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domingo, dezembro 30, 2007

Balanço 2007

Quando respondi no início do ano ao meme das resoluções para 2007, escrevi o que esperava fazer então:

"1) Ir ao Hawai'i de novo.
2) Diminuir o consumo de plástico e papel.
3) Ler "The God Delusion", do Richard Dawkins.
4) Visitar o Aquário de Monterey, na Califórnia.
5) Estudar mais sobre aquecimento global e as consequências sobre os seres vivos.
"

Acho que consegui realizar tudo a que me propus: fui ao Hawaii para o casamento de um amigo, diminuí o consumo de plástico e papel (mas preciso diminuir muito mais ainda...), li o "God Delusion", visitei o Aquário de Monterey (virei criança de novo por lá) e estudei sobre aquecimento global - e continuarei estudando e lendo e curiosa sobre o assunto, para participar mais ativamente do blog criado para tal finalidade prática.

Mas 2007 foi também um ano de perdas afetivas incomensuráveis para mim, das quais ainda estou me recuperando. Espero imensamente que eu saiba retirar sabedoria desses momentos de tristeza vividos para construir um futuro melhor para mim e minha família. É essencial que a alegria volte a reinar, porque eu sou movida a otimismo, e lágrimas me drenam demais da força vital.

Então, o que espero para 2008?

Bloguisticamente falando, quero terminar de logar as inúmeras viagens feitas em anos anteriores - Belo Horizonte, Kona, Lençóis Maranhenses, Geoje-do, boto-rosa, Fortaleza, Flórida, entre muitas outras pendentes de descrições pessoais. Talvez uma boa opção para 2008 também seja dedicar-se a projetos precisos, sem perder o foco com os acidentes do percurso que a vida nos apronta. Deixar-me levar com apreciação pela caminhada.

2008 tem 8 no fim, o infinito verticalizado. Então que a animosidade para boas causas seja assim, infinita de cima a baixo, de cabo a rabo, para todos os habitantes do planetinha azul. Tranquilidade e disposição infinitas: é o que mais peço nesse ano que entrará em breve.

Tudo de paz sempre a todos em 2008.

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quinta-feira, dezembro 27, 2007

Luto felino

Tchau, Catupiry

Catupiry nasceu nas ruas de Honolulu, Havaí em algum momento de 1997. Gato de praia, acompanhou seus donos viajantes em aventuras pela Coréia do Sul, onde residiu por 3 anos e conheceu a neve. Chegou ao Brasil em 2006 cheio de milhagens e gatinagens, e desde então aprendeu a conviver com outros ares e pares - amava a todos de forma carinhosa. No sábado passado foi para a UTI veterinária, com uma crise hiperglicêmica incontrolável (insulina não dava mais jeito), e a glicose a 857 acarretou uma total falência renal. Depois de muita medicação e amor, não resistiu à diabetes e fechou seus olhos pela última vez na noite de 25 de dezembro de 2007.

Estou muito triste por perdê-lo.

Catupiry, obrigada por compartilhar seu amor e carinho incondicionais conosco. Você foi o melhor gato que podíamos ter e suas aventuras, sorrisos e miadas, registradas em nossos corações, serão memórias de uma vida de gato feliz que levaremos em nossa jornada da vida. Saudades ficarão, e se ficam, é porque valeu muito a pena tê-lo ao nosso redor. Mais que gato, você foi nosso companheiro. Obrigada por ter existido e tornado nossa vida alegremente mais felina.

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segunda-feira, dezembro 24, 2007

A todos que passarem por aqui hoje...

Feliz Natal de Jeju

Tirei essa foto em 2005 durante uma viagem à ilha de Jeju. Esses bonecos de pedra estavam num parque e são os tradicionais harubangs, feitos de pedra vulcânica e encontrados apenas nessa ilha coreana. O dizer em coreano vocês podem adivinhar o que é, né? :)

Tudo de Feliz Natal sempre para todos os que passaram, passam e passarão por esse blog!

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quarta-feira, dezembro 19, 2007

Era uma vez...

33 anos.

Underwater fun
De diversão!

Não tenho do que reclamar. Minha vida, apesar dos muitos percalços e dificuldades (necessárias afinal), tem sido uma deliciosa viagem, cheia de sorrisos, risadas, amigos e leveza.

Hoje em edição especial egocêntrica... tudo de bom sempre para mim.

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13 lugares que foram muito especiais para mim:

1. Shipwreck Beach, Kauai
2. Rio de Janeiro
3. Hanauma Bay, Oahu
4. Ouro Preto
5. Viçosa
6. Palau
7. Berlim/Potsdam
8. Barcelona
9. Malapascua
10. Praia da Costa, Vila Velha
11. Boston
12. São Paulo
13. Mokuleia, Oahu


... e mais 20 locais que eu ainda quero que sejam especiais (lista de hoje, 19 de dezembro de 2007; registro porque muda quase todo dia):

1. Namíbia
2. Fiji
3. Vulcões do Kamchatka
4. Nepal (e o Himalaia, é claro!)
5. Islândia
6. Molokai & Niihau
7. Antárctica
8. Ilhas Marianas
9. Maldivas
10. Brasília
11. Madagascar
12. St. Petersburg
13. Galápagos
14. Papua Nova Guiné
15. Quênia
16. Ilhas Seychelles
17. Alaska
18. Açores
19. Finlândia
20. Istanbul


Somando, são 33 lugares pra recordar ou ainda viver. Ou ambos, já que a vida é uma viagem só. Que venham mais aventuras!

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terça-feira, dezembro 18, 2007

O mar em reservas

Em setembro passado, voltando do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, André passou por Fernando de Noronha e ficou 3 dias mergulhando por lá. Quando lá estivemos em 2003, a ilha nos presenteou com um estado de conservação primoroso. Saímos de lá muito satisfeitos. Ali estava um exemplo de projeto de reserva marinha bem executado e gerenciado. Dessa última vez, André relatou que as coisas aparentemente até melhoraram - mais animais saudáveis, pelo menos embaixo d'água, são vistos em cada vez maior abundância. Maravilhoso.

Diversidade - NoronhaTide pool-Noronha
Visões do ambiente marinho em Fernando de Noronha: cada vez mais lindo! (E abundante, o que é melhor ainda.)

Há poucos dias, eis que me cai nas mãos uma série de relatórios didáticos sobre o estado das reservas marinhas nos EUA e no mundo, feito por um consórcio de pesquisadores das universidades de Stanford, Oregon e California (Santa Barbara e Santa Cruz). Em grossas linhas, sugere-se que o número total de reservas marinhas pelo mundo é ínfimo, a eficiência das áreas protegidas ainda precisa melhorar e o maior desafio à implementação das mesmas são entraves econômicos e sociais. Nada disso soa como novidade, eu sei, mas acredito que algumas elucidações trazidas pelo relatório cabem aqui ser discutidas.

A mais interessante delas é a distinção entre reserva marinha e área de proteção ambiental em parâmetros mundiais. Não apenas a distinção conceitual, mas a distinção de resultados para o ambiente. Nas reservas marinhas, a única atividade econômica permitida é o ecoturismo, mesmo assim com restrições. Conceitualmente, as reservas são protegidas completamente e têm acesso controlado rigoroso. Nas áreas de proteção, por outro lado, há a possibilidade de pesca (nem que seja por um período do ano apenas), há o turismo com menos rigor e a proteção pode ser apenas parcial (a determinadas espécies, épocas do ano e afins). Mas por que existe essa diferença na hora de se determinar uma área marinha necessitada de proteção?

Basicamente, por causa do fator humano. A vontade geral dos ambientalistas e cientistas envolvidos em questões de conservação é proteger tudo, mas é claro, não se deve esquecer das pessoas que moram/vivem dos recursos que aquele pedaço do oceano dispõe - além dos interesses macroeconômicos de desenvolvimento, como no caso do porto de Suape, que todos sabemos o problema que gerou. Mas comunidades pesqueiras, em sua maioria, dependem do mar para sobreviver, e é baseado nessa realidade primária, nessa preocupação social, que as políticas de proteção em geral escolhem o que a área será, se haverá impedimento total de acesso pesqueiro (reserva) ou parcial (área de proteção).

Dos 2.2 milhões de km quadrados de mar protegidos do planeta (isso dá ~0.6% do mar inteiro, o que por si só já é um número ínfimo), apenas 36,000 km quadrados são reservas marinhas. É menos de 0.01% desses já minúsculos 0.6% do oceano. Todo o resto nesses 0.6% são áreas de proteção, onde há uma flexibilidade maior que permite o uso dos recursos da região. Entretanto, no mesmo relatório, comparam-se as duas formas de gerenciamento ambiental em relação às melhorias para a biodiversidade, para o ecossistema e até para as populações vizinhas. O resultado é impressionante.

Devido à inexistência de barreiras geográficas embaixo d'água para a maioria dos animais que lá habitam, a proteção total de uma área permite que os mesmos aumentem em número e extravazem seus limites de hábitat para áreas nas redondezas - o que faz aumentar a população de uma espécie como um todo num raio maior do que o da reserva em si. Ao extravasar para áreas não-protegidas vizinhas, beneficiam os moradores da região. Um belo exemplo desse tipo de enfoque aconteceu na ilha de Apo, nas Filipinas. A região de reserva é intocável (aberta apenas a mergulhos recreativos), mesmo pelos pescadores da ilha. Mas como a reserva permite que os peixes vivam e cresçam bem, depois da instalação da reserva, os pescadores conseguiram aumentar a longo prazo a produção pesqueira local, principalmente em qualidade - o problema dessa estratégia está no "longo prazo", que muitos não conseguem visualizar muito menos têm paciência de esperar. Educar os pescadores a entenderem que dá certo é o desafio maior.

Em áreas designadas "reservas", os animais também têm a possibilidade de completar seu ciclo de vida sem interrupção temporal, e com isso, crescerem mais. Peixes que crescem mais geram mais filhotes, como mostra claramente o gráfico abaixo, que usa como exemplo a garoupa de coral.

Tamanho do peixe X reproducao

Ou seja, há uma diminuição do perigo de extinção não apenas pela proteção daquele indivíduo, mas por um aumento populacional saudável, de acordo com as leis naturais. Tamanho é documento para as garoupas. Pelo menos, maior garantia de prole, maior probabilidade de deixar herdeiros.

Garoupa FilipinasCoral grouper-Tailandia
Garoupa de coral: quanto maior, mais filhotes viáveis.

Um outro dado interessante levantado é que não interessa muito o tamanho da reserva nem sua localização. Tanto reservas em águas temperadas como em águas tropicais são igualmente eficientes na melhoria da biomassa. Mesmo reservas minúsculas trazem benefícios a espécies pequenas - as espécies maiores requerem inevitavelmente áreas maiores, para novo desconforto político-ambiental. Há de se olhar portanto as espécies-alvo, mais necessitadas de proteção - se forem invertebrados, pode-se cogitar diminuir o tamanho da reserva para prejudicar menos a população humana.

E quantas reservas devem existir? Quanto mais, melhor? Em minha opinião pessoal, na atual conjuntura de calamidade que o mar se encontra, quanto mais definirmos áreas como reservas, melhor. Elas podem ser nossa última alternativa para solucionar a questão da destruição dos oceanos. Entretanto, a necessidade de sustentabilidade com os humanos ao redor nos leva a ter que elaborar um pouco mais para obtermos um bom resultado sem prejudicar pessoas. O ideal é usar um conceito muito popular na ecologia hoje em dia e fazer uma série de áreas interconectadas e adjacentes, numa espécie de corredor ecológico, que liga uma reserva a outra, sucessivamente - no ambiente terrestre, temos na região norte do Brasil o maior corredor de floresta tropical do mundo, que liga diversos fragmentos de reserva incluindo Amanã, Mamirauá e Jaú. O conceito de corredor não se aplica no mar da mesma forma, pois o mar não tem fronteiras tão claras e delimitadas como em terra; mas a idéia de ter reservas de localização próximas permitiria a formação de uma rede de troca genética e de espécies entre as reservas, aumentando a biodiversidade de forma saudável, sem a intervenção humana predatória e mantendo as leis de seleção natural como únicas responsáveis pelo aumento/decréscimo de populações. Deixando a vida rolar.

Mas nem sempre a intervenção humana é predatória. São os pescadores que mais sofrem quando o peixe acaba, e são eles que se organizam em associações e pedem soluções inteligentes aos governos. São os cientistas que fazem levantamentos, estudam espécies e possuem um maior aparato de informação para julgar a validade de uma reserva em certa região. São os governos que têm o poder de definir uma reserva, implementar políticas conservacionistas e garantir fiscalização contra pesca ilegal e quetais. Portanto, está nas mãos de humanos a gestação de uma reserva. Mais que problema, somos também a esperança de solução.

Rongelap surveyNamu-survey
Pesquisadores em ação, angariando dados para a criação de áreas de proteção ou reservas em atóis das Ilhas Marshall... (Mais fotos dos atóis estudados aqui, aqui e aqui.)


NoronhaAjuma com peixe
... e pescadores, os primeiros beneficitários com a criação das mesmas - embora num primeiro momento, haja relutância. Questão de ensinar e explicar com clareza, portanto.

Digo isso porque é muito fácil apontar o dedo e dizer que o governo deveria se mobilizar para criar uma reserva na área x, os pescadores deveriam parar de pescar, etc e tal, mas esquecemos frequentemente que muitas dessas ações começam da vontade e/ou necessidade popular expressa de alguma forma. O político não vai simplesmente um dia acordar e definir uma reserva. Ele precisa de respaldo científico, social e principalmente econômica, já que implementar e manter uma reserva custa dinheiro e deve gerar (na mentalidade vigente) algum tipo de benefício como retorno.

No Brasil, há apenas 2 reservas marinhas: o complexo Fernando de Noronha/Atol das Rocas e Abrolhos. Todas as demais áreas do litoral ambientalmente importantes são apenas "de proteção" ou não englobam o ecossistema marinho em sua completude, sendo apenas reservas "terrestres" (os Lençóis Maranhenses são um exemplo bom nesse caso). Em ambos os casos, o governo explora o ecoturismo como forma de gerar renda para manter a área como reserva. É uma alternativa - talvez não a mais eficiente, mas já é algo.

E Fernando de Noronha a cada ano que passa parece corroborar mais na prática a importância das reservas como a melhor alternativa tanto para a população quanto para o ambiente. É o melhor meio-termo que se pode imaginar no caos azul que nos encontramos - o único pré-requisito para essa solução é aprender a pensar em longo prazo nos seus resultados. Só assim, a gente terá chance de resgatar o pote de ouro do fim do arco-íris.

Arco-iris

Tudo de mar sempre.

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- E eis que mais uma reserva ambiental está sendo invadida por pescadores ilegais. Dessa vez, em Palau, para o comércio de animais vivos em Hong Kong. Deprimente. Quem deu o alerta ao mundo foi o pessoal da Sam's, com quem mergulhamos em Palau.

- Esse post é minha contribuição ultra-super tardia ao Roda de Ciência do mês de novembro e dezembro, que discutiu os mares do planeta. Mesmo atrasadérrima, eu não podia deixar de dar meu pitaco sobre esse tema que para mim é de importância máxima. Se quiserem atiçar a discussão, comentem lá.

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sábado, dezembro 15, 2007

Viajando pelo MSN: Daniel Bender

O Bender é o responsável-mor pelo blog coletivo de viagens Goitacá, onde eu escrevo de vez em quando. É ele que dá os puxões de orelha necessários na galera quando o blog desanda, que elogia e organiza aquela paragem internética. Ele também tem seu blog pessoal, onde fala um pouco de tudo, mas principalmente de notícias bizarras, exóticas e de cerveja - foi lá que eu vi vários modelos de árvore de Natal feitos com cerveja, uma piada. Mas fora da vida bloguística, o Bender é um moço de Novo Hamburgo, manso, educado e com um papo agradável, com quem dou muitas risadas pelos messengers da vida. Ele me concedeu a gentileza dessa entrevista pelo MSN há alguns meses, e devido a todas as confusões por que venho passando ultimamente, ela só sai agora publicada no blog. Peço desculpas ao Bender pela demora, mas antes tarde do que nunca, né? Com vocês, as palavras viajantes do Daniel Bender. Divirtam-se!

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Bender
Daniel Bender na Muralha da China. (Foto gentilmente cedida por ele.)


- Você se considera mais ecoturista ou é mais adepto(a) aos passeios urbanos?

Bender: Eu sou um urbanóide. Eu e minha esposa na verdade. Tanto é que na nossa lua de mel não fomos para a praia nem para a montanha. Fomos para São Paulo.


- Nossa, urbano mesmo!!!


Bender: Não que não tenha interesse pelo verde, que eu tenho. Já fizemos trilhas em vários lugares (inclusive a trilha inca), mas nas cidades nós nos sintonizamos mais.


- Entendo perfeitamente. E como você escolhe seus destinos? Amigos, curiosidade, internet etc.?


Bender: Acho que o mais importante é a oportunidade. Em julho passado nós fomos para a China passear porque temos vários amigos morando por lá. Sabe como é, a galera do calçado e couro se bandeou para os lados de lá trabalhar e ficava insistindo "quando vocês vêm nos visitar?". Bom, nós fomos.


- Eu acho um barato viajar para visitar amigos em lugares diferentes. É uma boa desculpa. :P

Bender: Em novembro fomos ao Rio levar o carro do meu cunhado. Ele ia pagar R$ 800 para um caminhão cegonha, nós dissemos que levaríamos por menos. :D
Somos muito competitivos em viagens...


- Qual foi sua viagem inesquecível? Por quê?


Bender: Acho que nada ainda superou ter feito um mochilão na Europa em 2000. Naquela ocasião eu aprendi a gostar de passear e a interagir com gente de tudo quanto é lado do planeta. Também foi possível me comparar com os outros viajantes e decidir se o que lhes interessava também me interessava. Acho que foi amadurecimento forçado mesmo.


- Amadurecimento como viajante e/ou como pessoa?

Bender: Seria possível separar os dois?


- Acho que não. :P


Bender: Como viajante eu aprendi a lidar com situações adversas. Como pessoa eu aprendi a lidar com pessoas estranhas. Mas é bem misturado, né? :)


- É sim. E qual foi a pior viagem que fez? Por quê?


Bender: Foi para Porto Seguro com a minha família, pai mãe, irmãos e tal. Na época eu não percebi isso, mas Porto Seguro reúne tudo o que eu não gosto. Axé , praia, gente chata, música alta, breguice, outros turistas xaropes. Tenho a impressão hoje de que a cidade é uma gigantesca armadilha para turistas, o que é injusto, claro, afinal muita gente gosta de lá. Só acho que é o meu inferno pessoal, ou seja, cada um tem o seu.


- Você não gosta de praia? Que interessante.

Bender: É, eu não gosto muito de praia. Gosto de passear na praia como eu passearia no campo, mas pára por aí. Ficar cozinhando na areia nunca me pareceu muito divertido.


- Bom, cozinhar na areia nem é saudável, também... É que praia para mim pelo menos tem outro sentido: mergulhar. :)
Qual a comida mais exótica/ estranha que já comeu numa viagem?


Bender: Na China eu comi cobra, mas nada bate a cerveja de milho cuspido do Peru. É a chicha, acho. Maravilha culinária. Os índios a fazem mascando um tipo de milho roxo e depois cuspindo num balde. Depois deixam a meleca toda fermentar e bebem. Às vezes eles filtram. Mas só às vezes.


- Nossa, deve ser "aquilo" mesmo...

Bender: Não é ruim, mas é esquisito pacas.


- Você tem alguma mania ao viajar? Tipo colecionar fotos de orelhões, beijar o chão ao chegar, etc.?

Bender: Eu gosto de caminhar nas cidades. Gosto muito mesmo. Às vezes caminho muito mais do que o recomendável; a esposa, coitada, fica furiosa comigo. "Não era só 4 quadras, Daniel?" Mas como vamos saber de antemão o tamanho das quadras em Pequim?


- Como você elabora seu trajeto de caminhada?


Bender: Vejo os pontos que eu quero ir, dou uma olhada no mapa se a distância é menor do que 10 quadras e mando bala. Em São Paulo funcionou bem, em Pequim não (maldita cidade de avenidas grandes!).


- Haha!! Beijing é espalhada, meu caro... ;)

Bender: Eu sabia mais do que os guias, coitados. Em alguns casos, claro. :D


- Qual sua trilha sonora preferida durante uma viagem? Alguma música em especial?

Bender: Durante o mochilão na Europa eu escutei bastante música porque estava só, mas geralmente evito música em viagem. Tanto por segurança quanto para aproveitar a companhia e também escutar o que o local tem a dizer. Mas sempre tento comprar um ou dois CDs de música do lugar antes de sair. Um belíssimo souvenir.


- E você tem alguma banda/música diferente que indicaria?


Bender: No Peru eu comprei um CD de uma banda chamada "El Viejo" que mistura os sons dos índios com Heavy Metal com muito bom gosto. Foi indicação de um amigo de lá. Eu adorei!


- Nossa, índios com heavy metal, que sepulturesco!

Bender: É verdade. Gente criativa esses peruanos…


- Tenho vontade de conhecer o país, parece bem interessante.

Bender: Tem que ir. Morro de vontade de voltar lá e conhecer o resto.


- Você faz muitas viagens de "volta" a lugares que gostou?

Bender: Ainda não fiz nenhuma dessas viagens. Infelizmente, mas ainda sou um cara novo. O problema é que esse mundo é grande e o tempo é escasso.


- Você leu meu texto no Marmota? Fala sobre isso. A síndrome do mundo grande. E qual o souvenir mais exótico que já trouxe de algum lugar?

Bender: O souvenir mais estranho seriam "duas bolas relaxantes" que eu comprei em Xian. A vendedora queria RMB 50, eu ofereci 5, ela retrucou e fechamos por RMB 10 (R$ 2,50).


- Bolas relaxantes?

Bender: É. Eu achei uma delas bonita e pechinchei o preço de apenas uma. Depois de fechado o negócio, a mulher embalou duas bolas dentro de uma caxinha tetéia. Ainda não usei. Mas só de pensar em não precisar mais pechinchar eu relaxo, comprovando portanto a eficácia do produto.


- Hahahahaha!!! Você não gosta de pechinchar?

Bender: Eu gosto, mas tem um certo ponto em que a coisa começa a irritar. Eu simplesmente não tinha mais noção de preço algum e me limitava em sugerir o preço mais ultrajante possível para o vendedor me mandar embora. Funcionou quase sempre. Com as bolas não deu muito certo. Chegou um momento em que eu perdi completamente o tesão inclusive por isso e ficava debochando dos caras tentando vender desesperadamente. "Não, eu não preciso de relógios falsos porque tenho um implantado na cabeça", "Não, eu já tenho sapatos, por que eu precisaria de outros?"


- Deve ter sido hilária a reação deles. Na Ásia, os vendedores são muito "certinhos", não devem ter entendido a piada.

Bender: Alguns apontavam para mim e diziam que eu era "very bad, sir". Outros só faziam "humpf" e me esqueciam.


- Uma dica sua especial, Bender.


Bender: A única dica que serve para todo mundo é "planejem sua viagem financeiramente". Depois não adianta ter a oportunidade, ter o tempo, ter vontade e nao ter grana para gastar. Viajar pode custar caro ou barato, o que vai definir isso é o quanto for planejado.


- Excelente dica! E a próxima viagem é para...


Bender: Ainda não planejamos, há a possibilidade de ir para o Uruguai visitar a Nospheratt (ainda não combinei com ela, hehe). Há também a vontade de ir para a África do Sul (agora só falta a grana, bah) e para a Terra do Fogo. Pensando bem, há a vontade de se conhecer o mundo inteiro. Olha, ser um cara curioso é um saco!


- Eu sofro do mesmo problema, não se preocupe... :D

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P.S.: Na última quinta, fui assistir a um dos remanescentes daquela galera de Seattle, que passou por Sampa e deixou um rastro de grunge no ar. Chris Cornell, o Escravo do Áudio no Jardim do Som de um Templo de Cachorro. A black hole concert. Marcante.

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quarta-feira, dezembro 12, 2007

Petit gâteau em Paraty

A minha amiga Patsy pediu umas dicas de Paraty nos comentários do post passado, pois vai para lá daqui a alguns dias. Minha dica mais deliciosa é essa sobremesa aí debaixo (e a dica vai especialmente também para o rei dos petit gâteaus na blogosfera, o Inagaki):

Petit gateau Paraty

Um petit gâteau dos deuses, com sorvete de morango, pedaços de cereja, pêssego e folhas de hortelã, com caldas de morango e chocolate, que comemos no restaurante Brik à Brak, no centro histórico de Paraty. Sem dúvida, o mais tropical que já comi na vida - e olha que eu sou daquelas que provo o petit gâteau de tudo quanto é lugar que vou. O visual colorido combina perfeitamente com o sabor diferenciado que o petit gâteau deles tem. Maravilhoso, um deleite para os apaixonados por doce - e pros que não são também. Não perca, Patsy!

Tudo de chocolate sempre.

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terça-feira, dezembro 11, 2007

Pequena pausa para o comercial

Na Revista Mergulho desse mês de dezembro, mais uma participação mallística - e dessa vez em dose dupla na mesma seção, os "Grandes Points". Comentei brevemente sobre a baía de Kealakekua no Hawaii e sobre a Enseada do Arquipélago de São Pedro e São Paulo, com as fotos do André ilustrando as duas notas.

Grandes points 2-dez-07

Grandes points 1-dez-07

Para ler o nano-texto, entretanto, só correndo na banca mais próxima da sua casa...

Tudo de mergulho sempre.

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P.S.: Eu amo aniversários. Celebrar, comemorar, fazer festa, dar risadas, rever amigos, agregá-los em shows, barzinhos ou numa roda de violão. Tudo isso eu acho uma delícia. Meu aniversário é daqui a uma semana e, estranhamente, eu nunca estive tão desanimada com tal data na vida como nesse ano. Nenhum plano, nenhum presente ou bar escolhido, nenhuma festa, nada. Nem eu estou me reconhecendo nesse momento.

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segunda-feira, dezembro 10, 2007

Resposta do desafio Malla: o litoral carioca continua lindo!

Eis que só a Luluzita acertou o desafio do post anterior. O João até chegou a conjecturar sobre, mas só a Luluzita disse (e com ar indeciso): Arraial do Cabo. A vista do outro lado do morro da foto é essa aí debaixo, uma vista aérea da cidadezinha - que apesar de pequena no nome de "arraial", tem eletricidade às pampas e fica numa ponta do estado do Rio.

Arraial do Cabo

A seta laranja da foto abaixo indica o local exato de onde tirei a foto do desafio, em cima do morro do Pontal do Atalaia:

Mapa de Arraial

Fizemos passeios deliciosos na região, percorremos o litoral do Rio de Arraial a Paraty, e a certeza persiste: o Rio de Janeiro (e sua costa!) continuam lindos. As histórias dessa aventura pelas estradas cariocas infelizmente ficarão para breve ou para quando a poeira abaixar - fim de ano é complicado mesmo. Tenho andado com pouco tempo para escrever, e confesso que com uma saudade danada das minhas divagações bloguísticas por aqui. Mas me aguardem, que há textos aos montes pedindo para serem escritos e registrados no bat-blog.

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... e, como prometido, aqui vão algumas fotos do encontro super-supimpa no Pacaembu do sábado retrasado, em que eu e André encontramos com os amigos conhecidos e queridíssimos Idelber, Ana, Bia, Tuca, André Kenji e Doni. Conheci também a Jussara, o Dra, o Marconi, o Branco Leone, a Cris, o Träsel, a Olivia e o Roger.

Pacaembu Blogcamp

As conversas foram longas, agradáveis e as mais diversas possíveis e imagináveis, e culminaram na sacada genial do Bia, que virou um texto-presente de Natal para mim - e olha que eu adoro (no sentido do texto do Bia) futebol, mas confesso ser difícil argumentar com tamanha lucidez e mais complexo ainda conviver com tamanha dicotomia interna. Linda reflexão que ele trouxe à tona.

Aliás, o Bia me deu de presente (de aniversário antecipado?) um exemplar de "Virgínia Berlim", e prometo para breve uma resenha - apesar de eu não ser muito boa nessas coisas de crítica literária, vou tentar com afinco. E farei com o carinho que os escritos do Bia merecem.

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Tudo de amigos sempre.

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terça-feira, dezembro 04, 2007

Desafio Malla: onde estou?

Apesar do título esquizofrênico, esse post é mais um desafio Malla para vocês se divertirem. A foto abaixo é do lugar onde estou nesse momento, passando uma semana de tranquilidade. É um litoral lindíssimo, que eu não conhecia antes. Dou algumas dicas: é uma viagem de carro (como dá pra perceber na foto), há uma ponta de penhasco e há também eletricidade no local. Pronto, já disse demais. :D

Cliff

A caixa de comentários está aberta a todos para chutes, pitacos e afins de quem quiser participar da brincadeira.

A resposta vem no domingo, quando eu finalmente voltar pra minha base. Até lá, tudo de bom sempre a todos.

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P.S.: Sábado passado, rolou botecada com amigos blogueiros no Pacaembu. Valeu a todos pelo imenso prazer do papo descontraído! (Minhas fotos do evento vêm na semana que vem, junto com a resposta do desafio.)

P.S. 2: Valeu demais pela honra da nomeação para o prêmio de melhor blog estrangeiro, mas... só um adendo: esse blog é desde o ano passado estrangeiro em terras brasileiras. Ainda tá valendo? Espero que sim! :D

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