Uma Malla pelo mundo Interney.net/blogs/malla

quarta-feira, novembro 28, 2007

Pequenas anotações de viagens virtuais 24

1) Dubai como futura meca do uso de energia sustentável? Quem sabe... A Nova Zelândia como primeiro país neutro em carbono? Quem sabe...


2) Eu estava procurando a identificação dessa planta aí embaixo:

Flor-mamiraua

...e caí numa página sobre uma família vegetal que tem o banner mais fofo da web botânica! Também achei um herbário virtual de espécies dos Andes e da Amazônia que vale a pena guardar como referência para os biólogos necessitados de elucidações botânicas.


3) O Pacífico está sendo dividido "na surdina"? Ou ele já é dividido? Um texto que traz uma perspectiva cruel da situação da Polinésia, Micronésia e Melanésia. Eu já comentei aqui sobre o desastre americano das Ilhas Marshall e a confusão entre Japão e EUA em Palau. O artigo dá outros exemplos mais sinistros ainda, como as surrealidades diplomáticas de viagens aéreas por aquelas bandas, que são essenciais para a integração da região. Artigo imperdível aos que curtem política estratégica internacional.


4) Eu tenho grande admiração pela Angelina Jolie. Já assisti a uma entrevista dela na televisão que me fez chorar, tamanha a força da experiência de vida e de ajuda humanitária que ela tem. Em uma recente entrevista pro Der Spiegel, ela se mostra uma das atrizes mais lúcidas do mundo artístico atual, falando sobre política, filhos e principalmente, a vida nômade que leva - e que eu acho simplesmente o máximo. A entrevista é imperdível e destaco dois trechos:

"It takes more courage to actually learn about an issue or maybe go to Washington and try to push for a change in a law, because it makes you nervous and it matters so much. It doesn't take courage to drink too much and be wild or jump around. That doesn't take any kind of boldness, just riding a motorcycle or whatever the idea of being tough is. Tough is having four kids. Tough is committing to life and being disciplined."

"It's a nomadic life, and I think that that's a great life. I'm excited when we take our kids to a new country and they don't just immediately look for the comforts of home. They blend into that country. (...) Send them to any place in the world and they won't be scared. They'll just feel like they can make friends there."

Palmas a Angelina Jolie, que se não é levada a sério pela crítica de cinema, pelo menos na vida pessoal faz a sua parte por um mundo melhor, de forma prática e sem choramingos.


5) Não interessa para onde você viaje, em qualquer lugar é importante tentar ser um turista responsável - e agradável.


6) O Caio deu a dica numa caixa de comentário aqui no blog que tinha visitado o sul da Índia e blogado isso em agosto, na série chamada "Em Nilgiris em busca de chá" - e eu tinha perdido. Fui ler e recuperar a perda, e convoco todos a fazerem o mesmo. A região parece encantadora - e os macacos negros mais ainda. Mas caí mesmo de amores foi pelo veado sarapintado. Que fofo!


7) Como seria a península coreana sem as tropas americanas por lá: um exercício de futurologia interessante.


8) O Thiago Montini publicou lá no Goitacá algo que eu achei incrível: a foto da maior piscina do mundo, no Chile, com 1 km de extensão! Fica num resort de frente pra praia, o que parece uma incoerência - mas dado o frio do Pacífico por aquelas bandas, imagino que faça sentido ter tamanha piscina. Bizarrice adorável pro Guiness.


9) Ver um tubarão-baleia embaixo d'água já é uma sorte de poucos. Albino, então, é mais sorte que ganhar na loteria 7 vezes seguidas. Lindíssimo!


10) Super-Edney deu o toque: tem projeto novo de viagem no Interney. Foreigners é uma proposta interessante de 7 livros virtuais sobre um dos meus temas prediletos de divagação: sentir-se estrangeira sempre. 7 autores de diferentes nacionalidades criarão estórias de ficção com auxílio de outro escritor da cidade escolhida para se ser "estrangeiro". Não entendeu? Então leia a explicação melhor dessa maravilha na deliciosa página de abertura do site, cheia daqueles mapas antigos que eu adoro admirar. A ser acompanhado de perto.


11) Também via Interney, fico sabendo que segunda dia 03 tem lançamento do livro do Doni "Meias vermelhas e histórias inteiras", no bar Genial, na Vila Madalena em Sampa. Parabéns, Doni!


12) Leio no Hidden Travel Gems o alerta: visite os hutongs de Beijing antes que eles desapareçam. Os hutongs são as ruas estreitas das "vilinhas" com quintais comunitários onde boa parte dos chineses de Beijing moram - ou moravam, antes do advento da modernização da cidade. De qualquer forma, o post é positivo e vê boas alternativas para evitar o fim cultural dessa parte da história popular chinesa.

Hutong
Um pedaço de hutong no coração de Beijing...


13) Finalmente, uma reportagem internacional que faz jus aos maravilhosos botecos da minha querida BH. Para ser lida ao som de "Samba do Approach" do Zeca Pagodinho. :P (Via VnV antigo. Nova jornada do VnV aqui.)


14) "When one man, for whatever reason, leads an extraordinary life he has no right to keep it to himself." (Jacques Cousteau)

Gostei desse tagline. Achei no blog do "CamDiver" Mark Thorpe, que conhecemos em Palau - ele filmava os mergulhos no Blue Corner para os turistas. Mark venceu o prestigiado Festival de Antibes de Imagens Submarinas desse ano, com um vídeo esplêndido sobre muck-diving. Congrats, Mark!


15) Mas tem (brasileiro) louco pra tudo nessa vida, mesmo!

(E se essas anotações começaram falando de Dubai, por que não terminar por lá de novo, né? A Denise esteve lá recentemente e postou sua viagem de forma deliciosa. O post sobre as burgas deu o que falar, mas eu adorei mesmo foram as visões da cidade no meio do deserto. Pra lista de destinos desejados já!)


Tudo de bom sempre.

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segunda-feira, novembro 26, 2007

Roda-mar

Como "petisco" para o tema do mês no Roda de Ciência, fiz uma compilação dos 5 posts sobre o mar que eu já publiquei no blog e de que mais gosto. Vão lá ver quais são - e aproveitem para entrar na discussão do mês... ;)

Tudo de mar sempre.

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sexta-feira, novembro 23, 2007

O Rito das Cordas

O ano era 1995. Andando de bobeira pela Savassi, em Belo Horizonte, encontrei uma loja de CDs que estava liquidando tudo, para fechar as portas. A loja estava vazia, mas eu resolvi entrar e ver se garimpava algo de útil no meio daquelas bancas sem organização alguma onde a maior parte dos artistas listados era desconhecida para mim. No meio da bagunça da loja, achei um CD de um trio de músicos de fusão conhecidos, com um baixista que eu conhecia e apreciava, Stanley Clarke, um violinista que eu adoro, o Jean Luc Ponty, e um violonista que eu acho cansativo de se ouvir, o Al Di Meola. Chamava-se "The Rite of Strings".

O disco me seduziu pela capa vermelha. A presença do Meola me incomodava, mas como estava muito barato e eu gostava do Clarke, resolvi levar - lembro que comprei também um do John Patitucci nessa mesma leva, o "Another World". De volta em casa, fui sedenta ouvir o tal disco, chamado "The Rite of Strings". Sem maiores expectativas.

Que boa surpresa! O cd era tão maravilhoso, um som tão rico e exuberante vindo de um "simples" trio de cordas (violino, baixo acústico e violão), que o disco passou dias dentro do meu cd player - e eu o devorando com a máxima voracidade musical que se pode imaginar. Comecei a cantarolar as músicas de cor - e como se trata de um disco instrumental, eu ficava fazendo sons estranhos seguindo a melodia que a minha cabeça não cansava de repetir sem parar, pelas ruas da cidade. O som magnífico ecoava profundamente, elevando meu coração e trazendo um estímulo sonoro completamente novo aos meus ouvidos. Virei então uma verdadeira malla sem alça: passei a mostrar aquele som encantado a todos meus amigos músicos de Viçosa, inclusive Pablo e Gabriel, que também caíram de amores pelo som desse trio mágico.

Desde esse momento em 1995, "The Rite of Strings" é um dos meus favoritos de todos os tempos de música instrumental. Mas nasceu então a sede de ver shows, mais gravações dessa banda junta. Só tinha um problema: esse era aparentemente um trabalho único, uma gig de uma vez só, pois os músicos tinham suas carreiras já consolidadas em outras bandas e círculos. A impressão que eu tinha era de que aquele disco tinha sido o resultado de um encontro de amigos que decidiram tocar numa tarde de sábado, ou algo assim. Nenhum outro material sobre esse encontro era achável e lembro que se fez grande alarde entre meus amigos quando Pablo comentou que vira na TV em um canal obscuro um pedaço do show. Isso só aumentava no íntimo do meu ser a sede de mais daquele som.

O tempo passou. "The Rite of Strings" continuava sendo um dos cds mais tocados no meu iPod, e eu continuava cativada pelas melodias como no primeiro dia em que ouvi - "Renaissance" é ainda a minha favorita. Comprei sons de cada um dos três músicos em separado, apreciando cada vez mais o trabalho de Clarke e Ponty, principalmente. Os sons de cada um eram excelentes, mas não tinham o mesmo quê especial que o trio produziu no ano de 1995. E nenhuma perspectiva à vista de um dia sequer ver um show desse trio junto. Ficava esse desejo pessoal jogado no campo dos sonhos impossíveis.

Até ontem à noite, quando, de susto, o sonho se realizou. Digo de susto porque meu amigo Gabriel me avisou há alguns dias atrás num email rápido que o trio estaria em Sampa. Procurei imediatamente no jornal e fui comprar meu ingresso. Porque esse show era simplesmente imperdível para uma apaixonada por jazz como eu.

I had a dream - e ele se realizou. Essa foi minha sensação ao sair da sala de concerto. O show foi além das minhas expectativas, fenomenal no mais amplo e irrestrito sentido da palavra. Absolutamente nada tirou o brilho de ouvir aquelas músicas com as quais tanto sonhei ao vivo, depois de 12 anos de espera silenciosa. Apesar do Meola ainda não me encantar sozinho, seu som com o trio se torna o encaixe perfeito. Jean Luc Ponty é um mago do violino que foi aplaudido de pé em seu momento solo. Stanley Clarke fez sozinho um blues de improviso que me deixou arrepiada, além de tocar em duo com Ponty um bebop de Charlie Parker maravilhoso. A essência daqueles 3 músicos juntos foi sentida e ouvida, desafiando cada corda, suspirando cada acorde, derretendo a platéia em um uníssono de alegria contagiante.

Eu estava lá, finalmente em meio ao rito das cordas mágicas. Inesquecível.

Obrigada Ponty, Clarke e Meola, por se juntarem num dia longínquo de 1995 e produzirem essa obra-prima chamada "The Rite of Strings", que esbanja a felicidade de música inebriante. Obrigada por trazerem aos meus ouvidos após 12 anos de espera a fusão maravilhosa da noite de ontem, eternizada no coração de uma malla.

Tudo de jazz sempre.

Rite-of-Strings-Live-in-SP
O trio no palco: Jean Luc Ponty, Stanley Clarke e Al Di Meola.

*Post dedicado aos meus amigaços Gabriel e Pablóide, figuras de quem sempre lembro ao ouvir esse disco tão especial.

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quarta-feira, novembro 21, 2007

Orelhões do Brasil - atualização

Minha coleção de fotos de orelhões divertidos do Brasil só vem crescendo e resolvi expor aqui as últimas adições especiais feitas, achadas no arquivo durante a mudança.

Em Manaus (AM), no Zoológico da Cidade (que é mantido pelo Exército Brasileiro), há 4 tipos com a fauna local: tucano, onça pintada e araras. São bem parecidos com os de Bonito (MS) - quem será que fez primeiro?

Orelhao TucanoOrelhao Onça
Orelhão Arara azulOrelhao Arara vermelha

Em Fortaleza (CE), dentro do Beach Park, achei essa pérola - ou melhor, a concha dela - e em duplicata:

Orelhao concha

Em Poços de Caldas (MG), na Praça das Rosas, nada mais óbvio que colocar um orelhão de rosas. Aliás, a Praça está linda, foi reformada e agora conta com um jardim de rosas multicoloridas mais viçoso que nunca. Visite de manhã cedinho para sentir o aroma delicioso das flores.

Orelhao da Rosa

Tudo de orelhão sempre.

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segunda-feira, novembro 19, 2007

Aos poucos voltando

O falecimento da minha sogra Denise trouxe algumas reviravoltas em minha vida pessoal. Não é sempre que um acontecimento fúnebre muda o rumo das pessoas, as faz refletir e analisar cada detalhe passado, presente e futuro. Mas no meu caso particular, foi o que aconteceu. E confesso: amigos, não tem sido fácil. Obrigada a todos que me deixaram mensagens das mais diversas formas nesse período difícil: vocês não têm idéia de como as palavras de conforto são importantes de serem ouvidas e sentidas.

Denise-Seale
Denise Seale, 1939-2007.

D. Denise era uma pessoa muito enérgica, e sua voz continua ecoando pelos cantos da casa e do meu coração. Quando nos via em meio a problemas, aconselhava: "se a vida te dá limões, esprema-os e faça uma bela limonada!" Não havia tempo ruim pra ela. Sua capacidade de ajudar os outros, de pensar em prol do próximo muito mais que a si mesmo, de se dedicar tanto às cobras e lagartos, aos gatos e cachorros, aos sapos e humanos, de levar a vida em ritmo de limonada, são lições que ficam em nossos corações pro resto das nossas vidas. Como bem disse André no memorial que escreveu aos amigos e parentes:

"O alto-astral de sua presença extravasava com facilidade e vigor. Compreendida ou não, ajudar ao próximo e aos que precisavam de ajuda foi sempre sua mais pura, profunda e genuína meta. Egoísmo era uma palavra que não existia em seu dicionário. (...) Podia ser um sobrinho, um colega de trabalho, a síndica do prédio, o caixa do supermercado ou a primeira pessoa que ela encontrasse pela rua; podia ser um docinho, um brinquedo, uma compra supérflua, tratamento médico, muito ou pouco dinheiro; realmente não interessava a cor, o temperamento, a formação ideológica ou a procedência de quem recebia. Tampouco interessava a forma pela qual a dádiva era transmitida. A Denise estava sempre estava lá com os braços abertos, emanando bondade e alegria irrestritamente. Com extrema humildade e abastecida por energia inesgotável, sua maior fonte de satisfação pessoal não era centrada em si mesma, mas em elevar o conforto e satisfação dos que estavam a sua volta. (...) Também não havia limites de espécie. Foi importante colaboradora no resgate dos animais da represa de Balbina, antes da área ser inundada. Certa vez, voltei da escola e me deparei com dez jabutis excedentes do zoológico de São Paulo no quintal de casa. Já mais recentemente demonstrava isso com seu amor aos cães abandonados da USP, empregando grande quantidade de seu tempo e recurso para promover o amparo dos animais indefesos. (...) Já realizada e reconhecida profissionalmente, num exemplo claro da dedicação passional à causa científica que tanto a caracterizava, abdicou de sua aposentadoria em 1989 e continuou a dar aulas noturnas a calouros da USP, a educar comunidades carentes, a orientar estudantes e a coordenar um projeto gigantesco de levantamento da biodiversidade paulista pelo qual fez nada menos que 61 viagens de campo nos últimos quatro anos, em trilhas que deixavam seus estudantes cansados. Ela não cansava, pelo contrário: a mata a revigorava. (...) Ficarei com a certeza e o alívio de que suas memórias me trarão os melhores exemplos e ensinamentos a serem seguidos e me proporcionarão uma vida repleta de felicidade e satisfação."


Sua morte abrupta foi um grande choque, para todos a sua volta. Um dia, conversava com amigos pelo telefone e corredores do departamento; foi dormir cheia de planos pro dia seguinte, atarefada como sempre, provavelmente pensando em seus mil projetos; não mais acordou. Tudo isso trouxe à tona para mim a perspectiva chavão mas real de que devemos realmente viver a vida a cada dia na plenitude de ser o último, pois o fato é: não sabemos se amanhã aqui estaremos para mais nada. Ela não estava. E a vida é mesmo assim: uma hora é, na outra não é mais. Um sopro curto e simples, que a gente torna, no meio-tempo entre os dois estados, tão exageradamente maior, significativo. E belo. Vivamos, pois.

D. Denise passou pela vida e VIVEU-A. Intensamente. Isso é realizar-se. Isso é ter sido verdadeiramente feliz. E isso é o mais lindo que ela pôde nos deixar: a certeza da felicidade.

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Nesses quase 20 dias de reclusão virtual, minha localização geográfica no planeta também mudou. Se antes eu blogava da minha casinha querida e pacata no sul de Minas, com cheiro de pão de queijo e gosto de água termal, agora estou com mais afinco na paulicéia desvairada, onde planejamos assentar por mais um bom tempo em meio ao turbilhão de informação e animosidade que são características fundamentais dessa metrópole. Tive pouco tempo para empacotar uma casa e trazê-la para seu destino na capital, e minha vida ainda está, nesse sentido, uma bagunça, em meio a caixas com pertences e lembranças. Mas sinto falta do meu quinhão virtual, e pretendo aos poucos deixar a divagação fúnebre de lado e voltar a escrever minhas viagens na maionese de sempre. Para a minha pessoa malla, essa é a melhor terapia possível para abrandar a tristeza. Devagar, no ritmo que a vida deve ser levada, voltemos, pois.

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Anteontem, sábado, este blog teve seu acesso de número 200,000. Não é muito, eu sei, mas para uma pessoa como eu, que escreve pessoalidades sem preocupações, é gratificante saber que tantos já passaram por aqui em algum momento. Obrigada aos que me dão a honra da visita. Viajemos, pois.

Visita-200000-Lucia-Malla
A visita 200,000 veio de Natal (RN) e procurava por baleias narwhal, uma espécie de baleia muito ameaçada que vive no Ártico.

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O Roda de Ciência desse mês está discutindo um tema que eu amo: os mares do planeta. Pretendo entrar na discussão em algum momento dessa semana nesse mesmo bat-blog. Ou seja, aos poucos vou voltando também à minha rotina e temas de sempre, puntuados das mallices tradicionais. E com um quê do sorriso que a vida merece. Sorrimos, pois.

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Tudo é. Ou está sendo. Ou não é. SEMPRE.

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quinta-feira, novembro 01, 2007

Blog de luto

Sem posts por um tempo.