, podemos estar aqui por horas.


- Que belo isso que você disse! Todas as viagens têm a sua história, e a memória das emoções vividas é que as tornam indeléveis, não?

Flavio Prada: Exatamente. Eu curto o momento, seja ele qual for, porque é só meu e não se repetirá. A fotografia ajuda a reviver essas emoções mas você tem que trazê-las dentro.


- Exato. As fotos são os instantâneos daqueles momentos marcantes. E acho que hoje, com as câmeras digitais, aumentou-se a probabilidade desses momentos, mas também meio que se banalizou, você não acha? Há uma dicotomia que insiste em deixar a dúvida.

Flavio Prada: Sim, eu percebo que quando vou em um lugar pela primeira vez, em geral tiro muitas fotos, mas percebo que quando volto pela segunda vez, e não perco tempo em documentar, a vivência é mais forte. Como você disse, é uma dicotomia interessante, fotografar com a câmera e/ou com a mente e o coração.


- A vida é sempre duvidosa. Isso que é lindo, não?

Flavio Prada: Sem dúvida. Até porque partir para uma viagem tem um sentido de enfrentamento da realidade, de buscar a força e a coragem para tudo o mais na vida. Porque no nosso cotidiano nos cercamos de certezas o mais possível, por questões as mais várias, mas quando se quebra esse ritmo monótono, nos aproximamos do que somos de verdade, nos aproximamos do animal que reage ao ambiente e está é muito atento e com os olhos abertos. A viagem é sempre uma viagem pra dentro de nós mesmos e por isso marca e nos recarrega.


- A viagem, antes de ser pra um lugar, é interna. É o sonho. O instintivo.

Flavio Prada: Sim. Por isso é importante viajar, estar em movimento e estar atento. Senão nos esquecemos da pasta de que somos feitos e não existe nada pior do que se afastar de si mesmo.


- E nessas viagens todas, teve alguma que você não gostou? Por quê?

Flavio Prada: Bem, tive experiências desagradáveis aos montes, mas tudo serve pra compor o quadro. Acho que o belo é ter o quadro com todas as cores. Inclusive, certas coisas são relativas. Um momento terrível que pareceu durar uma eternidade pelo desespero, com a distância do tempo, faz sorrir, quando não vira piada. Eu já quase morri afogado por exemplo, mas não posso dizer que não tenha gostado. Se não fosse aquilo, eu não seria o que sou hoje.


- Eu acho também, como você, que toda experiência conta. Mesmo as mais amargas. Tudo são cores no imenso quadro da vida.

Flavio Prada: Sim, já tive problemas de saúde viajando e é terrível, mas lembrando hoje, tenho a clara noção que o tempo passa e tudo muda; hoje estou aqui, tranquilo. Valeu também andar pelos lugares feios e horríveis pelos quais passei. Valorizaram ainda mais os belos.


- E essa coisa de belo e feio é tão relativa, né?

Flavio Prada: Essa é uma discussão antiga e infinita e até vale a pena fazê-la, não aqui claro, mas essa do belo e o feio é a noção mais imediata, mas também a mais superficial de que se usa para avaliar algo. Vamos dizer que, na minha escala de 10, tem peso 1 no cômputo geral.


- Ok, continuemos a entrevista então... :)

Flavio Prada: Vamos, sempre em movimento…


- Qual a comida mais exótica/estranha que já comeu numa viagem?

Flavio Prada: Bem, uma vez na Alemanha acho que tive uma sequência de coisas que me fez sofrer um pouco. Era o chucrute mais azedo que eu pudesse imaginar, a cerveja era também azeda e quando eu disse que queria uma balinha pra adoçar a boca me deram uma coisa de liquirízia, que em geral aprecio, mas que me fez cuspir longe, onde aproveitei e demonstrei o quanto sou fino.


- Hahaha! Cerveja azeda não dá. O chucrute tinha pimenta?

Flavio Prada: Não, era muito muito azedo, pior que limão verde.


- Você tem alguma mania ao viajar? Tipo colecionar fotos de orelhões, beijar o chão ao chegar, etc.?

Flavio Prada: Tenho tantas manias que elas se confundem. Não saberia dizer uma específica ao viajar. Tipo?


- Sei lá, eu coleciono fotos de orelhões, por exemplo. Mas orelhões divertidos :D

Flavio Prada: Não, nesse sentido não tenho, não.


- Qual sua trilha sonora preferida durante uma viagem? Alguma música em especial?

Flavio Prada: Não, vai do Milli Vanilli a Chopin e Debussy, passando por Zappa, Beatles e Texeirinha. Tô brincando. Não tenho preferência, somente o que o momento me reserva.


- Você gosta de Zappa?!?! Que legal, eu adoro!

Flavio Prada: Ele é (era) genial e nasceu no mesmo dia que eu.


- Sério? É então o dia das pessoas de humor refinado.

Flavio Prada: Deve ser, hehehe!


- Qual o souvenir mais exótico que já trouxe de algum lugar?

Flavio Prada: Geleia de mocotó pro meu filho, que trouxe do Brasil em março.


- Colombo?

Flavio Prada: Não, aquelas de duas cores, branca e rosa, um nojo.


- E ele gostou? Como ele sabia da existência disso?

Flavio Prada:Porque alguém já tinha trazido pra ele e ele adorou aquilo.


- Ah, a influência das amizades na vida de uma criança...

Flavio Prada: Pois é…


- Flavio, deixa então agora uma dica sua especial.

Flavio Prada: Minha dica é uma repetição de algo que já disse: não fiquem parados!


- Quase um lema de vida. A sua próxima viagem é para...

Flavio Prada: Eu acho que domingo faço um pulo até Avio, somente 30 Km, e vamos visitar um castelo que é conhecido por ser mal assombrado.


- Cuidado com os fantasmas… e boa viagem! :)

Flavio Prada: Obrigada Lucia. Valeu.

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sábado, outubro 20, 2007

Ser cientista

Esse texto foi postado originalmente em 15 de novembro de 2004, nos primórdios desse blog, quando a escrita era mais desencanada e eu praticamente escrevia pras paredes virtuais. Na época, eu ainda morava e trabalhava com fisiologia de diabetes na Coréia do Sul. O tempo passou, muita coisa mudou, mas acho que a essência desse texto tão pessoal ainda é digna de reflexão. E estou trazendo-o de volta porque, além de ser um dos meus favoritos neste blog, acredito ser pertinente ao tema do mês de outubro no Roda de Ciência, que é a representação social do cientista. Para não dizer que não mudei nada nele, tirei uns links e mudei a foto... :P

Entrem na máquina do tempo malla, pois, e aproveitem a viagem.


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Harvard lab

Sou cientista. Adoro falar isso às pessoas, principalmente para ver a reação de cada um. A maioria, ao ouvir essa afirmação, começa seriamente a duvidar das minhas faculdades mentais; outros, mostram preocupações de natureza econômica (é fato, a ciência não paga bem em qualquer lugar do planeta); e há aqueles ainda que acham a profissão tão glamourosa quanto astros de Hollywood, algo para pessoas "muito inteligentes, beirando a genialidade"(!). E tem ainda um último grupo, os que acreditam na versão ficção científica da coisa: ando por aí de jaleco branco e luvas roxas, dando risadas malignas, com planos para conquistar o universo e carregando tubos de ensaio saindo fumacinha, como no desenho do Dexter.

Na realidade, não é nada disso. O glamour eu deixo para aqueles que realmente contribuíram com algo significativo, como Watson, Crick, Einstein, Venter, etc. Mas esses são uma esmagadora minoria. Ser um cientista de carne e osso requer acima de tudo paciência: essa é a regra número 1. Seu experimento tem 99% de chance de dar errado por algum motivo que vai além da Lei de Murphy - mas você continua tentando mesmo assim. Requer estudar pro resto da vida - sim, eu disse PRO RESTO DA VIDA! Nunca parar de ler, pesquisar, e muitas vezes isso inclui perder fins de semana, feriados, etc. em cima de um problema que para qualquer pessoa soaria quixotesco.

Sou bióloga. Sim, esse é o meu título real. Entretanto, prefiro o de cientista. Sempre achei que biólogos deveriam ser capazes de responder prontamente a perguntas que vão desde detalhes anatômicos de um cacto à ecologia de tundra, passando pela nomenclatura dos nudibrânquios e pelos tipos de fósseis disponíveis no Quênia. Algo que, obviamente, eu não sei responder. Posso saber como procurar a informação, e ler sobre o assunto, e quem sabe até argumentar um pouco, mas de cor e salteado... necas! Portanto, não acho que seja bióloga por inteiro.

Ser cientista tem outra aura. Engloba mais você saber pensar com a lógica científica. Em teoria, cientista pode ser qualquer um que se preocupe em estudar um campo qualquer e desenvolva seu raciocínio de forma lógica, que bole hipóteses plausíveis de refutação, e que esteja aberto a discussões, principalmente, passível a erros. Portanto, prefiro ser cientista, e poder errar.

A ciência é uma carreira apaixonante para os que gostam (como eu!) mas pode ser também muito ingrata. A possibilidade de fracasso é considerável, na maior parte das vezes seus experimentos não mostrarão nada concreto a você, sua interpretação pode ser primária e infantil, você tem que lidar com um show de egos inflados e ainda por cima, ganhar pouco. E por que cargas d'água então somos cientistas?

Porque a busca do conhecimento é a melhor e mais fascinante viagem que existe. Enquanto tiver saúde e disposição, estarei à busca do desconhecido. Seja ele em que campo for. Sabe aquela máxima: "Só sei que nada sei"? Cada vez que soluciono um problema mais percebo o quanto essa frase é verdadeira, o quanto somos ignorantes, o quanto temos potencial, e o quanto precisamos ler, estudar, fuçar e aprender mais e mais.

Entretanto, muito me preocupa a divulgação da ciência. Saber para si mesmo é importante e de fácil aquisição, mas saber passar seu conhecimento para os outros é um dom que poucos tem. A maioria da imprensa leiga falha nesse sentido. O mesmo artigo que eu leio cientificamente correto na Nature é traduzido para um jornal brasileiro de grande circulação da forma mais distorcida e espalhafatosa possível. Entendo que a intenção é facilitar para a maioria, mas às vezes essa "facilitação" beira o ridículo, e o tiro termina saindo pela culatra. O uso de comparações absurdas é o erro mais frequente que percebo, mas o pior de todos é a falta de lógica e argumentação. Tenho a sensação de que as pessoas não sabem mais pensar, que isso não é mais valorizado e ensinado, e o texto de uma revista precisa ser tão mastigado, mas tão mastigado, que se torna patético.

Nesse sentido, sinto que como cientista faço pouco pela sociedade. Deveria ajudar mais a disseminar o conhecimento, de forma clara e sucinta. Mas, mergulhada em meus devaneios profundos e específicos sobre fisiologia da diabetes num laboratório na Coréia do Sul, essa tarefa torna-se cada vez mais distante.

E eu vou me tornando cada vez mais bióloga de uma nota só, e cada vez menos cientista.

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sexta-feira, outubro 19, 2007

Vermelha di Trevi

O que é isso????

Inicialmente, achei que era Photoshop, mas não... era vandalismo mesmo. As fotos do site acima confirmam: a limpeza já começou.

Tudo esteve vermelho em Roma hoje.

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quinta-feira, outubro 18, 2007

Meme da página 161

Foi a Issana quem me convidou indiretamente pra esse meme estranho - e eu, que adoro essas estranhezas, topei, é claro. Diz a regra:

1ª) Pegar um livro próximo (PRÓXIMO, não procure);

2ª) Abra-o na página 161;

3ª) Procurar a 5ª frase completa;

4ª) Postar essa frase em seu blog;

5ª) Não escolher a melhor frase nem o melhor livro;

6ª) Repassar para outros blogs.


Eis que o livro mais próximo no momento em que escrevo essas linhas chama-se "Let's call him Lau-wiliwili-humuhumu-nukunuku-nukunuku-apua'a-'oi'oi". É um livro infantil havaiano, que conta a história de um casal de peixes num recife de corais no Havaí que se apaixonam e têm um filho-peixe, e todos os amigos habitantes do recife de coral (polvo, outros peixes, moréia, etc.) dão pitaco no nome sugerido, que é essa enormidade aí acima - e que quer dizer em havaiano "o filho de um Peixe-Picasso e uma Peixa-borboleta". Mas é claro, esse é um livro pra crianças de 3 anos, então não tem página 161. Não tem nem 30 páginas, aliás.

Pego o segundo mais próximo, então. É um dicionário Michaelis de inglês-português, daqueles de bolso, bem diretos. Não tem frase completa, só verbetes soltos, em formato mono. O 5º verbete da página 161 é "infringement". Não vale.

Pego o terceiro livro mais próximo, então. Chama-se "Atol das Rocas", e é um desses coffee table books, de fotos maravilhosas tiradas pelo Luciano Candizani no atol. Tem fotos, não frases completas - e não chega à página 150. Tá ficando difícil responder a esse meme.

Vou pro quarto livro mais próximo. Chama-se "Islomania", que é o nome dado por essa paixão alucinada por ilhas que muitos têm - eu, inclusa. O livro é de Thurston Clarke e tem mais páginas; a de número 160 é um mapa, da ilha de Jura, onde George Orwell aparentemente escolheu viver nos seus períodos iniciais de tuberculose, numa propriedade chamada Barnhill. Foi em Jura que Orwell terminou de escrever seu clássico "1984". Na página 161 do "Islomania", contando essa história, a 5a frase completa é:

"It is said he wanted to escape the London literary treadmill, had complained of being "smothered under journalism", and that living on an island had been a long-standing dream - one reflected by an entry in his wartime diary speaking of "my Hebridean Island which I shall now probably never see"."


Só de curiosidade, a ilha de Jura fica na costa escocesa do Atlântico, e é uma das ilhas que fazem parte do conjunto chamado Hebrides Islands. No livro acima citado, ela é reconhecida como a ilha "Silenciosa".

E eu passo esse meme para aqueles blogueiros que também são islomaniacs. Apresentem-se por favor os representantes desse bizarro grupo na blogosfera brasileira!

Islomania

Tudo de bom sempre.

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segunda-feira, outubro 15, 2007

Blog Action Day 2007: Derretimento do Ártico

No início de agosto, vi essa foto no Real Climate que me deixou perturbada:

Artic ice cap
(Foto originalmente pertencente à Universidade do Illinois.)

Em rosa, vemos o chamado "valor mínimo de extensão do Ártico". Explico melhor. Todo ano, os polos derretem um pouco no verão e recongelam durante o inverno. Ou seja, há um equilíbrio de gelo nessas regiões, mas é um equilíbrio dinâmico, que gera gráficos em ziguezague, onde o importante são as tendências para onde os gráficos vão com o passar do tempo (pra cima, pra baixo ou estáveis). Em geral, a primeira quinzena de setembro é quando a quantidade de gelo no Ártico chega ao menor nível, todo ano. Isso acontece porque esse período marca o fim do verão no hemisfério norte, ou seja, o fim da época quente que favorece o derretimento das calotas. É claro, há séculos esse ciclo derrete-congela acontece, e o valor mínimo de extensão não varia abruptamente. Ou seja, o gráfico tem se mostrado estável, na maior parte do tempo histórico.

É quando a figura aí em cima se torna perturbadora. Ela mostra que no início de agosto desse ano, a área de derretimento já era de 1.2 milhões de km2, e pior, mostrava que comparado aos dados de setembro de 79, a área derretida aumentou muito mais que o normal. E ainda faltava chegar no mês de setembro, quando o verão efetivamente terminaria.

Eis que setembro chegou, e os dados foram ficando cada vez mais assustadores. Até que em outubro, finalmente se chegou à triste conclusão de que 2007 foi um ano histórico pro clima mundial: nunca o Ártico derretera tanto num verão, desde que se começou a medir tal valor. (O NYTimes fez uma reportagem clara sobre o fato, e acompanhou-a com uma animação em flash que mostra esse derretimento nos últimos 4 anos. A animação, assim como a foto acima, é também impressionante.)

Devido a esse derretimento todo, 2007 foi o ano em que pela primeira vez na história recente da humanidade, a passagem noroeste do pólo, um atalho que liga a Europa a Ásia e antes era impossível de ser ultrapassado devido ao gelo, ficou navegável. Essa mera abertura de navegação muito antes de se tornar motivo de preocupação ambiental, se tornou disputa político-econômica para Rússia, Dinamarca e Canadá, que agora trocam farpas sobre quem é o dono dos recursos minerais no subsolo da área, analisando cadeias montanhosas submarinas e afins. A Rússia chegou ao ponto de plantar uma bandeira a 4 km de profundidade, clamando que o Ártico é deles. O Canadá iniciou então uma operação de "soberania". Depois pensa-se o que fazer com flora, fauna e habitantes da região, é claro.

Mas não é só a extensão de gelo do Ártico que vem diminuindo. Nos últimos 6 anos, a taxa de diminuição da camada de gelo do solo na região foi de 50%, ou seja, a espessura do gelo também diminuiu muito. Nesse ritmo alucinado de derretimento, já há previsões científicas de que o Ártico desaparecerá por completo em 23 anos; ou seja, em tempo geológico, amanhã.
A geografia da região vem se alterando drasticamente, e ilhas na Groenlândia vêm surgindo onde antes apenas gelo predominava. Algumas espécies animais já vêm sofrendo as consequências desse derretimento acelerado. Morsas, por exemplo, foram se alimentar nas praias do Alaska, já que seu hábitat natural de verão desapareceu. De acordo com um artigo recente do famoso pesquisador de clima da NASA Jim Hansen (link em pdf), o aumento de temperatura global está chegando num "tipping point", ou seja naquele ponto "x" em que não adiantará fazer muito mais para reverter o quadro do paciente, e grandes mudanças acontecerão inevitavelmente. Ficaremos sem Ártico no verão.

E o que isso implicará? A resposta mais honesta é: não se sabe. Já há registros de aumento de terremotos na Groenlândia, mas seriam eles apenas reflexos do processo de derretimento? Há previsões sobre o aumento do nível dos mares globais que deixariam países-atóis do Pacífico debaixo d'água - e a maioria deles vem tentando fazer acordos de realocação com países próximos, como Austrália e Nova Zelândia, a fim de se preparar para quando o mar invadir. Existem outras hipóteses do que pode acontecer ao planeta, mas o nível de incerteza ainda é elevado para se afirmar qualquer coisa.

O único fato é: o planeta vai mudar. Ou talvez antropocentricamente pensando, tentar se defender à forma dele, das agressões que vem sofrendo. E nossa atitude vai ter que mudar também nesse mundo novo, sem gelo no pólo norte e mais propenso a catástrofes climáticas gerais. É preciso antes de tudo investir em tecnologias que possam amenizar a mudança drástica, principalmente aquelas relacionadas a alternativas energéticas pro processo de existência humano. Diminuir gases que colaboram com o aumento da temperatura atmosférica. Reformular todo o sistema de pensar das pessoas, como bem disse o mais recente prêmio Nobel da Paz Al Gore, em entrevista na Rolling Stone (link via Pedro Doria).

Só assim o derretimento do Ártico não se tornará um horizonte negro para nossa existência na Terra.

Horizonte-negro

Tudo de gelo sempre. Assim esperamos.

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*Esse post faz parte da comemoração do Blog Action Day 2007, cujo tema escolhido é Meio Ambiente. Blogs do mundo inteiro estão falando sobre o tema no dia de hoje, na tentativa de fazer com que as pessoas discutam meio ambiente para um melhor futuro. Visite, comente, participe. Assim o dia terá feito (um pouquinho que seja...) a diferença merecida. :)

Bloggers Unite - Blog Action Day

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sábado, outubro 13, 2007

Viajando por email: Emília

Eu conheci a Emília na ConVnVenção do blog do Ricardo, em agosto passado. Conversamos bastante durante a noite no Terraço Itália, e depois fomos formando um "clube da Luluzinha" terminar a noite no Joaquim's, comendo um belo sanduba. E tendo a oportunidade de ouvir melhor as histórias e pensamentos dessa viajante pacata. A Emília, que admnistra empresa, contas e um blog muito leve e agradável, é também boa administradora de viagens: é daquelas viajantes vagarosas, que aproveitam cada segundo vivido, cada passo dado em um lugar diferente, e que presta atenção nos detalhes mais gostosos. Uma verdadeira turista acidental, que recentemente falou da "trilogia Bo" em seu blog: Bonito, Boipeba e Bonete. Emília respondeu amavelmente às questões que lhe fiz. Vamos todos então viajar com ela hoje, no ritmo de aproveitar a jornada. :)

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Emilia
Emília contando suas viagens no Joaquim's em noite divertidíssima na capital paulista.


- Você se considera mais ecoturista ou é mais adepta aos passeios urbanos?

Emília: Eu gosto muito dos dois tipos de viagem (na verdade, o meu negócio é viajar, ponto final ;-) ). A minha tendência nos últimos anos é viajar para estar em contato com a natureza, ver paisagens deslumbrantes...O nosso país também colabora para isso: temos grandes destinos ecoturísticos muito próximos das capitais. Mas me mande para Paris, Roma, Nova York, Buenos Aires ou Londres e eu não vou ficar triste, não! :-D


- Como você escolhe seus destinos? Amigos, curiosidade, internet etc.?

Emília: Para começar, a minha lista de desejos é enorme! O que me leva a organizar a ordem da lista é o tempo que eu tenho de viagem, orçamento, milhagem, época do ano e oportunidade de companhias. As idéias surgem de várias maneiras: a internet é uma fonte fantástica (e tomou muito mais importância desde que eu comecei a participar do blog do Ricardo Freire, o Viaje na Viagem, e dos blogs das pessoas que o freqüentam). Muitas outras inspirações vieram de livros, cinema, música e até histórias em quadrinhos: Tio Patinhas, Asterix e Tintim foram garantia de grandes 'viagens' na minha infância. :-)


- Qual foi sua viagem inesquecível? Por quê?

Emília: Que pergunta mais difícil! Foram tantas viagens maravilhosas...mas fico com a que fiz em 2003 para o Peru e Bolívia. Foi uma viagem que me deixou muito bem depois de uma época triste e os lugares foram uma surpresa enorme: adorei as paisagens, as pessoas, a comida...e também foi bacana ter conseguido fazer a Trilha Inca, sem passar mal, só curtindo. Machu Picchu, Cuzco e o Lago Titicaca são lugares que todo sul-americano deveria conhecer. Adoraria voltar um dia.


- E qual foi a pior viagem que fez? Por quê?

Emília: Acho que nunca tive uma pior viagem ou fui a um lugar ao qual não voltaria, de verdade. Já passei por muitos programas 5 tacapes hiper-plus (acho que foi a Meilin que se saiu com essa :-) ), mas de todos eu dou hoje boas risadas.


- Qual a comida mais exótica/ estranha que já comeu numa viagem?


Emília: Não precisei ir muito longe: testículos de boi cozidos no molho, no interior de São Paulo.


- Você tem alguma mania ao viajar? Tipo colecionar fotos de orelhões, beijar o chão ao chegar, etc.?

Emília: (Essa dos orelhões é muito boa...) Não tenho nenhuma mania não...puxa, acho que sou uma turista bem normalzinha... :-)
Mentira: se eu estiver na Europa você pode ter certeza que vou querer ficar visitando igrejas românicas (normalmente são aquelas que ficam fechadas, ou que ficam fora de mão...). Não sou arquiteta, nem nada, mas...tem algo nelas que me atrai. Ah, e se eu encontrar algum hipopótamo interessante eu compro! :-)


- Qual sua trilha sonora preferida durante uma viagem? Alguma música em especial?

Emília: Tem um pouco de tudo no meu CD-player: samba, jazz, rock, música cubana, cigana, africana...Entre os meus preferidos para viajar estão: Afro Cuban All Stars/Buena Vista, Manu Chao, Zeca Baleiro, Norah Jones, Madredeus, Baka Beyond, Sarah McLachlan, Peter Gabriel, Cesária Évora e, ultimamente, também o Jorge Drexler.


- Qual o souvenir mais exótico que já trouxe de algum lugar?

Emília: Não sou de fazer compras, não tenho muita paciência. Mas se aparecerem brincos e echarpes bacanas eu compro na hora, nem penso muito. Um dos meus favoritos é um brinco de prata e pedras que comprei no Peru.


- Uma dica sua especial.

Emília: O meu conselho é virar criança quando se viaja: ter muita curiosidade e ver tudo com entusiasmo. Até mesmo andar em um outro bairro de sua própria cidade vira uma pequena viagem quando você o encara dessa maneira.


- A próxima viagem é para...

Emília: O Petar, em 12 de outubro.


(Ou seja: pessoal, semana que vem tem relato a ser aguardado com expectativa sobre um lugar que eu não conheço no blog da Emília! Eba!!)


Obrigada Emília, pela participação super-atenciosa! :)

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sexta-feira, outubro 12, 2007

Nobel da Paz 2007: a inconveniente verdade amplificada ao mundo

Acabei de receber a feliz notícia de que Al Gore e o Painel da ONU para Mudanças Climáticas (responsável pelos famosos relatórios do IPCC) venceram o Prêmio Nobel da Paz, por seus trabalhos de conscientização das mudanças climáticas. Fico feliz, porque por mais que as pessoas acusem ambos de politicagem e afins, por mais que existam deslizes no assunto (e a comunidade científica vem trabalhando arduamente para diminuir esses deslizes cada vez mais e colocar tudo às claras), o reconhecimento vindo de Estocolmo da Noruega (obrigada pela correção, Camburizinho! Eu não sabia desse fato, muito interessante) solidifica um pouco mais o pensamento geral e preocupante de que as mudanças climáticas são uma realidade, e não um delírio politiqueiro. Também joga um balde de água fria em políticos como Sr. Arbusto e países como a China, que insistem em ignorar o problema como se ele não existisse. Sim, ele existe e todos precisam acordar para isso, parece dizer a Academia.

Nas palavras do Comitê do Nobel publicadas no NYTimes:

"Mr. Gore is probably the single individual who has done most to create greater worldwide understanding of the measures that need to be adopted,” the Nobel citation said. The United Nations committee, a network of 2,000 scientists, has produced two decades of scientific reports that have “created an ever-broader informed consensus about the connection between human activities and global warming,” the citation said."


Esse foi o ano em que meu blog iniciou ressaltando que 2007 seria o "ano constatação da inconveniente verdade" que vivemos. Depois da percepção que os nomes responsáveis pela decisão do Nobel da Paz também acharam isso (e só vivendo em Saturno para achar que não), só resta dizer:

Parabéns, Al Gore. Parabéns, IPCC.
Que essa honraria seja reforçada com mais divulgação, mais reconhecimento público dos problemas climáticos que enfrentamos e que isso se traduza em incentivo para realização de projetos que tornem nosso mundo mais habitável, menos degradante e mais digno para as próximas gerações.

Tudo de bom sempre aos vencedores de 2007 do Prêmio Nobel da Paz.

(E feliz dia das crianças aos futuros habitantes desse planetinha tão carente de cuidado e atenção!)

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quinta-feira, outubro 11, 2007

Pequenas anotações de viagens virtuais 23

1) Tem galeria nova no site da ArteSub: arquipélago de São Pedro & São Paulo. Corre lá para ver as fotos maravilhosas (eu sou suspeita para falar, é claro) que saíram dessa última expedição do André. Alline, eu acho que você vai amar essa foto... ;)

2) "Braços ao lado do corpo, batidas de perna lentas e grandes, cabeça para cima, pescoço esticado: suba nove metros por minuto, faça uma pausa de segurança de três minutos, depois continue a subir e, voilá, temos um mergulhador. Colete não é elevador, por isso, você deve esvaziá-lo para subir e não o contrário. Jamais esqueça de respirar." Falou tudo - e da forma mais divertida, Carol.

3) Você quer ser um biólogo marinho? O Science Creative Quarterly traz uma irônica lista das razões pelas quais você não deve ser... Sintonize seu canal de humor e divirta-se com o post.

4) O sempre-gourmet Allan publicou no seu blog e no Faça a sua parte um excelente post sobre o consumo de água mineral na Itália. Explica ele a razão pela qual na Europa se consome muita água mineral e por que filtros de barro simplesmente não funcionam por aquelas bandas. Vale a visita.

5) Marcelo Hernandes (para mim é muito estranho chamar assim o Tuca!) comenta em seu blog veterinário sobre os frangos que o brasileiro come e os hormônios que eles NÃO têm. Confira.

6) Rafael postou uma resenha ótima sobre o livro "Kind of Blue", que fala do disco homônimo de Miles Davis. Esse disco é um dos melhores de todos os tempos em minha opinião, e é minha escolha sempre. Mas não poderia de ressaltar que "A Love Supreme" de Coltrane e "Aura", do próprio Miles, também mudaram minha vida. Sim, discos que mudaram a minha vida.

7) É assim que os criminosos são tratados em Tonga: isolados em uma ilha paradisíaca. E eles ainda reclamam de monotonia. (Via The Private Islands Blog)

8) Quando volto de um lugar novo, sempre trago umas cédulas do dinheiro local. Não chega a ser uma coleção, mas são "recordações numismáticas". Pois há um site em português dedicado aos dinheiros: Cédulas do mundo. Para se deliciar pela originalidade e criatividade dos bancos centrais planeta a fora. (Dica do Arnaldo lá na caixa de comentários do VnV.)

9) ...e já que o assunto é dinheiro, cada povo com seu índice monetário BigMac (Via Marmot's Hole).

10) A reportagem mais deprimente que li nos últimos tempos. Narcotráfico meets destruição ambiental. A China está no meio dessa bagunça, é claro. (Via Boing Boing)

11) Cenas do Asakusa Samba Carnival, em Tóquio - é o carnaval de rua versão nipônica, onde o "samba encontra o sushi" (palavras do Japundit), que acontece no fim do verão de lá. Divertido. E aproveite a visita ao Japundit e veja essa tirinha infame e tragicômica de como foi criado o logotipo das Olimpíadas de Beijing.

12) Uma interessante análise econômica dissonante: por que os EUA dominarão o século 21, e não a China. Recomendado aos futurólogos do mercado.

13) Sabe aquele dado preliminar que você gerou no seu experimento mas que não foi pra frente, e o máximo que aconteceu foi você apresentá-lo num poster de um congresso? Pois agora ele pode aparecer na Nature. Os cientistas precisam de um repositório assim, e tomara que essa iniciativa de compartilhamento seja a primeira de muitas.

14) Um texto ótimo sobre a evolução da linguagem humana e a importância do gene FOXP2 no processo.

15) Eu quero um dia visitar o Taj Mahal. Mas depois de ler esses posts no Indi(a)gestão, fiquei com vontade de conhecer também um outro monumento, o Akshardham, em Dehli. De acordo com a autora, "Este monumento coloca o templo de Lotus e o Taj Mahal no chinelo". A conferir.

16) Idelber fez uma excelente análise sobre o "Tropa de Elite", o filme que incomoda a todos em diferentes ângulos.

17) Para finalizar, a bizarrice das bizarrices. Lembram quando brevemente comentei do senhor que passou roupa (com ferro de passar) no topo do monte Fuji? Pois bem, essa galera fez pior: tomou banho de jaccuzzi no topo do Mont Blanc, na Europa. As fotos são divertidíssimas e parece ter sido uma dessas viagens históricas de juventude. E continua valendo a constatação básica: tem maluco pra tudo nesse mundo. Ainda bem! :)

Tudo de bom sempre, aos malucos do planeta.

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terça-feira, outubro 09, 2007

3 anos viajando com a Malla pelo mundo

Mais uma vez, faço uma pausa na programação tradicional (ela existe, por um acaso?) para que seja aberta a comemoração de 3 anos de atividades mallísticas deste blog, e que breve terá novidades supimpas. Se nos 2 anos anteriores, a marca registrada foi que eu relatava tudo de um computador numa cidadezinha coreana ao sul de Seul, esse terceiro ano de existência se caracterizou muito mais pela mobilidade. Estando no Brasil e ansiosa por viagens, um endereço fixo para eu blogar com placidez tornou-se algo ocasional. Se por um lado a mobilidade extrema trouxe algumas pausas temporárias de posts, por outro me deu a experiência deliciosa de estar muito na estrada, curtindo e aprendendo, que é o meu mote principal.

Nesse terceiro ano de blog outra maravilha aconteceu: depois do isolamento que a Ásia naturalmente proporcionava, ao sair de lá em setembro do ano passado, eu iniciei um processo pelo qual ansiava muito. Decidi-me a conhecer as pessoas que lêem ou leram meus posts, ou que não me conheciam, mas eu os conhecia de lê-los. Conversar ao vivo e a cores com os rostos responsáveis por tantas viagens, por palavras que me emocionavam, indignavam, me faziam pensar ou dar risadas gostosas. Conhecer os blogueiros que considerava meus companheiros virtuais. Transformá-los em amigos da vida real. Nessa fase de transição do virtual para o real, tenho sido muito feliz até agora. Todos com quem me deparei são pessoas maravilhosas, como suas palavras em seus respectivos blogs demonstravam - o que me leva a crer que o blog é realmente muito mais um espelho nosso do que sonha nossa vã filosofia. Provou-se que o coleguismo de palavras e emoticons construído em caixas de comentários, emails, scraps de orkut e afins pode se tornar uma amizade com pessoas de verdade, que sorriem e têm brilho no olhar. Que acrescentam experiências de vida à sua vida da forma mais prazeirosa possível. A interação opinativa desinteressada, curiosa, humana. A constatação do óbvio: há vida por trás das telas. E isso, meus caros, para uma bióloga que ama de paixão a vida, provou-se a melhor experiência do ato de blogar.

Mas vamos ao que interessa. Todo ano nessa data, logo depois da entrega do prêmio IgNobel e na semana do verdadeiro Nobel (parênteses: e não é lindo que os pesquisadores do gene targeting ganharam esse ano? Maravilha e merecidíssimo!), eu faço uma viagem auto-crítica e egocêntrica aos meus posts do ano que passou, e distribuo os melhores (ou piores, dependendo da situação) pelas categorias do prêmio Malla Bloggel, uma paródia minha deslavadamente inspirada no supra-citado prêmio Nobel, que sai nessa semana. Que venham, pois, os vencedores do Malla Bloggel 2006-2007!!!


1) Economia

De viagem econômica eu posso até entender minimamente, mas foram muitas variações que apareceram aqui no blog de outro tema: economia ambiental. Acredito que esse tema ficará cada vez mais em pauta no cenário mundial, o que é a meu ver um bom sinal. Precisamos refletir sobre as questões que o aquecimento global e o excesso de poluição estão trazendo para nosso futuro. Aqui no blog, além das mazelas chinesas e dos exageros nacionais, foram as reflexões sobre fontes de energia limpa o tema de destaque. Mas a minha escolha pessoal pro Malla Bloggel de Economia vai para um post quase catártico, falando de uma das maiores paixões que tenho e que infelizmente vem sendo degradado sem perdão: o mar. As consequências econômicas desse desastre iminente para as populações do planeta não são nada bonitas.


2) Medicina

A medicina vive de incertezas, e essa categoria do prêmio não deixaria de seguir a tendência da área. Há empate entre os posts sobre a biologia das raças e sobre doping no ciclismo. Porque ambos são temas polêmicos. (Mas se você quer evitar a polêmica médica, eu também falei sobre amamentação aqui. De mamíferos aquáticos, entenda-se.)


3) Literatura

Todo ano esse é o prêmio mais complicado para ser escolhido, porque eu não sou uma boa resenhista, e evito ao máximo opinar sobre livros, assunto que considero deveras pessoal - escrevo no máximo sobre a arte da escrita científica, serve? De qualquer forma, consegui dar meu pitaco sobre o instigante "The God Delusion" (em português, "Deus, um Delírio"). Ao post da grande desilusão, o prêmio de Literatura.


4) Política

No ano em que o caos aéreo tomou conta dos jornais e da cena política, acho que nadei contra a corrente e fiz uma boa reflexão das questões do assistencialismo brasileiro no post que conta uma carona que pegamos em Sangue (MA) num caminhão de distribuição de leite.


5) Popularidade Google

Esse prêmio é dado àquele post que mais me trouxe visitantes via Google. Esse ano, entretanto, eu coincidentemente criei um meme, o das 3 atitudes ecoconscientes, que se espalhou pela blogosfera e gerou uma série de excelentes reflexões em outros blogs sobre o que praticamos no dia-a-dia que colaboram para a manutenção de um ambiente saudável. A adesão de mais de 60 blogs à iniciativa memética me trouxe esperanças de que um mundo melhor é possível, basta agirmos. Acho que o post que deu origem à tamanha movimentação positiva merece o prêmio mais que qualquer outro post.


6) Fotografia

Nós tivemos um ano movimentado no quesito fotografia. Teve exposição montada, reportagens subaquáticas. Mas o prêmio máximo do Malla Bloggel de Fotografia sem dúvida vai para a consagração do (meu) melhor fotógrafo do mundo em Londres, vencendo o Wildlife Photographer of the Year, que é o equivalente ao Oscar (!!) da Fotografia de Vida Selvagem, em outubro do ano passado. A festa no Dinosaur Hall do Museu Britânico de História Natural foi um desses eventos que eu nunca mais vou esquecer na vida. O prêmio da BBC de quebra nos fez visitar Londres, uma capital vibrante, interessante e cheia de mistérios.


7) Filosofia do mundo

O ano mal começou e eu já estava exercendo a minha megalomania de querer melhorar o mundo. Estimulada pelo filme de Al Gore e pelo email de Leonardo di Caprio, discutimos muito sobre aquecimento global, sua definição, seus gráficos, explicações, pessoas-chave, percepções. Um grupo de blogueiros conscientes, também preocupados com o futuro ambiental, se animou: criamos então o blog Faça a sua parte, o nosso "blog verde". Desde então eu venho tentando deixar a ingenuidade de lado e encarar (mais) o tema com o destaque que ele merece. O prêmio vai então pro post que iniciou essa avalanche de ações, idéias e discussões maravilhosas.


8) Visita ilustre

Teve visita de computadores vindos da Procuradoria Geral da República, da Câmara dos Deputados e até da Justiça Federal - será que confundiram meu blog com o do Sérgio Leo? Mas nenhum desses endereços me encheu tanto os olhos como quando eu vi visitas vindas de Ulanbaatar, na Mongólia, ou da Eritréia. Visitas efêmeras de terras longínquas a serem conhecidas um dia.


9) Pior título de post

A festa foi chiquérrima, estilo Hollywood: jantar na beira da piscina de uma mansão no Havaí. Mas o post em que narrei o casamento do meu amigo Masa teve um título pra lá de esdrúxulo. Às vezes eu me pergunto de onde eu tiro tanta (falta de) criatividade.


10) Melhor viagem real relativamente longa

Foram duas grandes jornadas nesse ano - e que ainda não terminaram de ser postadas aqui, que vergonha esse meu atraso bloguístico. A mais curta, em junho/julho, saiu do interior da Amazônia e foi até Fortaleza. A mais longa, de fevereiro e março, envolveu 4 estados americanos, várias cidades legais ou bizarras, mergulhos com adrenalina e visitas a uma série de parques nacionais em terras gringas: Sequóias, Yosemite, Point Lobos, Everglades. (De quebra, ainda "ganhei" um Oscar.) De todos os posts que narraram um pouco das minhas peripécias pelo mundo, entretanto, o prêmio fica para o da cidade onde visitei finalmente o melhor aquário do mundo: Monterey.


11) Melhor viagem real relativamente curta

Outra categoria cheia de candidatos. Tive uma tarde agradável em Seul às vésperas da mudança, curti o Rio com as cores que ele merece ter, conheci uma cidade industrial legal - sim, isso existe. Mas a viagem curta que mais gostei tem a ver, é claro, com a vida natural: conhecer o muriqui, espécie de primata criticamente ameaçada de extinção e que só existe no sudeste brasileiro. Fomos à Caratinga (MG) vê-lo, e é um ecopasseio que eu recomendo a qualquer um interessado em se emocionar com um animal selvagem.


12) Viagem na maionese

Existem viagens e viagens na maionese. Eu até fingi ter uma Internet de papel e osso, para apaziguar meus delírios surreais. Mas nenhuma viagem na maionese foi mais gratificante que trazer um gato de Seul até São Paulo na bagagem, em um dia típico de Jack Bauer. Tem que ser muito maluco para fazer isso, e eu fiz - e faria de novo, por amor ao bichinho.


13) Onde fica?

Esse prêmio vai àqueles posts que relatam aventuras em lugares desconhecidos ou pouco visitados pela maioria das pessoas. Fiquei em dúvida entre 2 lugares: o atol de Rongelap, nas Ilhas Marshall, ou a cidade de Parnaíba, que embora conhecida, mostrou sua faceta mais popular pra gente, de uma forma alegre e colorida. "Esse é meu Nordeste/ terra de cabra, cabra da peste!" Vocês decidem qual preferem.


14) Tudo de bom sempre

Foi a mais louca alegria mesmo: o baile de 10 anos dos 70ndo, a minha turma de formatura na faculdade. Revi inúmeros amigos que, espalhados pelo mundo, fizeram e fazem parte da minha história. A eles, eu sempre desejei e sempre desejarei tudo de bom sempre.


15) Mallice da Malla

A maior mallice sem dúvida são os delírios everestianos - tubarões não contam, eles são lindos. Mas nesse ano que passou, descobri um grau máximo de mallice inventando modas para o blog. Modas, aliás, que continuarão no ano que entra: entrevistas via MSN ou email, e desafios informais onde o que vale é a brincadeira. Pior de tudo: há pelo menos umas 2 novidades mallísticas para breve, aguardem. Haja mallice!


16) Malla Bloggel da Paz

Nos anos anteriores, o prêmio Malla Bloggel da Paz foi dado a todos os leitores que me dão a honra da visita e dos papos agradáveis via blog. Esse ano, eles continuam recebendo o prêmio, uma honraria que eu não abro mão. Entretanto, não posso deixar de compartilhar um prêmio da paz com três grupos de amigos que floresceram nesse ano e tornaram o processo bloguístico muito especial para mim. Aos colaboradores do Goitacá, do Faça a sua parte e do Roda de Ciência, fica aqui minha homenagem merecida pelo excelente trabalho que fazem nesses blogs agregadores. É uma honra participar de projetos tão bacanas. É delicioso blogar com vocês.

Mas é claro, eu não posso deixar de lado o fato que ressaltei logo na introdução desse post. 2006-2007 foi "o ano em que fiz contato real" com outros blogueiros. A todos que me deram a honra de cafés, churrascadas, passeadas, risadas e conversaiadas, aos companheiros virtuais com quem tive o prazer de trocar palavras reais: obrigada por ajudarem, com suas opiniões, ouvidos, olhos e risadas, uma Malla a escrever as aventuras dela pelo mundo.

Blogversário Malla

Tudo de bom sempre a todos!

E tin-tin pelos 3 anos de blogagem!

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